O Holocausto Brasileiro

O Holocausto Brasileiro

“O Brasil está sob uma tirania com aparência de democracia” (Jurista Pedro Serrano, em entrevista à TV 247).

***

Sim, ainda não temos campos de concentração, nem câmeras de gás.

Mas as pessoas vão morrendo aos poucos nas filas de hospitais sem remédios; a floresta amazônica, derrubada pelo exército de moto-serras, arde em chamas para dar lugar a pastos; os empregos e os direitos trabalhistas são dizimados; a educação pública agoniza junto com a aposentadoria dos idosos.

Como já nos faltam palavras, só mesmo recorrendo ao “pai dos burros”.

No Dicionário Informal, a palavra que mais se aproxima do atual estágio da degradação civilizatória do país é Holocausto, a denominação dada ao extermínio de milhões judeus pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Entre os 15 significados populares da palavra, estão bagunça, confusão, desastre, sacrifício, castigo, expiação.

Que melhor definição poderíamos encontrar para o que estamos vivendo no Brasil de 2019, governado por um boçal aprendiz de ditador e seus fanáticos seguidores?

Entre os antônimos de Holocausto, encontrei as palavras organizado, arrumado, vida _ ou seja, tudo o que nos faz falta hoje.

Na semana em que o capitão presidente condecorou o coronel torturador-mor Brilhante Ustra com o título de “herói nacional”, ameaçou jornalistas e deu uma declaração escatológica sobre a preservação do meio ambiente, fomos informados de que o desmatamento na Amazônia aumentou 277,9% em julho de deste ano, em comparação com o mesmo mês de 2018, segundo o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

E o que fez o governo diante desta catástrofe ambiental? Demitiu o presidente do Inpe, o físico Ricardo Galvão, e colocou no posto um militar da Aeronáutica.

Na mesma edição da Folha, em reportagem de Fábio Zanini e Flávia Faria, ficamos sabendo que a violência policial disparou em São Paulo e no Rio.

“Os números de pessoas mortas por policiais militares em serviço no Estado de São Paulo cresceu 11,5% no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado. No Rio, até junho, a polícia foi responsável por 29% das mortes violentas no Estado, um recorde”.

Foram 426 pessoas mortas por policiais em São Paulo e 881 no Rio, de janeiro a julho.

Assim como o inominável presidente, os governadores de São Paulo, João Doria, e do Rio, Wilson Witzel, liberaram suas polícias para atirar primeiro e perguntar depois.

Morte, vingança e destruição são as marcas desses governos eleitos em 2018 sob a bandeira da “nova política”.

Não por acaso, a imprensa, a OAB e as instituições do Estado, como o Ibama e o Inpe, responsáveis pela defesa do meio ambiente, e a educação pública são os principais alvos da nova ordem unida, que desafia a Constituição e o Estado de Direito, para implantar um regime de força no país.

Para obrar seu intento, o capitão conta com 147 generais na ativa e nada menos de 5.290 na reserva, segundo a coluna de Lúcio Vaz, na Gazeta do Povo, provavelmente o maior batalhão de generais de pijama do mundo.

Eles custam ao país R$ 1,7 bilhão por ano e ficaram fora da reforma da Previdência. Muitos deles agora dobraram seus proventos porque foram requisitados pelo capitão para cargos no governo.

E ainda dizem que “as instituições estão funcionando normalmente”.

A prosseguir assim, ainda viraremos uma imensa Siripinas, o casamento incestuoso de Síria com Filipinas, deixando a Venezuela no chinelo.

Bom final de semana a todos.

Vida que segue.

