Acabou 2019, o ano em que o Brasil encolheu e virou pária mundial

Acabou 2019, o ano em que o Brasil encolheu e virou pária mundial

Daqui a mais alguns dias, os três poderes entram em obsequioso recesso, começam as férias escolares e as festinhas de amigo secreto da firma.

Nem se Bolsonaro revogar a Lei Áurea e oficializar a pena de morte, acabar com o salário mínimo e o décimo terceiro, não vai acontecer mais nada esse ano.

Vai ficar tudo para 2020, ou melhor, para depois do Carnaval, que é quando o ano começa no Brasil.

Decisões importantes do STF, como o julgamento da suspeição de Sergio Moro, e o novo pacote de reformas do governo podem esperar a chegada de Papai Noel e do Rei Momo.

2019, um ano para esquecer, se fosse possível, vai passar para a história como o marco zero da destruição do país prometida pelo capitão-presidente, para então dar início à nova era.

Nos principais fóruns mundiais, o Brasil virou um pária, não apita mais nada, é motivo de deboche e preocupação.

Com Bolsonaro, o baixo clero e as milícias chegaram ao poder com um único objetivo: detonar todas as conquistas civilizatórias das últimas três décadas e levar o país de volta aos gloriosos tempos de 1964.

Até aqui, estão cumprindo à risca o bangue-bangue prometido na campanha eleitoral, fazendo arminha com os dedos e prometendo metralhar os adversários vermelhos.

Conseguiram estragar até a bela festa do Flamengo do domingo, ao atiçar a polícia contra o povo que extravasava sua alegria nas ruas do Rio para receber os campeões da América.

Alguém – quem será? _ deu a ordem para acabar com as comemorações, antes que o trio elétrico com os jogadores chegasse à estátua de Zumbi, como estava previsto.

Para avisar que a festa acabou, a PM de Auschwitzel começou a atirar bombas de gás lacrimogêneo e gás de pimenta na multidão, que reagiu com paus e pedras, transformando a celebração pacífica numa praça de guerra.

Sem aviso prévio, levaram os jogadores para o quartel da tropa de choque da PM, onde a delegação flamenguista foi desmobilizada.

Se agem assim contra as famílias que inundaram o centro do Rio, com um mar de bandeiras e camisas rubro-negras, cantando o hino do clube, pode-se imaginar o que farão, se e quando o povo for às ruas para protestar contra este desgoverno que encolheu o país e está rifando a soberania e o patrimônio nacionais.

Wilson Witzel, o governador neonazista de fancaria, eleito com o apoio dos Bolsonaros, rompeu com a família e agora quer o lugar deles no Palácio do Planalto.

Grotesco e sem noção, não se vexou de se ajoelhar diante de Gabigol para engraxar sua chuteira no gramado do estádio de Lima, e levou um chega pra lá do jogador.

Mais tarde, o mesmo herói dos gramados também não se envergonhou de posar sorridente ao lado do bicão em busca de foto para a próxima campanha eleitoral.

Este é o retrato perfeito da falta de caráter desses bolsominions da política e do futebol que tomaram conta do país.

Que venha logo 2020, antes que eles acabem também com o Natal.

Vida que segue.

 

 

5 thoughts on “Acabou 2019, o ano em que o Brasil encolheu e virou pária mundial

  1. Prezado Kotscho: Ontem cheguei da rua cuspindo marimbondo. Fui numa grande rede de farmácias retirar meu remédio para pressão, gratuito por lei. O atendente me disse que a farmácia não atendia o programa. Aí, perguntei, se outra grande rede não era do mesmo grupo. Depois de confirmar que sim, mas que não poderia me atender, perguntei quem poderia. Indicou outra grande rede. Atravessei a rua e fui para ela. A atendente me disse que o programa não estava entregando o medicamento e não explicou porque. Ouviu um quem mandou votar no Bolsonaro. Sorrisinho amarelo sumiu atrás do balcão. Lembrei daquela música “Canalha” do Walter Franco: “É uma dor canalha / Que te dilacera / É um grito que se espalha / Também pudera / Não tarda nem falha / Apenas te espera / Num campo de batalha / É um grito que se espalha / É uma dor / Canalha”.

  2. Nada de novo mesmo no panorama tupiniquim.
    O ensaia a criação de uma SS digital.nacional.socialista e nisso mostra o que sempre foi.
    O paulo Guedes se mostra como é. Ele que sempre oscilou entre ajudante de ditador e especulador dos mercados, agora tem um meio facil de obter uma grana para os colegas especuladores: basta dizer que TEM A IMPRESSÃO de que o PT vai voltar.
    fNão é preciso mais que isso para o dolar ir a R$ 4,28 e eles fazerem a festa.

