Mistério em Brasília: por que Moro pediu licença após a vaia no Maracanã?

Mistério em Brasília: por que Moro pediu licença após a vaia no Maracanã?

Em tempo: a partir de hoje, o Programa Papo de Mãe, com Mariana Kotscho e Roberta Manreza, será apresentado às 18 horas, na TV Cultura.

Sem nepotismo, mas este é, há dez anos, um dos melhores programas da TV brasileira. 

***

Bolsonaro deve ter pensado que ele e Moro sairiam do Maracanã consagrados pelos aplausos, carregados nos braços do povo, e tudo estaria resolvido, não se falaria mais na crise da Vaza Jato.

Como o capitão vive em outro mundo, fora da realidade, chegou todo sorridente, acompanhado do seu séquito de ministros, filhos e seguranças, certo de que estava abafando.

Foi aplaudido por autoridades e convidados especiais da tribuna de honra, tirou selfies e foi se sentar ao lado do ministro.

Para quem viu a chegada dos torcedores ao Maracanã, vestidos de verde amarelo, a maioria de óculos escuros, carregando bandeirinhas do Brasil, como se estivessem indo para uma passeata na avenida Paulista ou na avenida Atlântica, parecia mesmo que tudo estava favorável para a dupla de embusteiros que assola o país.

Mas bastou o telão do estádio mostrar imagens dos dois na tribuna de honra, para as vaias começarem.

Nem jogando em casa, para uma platéia aparentemente amiga, porém, Bolsonaro & Moro escaparam de ouvir o que não queriam.

Pela cara séria deles, dava a impressão de que estavam assistindo a uma parada militar.

Torcedor de pouca prática, o presidente quase foi ao chão na comemoração do primeiro gol e se segurou em Moro para não cair.

Alguém o aconselhou a não dar a planejada volta olímpica no intervalo, mas quando o jogo acabou, com a vitória do Brasil, ele não teve dúvidas: correu para o gramado para posar com a taça ao lado dos jogadores. Levou outra sonora vaia, mas já não se viu Moro a seu lado.

No caminho, tentou abraçar o técnico Tite, como fez com Felipão na conquista do Palmeiras, no ano passado, mas levou um chega pra lá do técnico e ficou com o braço parado no ar.

Sorriu aquele sorriso forçado ao ser chamado de “Mito” por alguns jogadores e se abancou entre eles para a foto, mas o Fantástico não mostrou esta histórica imagem.

O superministro Paulo Guedes ficou furioso e saiu chutando o balde ao ser barrado pelos seguranças, um vexame que o ex-juiz não passou, porque se escafedeu antes quando ouviu as vaias.

Rejeitado por um em cada três brasileiros, segundo o último Datafolha divulgado hoje, Bolsonaro deve ter achado que as vaias foram para os jogadores peruanos.

Na segunda-feira, em Brasília, já ninguém falava da performance bolsonariana no Maracanã. Deu chabu.

Em compensação, Moro roubou as atenções gerais, ao anunciar que vai tirar uma semana de licença, de 15 a 19 de julho, sem explicar os motivos, no auge dos vazamentos das maracutaias da Lava Jato.

O despacho de Bolsonaro autorizando a licença de Moro foi publicada no Diário Oficial de hoje.

Segundo um assessor do ministro, “a licença já estava planejada desde que o ministro assumiu”, informa o UOL. .

Como assim? Tudo que cerca Moro parece estranho e nebuloso aos simples mortais. Por não ter ainda direito a férias, depois de apenas seis meses de serviço, o ministro tirou uma licença não remunerada.

Assim como não deu satisfações sobre sua repentina viagem aos Estados Unidos, após os primeiros vazamentos, sem divulgar a agenda, agora também não se sabe se ele ficará no país ou para onde ele pretende ir.

As últimas revelações do The Intercept Brasil, em parceria com a Folha, mostraram o interesse de Moro na situação política da Venezuela, algo que, à primeira vista, não deveria dizer respeito às atividades de um juiz de primeira instância em Curitiba. Vai saber…

Na parede de um restaurante chileno na Aldeia de Carapicuiba, tinha uma frase que se aplica a esta misteriosa licença do ex-juiz que virou superministro:

“Está tudo muito bom, muito bonito, mas está esquisito”.

Que novas surpresas nos aguardam?

Vida que segue.

 

29 thoughts on “Mistério em Brasília: por que Moro pediu licença após a vaia no Maracanã?

