Toffoli adia decisão para STF dar um jeito de manter Lula preso

Toffoli adia decisão para STF dar um jeito de manter Lula preso

Por mais que o Jornal Nacional queira manipular e esconder o fato, como Chico Malfitani tem mostrado diariamente no Nocaute, trava-se neste momento no STF uma disputa entre ministros que só tem um objetivo para a bancada Lava Jato-Globo: não deixar Lula sair da prisão tão cedo, nem que para isso tenham que criar uma lei só para ele.

Estão tentando encontrar um jeito de criar a “Lei Lula”, que permitirá soltar qualquer condenado em processos viciados, menos o ex-presidente.

É simples assim. Por isso, a demora para encontrar uma “tese” de consenso no Supremo dividido.

O resto é pura firula para dar um ar de normalidade ao que não é normal: ficar discutindo, em 2019, se a Constituição de 1988 deve ou não ser respeitada pelos heróis da Lava Jato.

O problema é que o grupo lavajatense está em minoria neste momento, como mostrou a nova derrota imposta a Moro & Dallagnol por 7 a 4 na sessão de quarta-feira.

Daí o impasse.

Embora seu nome não seja sequer citado nas longas discussões sobre quem se manifesta por último nos processos, se o delator ou o delatado, o fato é que tudo gira em torno de Lula, o preso político encarcerado há 550 dias em Curitiba.

É isso também que determina as altas e baixas da Bolsa e do dólar e dá sobrevida ao capitão-presidente agasalhado pelos generais que estão na muda.

Anunciaram que a Bolsa ia disparar e o dólar cair com a aprovação da Reforma da Providência, mas isso já está precificado, e não vai acontecer nada.

A economia vai continuar patinando do mesmo jeito, os desempregados continuarão desempregados e o que o mercado quer saber é se Lula vai continuar preso ou não.

Criticam o PT por insistir na defesa de Lula, mas os seus inimigos também só pensam no destino dele o tempo todo, como mostram os editoriais da grande imprensa.

Formou-se toda uma geração de jornalistas que ganham a vida atacando Lula e o PT para agradar aos patrões e manter seus empregos.

Podem até descer a lenha em Bolsonaro e sua equipe de nanicos políticos e morais, mas a ordem é não permitir nenhuma citação que possa ser favorável para Lula.

Para isso, vale tudo: desenterrar a conta gotas as delações de Palocci, ironizar os advogados de defesa do petista ou insinuar que ele vive com mordomias numa sala vip da Polícia Federal de Curitiba e, por isso, se recusa a aceitar as condições do regime semi-aberto a que tem direito.

Se por acaso o STF exercer seu dever constitucional de exigir da Lava Jato o cumprimento das leis que asseguram o direito de defesa e o devido processo legal, o general Villas Boas vai mandar outro twitter para lembrar que se Lula for libertado as Forças Armadas tomarão uma providência.

Viramos o país do semi: semi democracia, semi ditadura, semi justiça, semi liberdade, semi direitos, semi verdades, semi independência dos poderes.

Colocados diante desta realidade gelatinosa, as excelências de todas as latitudes fazem cara de paisagem, como a dizer que a vida é assim mesmo: manda quem pode.

Sem ter como defender o inacreditável regime bolsonarista, o único argumento que lhes ocorre é perguntar: “E o Lula, e o PT?”.

É isso que está amarrando as decisões do STF e dando oxigênio às milícias virtuais que ainda são a principal base de apoio do governo.

Foi para elas que o capitão-presidente se dirigiu da tribuna da ONU, acenando com o perigo do “comunismo”, dando uma banana para o resto do mundo e para o Brasil que não votou nele.

Só num país que perdeu o mínimo recato institucional, o presidente da República se dirige ao novo procurador geral dizendo que sua escolha “foi  amor à primeira vista” e elogiando sua gravata verde-amarela.

E todo mundo na platéia, as mais altas autoridades do país, dá risada, bate palmas.

Fazer o quê?

Vida que segue.