 

20 thoughts on “O Holocausto Brasileiro

  1. Ditadura mascarada de democracia, provoca um declínio acentuado na sociedade que hoje se ajoelha diante da chibata e caminha para a escravidão, com grande diferença: Um escravo da época do império, era tido como ”patrimônio do patrão”, portanto, tinha de estar gozando de saúde boa, pois, doente nada valia. Hoje, não há um serviço de saúde pública que funcione. (ex. os políticos só se utilizam de hospitais de renome). Os medicamentos para a classe menos abastadas, estão sendo proibidos na produção. Os meios de sobrevivência estão cada vez mais tolhidos e em consequência os caminhos para o crime cada vez mais amplos e facilitados. Basta observar os milhões de desempregados (que por sua vez, faz do ócio uma enorme porteira aberta para a delinquência), e a queda vertiginosa das contribuições para a previdência (que nem ventilaram nessa nefasta discussão da reforma). Não acredito que essa ”deforma” vá resolver os problemas do país como alguns ”iluminados” pregaram, APENAS VAI DIVIDIR MAIS MISÉRIA. Esta política não apresenta nada de criativo na administração do país que possa trazer crescimento, mais empregos, mais educação, saúde e segurança para a sociedade. Infelizmente, é isso!

  2. Gostaria que meus pais e avós estivessem vivos para poder cultuá-los pelo que fizeram pela formação da minha família. Porém, sinto que estariam tristes se aqui estivessem, por saber no que a minha geração transformou este país numa falta de esperança por tanto que degradou nossos dias, transformando tudo até o ponto de perder o horizonte desesperado para a sociedade atual e a que está por vir. Tristeza enorme, temerosa até para os que ainda não nasceram pela incerteza dos passos que ainda vão dar, ou não vão poder dar.

  3. Nada melhor para o fim de semana do que observar o comportamento do presidente do STF apresentado-se como fiador e garante do “Presidemente”.
    Triste e acabrunhador constatar que o presidente do STF tenha sido:
    1) Advogado do PT,
    2)Advogado-geral da União nomeado por Lula ,
    3)Primeira indicação pessoal de Lula ao STF.
    Aqui já comentei que Lula cometera dois erros crassos: render-se ao STF (um puxadinho da Casa Grande) e resignar-se com a insistência pessoal de Dilma para um segundo mandato. Fiz os comentários não depois dos erros crassos produzirem seus efeitos catastróficos, mas bem antes de Lula tê-los cometido; muito antes.
    Agora constato que me faltou acuidade para perceber que houve mais um erro crasso. O terceiro, que jamais houvera cogitado.

  4. Discordo da afirmação de Kotscho de que ainda não temos campo de concentração. Dê uma olhada em nossos complexos prisionais. Há alguma diferença????

  5. Um psicopata. É disso que se trata. O Messias, quando dá aquelas risadas de louco depois de humilhar alguém, não deixa dúvidas. Um poço de ódio, rancor, vingança – contra o quê ou contra quem? -, um fracassado no Exército do qual foi convidado a se retirar mas com uma polpuda aposentadoria. Não consegue esconder seus recalques. Uma alma podre, um coração sujo.
    Repito: só falta o bigodinho, pois o cabelo já é igualzinho. E ainda estamos no 10. dia de agosto. E todos sabemos o que é o mês de agosto na história do país.

  6. “Na campanha eleitoral, a empresa BS Studios, de Brasília, criou o jogo eletrônico Bolsomito 2K18. No game, o jogador, no papel de Bolsonaro, acumulava pontos à medida que assassinava militantes LGBTs, feministas e do MST. Na página no Steam, a descrição do jogo: “Derrote os males do comunismo nesse game politicamente incorreto, e seja o herói que vai livrar uma nação da miséria. Esteja preparado para enfrentar os mais diferentes tipos de inimigos que pretendem instaurar uma ditadura ideológica criminosa no país. Muita porrada e boas risadas.”
    Diante da reação contrária, a Justiça obrigou a empresa a retirar o jogo do ar. Mas o governo é real. Dissemina o horror e enxerga em quem se opõe a ele o fantasma do comunismo”.
    O texto atrás mencionado é um recorte do texto publicado por Frei Betto, que é escritor e autor de “A mosca azul – reflexão sobre o poder” (Rocco), entre outros livros.

  7. Prezado Kotscho: “Que melhor definição poderíamos encontrar para o que estamos vivendo no Brasil de 2019, governado por um boçal aprendiz de ditador e seus fanáticos seguidores?” Acho que holocausto é a melhor mesmo e estamos prestes de ter a concretização no posto mais alto do poder de um anticristo jabuticaba, o terceiro previsto por Nostradamus.

