Direito de resposta: Lula acusa Globo de mentir, distorcer e modificar a história

Direito de resposta: Lula acusa Globo de mentir, distorcer e modificar a história

Ainda durante a exibição do Jornal Nacional na noite de segunda-feira, pasmo com o que tinha acabado de ver e ouvir da boca do WIlliam Bonner, publiquei dois breves posts no meu Facebook:

“No JN, Bonner já deu um jeito de falar de Lula na matéria sobre queimadas”.

“Qualquer comparação de Lula com Bolsonaro é muita safadeza, uma iniquidade”.

Em poucos minutos, 567 internautas curtiram as publicações e fizeram críticas ainda muito mais duras à Globo em seus comentários. Muitos eu tive que deletar.

Não é de hoje. Nas últimas semanas, todas as vezes que os âncoras e comentaristas da Globo fazem qualquer crítica a Bolsonaro, eles sempre enfiam de algum jeito Lula e o PT na história, como se quisessem mostrar que é tudo a mesma coisa.

É a mesma reação dos bolsominions das redes sociais que sempre perguntam: “E o Lula, hein? Não vai falar nada? No tempo dele era melhor?”

Mas, dessa vez, o Jornal Nacional exagerou na pusilanimidade ao comparar as reações de Lula e Bolsonaro diante do desmatamento da Amazônia.

Colaram duas falas de Lula e Bolsonaro na sequência, totalmente fora de contexto, como se eles fossem iguais.

Lula defendeu a soberania nacional, exatamente o oposto de Bolsonaro, que apenas atacou Alemanha e Noruega, dois países que denunciam a atual política ambiental suicida do governo brasileiro.

Esqueceram de informar que em seu governo foi Lula quem criou o Fundo Amazônia, em parceria com esses dois países, que já doaram mais de R$ 3 bilhões, a fundo perdido, para preservar a floresta.

É tão brutal a diferença entre a política ambiental dos dois governos _ a de Lula, para preservar, e a de Bolsonaro, para destruir _ que não pode ter sido apenas acidental o erro crasso da reportagem.

Bastaria comparar os números dos dois governos sobre desmatamento na Amazônia, mas isso não faz parte do código de ética tão decantado pela emissora.

No governo Lula, tendo como ministra a líder ambientalista Marina Silva, houve uma profunda mudança nos índices de desmatamento, que diminuíram ano a ano.

Agora, no governo Bolsonaro, com o líder do agronegócio e das mineradoras Ricardo Salles, já condenado por crime ambiental, o desmatamento e as queimadas foram liberadas pelo governo, batendo recordes de destruição nos últimos sete meses.

Como a Globo e o Globo até o momento não se dignaram a divulgar a nota do site do Instituto Lula em resposta a essa covarde manipulação da notícia, o Balaio abre espaço para que o ex-presidente se defenda.

“O poder da Globo não lhe dá o direito de continuar mentindo, distorcendo informações ou modificando a história”, diz a nota, reproduzindo um trecho da fala de Bonner, dando conta de que “dois presidentes afirmaram que a Europa destruiu todas as suas florestas e que, por isso, não têm moral para dar conselhos sobre a Amazônia”.

Quem não tem moral nenhuma é a Globo, que deixa de fazer jornalismo, para atender aos interesses políticos e econômicos dos seus acionistas, em campanha permanente contra Lula e o PT.

A nota do instituto informa que “o Brasil obteve recordes de redução do desmatamento no governo Lula, e o tema da matéria, o Fundo Amazônia, que usa recursos da Noruega e da Alemanha, geridos em parceria com o governo brasileiro, foi criado justamente durante o mandato de Lula, em 2008, informação sonegada na reportagem”.

No seu legítimo direito de reivindicar uma retratação da emissora, a nota do Instituto Lula lembra ainda que:

  • O Brasil assumiu no Governo Lula, na Cúpula de Copenhagen, em 2009, a liderança da discussão sobre proteção ambiental e mudanças climáticas no mundo.
  • Na época de Lula, o Brasil combinou expansão da produção agrícola com proteção ao Meio Ambiente, abrindo mercados para as exportações do campo brasileiro. Abertura de mercados agora ameaçada pelo ataque de Bolsonaro contra nossas florestas.
  • O governo Lula também criou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, para gerir as Unidades de Conservação federais, e ampliou em 52,9% as áreas de proteção ao Meio Ambiente.

O mais grave é que o Jornal Nacional fez esta grosseira manipulação justamente no dia em que a fumaça das grandes queimadas na Amazônia patrocinadas pelo bolsonarismo irresponsável chegou até São Paulo, com o dia virando noite, como nunca se vira antes nesta proporção.

