“BRASIL VENDE TUDO”: Eletrobras, pré-Sal, a soberania nacional e o nosso futuro

“BRASIL VENDE TUDO”: Eletrobras, pré-Sal, a soberania nacional e o nosso futuro

“O futuro dependerá daquilo que fazemos no presente” (Mahatma Gandhi).

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Estava moderando os comentários do Balaio esta manhã quando encontrei a citação de Gandhi na mensagem enviada pelo leitor Heraldo Campos.

E fiquei pensando no noticiário que tinha acabado de ler sobre o festival de privatizações promovido pelo desgoverno bolsanarista para comemorar 300 dias de destruição do país.

Como aquelas muitas famílias que estão mudando de país, o Palácio do Planalto pendurou na porta a placa “BRASIL VENDE TUDO”.

Na marcha batida para transformar o Brasil numa colonia dos Estados Unidos, sem soberania e sem futuro, Bolsonaro assinou nesta terça-feira o projeto de lei que autoriza a venda da Eletrobras de porteira fechada.

O projeto ainda depende de aprovação do Congresso, mas, como está tudo dominado em Brasília, em breve perderemos o controle sobre o parque energético nacional.

As ações da estatal já dispararam na Bolsa de Valores e o mercado está em festa.

Foi para isso mesmo que apoiaram e bancaram a campanha presidencial do ex-capitão defenestrado pelo Exército.

No mesmo dia, o governo enviou ao Congresso o “Pacotão do Guedes”, que vai promover mais privatizações, derrubar gastos com saúde e educação, impor novas perdas aos trabalhadores para cobrir o rombo fiscal e fazer a alegria dos bancos.

Para completar o bota fora federal, quarta e quinta acontecerão os leilões do pré-sal, no Rio de Janeiro, que vão rifar algumas das maiores bacias petrolíferas do mundo, de valor incalculável, mas que poderão ser arrematadas por módicos R$ 30 bilhões.

Enquanto o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, garante que as “licitações das grandes reservas serão um sucesso”, sindicatos de petroleiros entraram com ações na Justiça para tentar barrar os leilões.

Serão um grande sucesso para quem, cara pálida?

Segundo a Federação Única dos Petroleiros, que entrou com ação contra o Ministério do Meio Ambiente, o Ibama e a Agência Nacional de Petróleo, além dos prejuízos econômicos, o leilão provocará grandes impactos ambientais que não foram avaliados pelos órgãos do governo.

As últimas alucinações dos bolsonaros, que chegaram até em falar na volta do AI-5, com o apoio do general Heleninho, o chefe do GSI e mentor do capitão, foram pensadas exatamente para isso: distrair a platéia enquanto o Posto Ipiranga planejava seu pacotão para implantar o modelo chileno de Pinochet no Brasil.

Será que Paulo Guedes consegue dormir tranquilo ao ver o que está acontecendo com o Chile em chamas, diante da falência do modelo neoliberal que deu mais dinheiro para os ricos e massacrou os pobres?

Aprovadas as reformas patrocinadas pelos empresários para acabar com a previdência pública e os direito dos trabalhadores, agora chegou o momento de amarrar o futuro para que o Brasil nunca mais volte a ser um país independente.

Depois de aberta a porteira para o estouro da boiada bolsonarista, promovida pela Lava Jato com o apoio de setores da mídia, agora ameaçados pelo capitão, faltam ainda três anos e dois meses para eles completarem o serviço.

Peço aos leitores para voltarem à epígrafe desse texto e refletirem sobre o nosso papel nessa história.

O que pensarão de nós nossos filhos e netos ao herdar os escombros?

Nossa geração, que derrotou a ditadura militar e reconquistou a democracia, vai continuar assistindo passivamente a tudo isso, enquanto os mercados e as petrolíferas estrangeiras avançam sobre o nosso patrimônio, que levamos séculos para construir e nos tornarmos uma nação livre e democrática, com uma das maiores economias do mundo ocidental?

