Os oito meses de Bolsonaro que destruíram a imagem e ameaçam o futuro do Brasil

Os oito meses de Bolsonaro que destruíram a imagem e ameaçam o futuro do Brasil

Segunda-feira, 26 de agosto de 2019.

Esta semana, o ex-tenente Jair Messias Bolsonaro, reformado pelo Exército como capitão, aos 33 anos, eleito com 57 milhões de votos, completa oito meses na Presidência da República.

Algo que parecia simplesmente inimaginável apenas um ano atrás, quando o deputado do baixíssimo clero começou a subir nas pesquisas, tornou-se dramática realidade desde a patética cerimônia de posse.

Até hoje tenho dificuldades em escrever “presidente Bolsonaro”. Custo a acreditar que isso aconteceu.

Foram certamente os piores dias das nossas vidas e da história do país.

Em tão pouco tempo, a destruição foi brutal, em todas as áreas, e não apenas na Amazônia em chamas, o emblemático retrato deste governo.

A estagnação econômica e a tragédia social dela decorrente são sintomas de uma nação doente, sem rumo, sem capacidade de reação, sem esperanças.

De eterno país do futuro, estamos sendo condenados agora a ser um país sem futuro.

Levamos mais de cinco séculos para sermos respeitados pelo mundo e, em apenas 234 dias, o Brasil virou motivo de preocupação mundial com o seu destino.

Mas parece que a ficha ainda não caiu para boa parte dos brasileiros, que elegeram este governo e ainda o defendem, como mostrou a pesquisa Veja/FSB, publicada na última edição da revista.

Ao ler as cartas de leitores na imprensa e os comentários nas redes sociais, bate um desânimo danado.

Como foi possível esta mudança tão radical no comportamento de pessoas aparentemente normais, que se tornaram seguidores fanáticos deste Jim Jones dos trópicos?

Sem falar nos “isentões”, os que votaram nulo ou em branco, fizeram campanha para o Amoedo, “por falta de alternativas”, fingindo que não têm nada com isso..

A começar pelo presidente, tenho a impressão de que estamos numa guerra fratricida movida por vingança, ódio, frustrações e ressentimentos represados por muito tempo.

De outro lado, grassa uma epidemia de depressão coletiva, com gente morrendo de angústia e amargura, pela absoluta falta de perspectivas de uma vida melhor e mais digna.

Cada vez mais gente desiste de procurar emprego, e os que ainda têm algum trabalho temem o dia de amanhã.

A nuvem negra de fumaça da floresta que escureceu São Paulo no meio do dia, na semana passada, foi uma antevisão do que nos espera no futuro.

Os três poderes da República viraram um só, nas mãos de um sujeito leso das ideias, que ignora e atropela as instituições, sem se importar com as consequências dos seus atos.

Depois de declarar guerra ao mundo e desdenhar da ajuda oferecida pelo G-7, achando que todos só querem derrubá-lo para ocupar a Amazônia, inclusive os que o acolitam no Palácio do Planalto, Bolsonaro partiu para agressões pessoais a jornalistas e líderes de outros países.

Por isso, no começo desta segunda-feira, resolveu declarar uma “greve de silêncio”, ao se recusar a responder a perguntas de repórteres.

Trata a todos como se ainda estivesse no quartel, dando ordens a um batalhão imaginário, em seus delírios persecutórios.

Entra dia, sai dia, e não saímos desta mesmice de declarações estapafúrdias, sem nenhuma relação com a vida real.

Execrado pela imprensa mundial, ataca quem está por perto, cercado por um batalhão de seguranças e puxa-sacos.

A todo momento, repete que quem manda é ele, e os ministros que tratem de obedecer, ou serão defenestrados.

Como escolheu os ministros a dedo, à sua imagem e semelhança, eles obedecem.

Ninguém escapa da sua fúria crescente, a não ser os três príncipes herdeiros, cada vez mais poderosos e beligerantes.

Se é assim agora, com apenas oito meses de governo, como estará o país ao final dos quatro anos de mandato, se é que ele conseguirá chegar até lá?

Até quando nossa frágil democracia resistirá a esta escalada de atrocidades e insanidades sem fim?