 

20 thoughts on “Toffoli adia decisão para STF dar um jeito de manter Lula preso

  1. Em vídeo disponível em Carta Capital, a única revista hábil à leitura há largo tempo, Mino Carta introduziu uma novidade: agora responde às indagações dos assinantes. Perguntado a respeito do STF, mas nominadamente de Dias Tofolli, o ex-advogado do PT durante duas décadas e ex-advogado geral da União do governo Lula, a resposta foi curta e sibilina, sem maiores exercícios intelectuais: “uma besta quadrada”.
    Como se vê, não há juízes em Brasília, e os que há não seguram o pote porque não aguentam as rodilhas.
    Não se deveria esperar, entretanto, nada muito diferente do que temos visto desde antanho e priscas eras.
    Só o PT e Lula acreditaram de que havia juízes em Brasília, quando juízes ainda há, mas só em Berlim.
    O Brasil é o latifúndio da Casa Grande desde as capitanias hereditárias e das sesmarias.
    O Judiciário sempre foi, desde o Império, aquilo que os estudiosos da magistratura nacional, ironicamente, denominam por “puxadinho da Casa Grande” para resolver os problemas do “Brasil de Cima” (expressão do poeta camponês Patativa do Assaré que Gaspari parafraseou por “Andar de Cima”, sem os devidos créditos ao poeta camponês cearense).
    O que se poderá esperar de uma “besta quadrada” na cúspide do “puxadinho da Casa Grande”.
    Nada? Nada, não. O que se pode esperar será sempre o pior.
    Lula e o PT cometeram mais um dos seus erros crassos: depósito de confiança na impessoalidade e imparcialidade no Judiciário da Casa Grande.
    Não vai rolar, porque a única coisa a rolar quando a Casa Grande lida com a Senzala é a cabeça do “Brasil de Baixo”, na lição de Patativa do Assaré, o maior poeta camponês das Américas.

    1. Mino Carta, a vinícola, por excelência.
      Cada taça, nova edição da revista Carta Capital, brinde de esperança ao povo brasileiro.
      Mino Carta, sabedoria e incansável combatente do bom combate.
      Ao pensar, Mino faz a Casa Grande tremer.
      Ao escrever, denuncia e faz o dominante sangrar
      no pelourinho da covardia e omissão.
      A chibata canta e marca a consciência dos poderosos pelo crime de Lesa-Pátria.
      Mino Carta, guerreiro mor das trincheiras democráticas.

  2. Cartolas em pânico. Quando a fome “barulheia”, cada esquina é cartel. E se a organizada acabar com o jogo e resolver se manifestar… por último.

  3. E o Luiz Inácio recebe o título de “Cidadão Honorário de Paris”. O estoque de tipoia para dor de cotovelo vai acabar em pouco tempo.

  4. Enquanto isso, Mestre, Paris anuncia-o ao mundo como “Cidadão Honorário”.
    “LULA LIVRE, porque é INOCENTE”.
    Simples assim, como o rio corre para o mar, a chama clareia a escuridão e a verdade vencerá, queiram ou não, anacrônicos e estúpidos, golpistas.

  5. Prezado Kotscho: O problema é que para passar do “país do semi” para o “país do sem” tudo isso que você citou não falta muito, certo?

  6. Só vejo uma saída: com as revelações da vaza-jato, manter Lula preso condenará o Brasil a uma mescla de ridículo com cinismo. Com tudo o que já se sabe, a anulação do julgamento é condição mínima para voltar a ser tratado como membro sério da comunidade civilizada e de um universo jurídico internacional com suas regras mínimas compartilhadas do devido processo legal.
    O juiz que condenou Lula se tornou em seguida ministro da Justiça da pior extrema direita do planeta, beneficiada por uma espécie de cinturão interino, sem que a disputa principal tivesse lugar. Isso já bastaria! Mas depois o Intercept trouxe muito mais, uma dimensão apavorante da missão punitiva de fundo religioso inconfesso, o juiz de piso e os “cruzados-procuradores” de vingança já de mãos dadas com o tele-evangelismo antimoderno, com o catolicismo antifrancisco, com parcelas dos militares insatisfeitos com o melhor da sua história, o compromisso com Direitos Humanos.
    Por outro lado, a libertação do Lula, uma exigência em todo o mundo, despertará o ódio de quem pensa ter vencido uma guerra e assim confiscado o Brasil para si (imbecis, acreditam que Fernanda Montenegro e Chico Buarque ameaçam a família).
    Qual o caminho a tomar? O exílio de Lula na França, um país que tem motivos de sobra para desconfiar do verniz institucional do nossa pós-democracia, do maquiado estado de exceção auto-evidente e da prisão política. O acerto envolve uma engenharia sofisticada? Somos capazes disto!

  7. Parece o contrário. A lei não prevê diferença entre réu delator e delatado em termos de apresentação de alegações finais, até porque isso não faz diferença alguma. Pois um grupo dentro do STF tomou o lugar dos congressistas e MUDOU na prática a lei.

