Neofascismo em marcha: bíblia na mão, bala na agulha e liberdade para matar

Neofascismo em marcha: bíblia na mão, bala na agulha e liberdade para matar

Ao lançar as bases do primeiro partido neofascista que chegou ao poder pelo voto no Brasil, Bolsonaro abriu as cartas do seu jogo da morte: ele só está em busca de um pretexto para botar as tropas na rua.

Cada vez mais isolado no mundo e aqui dentro, com o país cercado por rebeliões populares pra todo lado nos países vizinhos, a plataforma da Aliança Pelo Brasil, nome de fantasia do partido da familícia, o capitão presidente soltou seus cachorros loucos para provocar um confronto com as oposições, que não reagiram.

No Equador, na Bolívia, no Chile e, agora, também na Colômbia, o povo foi às ruas contra os governos, mas aqui pode acontecer o contrário: o próprio governo ir às ruas contra o povo.

Homenagem ao criminoso Pinochet, atentados racistas, licença para policiais e militares atirarem em manifestantes, a escolha do número (calibre) 38 para o partido, uma escultura feita com balas de verdade para o logotipo: o que falta ainda para caracterizar um Estado policial governado pelas milícias?

Quem manda no Congresso e no Executivo não são mais os partidos, mas as bancadas da bíblia, do boi e da bala, ainda a base de sustentação do governo.

Só faltou falar do boi liberado nos pastos após as queimadas, onde antes havia floresta amazônica, no ato de lançamento do partido num hotel de Brasília onde só puderam entrar os jornalistas amigos _ e ninguém reclamou.

A emblemática foto de Pedro Ladeira na capa da Folha, com o capitão de braço estendido e a mão espalmada sobre a platéia de seguidores do Mito, mostra bem de onde veio a inspiração para a Aliança “conservadora e soberanista, comprometida com a autodeterminação e as tradições históricas, morais e culturais da nação brasileira”.

Não foram vistos por lá os cruzados da Tradição, Família e Propriedade, mas as digitais de Olavo de Carvalho e Steve Bennon estavam em cada gesto e palavra dos súditos, maravilhados com a cerimonia de necrofilia.

Como não são habituados a ler e escrever, os Bolsonaros terceirizaram a redação do manifesto de fundação deste monstrengo neofascista, já chamado de Três Oitão, em homenagem à arma mais popular do país.

Carvalho e Bennon, o guru de Trump, devem ter recebido colaborações dos ministros Weintraub, Damares, Araújo, Salles e outro sábios terraplanistas do Planalto.

Já que era uma reunião de família, só estranhei a ausência de Carlos Bolsonaro, o beligerante filho 02, responsável pelas milícias digitais.

Desde que seu nome apareceu nas investigações da polícia civil carioca sobre a morte de Marielle Franco e Anderson Gomes, o popular Carluxo sumiu não só das redes sociais e da Câmara onde é vereador do Rio, mas desapareceu literalmente do mapa.

Nunca mais ele foi visto nem ouvido. Por que será? Por onde andará?

Outro que não vi mais é o vice general Mourão, antes tão falante e saliente, que agora guarda obsequioso silêncio. Por que será? Por onde andará?

É tudo tão esquisito que, nos últimos dias, não sei porque, me lembrei de uma entrevista do general Mourão, na Globo News, ainda durante a campanha, em que ele analisou placidadamente a possibilidade de um autogolpe de Jair Bolsonaro, caso houvesse resistência popular ao seu governo.

Como o golpe propriamente dito já foi dado em 2016, com a derrubada de Dilma, faz sentido…

Depois da criação da Aliança pelo Brasil, como se fosse a coisa mais normal do mundo, tudo é possível.

Bom fim de semana.

Vida que segue.