Eleito na onda do combate à corrupção patrocinada pela Lava Jato, agora quer controlar pessoalmente os órgãos de fiscalização e controle para evitar que cheguem à sua família.

Sustentado ainda pelo mercado, pelos fardados em geral, por setores da mídia, pelas milícias e pelos agrotrogloditas (apud Elio Gaspari), que bancaram sua candidatura, Bolsonaro não é nada original.

Governa pelo medo, pelas ameaças e perseguições, como se viu na Europa conflagrada nos anos 30 do século passado.

Contrafação de aprendiz de ditador, vai avançando os sinais da institucionalidade, agora sem radares, como se o Brasil fosse um condomínio particular dele.

Pobre Brasil, pobres de nós, que viramos motivos de chacota no mundo inteiro.

Vida que segue.

 

21 thoughts on “Os oito meses de Bolsonaro que destruíram a imagem e ameaçam o futuro do Brasil

  1. Parece que passou um tsunami no país e na mente da população, como vc bem disse o pior disso tudo é a tragédia social Kotscho, fico imaginando os menos favorecidos, não se tem um olhar, uma política pública, um nada. Que ponto chegamos, parece um pesadelo.

  2. …e a nossa podre classe média “do bem”, sempre responsável por este tipo de gente tomar os poderes, caladinha, nem vergonha tem de si mesma.
    Pobre Brasil pobre.

    1. Não somente essa classe, que também vai se estrepar, certeza, mas também os alienados. Poque eleitor bR parece que vai às urnas tudo correndo e de de saco-cheio, para depois ir almoçar na casa da sogra ou tomar (a maldita) cerveja no bar com os amigos e ‘curtir’ o dia.

  3. Os franceses parecem ter acertado o prognóstico, supostamente atribuído a Charles De Gaulle, de que “o Brasil não é um país sério”.
    Miterrand assegurou que o general da resistência aos alemães e que comandou a França Livre nunca fez tal afirmação.
    A frase seria de um embaixador brasileiro em Paris, dita a um correspondente estrangeiro, em uma conversa informal.
    No Brasil vale a versão, segundo Nelson Rodrigues.
    Agora é Macron quem diz a mesma coisa, de outra forma, quando deseja aos brasileiros um outro presidente à altura do cargo. A frase não pode ser atribuída a embaixador ou correspondente estrangeiro, porque o líder francês a levou às redes sociais.
    Alguém ainda haverá de escrever um Tratado da Era Beócia, inteiramente dedicado ao “Presidente-Cavalão”, a quem o general Ernesto Geisel considerava um “mau militar”.
    Pergunta-se.
    Um “mau militar” pode ser um “bom presidente”?
    Para os beócios fanáticos e ingênuos a resposta é sim.
    As pesquisas de opinião convergem, entretanto, para uma constatação que deveria preocupar os liberais e conservadores (minimamente esclarecidos) que não se consideram integrantes da extrema-direita apologista dos torturadores, das milícias e do militarismo castrense na política.
    A “direita esclarecida”, admitindo-se que ela ainda exista no Brasil, já deveria estar mais do que preocupada com o fato de que o Líder Beócio ocupou completamente o espaço da direita, sem lugar para uma outra alternativa.
    Já há sociólogos de reputação inquestionável afirmando que o JB (Jair Beócio) é o “Lula do PSL”. Isso implica aceitar o efeito-eleitoral de um “Lula da direita”.
    O que significa dizer as pesquisas depositam suas fichas na realidade eleitoral que a Era Beócia veio para ficar e continuar por um bom tempo, inclusive porque apoiada nas FFAA.
    Da mesma forma que o lulo-petismo não sairá de cena com Lula preso ou livre, a bipolarização da vida nacional está longe de arrefecer e, muito menos, de terminar.
    Não se vê no cenário político nacional ninguém à direita e ninguém à esquerda que, eventualmente, com cacife eleitoral próprio capaz de substituir os antípodas.

    1. Netho, muuto bem observado o “eclipse” que o ex-capitão provocou á direita do espectro político-partidário, da mesma maneira que o ex-metalúrgico.
      ” Lula da direita” ou “Lula do PSL” são expressões atribuidas ao cientista político Cristopher Lynch.

