Fake news em massa: Fux ameaçava anular eleições, mas PF não quer saber disso

Fake news em massa: Fux ameaçava anular eleições, mas PF não quer saber disso

No de 21 de junho de 2018, o portal G1, do Grupo Globo, publicou a manchete “Fux diz que Justiça pode anular uma eleição se resultado for influenciado por fake news em massa”.

Como então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Luiz Fux deu a seguinte declaração, reproduzida na matéria:

“O artigo 222 do Código Eleitoral prevê que, se o resultado de uma eleição qualquer for fruto de uma fake news difundida de forma massiva e influente no resultado, o artigo 222 prevê inclusive a anulação. É claro que isso demanda um acervo probatório, uma cognição, conhecimento profundo daquilo que foi praticado. Mas a lei prevê esse tipo de sanção”.

E o que aconteceu? Nada. Depois disso, Fux nunca mais tocou no assunto e as fake news foram decisivas na eleição de Jair Bolsonaro, assim como a facada de Juiz de Fora e a prisão de Lula.

Hoje, o portal UOL publica a matéria “Caso dos hackers atropela apuração do uso eleitoral do WhatsApp”, em que informa:

“A apuração da Polícia Federal e do Ministério Público sobre o uso de WhatsApp nas eleições de 2018 patina, segundo relato dos próprios investigadores. Na investigação sobre as campanhas do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do ex-candidato Fernando Haddad (PT), nenhuma busca ou quebra de sigilo foi solicitada pelas autoridades ou autorizada pela Justiça num inquérito eleitoral aberto há mais de oito meses”.

Agora sob o alto comando do ex-juiz e ministro da Justiça Sergio Moro, a Polícia Federal só tem pressa quando lhe interessa, como aconteceu com a prisão dos hackers suspeitos de invadir celulares de autoridades, inclusive o dele.

Em menos de dois meses, a PF conseguiu ordens judiciais para quebrar sigilos de comunicações e, com elas, fazer buscas e prisões. Os hackers continuam presos.

Investigadores disseram ao UOL, sob condição de anonimato, que o ritmo das apurações em relação à propaganda irregular nas eleições é mesmo “muito lento”.

Em outubro do ano passado, a Folha revelou que empresários impulsionaram disparos em massa por WhatsApp contra o PT durante a campanha eleitoral, mostrando o uso de bases vendidas por agências de estratégia digital.

Um desses empresários citados na matéria é o dono das lojas Havan, Luciano Hang que, ao ser ouvido pela Polícia Federal, disse sequer saber o que é “impulsionamento de zap”, embora esteja presente todos os dias nas redes sociais em lives na defesa do governo.

E ficou por isso mesmo. Numa entrevista intermediada pela assessoria de imprensa do empresário, Fabio Roberto de Souza, advogado de Hang, disse que “jamais participamos ou enviamos qualquer coisa por zap ou qualquer outra rede”.

Até agora, ao que consta, só Luciano Hang foi ouvido pela PF. O advogado Souza não quis revelar quando foi feito o depoimento à PF no inquérito das fake news nas eleições que, pelo jeito, corre no mais absoluto sigilo.

Se o Código Eleitoral citado por Luiz Fux ainda estiver em vigor, e a Polícia Federal se interessar em investigar quem bancou a multiplicação massiva de mensagens nas redes sociais sobre “kit gay” e “mamadeira de piroca”, a eleição de 2018 correria o risco de ser anulada, caso um dia seja apresentado o “acervo probatório”.

Mas isso só aconteceria se vivêssemos num Estado de Direito, em que juízes não podem ser ao mesmo tempo acusadores, num conluio com promotores, para decidir quem pode ou não participar das eleições.

Na realidade, vivemos num mundo de faz de conta, em que a polícia finge que investiga, a Justiça finge que julga e o eleitor finge que acredita.

Vida que segue.

 

9 thoughts on “Fake news em massa: Fux ameaçava anular eleições, mas PF não quer saber disso

  1. Não gostaria que parecesse que estou “perseguindo” o seu blog, mas é que acabei de responder à questão que você me colocou no outro artigo e vi este. Então, se você me permitir, farei quatro observações:

    O fato de não haver até hoje nenhuma prova de que empresários bancaram mensagens só mostra que a Folha serviu ao PT ao publicar ao que interessava ao partido sem evidência alguma de que aquilo era verdade.

    O eficiência do WhatsApp não está numa central que divulga algo as vésperas da eleição e hipnotiza os eleitores levando-os a votar em alguém. Isso não existe. O que vale é muito mais o poder de retransmissão ou recriação (ou mesmo criação) entre pessoas conhecidas. Exemplo. Eu, que não gosto do PT, sempre entendi que o kit gay era uma bomba contra ele e fiz questão de divulgá-lo ao máximo. O que não tem nada de fake, pois basta pesquisar no Youtube para encontrar entrevistas do ministro Haddad e o que mais se quiser sobre o tema.

    A mamadeira erótica foi uma espécie de caricatura, fake, mas inteligente, do kit gay. Provavelmente foi feita por gente do Bolsonaro, mas deve ser dificílimo provar isso.