      1. Até concordo…. Mas, vocês estão mais expostos . Eu já estive assim, exposta, a partir de 1973, quando entrei na Faculdade de Economia da UFBA, e, consequentemente, pelas minhas convicções, fui ativista, primeiro no DA e depois no DCE, quando conseguimos entrar na Sede que estava desativada. Corri muito da polícia pelas ruas de Salvador, participei de um encontro clandestino da UNE na USP.
        Mas, agora, não estou mais exposta, como você está.

  8. O insano e grotesco capitão enfim esta coberto de razão quando pergunta patetico: “voce acha que os paises estao interessados na imagem do Brasil ou em se apoderar do Brasil?”.
    As elites que dirigem os PAISES centrais querem se apoderar do Brasil sim, começando por warshington, só temporariamente, enquanto durarem nossos finitos recursos. E para que?
    Aos que não tiveram oportunidade de ver esses dados, os estados unidos da america tem pouco acima, eu disse acima, de 23.000.000 de veteranos de guerra. Que recebem pensoes. Sao dados oficiais do orgão de estatistica , o IBGE deles.

  9. OS VERMES INTESTINOS

    VERMES são seres abjetos que no mínimo sinal de fraqueza de suas vítimas se manifestam abusivamente. Vermes expressam-se veementemente com ações destruidoras e se necessário levam seus hospedeiros a estado de subnutrição e doença.
    Vermes políticos são seres abjetos que ao mínimo sinal de fraqueza da DEMOCRACIA infestam todas as instancias públicas e levam o cidadão a um estado de submissão e pobreza.
    Os VERMES políticos estão por todas as partes e caracterizam-se por hipocrisia, cinismo e prepotência. Estão sempre à espreita para dar golpes e grandes roubos na riqueza nacional e na educação popular, assim enfraquecem suas vítimas impedindo-as de manifestações públicas de defesa, transformando-os em vidas irreflexivas, cegas da realidade.
    Os VERMES disfarçam-se de jornalistas, economistas, comunicadores e apresentadores de programas populares. Estão 24 horas por dias parasitando o pensamento das pessoas, enfraquecendo seus pensamentos e tornando seu sangue vermelho em líquidos pastosos, apáticos e politicamente inertes.
    Os VERMES, anelídeos, segmentados, metazoários, fundamentalistas, ambiciosos, desumanos e extremamente egoístas apresentam formas moralistas, elegantemente engravatados, proféticas irretocáveis da vontade divina, são a escória e o reflexo mais fiel da mediocridade da espécie.
    Mas para o não desamparo da doença democrática, os VERMES são tão humanos, e demasiado humano, quanto a mais frágil criatura que perambula nos guetos da nossa civilização. E a humanidade tem em seu arsenal antifascistas receitas simples que sobrevivem a milênios:
    VERMÍFUGOS populares estão em todos os cantos e ao alcance de todas as mãos. A união dos fracos torna-se poderosa e os vermes podem ser exterminados com simples parasiticidas.
    A verminose que se instalou no intestino do brasileiro, sugando-nos a energia e a vontade, é parte do nosso espelho cotidiano. Se curarmos o verme que habita em nós mesmos faremos parte da possível reflexão empática e democrática.
    As receitas populares para combater os VERMES vão desde chás caseiros, pentes finos, laxativos, extirpação manual, degola, medicamentos inseticidas, consciência e pressão nas ruas.
    Os remédios estão todos em nossas mãos, é basicamente escolher a solução e não recuar:
    OS VERMES NÃO FICARÃO!

  10. Se aqui cabe tudo, e sei disso há tempos, mas só pra azucrinar o bom Ricardo Kotscho.
    Grande tricolor, permita-me, na qualidade de Santista, dizer que foi um ótimo jogo. Que vença o melhor, sempre!
    E já azucrinando, o Palmeiras foi “robado” na cara do povo brasileiro. Poderá acontecer com nosso time, infelizmente.
    Propina, futebol, cadeia e sacanagem.
    Cuidado, a polícia do Dória está torturando até portador de necessidade especial(prótese no fêmur) .
    Ah, caríssimo, era para comentar a denúncia sobre o holocausto? Às imperdoáveis penas, comentado está.
    Holocausto no futebol.
    Apita’dor, Havelange’s, Teixeira’s, Delzerda, Grobu e escatologia dominical do Var.
    Perdão, Balaio por besteirol holocaustocídio.
    Como na política, se o povo não se unir…

  11. Amarelo
    Legiões de amarelo roubado vociferam contra instituições democráticas. Violência, intolerância religiosa e, como não poderia faltar, a pose hipócrita de pureza e superioridade moral diante da suposta corrupção alheia. Seria curioso não fosse uma tragédia: vestem amarelo justamente os que desfiguram o país, rasgam as leis, queimam a Amazônia e, completamente fora de si, perseguem dissidentes com fúria e ressentimento até ontem reprimidos.
    Os “desbrasileiros” confiscam como se pudesse ser sua a camisa da seleção, em nome de uma outra pátria moral sem manchas, inventada sob medida para esconder deles mesmos a própria loucura.
    Matam sem dó o Brasil que o mundo admirava, fingindo sintomaticamente para si salvá-lo. Hora de separar pacificamente esta gente “sem volta” de quem já percebeu a fria em que se meteu!

  12. Sinais da mediocridade da gestão Bolsonaro.
    1) Ponto final. Tudo indica que a gestão Bolsonaro está a procura desse ponto final.
    2) Vírgula. Indica pausa. Sem ela, pode-se mudar o sentido da frase. Bolsonaro venceu, o povo, triste.
    3) Dois pontos. Usados para dar explicação, mas o atual governo é um besteirol agudo e não se explica.
    4) Ponto e vírgula. Pausa no discurso, maior que a vírgula e menor que o ponto final. Separa as orações de uma frase, leia-se medalhões no governo. Bolsonaro não consegue e bufa de raiva. Daí tantas asneiras e pontos de vírgula.
    5) Exclamação. Espanto, raiva, susto, surpresa. O povo diz: “Desemprego, que assim não seja”!
    6) Interrogação. Quais são as principais competências de um governo?
    Com essa direita louca, ninguém sabe, ninguém viu.
    7) “Aspas.” Bolsonaro não consegue citar autores e enfatizar expressões. Ele desconhece Mário Quintana: ” Maravilhas nunca faltaram ao mundo, o que sempre falta é a capacidade de senti-las e admirá-las.”
    8) Reticências. Indica sentido muito além do que foi narrado. Pensador anônimo: “Três pontos intermitentes que insistem em dizer que nada está fechado, que nada acabou, que algo está por vir”. Meu Deus, as palavras preferidas de Bolsonaro são: porra, troca-troca, cocô… Três… humm!
    9) Travessão. Isso é lá com o The Intercept. Indica, denuncia e vaza os autores de diálogos da ação criminosa da Lavajato. Travessão e eis a tentativa de desmoralizar a PGR, os Ministros Gilmar Mendes e Tófoli, entre outros.
    10) Parênteses. Adicionar uma informação complementar para facilitar a compreensão do leitor. Exemplo: O Presidente(o mais despreparado que os eleitores sufragaram) fala um besteirol atrás do outro e ainda não criou nenhum emprego.
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  13. Caro Kotscho, e pensar que o atual governo, antidemocrático, autoritário e protofascista, bem poderia ter sido evitado se nas eleições de 2018 se o lulismo tivesse adotado uma estratégia mais voltada para os interesses do povo brasileiro de que para seu próprio umbigo.
    Que nos inspire o exemplo dos democratas argentinos, que estão a caminho de derrotar o Macri, o neoliberalismo e o candidato do Bolsonaro de uma só vez.

  14. Na verdade estamos sendo vítimas de um blefe, o medo de que as nossas imprestáveis Forças Armadas endureçam o golpe. Não farão isto, pois sabem que sairiam dele mais desmoralizadas do que estão. Vamos ver isto quando o STF resolver enfrentá-los.

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