Hospício Brasil: a “marcha das loucas” diante da estátua da Havan

Hospício Brasil: a “marcha das loucas” diante da estátua da Havan

A melhor imagem da demência que tomou conta do Brasil desde a chegada dos bolsominions ao poder, ao som de uma marcha militar, foi o desfile de um bando de patos amarelos diante da estátua da Havan, em Araçatuba, neste final de semana.

Batendo continência e pisando firme no chão, como se estivessem num quartel do recruta zero, dezenas de aloprados de todas as idades deram um espetáculo grotesco de falta de noção durante um protesto contra o STF em que pediam a cabeça do ministro Gilmar Mendes.

De que toca saiu essa gente estranha, um gado humano perdido no tempo e no espaço?

Acho que nunca a seita macabra do Hospício Brasil tinha chegado a tanto nestes quase 11 meses de destruição do país.

O lugar escolhido foi simbólico, pois Araçatuba é a terra do gado e dos agroboys e agroolds dos latifúndios, onde Jair Bolsonaro obteve uma das maiores votações em São Paulo.

Foi lá que o Véio da Havan, o enlouquecido empresário-simbolo da nova ordem, instalou uma das réplicas bizarras da Estátua da Liberdade diante da sua loja.

Se não fossem tão grotescos, eu diria que eles lembravam as tropas da SS nazista, que ocupou a Alemanha hitlerista, em guerra contra o mundo, na década de 30 do século passado.

“A marcha das loucas soltando as frangas”: esta foi a perfeita definição dada pelo internauta Dias, um dos mais antigos e fiéis comentaristas deste Balaio.

Um dos organizadores da manifestação fascista foi o movimento Nas Ruas, criado pela deputada federal Carla Zambelli, do PSL paulista.

É esse tipo de gente que foi eleita na onda da “nova política” que varreu o país no ano passado, depois de Lula ser impedido de disputar a eleição.

“Essa é pra você, Gilmar Mendes!”, gritava um alucinado no carro de som, dando o tom marcial daquela pantomina.

Devem ter achado bonito, porque eles mesmos divulgaram vídeos nas redes sociais no domingo, que viralizaram como dengue.

Na mesma hora, outro bando similar, com o mesmo objetivo, se concentrava em frente à Fiesp do Paulo Skaf, o criador dos patos amarelos, para marchar pela avenida Paulista.

Mas eram tão poucos que nem saíram do lugar.

Enquanto isso, no Recife, desde o meio dia, uma multidão se concentrava diante do palanque do Lula Livre, onde mais de 50 artistas celebravam a libertação do ex-presidente,

Claro que os canais de notícias ignoraram solenemente uma das maiores manifestações populares dos últimos tempos, mas tive a sorte de assistir tudo ao vivo pela TVT, o canal dos trabalhadores no Youtube. Foram oito horas de festa, sem parar.

Mais de 200 mil pernambucanos acorreram ao centro velho da cidade num show emocionante, onde repentistas contaram a saga de Lula, que falou apenas 20 minutos, para aproveitar melhor a homenagem dos artistas pernambucanos.

Araçatuba e Recife fazem parte do mesmo país, mas as imagens mostraram dois povos bem diferentes _ um, miscigenado, na maior alegria, cantando e dançando; outro, da elite branca, o retrato da nostalgia militarista de chanchada.

Só vendo para acreditar no que estou dizendo.

Vida que segue.

 

12 thoughts on “Hospício Brasil: a “marcha das loucas” diante da estátua da Havan

  1. Sei que vai censurar o comentário, mas é um absurdo completo esse público de “200 mil”. Já não estamos mais no tempo em que os companheiros da imprensa inventavam um número e bastava que os colegas o repetissem para torná-lo “verdade”.

    Hoje é possível conferir muitos fatos à distância, só não faz quem não quer. Basta ir ao Google Maps e digitar o local: Praça do Carmo, Recife. Pode mandar calcular a área com o trecho da avenida em frente. Vai dar pouco mais de 5 mil m². Isso comporta, exagerando, 20 mil pessoas. Foi daí para menos.