  1. Bolsonaro. Como ganhou? Todo mundo sabe. Usou o tiririca Moro, ratazana na balança da Justisssa. Moro tá com problema na garganta, causado pela guilhotina da ratoeira que ele armou. O Maraca desarmou sem dó. Estatística? Então tá: 93% da imprensa mundial falam na sua “licença”, aha uhu. O planeta conhece a rima. Com que cara voltará? Tenho dó “conge”. Ratazana gosta de mel. Lambuzou-se com Dallagnol, Boçalnaro e “fios” de 220 W. Tá na rua. Malandro parcial não sabe comer melado. No Maracanã foi o último suspiro do marrequinho de Maringá. de candidato a presidente, ao STF e outros negócios da arábia, nem pra porteiro de catacra do Jabaquara… será contratado. Talvez, pra flanelinha das praias mineiras. Aha uhu. A melhor segundona do ano. Moruu aha uhu, vá pra Portugal de naviuuu uhuuu. Ciau queridinha. A cadeia te espera. Leve uma manta grossa, senão o uhu vaza! “Que o diabo te proteja Mô”.

  2. Moro nunca teve cacife pra armação desse calibre. Vai parar no psiquiatra. Recolham logo o seu passaporte.
    Ele deve ter conta no exterior. Hummm… será que o pior presidente do universo vai nomeá-lo para adjunto em alguma embaixada? Que tal o Irã? Ou chefe de torcida no “programa” do Faustão?

  3. Genial, Garrincha espetava a idealização desmedida da velha prancheta de técnico: “já combinaram com os russos?”. A resposta hoje seria: o Russo já combinou conosco.

  4. Esse capitão é curto de cuca. No Maracanã, nem pra gandula ele serve. Ao comemorar o gol de Cebolinha, perdeu o equilíbrio e agarrou-se em Moro. Logo ele. Pode? Foi equilibrar-se no jUIz que desequibrou a balança da Justiça, isto é, esfaqueou seus pares de todas as instâncias. Alguém deve ter cochichado pro capita: “Se livra desse recruta”. A conversa segundo minhas fontes, ocorreu no próprio avião. Segundo fiquei sabendo, Bolsonaro não conversou com ele durante a viagem, aliás ninguém lhe dirigiu a palavra. Caiu a ficha e a saída foi uma licença, depois será tratamento da próstata no Estados Unidos e um bico uma embaixada. Que dó! Kibon à bordo, segundo a mesma fonte, estava ótimo. Vai acabar num divã, foi acreditar no pior do mundo. Pior, mas fardado. Sem medalha, mas Presidente de 33% de aprovação. Dez por centro, Bolsonaro perdeu com a capa da Veja e vazamentos viralizados na mídia mundial. O safado comandava tudo. O psiquiatra vai precisar de muita competência, cosa rara nos Ministérios e no Planalto.
    Tiau queridinho dos paneleiros. E o povo nem saiu às ruas. Bolsonaro traiu, ou foi traído?

  5. Há fato suficiente para qualquer teoria especulativa e inquisitorial, cujo fundamento objetivo do licenciamento, talvez, seja elucidado pela leitura atenta do Editorial publicado faz poucas horas por Mino Carta em sua já longeva e resiliente Carta Capital.
    Pouca gente boa do jornalismo tupiniquim dispõe de uma verve e um estilo tão cortantes, penetrantes e mordazes quanto o octogenário criador de revistas do Brasil.
    Vale a pena a leitura, cujo título é:
    “De Bolsonaro ao mercado: são os donos do poder que querem Lula preso”.

  6. Dizer que o Bolsonaro foi vaiado é como dizer que o Brasil fez um gol na semifinal contra a Alemanha. É verdade, mas …

    A vaia pareceu aqueles gritos de guerra da pequena torcida visitante, que só servem para despertar a torcida do time da casa e são abafados alguns segundos depois. Os aplausos foram muito maiores. Até o UOL, que só falta usar estrelinha vermelha, reconheceu.

    E ele posando com os jogadores e a taça? O que não dariam por uma foto daquelas alguns que diziam adorar futebol, mas nunca tiveram coragem de assistir a uma partida no estádio?

      1. O “muito” fica por minha conta, pois as vaias foram amplamente sufocadas pela manifestação contrária. No UOL, como seria de esperar, foi salientado apenas que as vaias predominaram no início, não que elas deixaram de ser ouvidas depois. Literalmente:

        “Tão logo entrou em campo vindo do mesmo túnel que dá acesso aos vestiários utilizados pelos jogadores, Jair Bolsonaro ouviu uma considerável vaia do público presente. Era possível perceber uma reação mais negativa naquele primeiro momento. Instantes depois, apoiadores do presidente ‘reagiram’ e puxaram aplausos e gritos de ‘mito’.”

  7. Segundo algumas pessoas o Moro saiu chateado do Maracanã, porque quado o Juiz marcou o Penalt para o Brasil algumas pessoas gritaram Juiz ladrão e o Moro achou que era com ele.

    1. Sensacional, nota 10 (dez). Só uma coisinha, nem pensar em ofender os árbitros de futebol, comparando-os a Moruu… aha uhu.

  8. Depois das vaias, o Bozo, aliás, o Guedes e os milicos ao seu lado, percebem que o Marreco está levando, perante a opinião pública, o desgoverno cada vez mais pro buraco, deram-lhe o sinal pra vazar o quanto antes…

  9. Prezado Kotscho: Se “As últimas revelações do The Intercept Brasil, em parceria com a Folha, mostraram o interesse de Moro na situação política da Venezuela”, vai saber se ele não está driblando todo mundo e na folga se encontrará com o pai do Neymar Júnior para acertar a volta do craque ao Barcelona. Será possível?