    Feito isso, a nova lei não deveria retroagir porque os juízes não podem julgar com base em regras futuras. Mas integrantes do mesmo grupo querem MUDAR isso também, com o objetivo, todos sabemos, de favorecer o sr. Lula.

    Provas obtidas ilegalmente não são válidas e é óbvio que um texto editado e atribuído a outra pessoa sem comprovação não pode ter nenhum valor legal. Pois alguns tentam MUDAR isso para favorecer, de novo, o sr. Lula.

    A prisão após condenação em segunda instância já foi a norma, deixou de ser por sete anos e voltou a ser. Mas, apesar do tema ter sido exaustivamente discutido, alguns querem re-rediscuti-lo após apenas três anos e MUDAR outra vez o entendimento da lei sem se importar com os milhares de criminosos que seriam soltos com isso. Tudo para beneficiar o sr. Lula.

    A parte da sociedade que defende o combate ao crime e não trata esse cidadão como ídolo assiste estupefata à excepcional atenção (digamos assim) que membros do STF dedicam a alguém que foi condenado por unanimidade por nove magistrados em três instâncias. E se alguma dessas manobras lograr êxito é evidente que o descrédito na Justiça atingirá o ápice e a revolta será enorme. Se o Toffoli está sentindo esse clima e tentando evitar consequências que podem ser desastrosas, pelo menos nisso está certo.

    1. Respeitadas as condicionantes, quem sabe, repetindo feito reza, um dia aconteça o milagre e se informe.
      Do insuspeito anti-petista Reinaldo Azevedo, em 02/10/19, na Folha, baseando-se não em ‘interesses, desejos ou convicções’, mas em fatos, disponíveis no processo, a qualquer cidadão, não hipócrita, honesto e de boa vontade:
      “A prisão de Lula junta aspectos relativamente raros e outros inéditos. É raro que alguém seja condenado sem prova tendo como testemunha do abuso o próprio juiz de primeira instância que assinou a condenação. E há isso. Quem leu a sentença de Moro não encontrou as tais provas das imputações feitas ao ex-presidente porque o Ministério Público Federal não as apresentou. Mesmo assim, Moro cumpriu um roteiro que, agora resta evidente, já estava escrito. Nos embargos de declaração, instado a dizer quais eram, afinal, as evidências apresentadas pelo órgão acusador que corroboravam a denúncia, disse com todas as letras: não havia.
      Mesmo assim, seguindo o roteiro de raridades, a pena foi referendada em segunda instância, pelo hostil TRF-4. Mais do que isso: foi elevada de 9 anos e meio para 12 anos e um mês. Decisão unânime, dada com celeridade inédita, numa clara ação concertada. No STJ, a pena foi reduzida para 8 anos e 10 meses.”

    2. ernesto, a maioria dos criminosos está do lado de fora da cadeia. Pra quê cadeia, meu? Nosso congresso é canalha. Baita fila de quase todos: poderosos, igreja, justisssa, árbitros, jogadores, banqueiros, casta de funcionários públicos municipais, estaduais, federais, além de milicianos, advogados… quase tudo e todos. O Brasil sobrevive do sangue dos miseráveis. A ÚNICA COISA CONFIÁVEL EM TERRAS TUPINIQUINS É A loteria.
      Humm ! Sem ironia: a mega sena e família é certinha igual nota de três. O Brasileiro aprendeu com os corruptos e corruptores a ser uma nota de três.

  8. Volto ao tema:
    Pérolas da sentença do ex-juizeco em relação ao Luiz:
    “Caracterização presumida de crime”.
    “A culpabilidade do réu não é clara, visível, aparente, não está escrita, mas este juízo pode fundamentá-la”.
    Fora da sentença, o juizeco declarou:”Este juízo nunca disse ou escreveu em lugar algum(errado: o certo é em lugar NENHUM) que o triplex é fruto de propinas de três contratos da Petrobras”.
    Moro tropeça e admite que triplex não ‘veio’ de contratos da Petrobras
    Fernando Brito – Tijolaço

