Capitão age como chefe de facção, mas o “Mito” é covarde

Capitão age como chefe de facção, mas o “Mito” é covarde

O circo montado pelo governo Bolsonaro na inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista, na Bahia, serviu para revelar sem retoques quem é esse capitão fake, que se faz de valente, mas tem medo do povo.

Havia até atiradores de elite em cima do prédio e tropas do Exército e da Polícia Federal e Rodoviária nos acessos, para proteger o presidente e seus 600 convidados de terno e gravata, escolhidos a dedo para gritar “Mito” quando ele entrou no saguão.

Depois de roubar o evento que era do governo da Bahia, sem ter nenhuma participação na obra, como se ainda estivesse em campanha, o capitão botou um chapéu de vaqueiro na cabeça e mandou ver num improviso de três minutos, do lado de fora, para os seus “apoiadores”, levados em ônibus da prefeitura.

“Somos todos paraíbas, somos todos baianos. O que não somos é aqueles que querem puxar para o trás o nosso estado, o nosso país”.

“Aqueles” eram os áulicos que estavam perfilados  a seu lado com cara de assustados, o retrato pronto e acabado de um país que avança para o retrocesso institucional.

Para completar a cena patética, o inaugurador de obra alheia levantou um anão nos braços e mandou “um abraço para os nordestinos e um beijo para as nordestinas”.

Bolsonaro age como um chefe de facção que atira para todos os lados, em adversários imaginários, aliados “melancias” e, principalmente, no próprio pé.

Seu linguajar tosco e rude é o de milicianos reunidos aos domingos em churrascos nos condomínios da Barra da Tijuca.

É um sujeito assustador até quando dá aquele sorriso forçado, mostrando todos os dentes, depois de falar mais alguma besteira, sem o menor respeito pelo cargo que ocupa.

Na semana passada, antes de um café com jornalistas, falou sobre governadores de “paraíba” e citou o governador do Maranhão, Flávio Dino:

“Não tem que dar nada pra esse cara”, ordenou ao chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni”, como se não houvesse Federação nem Constituição, e ele fosse o dono de uma grande fazenda chamada Brasil.

Bem fez o governador Rui Costa, do PT, o responsável pela execução da obra, que se recusou a participar dessa palhaçada.

Mesmo que quisesse ir, não teria como chegar porque a segurança presidencial proibiu o pouso do avião do governador na nova pista.

Bolsonaro, antes de embarcar, em Brasília, ainda reclamou do governador pelo Twitter, por não mandar a Polícia Militar da Bahia a Vitória da Conquista para lhe dar segurança.

“Não posso colocar a Polícia Militar para espancar o povo baiano que quer conhecer o novo aeroporto. Quem é popular, e tem medo de ir às ruas, fica em seu gabinete. Se o evento é exclusivamente federal, as forças federais que cuidem da segurança do presidente”, respondeu-lhe Costa num programa de rádio.

Era o mesmo Bolsonaro que fugiu dos debates na campanha presidencial e só apareceu na hora de votar.

Na vida real, o “Mito” é um completo desastre, o presidente mais mal avaliado depois dos primeiros seis meses de governo, em que sua única grande “obra” até agora é a reforma na Previdência, ainda inacabada, que também não é dele, mas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

“No mais, é triste ver um presidente que arrota valentia, mas tem medo do povo”, resumiu o leitor Gabriel Augusto de Aquino Filho, de Recife, Pernambuco, em carta publicada na Folha desta quarta-feira.

Como todo fanfarrão, o “Mito” é, acima de tudo, um covarde que se esconde no Palácio do Planalto atrás dos generais de farda ou de pijama, que já não sabem mais o que fazer com ele.

Vida que segue.

 

12 thoughts on “Capitão age como chefe de facção, mas o “Mito” é covarde

  1. Um presidente que tem medo do povo, é isso mesmo, concordo plenamente, fez muito bem o governador que não esteve presente. Participei de dois momentos com a presença do ex presidente Lula, foi ovacionado as duas vezes, e era explícito sua alegria em estar junto ao povo, me emocionei as duas vezes, acho que nem se nascer de novo, o atual presidente viveria uma emoção dessa, no fundo é um infeliz.

  2. A segurança dele poderia ter sido feita pelos milicianos, seus amigos e vizinhos da barra da Tijuca. Um deles tem mais de 100 fuzis em casa. Todos chefiados pelo Queiróz, seu office-boy que cobrava pedágios de funcionários fantasmas nos gabinetes do pai e do filho Flávio, gente do escritório do Crime, suspeitos de serem os mandantes do assassinato da vereadora Marielle. Pelo menos assim, saberíamos se o Queiróz ainda está vivo. Uma coisa é certa: os assassinos da Marielle já estão mortos.