Com a responsabilidade de exibir o telejornal de maior audiência do país, os editores da Globo podem agora repetir a famosa frase de Sergio Cabral na prisão, depois de ser condenado a mais de cem anos por corrupção continuada:

“É… Acho que eu exagerei…”.

Vida que segue.

 

22 thoughts on “Direito de resposta: Lula acusa Globo de mentir, distorcer e modificar a história

  1. Não assisto nada da Globo há uns 30 anos. Jornalismo, então, nem pensar. Concordo com os profissionais da área que, por dever de ofício, acompanham o jornalismo das rádios e TVs tendo que ouvir e sentir o cheiro do esgoto que é a Globo. E só.

  2. Devemos deixar bem claro quem são os editores do jornal, porque afinal de contas, eles se beneficiam do esquema da emissora. Devemos citar nome e CPF para que fique bem claro para a história quem se beneficiou desta canalhada u que amanhã eles nã façam cara de paisagem.

  3. Ainda bem que existem as redes sociais.
    Lula vem aí.
    A Globo odeia Bolsonaro e morre e medo de Lula livre.
    Lula candidato, ou quem ele escolher, a Globo faz um pacote para enlamear os dois adversário.
    A derrocada da Globo é irreversível.
    O bom moço e sujo, Huck?
    Seria capacho providencial para os falidos Marinhos, mas não decola. Dignidade lata velha irrecuperável.
    O Brasil precisa de Ricardo Kotscho e amigos.
    Se a Globo considerasse seus seguidores, leria este Post no seu jornal, atendendo ao princípio democrático do DIREITO DE RESPOSTA.
    Perdão, perdão… a criminosa Globo, apoiadora da ditadura, é conivente com os mais de 150 desaparecidos do golpe de 31 de março de 64.
    Plim pluummm
    Lula vive!

  4. Eu não assisti ao telejornal, mas, segundo li, ele mostrou Lula dizendo: “Nós não podemos permitir que as pessoas tentem ditar as regras do que a gente tem que fazer na Amazônia”. E Bolsonaro dizendo: “Eu queria até mandar recado para a senhora querida Angela Merkel, que suspendeu 80 milhões de dólares pra Amazônia. Pega essa grana e refloreste a Alemanha, tá ok? Lá está precisando muito mais do que aqui”.

    Se foi assim, as falas são obviamente equivalentes, ambos estão dizendo que os estrangeiros não têm direito a apitar por aqui.

    Se um preservou a floresta e outro não vai preservar é, sendo verdade ou não, outra história. Era só o que faltava a Globo dar direito de resposta por isso.

      1. Eu entendi, mas me parece (reitero que não assisti ao telejornal) que a comparação da Globo se limitou à posição dos dois presidentes quanto à interferência estrangeira.

        Se foi realmente assim, pensar que isso leva às pessoas a imaginarem que ambos têm a mesma posição sobre qualquer outro aspecto da questão amazônica é apenas uma suposição.

  5. Kotcho, meu amigo, não assisto a esta emissora que deve ser responsabilizada pela pior desgraça do Brasil na segunda metade do século XX e começo do XXl. Eu fico imaginando como é que o tio Bonner consegue dormir, afinal ele empresta a voz para as delinquências constantes. Quase trabalhei na Globo no começo dos de 2000, mas Deus livrou minha alma. Globo é Moro, Moro é Globo, e ambos são do “Príncipe do Presente Século”, nome que o Apóstolo Paulo empresta a Satanás.

  6. “Nunca existiram democracias sólidas, capazes de fazer frente aos arroubos autoritários, sem uma oposição igualmente séria e forte, que detenha na raiz as tentações autoritárias. Há países nos quais assim que se cria um governo oficial, imediatamente a oposição cria um governo fictício paralelo, com os mesmos ministros, encarregados de vigiar e controlar que os novos governantes sejam fieis ao que prometeram em suas campanhas e, principalmente, que não se desviem dos valores democráticos. Sem oposição, até os melhores governos acabarão prevaricando. E o grande erro das oposições, como vimos outras vezes também no Brasil, foi esperar que um presidente que começa a prevaricar e se corromper se enfraqueça sozinho. Ocorrerá o contrário. Crescerá em seu autoritarismo e quando a oposição adormecida perceber, estará derrotada e encurralada”.
    O texto atrás mencionado é da autoria de Juan Arias no El País do dia 20/08/2019, que trata da responsabilidade das oposições na democracia perante quaisquer governos com perfis autoritários, totalitários e nazi-fascistas.
    Vi e ouvi na íntegra a entrevista de quase duas horas de Lula a Bob Fernandes. O encarceramento tem feito mal a Lula, como não poderia deixar de ser. Quem esperar de Lula alguma capacidade para reorganizar as oposições deve por as barbas de molho e tirar o cavalo da chuva. Justificável e compreensível que Lula não seja mais aquele que, um dia, já foi portador das mais legítimas expectativas de ética na política e de um país onde a Casa Grande sempre ditasse a última regra e dispusesse da última palavra.

    1. Errata no último parágrafo: onde se lê “sempre” leia-se “nunca”.
      Quanto às Amazônias Ocidental e Oriental, não há prognóstico minimamente razoável desde que o mandante e o sicário matadores de Chico Mendes acabaram livres, leves e soltos.
      Os povos da floresta vêm sendo exterminados desde que franceses, holandeses e portugueses pisaram nestas terras. A destruição e a matança continuam, porque nenhum fundo ambiental tem poder suficiente para deter o “espírito animal” do processo de acumulação e reprodução do capital pelos capitalistas, acionistas e seus fundos de investimento incentivados com lucros depositados em paraísos fiscais.
      Chico Mendes foi morto aos 44 anos com um tiro de escopeta calibre 22 no peito na noite de 22 de dezembro de 1988 em sua casa em Xapuri, quando abria a porta para se banhar no chuveiro que ficava no quintal. A Justiça condenou Darly e o filho Darci – acusado de ser o autor do disparo – a 19 anos de prisão. Três anos depois, eles fugiram da cadeia. Em 1996, voltaram a ser detidos. Cumpriram seis anos da pena em regime fechado, depois passaram para o semiaberto e o regime domiciliar.
      Hoje Darly vive na Fazenda Paraná, propriedade de 3 mil hectares na margem da BR-317, em Xapuri.
      Quem imagina que o reinado da Casa Grande na Amazônia tenha mudado alguma coisa para as classes subalternas, não conhece, nem a história real do Brasil, nem a verdadeira natureza do patronato que domina o território nacional desde a Carta das Sesmarias e das Capitanias Hereditárias.

  7. Basta lembrar que a história do triplex começou por lá.Pelo que vivi na história recente,desde os anos 60,este grupo sempre se pautou pelos golpes,seu antinacionalismo é patente e seu americanismo é deslavado.A história do escorpião se encaixa com perfeição nesta gente.Quando dá errado,desculpa-se.Cinquenta anos depois!!!!

  8. Prezado Kotscho: Se “eles sempre enfiam de algum jeito Lula e o PT na história”, estão sendo coerentes por apoiar mais essa ditadura, afinal já apoiaram outras e por que não essa agora, certo?

  9. O jornalista Boner é papagaio impostado e de poleiro sujo da Globo. A vida dá voltas e os dias se deixam beijar pelo crepúsculo. E, sem opinar, jamais aprendeu a usar o cérebro jornalístico. Inconfiável no improviso.
    Boner faz teatro ao ler, interpreta com rara felicidade, passa a impressão de autor do texto que polui o éter.
    Papagaio raivoso, te le pronp te rá vel das antigas roldanas mostrando o “papel” a ser lido.
    O mundo sabe que a espécie de poleiro pau mandado…não opina, certamente, nem a Globo o quer assim. Papagaio falador? Obediente? Melhor de asitas tesouradas. Cuidado, frágeis como as de borboletas. Boner é espécie cerebral passiva, de topete amarelo vergonha.
    Maritaca, talvez, quando estrebucha a voz para desclassificar alguém. Assume o papel, nada invejável, de carrasco de rosto de fora. Só lhe resta abaixar a cabeça e esperar os aplausos.
    Boner, jamais chegará à equidade de um jornalista, é iníquo.
    Quando se ouve uma risada gostosa, não se sabe se ela é de um sábio, ou de um idiota. Quando ouvimos a voz de Boner, temos certeza do uso, apenas da laringe. Sonora, conhecida, agradável e do ramo.
    Quando os Marinhos querem vomitar sangue e chupar dólares, o bom papagaio mór, imposta a voz, e, diferente de antigamente, não engana muita gente. Absolvemos o laringeiro, condenamos apenas os patrões.
    Será Boner, o Evaristo, o Dony de Nuccio, Mauro, o Alexandre, o Willian… de amanhã?
    Lula vive, o mundo o entrevista. As perguntas improvisadas são de um jornalista profissional.

