Bolsonaro tripudia sobre cadáveres da ditadura e do massacre no Pará

Bolsonaro tripudia sobre cadáveres da ditadura e do massacre no Pará

No filme “O Grande Ditador”, tem aquela cena genial do Charles Chaplin chutando o globo terrestre como se fosse uma bola de futebol.

Pois Jair Bolsonaro, o aprendiz de ditador, em sua escalada de insanidade, agora chuta cadáveres.

A primeira vítima foi o pai de Felipe Santa Cruz, presidente da OAB, um estudante perseguido, morto e desaparecido na ditadura militar, quando tinha 23 anos.

Preso pelo governo militar em 1974, nunca mais foi visto. Documentos oficiais provam que ele desapareceu quando Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira estava sob a tutela do Estado.

Nesta terça-feira, o ex-capitão voltou à ofensiva, atacando e debochando de todos os mortos e desaparecidos da ditadura, ao colocar em dúvida as conclusões da Comissão Nacional da Verdade.

“Você acredita em Comissão da Verdade? Não existem documentos dizendo se matou ou não matou. Isso é balela”, disparou o presidente na primeira entrevista do dia, em frente ao Alvorada.

E emendou: “Você quer documento para isso, meu Deus do céu. Documento é quando você casa, você se divorcia. Eles têm documentos dizendo o contrário?”

Sem querer, do jeito que falou, acabou confessando que os documentos da época da ditadura foram todos destruídos, o que os militares sempre negaram.

Ao ser perguntado sobre o massacre de Altamira, no Pará, onde morreram 57 presos, 16 deles decapitados, o presidente reagiu irritado:

“Pergunta para as vítimas dos que morreram”.

Foi uma atrás da outra, como se a morte para ele não passasse de uma coisa banal. Empatia zero, como bem disse o presidente da OAB sobre o caráter de Bolsonaro.

Na véspera, enquanto cortava o cabelo, comentou de passagem o caso do morador de rua, um deficiente mental, que fez várias vitimas no Rio portando uma faca.

“E não tinha ninguém lá para dar um tiro nele?”

Felipe Santa Cruz irá interpelar Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal para que o presidente apresente informações que eventualmente tenha sobre a morte de seu pai, depois de ter afirmado que Fernando Augusto foi assassinado por membros da esquerda.

“Aí há uma lista de possíveis crimes que ele pode estar incorrendo, sim. A começar pela falsidade, a dar declaração falsa, provavelmente num arroubo verbal”, disse Felipe Santa Cruz em entrevista à BBC News Brasil.

Mas o presidente da OAB acredita que Bolsonaro não tem qualquer informação verdadeira sobre o caso. “Foi só mais um gesto de irresponsabilidade do presidente”.

Com o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e as Forças Armadas mantendo obsequioso silêncio sobre o presidente da República que não respeita nem os mortos, a obra prima de Charles Chaplin pode ser superada pela realidade brasileira em pleno século 21.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

 

8 thoughts on “Bolsonaro tripudia sobre cadáveres da ditadura e do massacre no Pará

  1. A verdade é que o país começou a degringolar de vez em 2019.
    O salto para trás começa no segundo mandato do governo Dilma quando a president’a’ e gerent’a’ nomeia Joaquim Levy, um engenheiro metido a economista do terceiro escalão do Bradesco que cuidava do Portfólio de Ativos das Grandes Fortunas e Investidores Nacionais e Estrangeiros.
    Dilma deu uma brutal guinada à direita, a exemplo do que Lula fizera com a Carta aos Banqueiros, cuja principal consequência foi rachar o PT e ensejar o surgimento do PSOL (não por acaso em razão da reforma da previdência exigida pelos donos do Bradesco e do Itaú).
    O Cartel do ‘MT’ serviu-se da inaptidão completa de uma president’a’ neófita – sem a menor condição prática de lidar com a realidade da política nacional -, sobretudo no momento em que a economia mundial deixara o tempo das vacas gordas e adentrava a seara das vacas magérrimas, com a queda acentuada, mais de 50% nos preços do petróleo.
    A turma da bufunfa do Cartel do “MT” enfiou o pé na jaca do arrocho fiscal e empurrou ainda mais o país na ladeira da recessão que já era de arrepiar jacaré (-3,6% e -3,8% em 2016/2017).
    Agora é cinzas, tudo acabado e só a extrema-direita e a direita tupiniquins estraçalhando as mais elementares condições de convivência minimamente civilizada e democrática no país que um dia já foi considerado por quem fugira da Alemanha dos camisas-marrons, como Stephan Zweig, o “país do futuro”.
    É o fim da picada.
    É o fim do caminho.