  3. Entre gatos e sapatos as eleições vêm aí.
    O quadro geral só pode ser alterado se as urnas falarem. Exceto se um redivivo AI-5 ressurgir das cinzas e do chumbo, em nome da “garantia da lei e da ordem”.
    A conferir, portanto, o que interessa para os fins eleitorais na vigência da democracia representativa: as tendências emanadas das pesquisas eleitorais mais recentes do Ibope Inteligência.
    Dois em cada terno de eleitores que votariam com certeza no PT não votariam de jeito nenhum no PSL. Do mesmo modo, somente 6 em cada 10 eleitores convictos do PSL rejeitam totalmente o PT.
    Estranho, não é? Mas é o que diz a pesquisa. E isto tem consequências decisivas.
    Os grupos de eleitores que têm certeza de seus votos no PT ou no PSL, mas que se recusam, totalmente, a votar no partido antípoda, é apenas um terço do eleitorado. É menor do que a fração do eleitorado que diz que não votaria de jeito nenhum no PT e no PSL: 39%.
    Quase 40%, portanto, é o espaço disponível e completamente aberto para uma terceira via: de centro-esquerda ou de centro-direita.
    Miro Teixeira tem defendido a mudança do processo eleitoral, com a tese da inclusão, no segundo-turno, não apenas dos dois mais votados, mas dos três primeiros. Uma forma, segundo ele, de levar ao escrutínio dos eleitores os três representantes, grosso modo, do espectro político: direita, centro e esquerda. Segundo Miro, uma tentativa de ‘democratizar’ o segundo turno para evitar o “voto maniqueísta” e os sentimentos difusos dos “anti”.
    Os números vão ao encontro da tese de Miro Teixeira, que já foi Constituinte de 88 e longevo deputado federal pelo MDB, PMDB e PDT.
    Segundo a pesquisa os antibolsonaristas – que rejeitam também o PT -, são 28%.
    Se esses números traduzirem fielmente a realidade eleitoral, há uma avenida central por onde passará a próxima eleição majoritária, caso os mesmos erros crassos cometidos em 2018 não se repitam reproduzindo o mesmo resultado catastrófico.

  4. Amigo Kotscho
    O recesso parlamentar está próximo. O recesso do judiciário, também.
    As notícias políticas perderão espaço na mídia, que se encarregará de entreter leitores, ouvintes e telespectadores com a magia do Natal.
    Nas modorrentas pautas jornalísticas de fim-de-ano um assunto vai estar presente: profecias para 2020.
    Então, alguém há de lembrar que o norte-americano David Montaigne, autor de livros de profecias, jura que o mundo vai acabar no próximo mês. Ele já errou quatro vezes, mas argumenta que agora não tem choro, nem vela. O profeta errante se baseia no calendário Inca, que termina em 2019. Diz também que haverá um deslocamento do planeta Terra, com consequentes desastres naturais.
    Montaigne dá até o dia: 28 de dezembro. Os maias também já erraram. Eles previram que o mundo acabaria em 21 de dezembro de 2012. Neste ano, muita gente não deu bola porque havia churrasco de fim de semana na casa do pobre.
    Mas, neste ano de 2019 a coisa é diferente. Vai faltar até bife duro para o pobre mastigar na ceia de Natal. Se sobreviver aos festejos natalinos, os desempregados e subassalariados ficarão ressabiados em comer ovo na ceia de ano novo, porque vem da galinha, que, segundo crendice popular, cisca para trás e dá azar.
    Porém, e sempre tem um porém (como dizia o teatrólogo, jornalista e escritor Plínio Marcos), é bom colocar as barbas de molho. Pode ser que Montaigne tenha razão.
    O certo é que no Brasil a hecatombe começou com a ascensão ao poder de um falso profeta da bala. Seu vidente-chefe, Paulo Guedes, não cansa de profetizar o cataclismo, nem que para isso seja obrigado a baixar um novo AI-5. A par dessa maluquice, o dólar sobe sem parar e a profecia de Guedes atinge até a classe média e sua obsessão pela Disney.
    Para ajudar essa nação depressiva, a mega da virada promete cerca de R$ 300 milhões.
    A previsão de Montaigne tem tudo para não dar certo em nosso país. Sua tese é baseada no deslocamento dos polos terrestres que, segundo ele, acontecerá no dia 21 de dezembro, quando haverá a primeira mudança na superfície do planeta.
    O Brasil, no entanto, é um caso à parte no mundo, já que seus gurus acham que a terra é plana, de quatro bicos e não de dois bicos.
    Por isso, nunca é demais alertar os falsos profetas e suas crendices que, em nosso país, Jesus já apareceu trepado num pé de goiaba.
    O juízo final já chegou ao Brasil e ninguém percebeu!
    Ulisses de Souza

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