    Nunca se viu essa preocupação com fakes cuja autoria era clara e cujo efeito na eleição foi indiscutível. Como o PT dizendo que criou as bolsas e os tucanos (seus verdadeiros criadores) queriam acabar com elas. Ou como a famosa propaganda do banqueiro amigo da Marina que rouba tudo do pobre.

  2. “consegue ainda o endereço do Toffoli?”
    É para já:
    Rua da Constituição, 1988
    Bairro: Não passarão!
    Cep 05-10-1988
    É tarefa de toda democrata a defesa do STF!
    Quando eles dizem que “Só devemos agir em relação ao STF com provas robustas”, não custa perguntar se “em relação ao” Lula valeram provas frágeis, não robustas, e evidências inconsistentes (delação do Palloci para fins políticos pró-Bolsonaro) segundo (neste último caso) a própria avaliação temerosa dos procuradores.

  3. Desde que a Justiça Eleitoral considerou que estava tudo bem com o “acervo probatório” do processo eleitoral de 2014 da Chapa PT/PMDB, sob a acusação de abuso do poder econômico, não se pode levar a sério o TSE.
    Na época, o ministro-relator Herman Benjamin ganhou relevo: “Recuso o papel de coveiro de prova viva. Posso até participar do velório, mas não carrego o caixão”.
    A cassação da chapa PT/PMDB implicaria nova eleição direta. A maioria do TSE decidiu por afastar a “prova viva”.
    O fato é que, tanto antes quanto agora, os donos do poder sentados no Planalto sempre têm “o mecanismo” de sua própria lavra e estilo para fazer valer suas vontades.
    Exceto quando, por incompetência inata e inaptidão congênita, perdem o controle da situação e deixam de dominar o círculo do poder e do mando, como aconteceu com Collor de Mello e Dilma Vana.
    Ninguém na PF e na Receita( o sobrenome do ‘novo’ sub-secretário do fisco federal é “Fachada”, cujo ‘secretário’ Cintra é um acadêmico e ex-vereador que não entende nada de tributação, exceto da venda de terrenos na Lua, como o estelionato do “imposto único” para otários verem e aplaudirem).
    Já dissemos aqui.
    É o fim da prova viva.
    É a realidade do coveiro.
    É o espetáculo do caixão.

  4. Mais um Jornalão, o de Negócios, que apoiou ostensivamente o Posto Ipiranga e o Capitão Demencial, também tenta explicar os porquês da sua sustentabilidade política, popular e eleitoral, a despeito e apesar de todas as suas decisões e atitudes admitidas como sendo fora do marco civilizatório e com raízes na baixa Idade Média. Como se o jornalão “Valor Econômico” procurasse lavar as mãos no serviço de apoio ostensivo ao Capitão Demencial para sua chegada ao Alvorada. De onde dá sinais de que não pretende sair enquanto dispuser do sólido apoio nas forças armadas, policiais, paramilitares e milicianas.
    Leia o Link:
    https://www.valor.com.br/video/6066883797001/a-estrategia-de-bolsonaro-para-evitar-que-se-forme-uma-maioria-contraria

    1. Acessei o link.
      Impressiona que o “presidemente” tenha aumentado seu número de seguidores de 29 milhões para 30 milhões.
      Trata-se já de uma Seita.
      A legião de imbecis aumenta a cada dia que passa.
      Nunca a bestialidade esteve tão ao alcance de todos.
      Obrigada pela dica do pânico do Estadão, Netho.

  5. Que truste conclusão a do seu artigo, Ricardo Kotscho…
    É fiel aos fatos, mas é triste!

    Um abraço,
    Maria Helena

    1. Tem razão, cara Maria Helena, é tudo muito triste, mas percebo que a sociedade está começando a reagir, como em 1984.
      Dá uma olhada em post anterior que escrevi sobre as entidades que estão se unindo em defesa da democracia.
      O movimento será oficialmente lançado dia 15 de agosto, na sede da OAB em Brasília. Grato pela participação. Abraços

  6. Prezado Kotscho: Você tem razão, “Na realidade, vivemos num mundo de faz de conta […]” e, como acabei de ler um texto intitulado “O risco das aparências” de Mário Sérgio Cortella, acho que vem a calhar esse trecho que ele escreveu: “O pensador do século V, Agostinho – muitos o chamam de Santo Agostinho, um dos maiores filósofos e teólogos da história –, proferiu a frase: “Não sacia a fome quem lambe pão pintado”. Para se matar a fome não basta lamber a figura de um pão, é preciso ir até ele.” Portanto, creio que, concretamente, devemos caminhar para um impeachment, reforma política e Diretas Já!

  7. Seria preciso deixar aqui preto no branco que o STF está so se defendendo, corporativamente neste momento.
    Vai imolar o DD, o tal Dinheirol já já e em seguida não duvido seja o supreminho capaz de enviar ao Glenn um emissário com bandeira branca na mão.
    Atençao, Glenn, se acontecer, nao é rendição, é proposta. Querendo que o intercept nao mais publique coisas que furem, firam, resvalem na dourada e pusilânime Corte brasilis. Não os atenda!

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