Fogo no cabaré: Brasília ferve com briga de comadres pelo butim partidário

Fogo no cabaré: Brasília ferve com briga de comadres pelo butim partidário

Passei o dia longe do computador fazendo uma reportagem externa, como se dizia antigamente.

Não perdi nada, só ganhei.

Na rua, encontrei personagens da vida real lutando pela sobrevivência, trabalhando com alegria, mesmo quando o ganho é pouco.

Na tela do computador, rodando pelos portais de notícias, me deu um desânimo danado.

De um dia para outro, nada muda. São sempre os mesmos enganadores dando as cartas nesse cassino viciado e decadente chamado Brasil.

As manchetes do dia tratam da briga de comadres instalada por Bolsonaro no tal de PSL _ Partido Social Liberal, que não é social nem liberal _ para ver quem fica com o butim partidário.

Alguém já tinha ouvido falar destas três letras que um tal de Luciano Bivar sublocou aos bolsonaros?

Tudo gira em torno disso: quem vai ficar com a grana gorda para as próximas eleições.

Ainda às voltas com os laranjais do ano passado, eles não se vexam de trocar de siglas – sim, porque não são partidos, apenas sopa de letras – como quem troca de camisa.

Sem nunca ter se destacado como parlamentar em nenhum dos oito partidos pelos quais já passou, o capitão-presidente está em busca de outra legenda de aluguel.

No estoque de mais de 30 partidos, os seguidores da seita pensam até em criar mais um, com o pomposo nome de “Conservadores”.

Querem conservar o que, ainda que mal me pergunte?

Bando de pilantras milicianos, eles inventaram essa história de “nova política” só para continuar mamando nas verbas públicas, engabelando os incautos que pagam dízimos aos pastores.

São pés de chinelo do baixo clero, que assumiram o poder em conluio com generais de pijama e igrejas de fachada, e a conivência das guildas togadas.

Mal sabem falar, estão sempre olhando para os lados e atacam nas redes sociais como matilhas enfurecidas.

O lado bom dessa história é que, fora da telinha do computador e do celular, as pessoas já nem ligam mais para o que está acontecendo em Brasília e falam de outras coisas, tocam a vida do jeito que dá.

Não se trata de alienação, mas de uma questão de sobrevivência mental, pois ninguém aguenta mais esse circo de horrores instalado em Brasilia, com as raposas e as comadres se comendo, vendendo o país e destruindo nosso futuro.

Tem hora que é preciso sair desse ambiente poluído das redes sociais, que não levam a nada, e ir aonde o povo está, para ouvir gente que ainda canta e toma uma cervejinha sem culpa.

Em sua coluna de hoje na Folha, Elio Gaspari pergunta “Quando foi que isso tudo começou?”

Também gostaria de saber como é que de uma hora para outra um país como o nosso vira de ponta cabeça e vai se autodestruindo numa guerra sem quartel, sem noção e sem inimigos externos.

Gaspari localiza a primeira visão da desgraça na reação das plateias ao filme “Tropa de Elite”, em 2007, quando a malta aplaudia os torturadores e se divertia com o todo-poderoso Capitão Nascimento no papel de herói da repressão acima de tudo.

Depois eles se organizariam em miliciais para tomar o poder nas comunidades dos subúrbios cariocas até chegar a Brasília triunfantes no ano passado, no embalo do justiceiro Sergio Moro, o chefão da Lava Jato que destruiu o sistema político e arrasou a economia.

Os trogloditas enrustidos foram saindo do armário e tomando conta do picadeiro.

Acima das leis e da Constituição, implantaram no país um regime de vale-tudo, baseado no medo e no terror, que destrói as florestas e os empregos, mata gente nas favelas e nos brumadinhos, com a vida valendo cada vez menos.

Foi tudo muito rápido, avassalador, a tropa de ocupação eleita por fake news avançando célere sobre a democracia e o Estado de Direito, sem encontrar resistência.

Isso não tem como dar certo. Tudo tem limite.

vida que segue.

 

17 thoughts on “Fogo no cabaré: Brasília ferve com briga de comadres pelo butim partidário

  1. Prezado Kotscho: Será que essa “briga de comadres instalada por Bolsonaro no tal de PSL _ Partido Social Liberal” não é para tirar o presidente da reta, porque a grana que rolou no laranjal vai chegar na campanha dele e isso configura eleitoral que pode levar a cassação da chapa eleita, junto com seu vice?