    1. Sengraceza, cara, o Neymar não tem nada a ver com essa baixaria. Moro é parcial, escolheu um lado e está muito bem escolhido. Tá no c du piru… esse mané ministro pior do mundo.

  10. Definitivamente campo de futebol nunca foi o melhor palco para politico testar sua popularidade e Bolsonaro ja sentiu isto na pele, ora sendo ovacionado, ora sendo vaiado. E pior: se expôs além do recomendável ao entrar em campo e dar uma volta olimpica. Pior ainda, foi o trio Lula/Dilma/Cabral, após sairem “comprando” os votos para garantir a realização da copa do mundo e das olimpiadas no Brasil (fonte dos maiores desvios de recursos publicos) tomaram semancol e nem compareceram aos estadios com medo das represálias.
    A vida é assim: os mais espertos tomam semancol e não dão as caras pela certeza das vaias, os inesperientes e principiantes correm o risco e nem sempre dá certo.

  11. Pra mim o cínico marreco está “que nem” um fato bem corriqueiro nos dias hoje em dia no Brasil. Um rapaz/moça arranjou uma transferência, estagio ou emprego temporário no exterior. Coisa comum.
    Os pais, os familiares mais próximos logo sentem algo um tanto dolorido no fundo dos corações. E passam a dizer em voz baixa entre si e aos outros: “Olha, ele (a) não volta mais!”
    Outros retrucam: só de ferias.
    O cínico marreco, nem isso.
    Seria abatido.

  12. Quanto as vaias no Maracanã, Mestre, normalíssimas. O capitão, o russo e séquito, se tivessem lido ou ao menos ouvido falar em Nelson Rodrigues, jamais compareceriam.
    Em relação as férias extemporâneas do russo, uns cravam tratar-se de ausência quando a PF, sob controle do MJ, como ocorrido com ‘terroristas’ na Rio-2016, prender ‘hackers’ e liga-los ao The Intercept, esquecidos talvez de a Globo divulgar ter sido contatada por Greenwald para participar da ‘vaza jato’, alguns dias antes do ‘Marreco e demais lavajateiros’ grasnarem estarem sendo hackeados.
    Outros cravam que não a toa, a Globo piscou ao divulgar a matéria da Veja, o Fachim começou a costear o alambrado constitucional fugindo do constrangedor ‘Aha…Uhu’ e o Jobim meteu a boca no clarim da Folha mandando ver no toque de alvorada, pois diz-se à boca pequena, que o próximo episódio da série ‘Vaza Jato’, trará os primeiros áudios, com expressões não em nagô, mas pra lá da ‘tonga da mironga do kabuletê’, sobre uns e outros.
    Sendo pragmático, provavelmente o ‘Marreco’ começa a providenciar a mudança, talvez acertada em recente viagem acima da linha do Equador, rumo a provável proteção e vida premiada, em terras de Eliot Ness.

  13. JÁ DISSE…ESPERO QUE NÃO CENSUREM A REPETIÇÃO DO QUE VOU DIZER…”O IMPONDERÁVEL, COMANDADO PELO DESTINO, PEDIU LICENÇA…SE VOLTAR SERÁ COM O RABO ENTRE AS PERNAS. EM FORTALEZA TEM UMA VAGA PARA COVEIRO DE CAPA PRETA… RESTA APENAS UM ” CIPÓ DE AROEIRA NO LOMBO DE QUEM MANDOU DAR”. . .

  14. Balaio abrindo Papo de Pai sobre Papo de Mãe!?
    Casamento feliz, contemplando a evolução da espécie. Vamos em frente, só não sabemos pra onde mas vamos que vamos…
    Baitabraço

  15. Publicado no Estadão de hoje, domingo, 09 de maio de 2019:
    A jornalista Giselly Siqueira acaba de pedir demissão do cargo de assessora especial de comunicação do Ministério da Justiça, de Sérgio Moro.
    Antes de trabalhar com Moro, Siqueira foi assessora de comunicação em vários órgãos públicos, como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) da gestão dos ministros Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski.
    Ela também chefiou a assessoria de imprensa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando Gilmar Mendes presidiu a corte e foi da equipe de comunicação da Procuradoria-Geral da República na gestão de Antonio Fernando de Souza e de Roberto Gurgel.
    Giselly é casada com o também jornalista Vladimir Netto, autor do livro Lava Jato – O juiz Sérgio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil, obra publicada em 2016 e que foi usada na elaboração do roteiro da série O Mecanismo da Netflix.

  16. Kotscho, por favor, corrija no texto que mandei, a data da publicação do pedido de demissão da assessora de Moro: o correto é hoje, domingo, 09 de julho de 2019. Abraços.

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