Quando vamos acordar para essa tragédia bíblica?

Em vários pontos do país, estão marcadas manifestações para hoje contra o desmanche provocado pelos bolsonaros e sua trupe de malucos,

Alguém tem notícias sobre o que está acontecendo? Quem tiver, por favor manda pra cá. Na mídia, ainda não vi nada.

Vida que segue.

 

17 thoughts on ““BRASIL VENDE TUDO”: Eletrobras, pré-Sal, a soberania nacional e o nosso futuro

  1. Imaginar que o marco inicial desse desfecho dantesco foi o mês de junho de 2013 por causa dos vinte centavos de aumento da tarifa do transporte público urbano, sem que a então presidenta concedesse um reles desconto compensatório na CIDE para atender a reivindicação do então prefeito paulistano!
    A tempestade de junho de 2013 marca o ponto inicial da degringolagem da era petista. A direita saiu às ruas e apostou todas as fichas na viragem econômica liberal radical liderada por uma extremada direita aglutinada em torno de um projeto de poder autoritário apoiado nas FFAA regiamente remuneradas e privilegiadas à vista de suas congêneres na América Latina e na própria OCDE.
    O PT, quando controlava o poder executivo, as estatais e as empresas públicas, não moveu uma palha para retomar o monopólio estatal do petróleo quebrado por FHC, nem para reestatizar a Vale do Rio Doce. Não fixou restrições constitucionais à ofensiva neoliberal sobre o patrimônio público e estatal que continuava em curso no mundo. Não se pode dizer que o desastre ora consumado não foi anunciado na campanha eleitoral. Os navios que restam serão queimados, um a um. O romanceiro nacional
    já resumiu bem a opereta: “Não verás nenhum país”.
    A coisa mais importante para o brasileiro, contudo, é cantar o “Ai Jesus” no dia 23 de novembro.
    “Eles venceram e o sinal está fechado pra nós” concluiria Belchior.

  2. Pois é, caro RK, se me permite, cabe a pergunta:
    ONDE ESTÃO OS NACIONALISTAS CIVIS E MILITARES?
    Será que não tem cabra macho neste País para dar um murro na mesa e gritar basta e chega?

  3. Na esteira da citação do Mahatma, não há como não completar com a máxima espanhola: “Cria cuervos y te sacarán los ojos”.
    Raul Pompéia arremataria: “Vem de longe a enfiada de decepções que nos ultrajam”.

  4. Um pais atrasado e um a meio caminho (tipo Brasil) precisa so de um projeto nacional – e vez em quando um pouco de capital em boas condiçoes de juros e sem pre-exigências.
    Os p.r.i.v.a.d.o.s de fora e daqui, ao contrario precisam de:
    >mão de obra barata e farta
    >mercados
    >matérias primas/insumos entre as quais energia barata.
    e de quebra financiamento, i.e. dinheiro dos outros, barato.
    Se o capitalismo nao tem isso nao se expande.Se nao se expandir, ao final morre.
    Entao o que dirás se alem de receber TUDO isso do Guedes, nossos privateiros – de fora e daqui – ainda ganham de mão beijada um mercado CATIVO de cinco, dez, vinte milhões de consumidores de Kwh de energia >
    consumidores cativos que são um MERCADO GRATUITO? E os guedes que fazem isso nao querem, não exigem nadinha… em troca?????
    E com uma clausula nos contratos de privataria, uma clausula draconiana e pilantra, pela qual podem REAJU$TAR os preços por varios metodos diferentes, bastando que algumas condiçoes estejam ‘dadas’?
    EU dou uma perna ao diabo se eles me dão – nunca darão – uma simples copia do contrato privateiro que deve ter centena ou duas de páginas. Nao sou advogado, mas tbm nao sou burro. Ali a profusão de clausulas mas eles so vão mostrar de publico a clausula de reajustar preços…

  5. Prezado Kotscho: “Serão um grande sucesso para quem, cara pálida?”. Provavelmente um grande sucesso na conta bancária dessa gente nas Ilhas Cayman, por exemplo.