  10. Sem medo de errar, pode ser dito que o Brasil está neste estado apavorante devido a uma narrativa obscena, com alto poder de contágio, proporcional a sua falta de rigor: seu nervo, a equiparação criminosa de Lula com Bolsonaro. Toda vez que ouço a palavra “polarizado” fico chocada. Estes dias uma amiga me mostrou como uma crítica consistente da Agnes Heller (ao risco de, pela esquerda, perder o núcleo liberal das democracias) foi adulterada por aqui para atacar o PT: figura recorrente de importante jornal conservador, um articulista do PSDB, em texto sintomático, salta faminto sobre o prato e só consegue enxergar na reflexão exigente da filósofa húngara um apoio ou exemplificação dos descaminhos populistas supostamente equivalentes (para se ter uma ideia de como tudo é mais complexo, ver, por ocasião dos 90 anos da pensadora, sua entrevista no Zeit com Elisabeth von Thaden).
    O PT, com o qual e através do qual nós de uma esquerda democrática governamos o país mais desigual do planeta (com acertos maiores do que os erros próprios deste enquadramento talvez evitável na política tradicional), paga pelo que não foi, pelo que não fez. Neste embalo de descredenciamento histórico, a inclusão social inédita, sempre dentro do moderno estado de democrático constitucional de direito, é descaracterizada ao extremo para aparecer somente como enganação populista fadada ao fracasso já com outra conjuntura menos favorável, laboratório latino de um regime autoritário, assalto organizado sem precedentes aos cofres do estado para fins de auto-sustentação eleitoral.
    O que fazia o mundo sentir orgulho do Brasil para o PSDB, pasmem, deve ser motivo de vergonha; o que distinguia com máxima nitidez, em todas instâncias internacionais relevantes, a experiência brasileira da tragédia venezuelana tem que ser visto pelos tucanos como um mesmo imbróglio populista, capaz de gerar Bolsonaro como sua outra face, pelo outro lado.
    Compreensível: para disfarçar sua omissão diante da escalada triunfante da barbárie em 2018, parte não desprezível do tucanato lavou as mãos, alegando que, diante de duas não-alternativas, ou era melhor ficar com o “novo”, Bolsonaro, ou poderia via voto nulo se livrar para sempre do PT, sem tomar partido contra a pior extrema-direita global depois da segunda guerra.
    Esperavam os tucanos que a presidência apaziguasse Bolsonaro, agora querem apaziguar suas consciências com o desfecho previsível da sua irresponsabilidade histórica.
    Certo é que o Brasil de FHC e Lula, dos governos estaduais e administrações municipais de PSDB e PT, com todas suas contradições e diferenças, formam hoje a memória da civilização. Todos precisam curar suas feridas e sentar na mesa para costurar um pacto de saída da barbárie. “Melindrados”, PSDB e Globo continuarão a fustigar o PT como um cacoete incurável. Quem ganha, advinhem? Desmelindrem-se todos, antes que seja tarde.

  11. Ao Mestre, o merecido reconhecimento e o devido obrigado, por escrever o que preciso era ser manifesto, com coragem, pela dignidade e o restabelecimento da verdade dos fatos, sobre mais uma delinquência em forma de desinformação, cometida pela contumaz rede dos marinho, através da voz do dono empostada na voz do empregado, contra Lula, tudo e todos que digam respeito ao PT, por motivos mais que óbvios, pouco importando quão delinquentes, levianos e sujos, sejam, no desempenho desse metiê.
    Para não esquecer-se, o Brasil não terá futuro, que não seja o passado de eterna colônia, ora americana, se não feitas as democráticas e essenciais, Regulação da mídia, Transformação das forças armadas de ocupação contra o ‘inimigo interno’, em de defesa contra o inimigo externo e Reforma do judiciário maçônico, amputando-se os braços que garantem aos poucos da classe dominante a desigualdade campeã, que os sustenta há séculos, através da miséria de muitos.

      1. Quanto ao Arnesto, Mestre, devemos agir conforme recomenda o inesquecível João Rubinato, “Nós não vai mais…” convence-lo sequer a Terra não ser plana, quanto mais, que a Globomarinho desinforma mais que informa e que a ‘festa do fogo’, ‘patrocinada’ pelo desgoverno de predileção do dito, fez chover suco de queimada amazônica em São Paulo, em plena segunda-feira de noite, que era de dia’.
        “Nós não semos tatu!”

  12. Não há como comparar esse governo que nada fez pelo trabalhador, com o governo Bolsonaro que apenas fez essa ”deforma” previdenciária, distanciando ainda mais o idoso de sua aposentadoria. Até Emenda Constitucional foram feitas para prejudicar o trabalhador em seus direitos. País que se preza não modifica uma C.F. apenas para prejudicar quem realmente produz alguma coisa neste país.

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