 

8 thoughts on “Neofascismo em marcha: bíblia na mão, bala na agulha e liberdade para matar

  1. BOLSONARO E O PARTIDO TREZOITÃO QUEREM MANTER O PAÍS ACUADO À BALA

    “Não dá para entender. Quer dizer que ele pretende, ao mesmo tempo, armar a população e permitir a policiais e militares que exterminem pessoas por estarem armadas?” escreve a colunista Cynara Menezes sobre a pretensão de Bolsonaro de isentar militares e policiais que cometam excesso em operações. ” A licença para matar de Bolsonaro não recairá sobre os brancos ricos e de classe média. Os alvos serão os negros da periferia.

  2. Kotscho, no Brasil o governo derrubou o povo.
    Li em algum lugar que há mais de 300 células nazistas no País, o que faz supor que, hoje, há mais nazistas no Brasil do que na Alemanha hitlerista.
    A coisa está feia, como dizia o compositor Lourival dos Santos.

  3. Prezado Kotscho: “Impossível é apenas uma palavra usada pelos fracos que acham mais fácil viver no mundo que lhes foi determinado do que explorar o poder que possuem para muda-lo. O impossível não é um fato consumado. É uma opinião. Impossível não é uma afirmação. É um desafio. O impossível é algo potencial. O impossível é algo temporário. Nada é impossível”. (Muhammad Ali).

  4. quando ocorreu o golpe de Pinochet no Chile, em 1973, o preço do cobre (do maior produtor o Chile) estava baixissimo havia tempos na bolsa de metais de Londres.
    Foi acontecer o golpe e o preço subiu no dia seguinte como foguete.
    Agora na Bolivia acontece o mesmo com o lítio e com as açoes da Tesla, a fabricante americana de carros elétricos que pelo jeito pretende dominar o mercado, incluso verticalmente.
    Se a produçao do carro eletrico efetivamente se tornar o sucesso que desejam e crescer exponencialmente vai sobrar muito -e gigantesco – buraco de minério na Bolivia, no norte do Chile, no Congo.

  5. Amigo Kotscho,
    O partido recém-fundado pelo capitão presidente, o “três oitão” do logo encartuchado, nasce com soldadinhos de chumbo, verdadeiros cândidos obreiros na divulgação do neofascismo.

    O capitão não havia encerrado a solenidade de fundação desse partido, quando os adeptos começaram a dar sinais nas redes sociais.

    Essa empolgação fica mais evidente em cidades pequenas, nas quais os autores das adesões são facilmente identificados.

    Na minha pequena Rancharia, cidade paulista com 29 mil habitantes, um teólogo-católico, metido a formador de opinião, estampou em fundo azul e letras brancas: Partido do Bolsonaro. Onde assino?

    Seguiu-se uma curtição danada.

    Acho até normal para uma cidade que deu mais de 70% dos votos ao capitão-presidente. Durante a campanha, os adeptos da “arma” volta e meia saíam às ruas em corso carnavalesco, com carrões e caminhonetes, fantasiados de verde e amarelo. Rojões sem fim. Buzinaço.

    A nata da cidade.

    Há arrependidos, mas encontramos quem põe fé demais (desculpe o cacófato, foi intencional) no capitão. Ainda na minha pequena Rancharia, um militar, presidente da Câmara Municipal, ostenta até hoje foto de campanha em montagem na qual esse político aparece ao lado do capitão.

    Há militares, da PM, que se aposentam e trocam a sisudeza do cargo por bem-humorados faces enaltecendo fakes do capitão e massacrando Lula e o PT.
    Esses exemplos que ocorrem em pequenas cidades, onde a maioria só assiste a TV Globo, podem ser marcantes para definir o “exército político do partido do capitão”.

    Não será um exército de Brancaleone. Não há maltrapilhos para tanto.

    Muitos soldadinhos de chumbo, no entanto, terminarão como no conto de fadas, infelizes.

    Tudo isso porque esses “soldadinhos” serão o “guarda da esquina” do exército fascista.

    Pobres inocentes úteis travestidos de autoridades.

    Ulisses de Souza

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