  6. “Os Estados Unidos jamais permitirão o surgimento de um novo Japão, abaixo da linha do equador” (Royalties para Henry Kissinger – Secr. de Estado no governo Nixon).
    Ele não estava pensando no Paraguai, Peru ou Chile.

  7. Caro Ricardinho,

    Nacionalismo Bolsonarista tem pesos e medidas diferentes , ele reza ora por uma cartilha ora por outra. Leiloar e entregar o país para os estrangeiros é uma benesse nacionalista. Querer cuidar, preservar, e se juntar aos estrangeiros para manutenção da Amazônia, é um maleficio que o nacionalismo Bolsonarista não pode admitir. Ora seja, ele entrega o Brasil somente para os seus escolhidos. Esse Messianismo Miliciano está afundando rapidamente o Brasil( mais depressa do que o Titanic).Abraços.

  8. Amigo Kotscho
    Aguardei o leilão do “pré-sal” para dar um pitaco nesse assunto.
    Ninguém se interessou pela batida do martelo, embora o preço tenha sido bem atraente.
    Duas pequenas empresas chinesas se associaram à Petrobras para comprar o melhor naco.
    O planeta já se convenceu que não é interessante comprar alguma coisa do Brasil em leilões, porque os neoliberais vão acabar entregando gratuitamente.
    As “invasões” não serão rechaçadas como foram há mais de 400 anos contra franceses, holandeses e ingleses. Batalhas que tiveram indígenas como buchas de canhões.
    Mas aos poucos as invasões modernas vão surgindo e põem em xeque a soberania nacional. Duas delas vieram pelo ar: base de Alcântara e Embraer.
    Agora, por terra, tem muita coisa para acontecer inclusive com a obsessão de ruralistas em barrar a reforma agrária e definir uma política que ajude no avanço das pastagens.
    Índios, que saiam da frente!
    O céu de brigadeiro, previsto pelo governo, será substituído hoje pelo debate nas redes sociais sobre a proposta de extinguir mais de 1 mil municípios com menos de 5 mil habitantes.
    Haja conversa. Só nesses nanicos municipais moram cerca de 5 milhões de pessoas, pacatas e conservadoras, que puxaram uma votação significativa para o capitão-presidente.
    Amanhã é outro dia e até a artilharia belicosa brasileira estará voltada para o STF.
    Esperamos que a votação não surta resultado desastroso.
    Ulisses de Souza

  9. 2019, pré-sal; 2022, pré-sol; 2023, vai ser outro dia. Até lá, muito tempo sob a barbárie. Imagino que com Lula livre, ao contrário da radicalização da extrema-direita, o ar ficará mais respirável; com o impeachment em curso do Trump e a vitória dos democratas americanos em 2020, a intimidação, hoje já em nível altíssimo, vai refluir.

  10. Tudo culpa do PT, que pensava se perpetuar no poder e não soube criar uma alternância, com as outras forças políticas progressistas, para que tivéssemos uma democracia mais favorável ao nosso povo.Numa democracia tem que haver alternância.

  11. Desde Omar Torrijos e Jaime Roldós os latino-americanos souberam o quanto valia o ouro negro. Ao ponto de contemplarem o assassinato desses dois presidentes que nacionalizaram os seus hidrocarbonetos. Os governos Lula e Dilma tergiversaram e vacilaram na retomada do monopólio estatal do petróleo, cuja quebra foi promovida por FHC. Hoje tudo é permitido sob a bandeira do Posto Ipiranga. O Brasil troca suas estatais por vento.

  12. O quadro geral de degeneração social e degradação criminal aumentou de modo exponencial nos últimos 20 anos. Das 50 cidades mais violentas do mundo, 41 são latino-americanos e 21 são brasileiras. Foi na América Latina que a experiência neoliberal foi aplicada com maior amplitude.

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