    Fora da sentença e a ao responder a questionamento sobre as ligações entre o suposto favorecimento no suposto recebimento do imóvel, ele diz, literalmente:
    “Este Juízo jamais afirmou, na sentença ou em lugar algum(??!!), que os valores obtidos pela Construtora OAS nos contratos com a Petrobrás foram utilizados para pagamento da vantagem indevida para o ex-Presidente. Aliás, já no curso do processo, este Juízo, ao indeferir desnecessárias perícias requeridas pela Defesa para rastrear a origem dos recursos, já havia deixado claro que não havia essa correlação (itens 198-199). Nem a corrupção, nem a lavagem, tendo por crime antecedente a corrupção, exigem ou exigiriam que os valores pagos ou ocultados fossem originários especificamente dos contratos da Petrobrás”.
    Ninguém, exceto o powerpoint de Deltan Dallagnoll, apontou responsabilidade direta de Lula nos desvios da Petrobras e a indireta, até agora, não vai além do “eu acho que ele sabia”. Léo Pinheiro, da OAS foi o único mas não apresentou nenhum indício que sustentasse suas declarações.
    A propósito, o genro de Léo Pinheiro, Léo Guimarães foi nomeado presidente da CEF no governo Bolsonaro.
    Coincidência, não?
    Lula foi condenado por “atos indeterminados”.
    “Pausa para gargalhar” (Royalties para o saudoso Paulo Nogueira).
    Se precisar, postarei novamente o comentário. Espero não ser necessário.

  9. A esquerda e o centro progressista retornarão ao poder?
    O atual governo dispõe de força eleitoral, apesar da sua mediocridade e imoralidade evidentes, para a reeleição?
    O fato é que se estamos onde chegamos, isto teve a ver, exclusivamente, com os erros crassos repetidos, por aqueles que o antecederam e que dispuseram de todos os recursos de poder ao alcance de suas mãos, mas os desperdiçaram de forma inepta, soberba e estúpida.
    O outro fato incontornável é que, hoje, Lula não ganharia uma eleição majoritária. O anti-petismo não desidratou. O evangelismo substituiu o petismo nas periferias.
    Cristina de Kirchner leu o quadro brasileiro, melhor do que o próprio Lula, ora cego à realidade em que se meteu.
    O PT, que já foi bem sucedido como “a esquerda que a direita gosta”, não tem mais como voltar a somar a força que um dia teve. Não é a classe trabalhadora que ficou órfã do PT, mas o PT que ficou órfão da classe trabalhadora.
    Lula e o PT não dispõem, hoje, sequer de um quarto (mesmo patamar de 89) dos votos.
    Sem um Frente Ampla, à uruguaia, ou uma Coalizão Peronista à Cristina argentina, a esquerda democrática e progressista brasileira não derrotará a extrema-direita e a direita, lideradas pelo “mau militar” e seu projeto militar-miliciano de poder.
    Lula tem de aprender com Cristina. Ela driblou o peronismo, o anti-peronismo, o macrismo e a grande imprensa.
    O que ela fez? Uma manobra maestrina!
    Ao renunciar à candidatura à presidência em favor de Alberto Fernández, a ex-presidenta fez o drible que lhe permitiu romper o “teto” do kirchnerismo, unificar o peronismo e driblar sua própria rejeição e tirar a vantagem do anti-kirchennerismo da qual Macri se beneficiava.
    Lula, claro, ainda é peça chave do xadrez democrático, mas isto não é um trunfo suficiente, embora indispensável. Depende do seu posicionamento no tabuleiro. Lula deve mirar Cristina que é o melhor exemplo disponível assemelhado à situação brasileira.
    Se aceitar com humildade (o que não faz parte de sua personalidade) o fato político-eleitoral de que, por mais carismático que seja, não é mais o líder onipotente, em condições de derrotar a extrema-direita e a direita, há alguma perspectiva de virar o jogo em 2022. O obsessivo protagonismo do lulo-petismo implicará repetir, e de forma mais dolorida, a derrota acachapante de 2018.
    Lula ainda tem tempo suficiente para pensar melhor. A vitória ou a derrota definitiva em 2022, simplesmente depende da posição acertada a ser adotada. O PT sempre seguiu o Líder.

  10. Sem Justiça, sem orgasmo tribunalesco.
    Esses deuses não tem tesão, por isso querem uma tese.
    Nenhuma, nem outra.
    Deram à luz: 7 X 4.
    Continuam grávidos do dever não cumprido. Data mínima vênia, Suprema Corte Brasileira.
    Feliz Natal aos 11 Ministros e aos 222 assessores, vulgos capinhas, de cada cadeira.
    Juro com a mão na sagrada Bíblia, soubesse multiplicar, o faria, diante das barras dos tribunais:
    11 x 222 = Devedidanumbrão.
    Quer saber porquê o bolso do pobre tá de Numbrinho?
    Deram à luz os 7 X 4 e continuam grávidos do dever não cumprido.

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