  4. “…vingança, ódio, frustrações e ressentimentos represados por muito tempo”. Eis Jair Messias Bolsonaro, um poço de energia negativa. Não tenham dúvidas: ele saiu do mesmo ovo da serpente de onde saiu o “cabo da Boêmia”, como dizia o general e presidente da Alemanha, Paul von Hindenburg.

  5. Tudo, ou quase tudo, que se fala de Bolsonaro é verdade. Não é , noentanto, menos verdade, que ele não é o único psicopata com poderes.
    Examinemos o Judiciário , cínicos, covardes, sem responsabilidade com a nação que os sustenta.
    O legislativo , com muitas exceções, mas não passa de escola de corrupção, vendilhões do templo, paraíso das negociatas , sem responsabilidade com a nação que os sustenta.
    Na verdade o Bolsonaro não enganou ninguém, disse tudo que queria e ao que vinha, nomeou quem quis, apoiou-se em que se ofereceu a apoia-lo.
    Estamos pregando no deserto!

  6. Bom,todos ainda “desfrutam” do direito a dizer o que pensa sobre o presidente eleito(até os bandidos e governantes estrangeiros)isto também é democracia.Além de poder filiar-se a um partido e lançar candidatura -Coisa que não acontece em todas as democracias.Rússia por exemplo!.Portanto,ainda resta um raio de esperança.

  7. Cadê o Queiroz? Cadê o Congresso? Cadê o mito? Cadê os 39 kg de droga? Cadê o combate aos privilégios? Cadê as provas que condenaram Lula? Cadê o avião presidencial? Cadê o STF? Cadê os 730 kg de ouro?
    Cadê os hackers de Ribeirão Preto e Araraquara? Cadê os investimentos estrangeiros? Cadê o Queiroz? Cadê os empregos? Cadê o Moro? Cadê o Mourão? Cadê o STF? Cadê o general? Cadê o mito? Cadê os 39 kg de drogas? Cadê o sargento das drogas? Cadê o dinheiro da poupança? Cadê os eleitores do mico? (perdão, mito?) Cadê o povo? Vem aí, mas tá inconformado com a República Brasileira Desfederativa dos Cadês?

  8. A mais triste piada do mundo em 2019 era antes, com todos os seus problemas, um país alegre, irreverente e delicadamente autoirônico. Como fomos cedendo o passo para esta gente intolerante, estúpida, que mal disfarça uma presunçosa e suspeita aspiração de superioridade moral?

  9. Prezado Kotscho: “A nuvem negra de fumaça da floresta que escureceu São Paulo no meio do dia, na semana passada, foi uma antevisão do que nos espera no futuro.” É verdade, mas o seu post de ontem, 26/08/2019 que pergunta no título “Por acaso, foi o Bolsonaro que tocou fogo na floresta?”, considero como um texto seminal para desencadear um processo de impeachment do presidente e de seu governo ditatorial, somente levando em conta a grave questão ambiental. Ele precisa ser costurado com o que está escrito na Constituição Brasileira sobre esse tema. Com a palavra os legisladores, juristas, constitucionalistas, políticos e cidadãos que desejam se engajar nessa missão.

  10. Candido Cesar para muita gente “boa pensar e refletir a respeito da política -É algo muito complicado.O sujeito está preso ao fanatismo e só consegue enxergar,apenas de um ângulo!.Talvez se um raio (despertador) caísse na cabeça de muitos -Enxergariam com mais AMPLITUDE.

  11. Joãosacripanta.
    psdb SãoPaulo.
    Escola ruim,
    desesperança
    Sacripanta joão.
    psdb.
    Dorias municipais,
    varridos, sempre.
    Casamunicípio,
    direita elitosa
    voz munícipe.
    sem cabresto.
    sacripanta,
    fim, Bozodorias.
    Votosecreto,
    conheça candidatos.
    urnasacripanta,
    desalada,
    sem voo em 2022.
    Sacri dori pantas.
    Mitosacridoripantas,
    lixo recolhido,
    município limpo.
    E s p e r a n ç a.

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