      1. Prezado Kotscho: Se “Bolsonaro afirma que vai pedir auditoria no PSL”, segundo o Estadão, não é mais para causar e despistar do crime eleitoral que a chapa presidencial está metida?

  2. Bando de pilantras milicianos…
    Engabelando incautos…
    Eu incauto… presente.
    Eu falando… Obrigado, Balaio.
    Balaio amigo… gente que faz…
    Faz mais que jornalismo…

    1. O Luiz Inácio assumiu em janeiro de 2003.
      FHC deveria dizer com todas as letras sobre a P-36 que afundou e o racionamento de energia de um ano e meio. Você se lembra?

  3. A “saga” do capital Nascimento do filme tropa de elite representa o pensamento de boa parte dos eleitores do pseudopresidente. Um bandido, o tal capitão, explorado a serviço do explorador, comandando uma polícia corrupta que tem somente uma meta: subir os morros cariocas e fuzilar um monte de descamisados, aviõezinhos, afro miseráveis, deixados a própria sorte por uma sucessão de governos. É a realidade imitando a ficção. Hoje o capitão é outro, não explorado mas o explorador e sua meta é dizimar o país. A plateia continua a mesma.

  4. “FOGO NO CABARÉ”, anuncia Mestre, mas em questão de fogo explícito fico com o especialista pornô e ora deputado, Frota, que anunciou no twitter, “FOGO NO PUTEIRO”.
    Portanto, sem atenuantes, “cassino viciado e decadente chamado Brasil” e “esse circo de horrores instalado em Brasilia, com as raposas e as comadres se comendo”, pois é mais pesado que isso.
    É ‘política’ de “Bailão da Dona Aurora” com a “Suruba do Jucá” na “Casa da Eny”, regada a Hi-fi e ao som do heavy metal de ‘River of Stones’. Lá dentro, à meia luz, na gerência o capitão e, às costas, o negão de guarda, à rua heleno o porteiro, no hall de entrada zero três de hostess, com moro maitre no comando da copa e salão, damares na cozinha e onyx, abraham e ernesto, garçons, com zero dois na segurança, um laranja ao piano e zero um no caixa, à falta de queiroz.
    Lá fora, a turma no sereno, basicamente sem ‘um puto’, em torno da birosquinha de isopor a entornar a marvada ardente pra esquecer a ‘festa’, da qual, a depender da GloboMarinho e dessa “gente de bem” e “pais de família”, jamais participarão, com Zeca tocando no rádio de pilha: “Fui no pagode / Acabou a comida / Acabou a bebida / Acabou a canja / Sobrou pra mim / O bagaço da laranja…”

    1. Caro Dias, não dá pra dizer “perfeita” descrição por conta dos elementos envolvidos. Eu peço tua permissão para acrescentar um clima que é o cheiro de creolina exalado do banheiro dessa gente que se reveza em dois grupos pra cagar dia sim dia não e noites também.

    2. No caixa,sugiro um mestre em economia,também apelidado de posto de gasolina,assovia desinteressado o “samba de uma nota só”,cujo tema é vender toda a casa(de tolerância).

  5. “Lá dentro, à meia luz, na gerência o capitão e, às costas, o negão de guarda, à rua heleno o porteiro, no hall de entrada zero três de hostess, com moro maitre no comando da copa e salão, damares na cozinha e onyx, abraham e ernesto, garçons, com zero dois na segurança, um laranja ao piano e zero um no caixa, à falta de queiroz”.
    Delícia esse texto! Maravilha!!!!

  6. O “Cassino Pornô” tem um crupiê que ganha todas as mãos.
    Os bancos lucraram R$ 109 bilhões entre julho de 2018 e junho de 2019, informa hoje o Banco Central no seu Relatório Financeiro.
    Esse é o maior lucro nominal (sem considerar a inflação) desde o lançamento do Plano Real, em 1994, que transformou os seus mentores, sem exceção, em banqueiros milionários após deixarem o governo de FHC (Malan, Bacha, Arida, Resende).
    Os dados mostram que o resultado é 18,4% superior ao lucro de R$ 92 bilhões registrado entre julho de 2017 e junho de 2018.
    Ao mesmo tempo em que a dívida pública mobiliária interna explodiu e ficou fora de controle tornando, não por acaso, o país ainda mais refém e dependente do mercado financeiro.

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