Aras pode tirar o cavalinho da chuva: Toffoli não vai recuar

Aras pode tirar o cavalinho da chuva: Toffoli não vai recuar

“Aras pede a Toffoli para revogar decisão que lhe deu acesso a dados sigilosos de 600 mil”, mancheteia o UOL nesta sexta-feira.

Posso garantir a Augusto Aras, procurador-geral da República, a serviço do governo Bolsonaro, que não há a menor chance de ter seu pedido atendido.

Toffoli tomou a decisão esta semana de determinar o envio à corte de todos os relatórios financeiros do antigo Coaf e de todas as representações fiscais feitas pela Receita Federal, depois de constatar que estes dados sigilosos vazaram para delegados e procuradores, sem nenhum controle da Justiça.

O presidente do Supremo Tribunal Federal não acessou estes dados, mas se reserva o direito de protege-los dos vazamentos seletivos promovidos por agentes públicos que se investiram de um poder que não têm.

No pedido feito a Toffoli, Aras escreveu que no entender da Procuradoria-Geral da República, “o pronunciamento em questão consiste em medida demasiadamente interventiva, capaz de expor a risco informações privadas relativas a mais de 600 mil pessoas, entre elas indivíduos politicamente expostos e detentores de foro por prerrogativa de função”.

Acontece que essas “informações privadas” já circularam abertamente entre procuradores da República e delegados da Polícia Federal ligados à Lava Jato, como foi revelado pelo site The Intercept.

É como papel picado jogado pela janela que o procurador-geral Aras agora quer recolher para proteger quem o nomeou.

Esta disputa entre o MP e o STF apenas está começando e ninguém sabe como vai acabar, mas uma coisa é certa: os “heróis nacionais” que se se achavam impunes para prender e soltar ao seu livre arbítrio e ao arrepio da lei, vazando informações, estão com seus dias contados.

Ainda há juízes em Brasília que não se dobram às pressões da mídia e da opinião pública amestrada.

Vida que segue.

 

7 thoughts on “Aras pode tirar o cavalinho da chuva: Toffoli não vai recuar

  1. “O homem público é patrimônio público; como tal não está protegido por nenhum tipo de sigilo”. A frase é de Thomas Jefferson.
    O presidente do STF agiu de moto próprio, com interesses particulares e genuflexo às conveniências da política do clã presidencial.
    O mais são tecnicalidades para o revestimento constitucional da paralisação das investigações sobre a malversação do dinheiro público e de ganhos privados ilícitos.

  2. Prezado Kotscho: Se “dados sigilosos vazaram para delegados e procuradores, sem nenhum controle da Justiça” isso será devidamente investigado e depois informado ao público quem vazou, com quais objetivos e as consequências desse tipo de ação? Será que vamos ficar sabendo que são os privilegiados que fizeram isso? “É muito difícil você vencer a injustiça secular, que dilacera o Brasil em dois países distintos: o país dos privilegiados e o país dos despossuídos.” (Ariano Suassuna).

  3. Igrejas, especialmente as evangélicas, eventos esportivos e de entretenimento, várias empresas legalmente constituidas, não passam de lavadoras de dinheiro.

  4. Nao esperava esta por parte do Toffoli, confesso candidamente.Hmmm.
    Esperemos para ver, maisporem supomos que somente uma ameaça muito grave, um dano muito próximo e iminente contra os togadospoderia levar a essa atitude toffolenta.
    Será tudo isso e sera que ele se sustenta nesse desafio?

  5. Eu ainda não havia entendido o pedido do Ministro. li algumas reportagens de ‘Blogs Sujos’ e fui me ater aos fatos:
    A quantidade de informaçoes solicitadas pelo ministro já era de dominio de procuradores (leia-se lava jato). Estes mesmos procuradores e delegados da PF faziam pente fino nestas informações e escolhiam a dedo aquelas que realmente seriam investigadas, aquelas que seriam vazadas e aquelas que serviriam de moeda de troca para apoios futuros dos desmandos da Lava Jato. Segundo informações colhidas com o próprio ministro, ele está se baseando nesta informações, diga-se novamente que já foram vazadas, para formular o seu voto, para mostrar e demonstrar que este poder não pode ficar nas mãos de procuradores e delegados inescrupulosos.
    Toffoli neste ínterim está corretíssimo!

  6. Pelo que estamos vendo ate aqui…
    1-se efetivamente está havendo um conluio entre digamos, cúpulas da Receita, o COAF e o MPF/lavajatismo. Se a finalidade desse conluio é o MPF-Morismo terem rapidamente um dossier financeiro CONTRA quem lhes der na telha…
    2-Se isso tem funcionado grosso modo nos últimos tres anos…
    3-se Toffolinho acha isso gravemente perigoso ate para os tribunais superiores…
    Entao temos uma tese: o que ha no Brasil e tem funcionado é um perfeito Macartismo
    caboclo e verdamarelo, mas macartismo de fato, com os ingredientes daquele dos anos 50. {tem um “Edgard Hoover”, varios Mccarthy e tem midia protetora )E Que precisa ser desmontado.
    Hoje no Usa ninguem se orgulha daquele grotesco esquema e daquele periodo. Acontecerá o mesmo aqui, e a classe media pós-idiotizada se perguntará: Ué, foi isso que eu apoiei, bati o pé e vesti amarelo??

  7. Amigo Kotscho,
    É triste ver o papel do procurador geral, Augusto Aras, ao servir de lacaio e mensageiro do lídimo Cabaré do Planalto.
    Ao pedir ao presidente do STF., Dias Toffoli, para revogar a decisão de poder acessar dados sigilosos do Coaf, Aras nada mais fez do que jogar a Suprema Corte sob os sapatos dos bolsominions.
    A direita miliciana usou o tomate como arma. O fruto, ao contrário do dólar, tem despencado no mercado, com o preço passando de R$ 7 o quilo para R$ 1,59 o quilo.
    Deram-lhes tomates, bem nos queixos das imagens de Gilmar Mendes e Toffoli, expostas em cartazes, no domingo.
    O vermelho, que tanto os bolsominions odeiam, manchou a negritude do piso da avenida Paulista, a mais democrática de São Paulo.
    O Cabaré conseguiu o que queria; indispor seus milicianos contra o STF, que quarta-feira pode determinar o limite das informações sigilosas em ações judiciais.
    A maior artilharia virá do MPF e o primeiro tiro foi dado por Aras que, de maneira enviesada, conseguiu acertar o que realmente estava na alça de sua mira.
    Mas, nessa contenda há uma entidade que poderá ser atingida pelos estilhaços, já que ela vem bravamente se expondo em defesa da democracia.
    É a Associação Juízes para a Democracia (AJD), que recebeu reforço nacional e luta para ser reconhecida como voz ética e moral dentro de um campo relegado a simples desenhos de PowerPoint.
    Apesar das dezenas de notas de protestos emitidas pela AJD, a dita grande imprensa a ignora.
    Tenho um amigo atuante nessa entidade, que após fazer parte de uma comissão que visitou a Vigília Lula Livre, em Curitiba, teve 15 sentenças sob investigação solicitada pelo Ministério Público Federal
    Toffoli acaba de recuar (20h40 de 18/11) e anular a decisão que reivindicou relatórios do Coaf.
    É hora de dar apoio à Associação Juízes para a Democracia (AJD).
    Ulisses de Souza

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