  2. Finalmente alguém diferenciou-se dos áulicos do lulopetismo e disse ao ex-presidente o que seus incensadores e admiradores temem contar-lhe.
    O editorial de Mino Carta respondeu à altura – e foi o único jornalista a registrar o preto no branco -, a diferença entre a festa e os festivais de música da luta contra os seus inimigos e amigos de ocasião.
    Com poucos senões apenas de ênfases, tudo o que Mino Carta fez subir de relevo, no seu impecável editorial de leitura obrigatória, também incide e coincide com o que temos observado nos nossos medíocres comentários.
    Mino não deixou dúvidas de que Lula deve deixar claro com quem andará pelo Brasil e que não se enfrentará com êxito os milicianos apenas com pandeiros e pagodes, festança e confetes.

  3. Por que o sr insiste na expressão “bater continência “? O que existe é “prestar continência “. Geralmente quem escreve tal besteira acha os outros idiotas, loucos e afins. Para estes normal e ficar 580 acampado -quem precisa trabalhar, ficar com a família? – dando bom dia para presidiário. Normal é admirar uma pessoa que se vende como o humilde nordestino e que tem 9 milhões -declarados- só em previdência privada. Mas previdência privada não é coisa de rentista. Normal é ser contra privatizações mas ter plano de saúde, dos bons. Hipocrisia que segue…

  4. Em um eventual retorno do Partido dos Trabalhadores ao poder central, seria bastante educativo(não revanchismo), pelo bem das futuras gerações, identificar essas turmas bizarras e sem noção, obriga-las a prestar serviço comunitário durante o dia, vestidos de uniformes vermelhos e, durante a noite, obrigá-las a frequentar aulas de história, filosofia, sociologia e ler e pregar o conteúdo dos livros de Paulo Freire. Não sejamos hipócritas, esse bando só respeitará a democracia depois de saberem na prática o que não se deve fazer em uma democracia.

  5. Sabia-se que Guedes era o guru economico do Bozzonaro ainda no primeiro turno de 2018.
    E como é que, e para quê o dr Sejumoro se encontra cinco vezes com o Postoipiranga se este nao entende de Direito penal e moro é zero em economia?
    Hipoteses: ou o Marreco queria/precisava compatibilizar os seus compromissos com os USA (na destruiçao da Petrobras e da engenharia brasileira) com o grande entreguista Guedes ou se tratou de lhe ”ceder” o COAF ao marreco.
    ”Se voces me cederem o COAf e terminarem a obra da liquidação da petrobras e da engenharia brasileira, eu aceito ser indicado ministro da justiça”
    Acertados esses ponteiros e dentro do objetivos centrais do bolsonarismo, o resto ja é Historia.

  6. Amigo Kotscho

    A “marcha das loucas”, como você escreveu, tem uma razão de ser, baseada em fatos históricos de um passado recente.
    Lembra a “marcha para o Oeste”, no final do século XIX, quando as regiões oeste e noroeste do Estado de São eram cobertas por matas fechadas e inacessíveis.
    Para escoar o gado do Mato Grosso a centros paulistas, como Barretos, foram construídas estradas boiadeiras, já que a chegada das ferrovias era lenta devido aos obstáculos das densas matas.
    Dali pra frente, o que se viu foi uma mistura de gado e gente.
    Muita gente – homem e mulher – passou a usar calça jeans e calçar botas com bico próprio para matar baratas em cantos de paredes; usar marmitas no centro dos cintos e chapelão cobrindo os neurônios. Esse pessoal não falava, mugia.
    Não é à toa que a União Democrática Ruralista (UDR) nasceu no oeste, na região de Presidente Prudente, e foi fincada solidamente a noroeste, em Araçatuba.
    Nessas regiões, gado e gente são misturas tão normais como goiabada e queijo branco.
    Agora, século após, alguém teve a ideia de abrir um novo curral. O escolhido foi um pátio das Lojas Havan.
    Guiados por sinueiros puxadores de som, a mistura de gado e gente foi levada aos pés do clone bizarro da estátua da Liberdade, norte-americana.
    Em Araçatuba surgem, então, os primeiros marchadores sem cérebros. Tais quais bovinos que eram conduzidos ao som do berrante.
    Marcha militar e sola no chão.
    Imagino Luciano Hulk como sinueiro da Havan e seu infactível “loucura”, “loucura”…
    Esse gado novo – marchadores lunáticos – só aguarda a abertura das centenas de currais formados pelos pátios da Havan, localizados principalmente no sudeste.
    Com a porteira aberta esse gado-fascista, vacinado por ódio, vai dar trabalho.

    Ulisses de Souza

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