  3. Ótimo jornalista! Só não poderia existir por parte de Bolsonaro, e nisso ele está certo “respeito ao cargo” que ocupa, porque o cargo que ocupa não pertence ao povo, ao país, mas ao grupo golpista que afastou Dilma e o PT do poder através de um golpe de estado, botou o traíra Temer no cargo tornado vago de presidente, e prendeu o Presidente Lula, fraudou as eleições de 2018 com manobras e falcatruas de todos os tipos, e o conseguiu “eleger” com menos de 40% do colégio eleitoral como o novo boneco dos golpistas, Jair Messias Bolsonaro. Mais de 60% dos eleitores não o apoiaram. esse cretino. E, para a Democracia, o cargo de Presidente está ainda vago.

  4. Obra importante, impostores. A Paraíba deveria inaugurar pra valer. Mito obrou em Vitória da Conquista. Ladrão faz atrás da porta. Capitão faz no pau do circo.

  5. Prezado Kotscho: Se “Bolsonaro age como um chefe de facção que atira para todos os lados”, ele só está nesse posto porque aquele ex-juiz e seu coleguinha procurador acertaram uma condenação. E por falar nisso, o que esses dois cometeram não é crime? Não vai rolar nenhum processo contra ambos?

  6. Circo – politicalha – medo – povo – bajuladores – “mito” – evento – aeroporto – ladrão – cabra – áulico – paraíba – infame – retrocesso – anão – presidente – facção – melancia – miliciano – churrasco – mito – desrespeito – jornalista – café – Maranhão – derriça – fazenda – Constituição – espancamento – nativo – gestão – caserna – revolta – farda – segurança – palácio – contexto – cortesão – rua – mito – fome – desemprego – covardia –
    .
    ( Glauber Rocha não compareceu, jamais filmaria esse melequento roteiro. Seu silêncio eloquente chegou a ofuscar sua inigualável obra. Graças a ele, o brasileiro tem uma câmera na mão e exige respeito à Cultura e seus Mitos).

  7. Cheirando latrina.
    Harakiri à vista.
    Todo crime deve ser punido. A história desses hackers caipiras está cheirando a latrina. Que armação, meu. É pra confundir e desviar o foco.
    Ah se tivéssemos oposição para comprovar tal suicídio político. Moro afronta.
    O mundo não é bobo. Essa armadilha pode se transformar num haraquiri. No Japão, esse ritual nobre era praticado pelos samurais.
    Vergonha, até o haraquiri japonês a canalhice da política brasileira, em desespero, ofende e com sangue da safadeza, constrói seus castelos com masmorras várias para esconder o apetite da elite dominante, perversa e escravocrata.
    É muita grana, meu, a grande imprensa abre as pernas.
    Até a direita e extrema direita, centrão do agronegócio no meio, deveriam purificar seus quadros, eliminando manjados “parceiros” do cofre brasileiro.
    A política brasileira, quase toda cancerosa, está conseguindo fazer do país, um dos piores do mundo. E não tem volta.
    Terra à vista, não passou de esperança. Sem pedir licença, agora já é: MORTE À VISTA!
    Devagar, devagarinho, governo do rico estupra à luz do Sol. São donos do Sol. Da Previdência, da Justiça, do Legislativo, da caserna, da terra, da água, fogo e ar.
    Sodoma e Gomorra em tempos de escravatura total.
    Não cheira mais latrina, é a própria.
    A elite mudando para Miami e os refugiados do mundo descobriram o Brasil… e não foi por acaso.

  8. Na eleição presidencial americana de 1920, quando foi eleito presidente Warren Gamaliel Harding, houve um candidato que concorreu preso. Tratava-se de Eugene V. Debs, um líder sindical condenado por criticar a participação dos EUA na primeira guerra mundial (conduzida por Wilson).
    Teve a sua pena comutada em 1921 pelo proprio Harding, que justificou a medida invocando o precário estado de saúde do sindicalista. A Casa Branca emitiu nota reiterando a convicção da culpabilidade, embora reconhecendo que:
    “He is a man of much personal charm and impressive personality, which qualifications make him a dangerous man calculated to mislead the unthinking” (Trata-se de um homem dotado de personalidade marcante e cativante, qualificações estas que o tornam um pessoa perigosa capaz de enganar os não pensantes).
    Harding entrou para a história como o Presidente cuja administração patrocinou inúmeras falcatruas; Eugene Debs foi esquecido.

  9. Com todo o respeito, o governador deveria ter colocado a PM baiana a disposição da segurança presidencial. Bolsonaro não sabe o que é ser republicano mas isso não é motivo para ser como ele. A força pública deve atender aos princípios republicanos e não vontades particulares.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *