Justiça partidária condena PT em Curitiba e blinda PSDB em São Paulo

Justiça partidária condena PT em Curitiba e blinda PSDB em São Paulo

Implacável para condenar lideranças do PT na República de Curitiba, a Justiça brasileira não mostra o mesmo furor para investigar e julgar os tucanões do bico grande do PSDB em São Paulo.

A lei deveria ser igual para todos, já que o país é um só, mas não é bem assim que acontece. Depende do réu e do partido.

Manchete da Folha desta segunda-feira:

“Promotoria e estado contestam acordos com empresas em São Paulo _ Colaborações, que citam políticos e aliados do governador poderiam compensar em R$ 103 milhões”.

A história toda é muito confusa. Trocando em miúdos, é mais ou menos o seguinte: as empreiteiras deveriam devolver para o estado de São Paulo o mesmo valor do caixa dois que pagaram para os ex-governadores tucanos Geraldo Alckmin e José Serra, e o ex-prefeito Gilberto Kassab, do PSD, entre outros, para financiar suas campanhas eleitorais.

Mas setores do Ministério Público, com o apoio do governador tucano João Doria, resistem a cumprir os acordos feitos com as empreiteiras CCR e Odebrecht, já homologados por juízes estaduais, que chegam ao total de R$ 130 milhões.

Kassab chegou a ser anunciado como chefe da Casa Civil de João Doria mas foi dispensado após denúncia de que o ex-prefeito recebeu propina também da JBS.

A Odebrecht se comprometeu a pagar uma multa de R$ 21,2 milhões em relação a Kassab, mesmo valor que diz ter repassado de forma irregular pela campanha à prefeitura em 2008 e para a formação do PSD em 2011, segundo a matéria da Folha.

O maior dos acordos do MP de São Paulo foi feito com o grupo CCR, que se comprometeu a pagar R$ 81,5 milhões para se livrar de processos.

Esses processos são tão antigos que, em breve, deverão estar prescritos, como costuma acontecer com os casos que envolvem o PSDB paulista.

Nenhum deles até agora foi sequer levado a julgamento.

A reportagem de José Marques informa ainda que a CCR delatou repasses de caixa dois referentes às campanhas de José Serra (R$ 3 milhões) à Presidência, em 2010, de Geraldo Alckmin ao Governo de São Paulo (R$4,5 milhões), em 2010, e a Kassab (R$ 2,8 milhões) para a criação do PSD. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também teria recebido R$ 3 milhões no mesmo ano.

Serra não se manifestou, mas sempre disse que as contas de suas campanhas eram de responsabilidade do partido. A defesa de Alckmin tem afirmado que o ex-governador “jamais recebeu recursos, a qualquer título, da empresa mencionada”. A Procuradoria Geral do Estado, responsável pela defesa jurídica do governo, não se manifestou sobre os acordos.

Entre defender os cofres estaduais ou seus correligionários, o governador João Doria ficou ao lado dos promotores que querem contestar os acordos.

Uma coisa a Justiça de São Paulo e a de Curitiba têm em comum: ambas são partidárias. Uma, para condenar o PT; outra, para proteger o PSDB.

Vida que segue.

 

9 thoughts on “Justiça partidária condena PT em Curitiba e blinda PSDB em São Paulo

  1. Lula e o PT erraram a mão quando imaginaram que faziam parte do círculo invulnerável do mandonismo secular e menosprezaram o histórico e a própria natureza da Casa Grande.
    Somente a candura de classe e a ingenuidade política rudimentares para concluir que o Judiciário seria igual com todos.
    Sempre houve duas justiças. A cega para os ricos, com raríssimas exceções. A vidente para os pobres, sem exceções.
    Lula e o PT viveram tempo demasiado com os dois pés na cobertura do andar de cima da Casa Grande e esqueceram de seus pés no chão da senzala e das fábricas no andar de baixo.
    Faltaram ao lulopetismo tanto a consciência ideológica quanto o compromisso preferencial de classe. Sobraram pragmatismo incoerente, burocratização partidária e relativismo ético.
    A direita não perdeu a oportunidade das vacilações do lulopetismo e a extrema-direita deu o bote.
    Os fantasmas varridos para debaixo do tapete agora perambulam os salões do Alvorada e reinam acima das instituições que se deixaram desmoralizar e perdem gradualmente o que lhes restava de credibilidade.

      1. Nada mais nada menos do que mais uma crônica policial-social-política, como diria o Quintana. Velho chafariz procura água fresca que o faça feliz.

  2. A tucanagem da midia paulista é despudoradamente aberta.
    E a blindagem obvia, bastando ver os termos insipidos e vagos das manchetes de agora comparados aos que exibiam para o delacionismo a base de torturas-chantagens, feito à ORCRIM de curitiba. Agora não tem ‘propina’, não há ‘ departamento de propina’, nao tem delação premiada mas apenas colaboraçoes, não tem devolução aos cofres publicos mas simples ‘compensações’.
    Quem prestou serviços via terceiros ao setor metroferroviarioviario sabe que a Alstom era uma central de coleta de agrados às diretorias da Cia do metro de SP e dos Secretarios dos Transportes tucanos e outros da tucanagem paulista. Sem isso não haveria contratos.

  3. Prezado Kotscho: “Uma coisa a Justiça de São Paulo e a de Curitiba têm em comum: ambas são partidárias. Uma, para condenar o PT; outra, para proteger o PSDB.” É verdade. E as duas são responsáveis, também, por colocar o capitão no poder nessa ditadura eleita pelo voto.

  4. Razão parcial lhe assiste neste post, quando critica a lentidão da Justiça em São Paulo.. e acrescentaria também, porque não, a justiça federal de Brasilia, na mão do juiz Walisney.
    Enquanto as justiças federais do Paraná e do Rio de Janeiro agiram com a devida competencia, colocando inumeros politicos atás das grades – e não so so PT – , aqui em São Paulo, a lentidão é total. Somente agora saiu um acordo de conveniencia com a CCR, que comanda e controla as melhorias rodovias do estado, impondo-nos um custo altissimo de pedágios, para que possa repassar as propinas aos politicos.
    Discordo porém que as condenações no Paraná tiveram como objetivo de fundo punir o PT. Este partido promoveu a maior delapidação de cofres publicos que se tem noticias no mundo todo. E mais… espalhou este nefasto modelo, para quase todos os governos das Américas e ditadores sanguinários da África, tendo a Odebrechet como seu parceiro de todas as horas. Ficou barato para o Lula ser julgado e condenado somente aqui no Brasil, ante ao estrago provocado em diversas nações, notadamente àquelas politicamente voltadas à esquerda, de cuja população padecem da pobreza e fome imposta por governos corruptos.
    Que a justiça continue condenando a todos, com a rigidez que se espera, independentemente a que corrente politica pertença.

    1. Só um detalhe, José Antonio: apesar de tudo, dilapidação ainda se escreve com “i”.
      Vamos respeitar ao menos a língua pátria, já que não é mais possível discutir racionalmente.Esse teu discurso já ficou velho.

      1. só o meu discurso? e esse xororô de Lula vitima, quando vai acabar? Tem muitas outras condenações ainda por vir… aguarde.
        Quanto ao meu erro de português, neste caso acho que mesmo involuntariamente adotei o modelo do PT preconizado no governo Dilma… Lembra-se?

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