  2. O que fazer com os fanáticos apoiadores do mito, entusiastas da violência que seu líder prega sem pudor, com enorme vulgaridade? Sei que esta dúvida lembra um pouco como os franceses tiveram que lidar com seus colaboracionistas logo após o fim do jugo nazista, mas aqui penso em uma versão diferente, atualizada. Para aplacar seu ímpeto destrutivo, hoje incontrolável, talvez fosse legal criar um parque temático da “reação” no sul do país, não longe do Beto Carrero. Uma Disney para crianças crescidas, armadas até os dentes. Lá poderiam, apenas como válvula simbólica de escape, matar de mentirinha índios, negros, homossexuais, “paraíbas” e e todo tipo dissidentes (como no seriado estrelado pelo Anthony Hopkins), estimular sua sexualidade com bonecos inflados de super-heróis do direito penal do inimigo, ganhar milhas com o networking da cruzada religiúridica contra o Lula; participar de julgamentos com dosimetria muito combinada, brincar de delação dirigida e depoimentos sob vara. Não fica aí: falanges de bombados fariam, umas contra as outras, jogos de forças, um cabo de guerra conhecido por aqui como supreMaciste branco. Games de humilhação (“caçando o Reitor”). Não poderia faltar o mais folclórico dos divertiimentos; um esconde-esconde com o Queiroz

  3. Prezado Kotscho: Será mesmo que “Foi só mais um gesto de irresponsabilidade do presidente” como disse o presidente da OAB? Tenho dúvidas. O capitão sempre se gabou de iniciar sua carreira no exército depois de militar no combate a guerrilha no Vale do Ribeira. A deputada Luiza Erundina do PSOL-SP é autora do projeto de lei de revisão da Anistia (PL 573/2011), que exclui do rol de crimes anistiados após a ditadura militar (1964-1985), aqueles cometidos por agentes públicos, militares ou civis. Pode ser um caminho mais demorado ou não para se chegar à verdade dos fatos?

  4. Nem todo DITADOR é “mau” -Getúlio Dorneles Vargas foi um ditador,apesar dessa fase,ainda é considerado um dos “HERÓIS brasileiros!.Gostaria (se possível) de ver postada esta mensagem.

  5. Duro de suportar.
    Estou aconselhando, sem meias palavras a meus sobrinhos e sobrinhos.netos que direcionem seu estudo, seu adestramento e segmentação profissional ja planejando os detalhes para sair do pais, em definitivo. A maioria deles alunos ou ex alunos de cursos superiores, alguns deles brilhantes.
    Nunca fizemos isso: acreditávamos no futuro deste país. Sinto muito.
    Independente disso, se qualquer um fizer uma enquete honesta entre universitarios e secundaristas fazendo a mesma pergunta, a resposta afirmativa (sair do Brasil) será estatisticamente eloquente para que se cesse o mantra do ‘exodo’ da Venezuela.

  6. O que mais impressiona é ao ser perguntado como soube, ele responder: Ora, conversando.
    Faz muito bem o presidente da OAB interpelar o capitão no STF. Espero que o ministro Barroso aja no rigor da Lei contra esse presidente que infelizmente começa a arrebentar com o Brasil.

  7. Quem desejar saber um pouco mais sobre as etnias que se encontram pintadas para a guerra contra a governança demencial intensificada na Amazônia basta acessar o link:
    https://reporterbrasil.org.br/2015/12/a-politica-munduruku/
    É notável a luta de resistência desses indígenas conhecidos também como caras-pretas que sempre quiseram ver o homem branco e ocidental pelas costas desde que a cruz e a coroa portuguesas desembarcaram entre os povos da floresta.

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