Terra arrasada: revista Piauí denuncia o passo a passo da destruição do Meio Ambiente

Terra arrasada: revista Piauí denuncia o passo a passo da destruição do Meio Ambiente

São tantos escândalos, barbaridades e balbúrdias em série que só agora, no final do mês, consegui ler a matéria “O Meio Ambiente como estorvo”, publicada na revista Piauí de junho.

No melhor estilo das grandes reportagens das falecidas revistas Realidade e Brasileiros, o repórter Bernardo Esteves faz uma completa autópsia, passo a passo, da destruição do Meio Ambiente, deflagrada pelo alucinado neonazifascista Ricardo de Aquino Salles no ministério do mesmo nome.

Último ministro a ser nomeado por Bolsonaro e o primeiro a colocar em prática o projeto do governo para fazer do país uma terra arrasada, onde vale só a lei do mais forte, Salles aparece pouco no noticiário porque a concorrência de insanos é grande, mas ninguém melhor do que ele exerce o papel de exterminador do futuro da nova ordem.

Ex-diretor jurídico da Sociedade Rural Brasileira e fundador do movimento Endireita Brasil, Salles é o homem certo no lugar certo para executar as promessas de campanha de Bolsonaro: acabar com a fiscalização e as multas, liberar armas para os agroboys, detonar as reservas florestais e fazer da Amazônia uma terra de ninguém.

A reportagem lembra que dez dias após a sua nomeação, Salles foi condenado por improbidade administrativa durante sua gestão como secretário de Meio Ambiente em São Paulo, no governo de Geraldo Alckmin, denunciado por beneficiar empresas de mineração ao alterar os mapas e a minuta do decreto de zoneamento numa área de proteção ambiental na Várzea do Rio Tietê.

Uma das primeiras medidas de Salles foi cancelar a multa aplicada a Jair Bolsonaro pelo fiscal do Ibama José Olímpio Augusto Morelli, quando Bolsonaro ainda era deputado, por pescar em área da marinha protegida na baía de Angra dos Reis.

Morelli foi sumariamente demitido, como centenas de outros servidores que cometiam o crime de cumprir a lei.

As lambanças do ministro estão por trás das dificuldades encontradas nas negociações finais do Acordo Mercosul-União Européia, esta semana, no Japão, como se poder constatar neste trecho da reportagem:

“No fim de abril, uma associação de promotores de Justiça e procuradores que atuam nos estados divulgou uma carta que enumerava medidas do governo Bolsonaro que lhes pareciam enfraquecer o arcabouço jurídico de proteção ao meio ambiente. Na mesma semana, 602 pesquisadores publicaram na revista Science um apelo para que a União Européia condicionasse suas negociações comerciais com o Brasil à redução do desmatamento, ao respeito aos direitos indígenas e à proteção ambiental”.

Foi isso que a primeira ministra alemã Angela Merkel cobrou de Bolsonaro, e levou o general Augusto Heleno a mandá-la “procurar a sua turma”.

Bolsonaro completou a grosseria ao dizer que o Brasil tinha lições a dar à Alemanha.

No final, o capitão valente cedeu em tudo a Merkel e ao presidente francês Emmanuel Macron para não voltar do Japão de mãos abanando.

Mas quem garante que o governo brasileiro vai cumprir sua parte no acordo?

Se depender de Ricardo Salles, que exonerou 21 dos 27 superintendentes regionais do Ibama responsáveis pelo comando de fiscalização nos estados, o problema do desmatamento será resolvido brevemente: não haverá mais florestas para derrubar.

Vale a pena ler as 11 páginas da alentada reportagem de Bernardo Esteves, que entrevistou 58 pessoas e rodou o Brasil, para denunciar o completo desmantelamento do plano interministerial lançado pelo governo Lula, em 2004, que conseguiu reduzir em 84% a derrubada da cobertura florestal na Amazônia.

No governo Temer, antes mesmo de Bolsonaro liberar a esquadrilha das moto-serras da bancada ruralista, a taxa voltou a aumentar.

Entre agosto de 2017 e julho de 2018 foram desmatados 7.900 quilômetros quadrados, o maior índice anual dos últimos dez anos.

Antes de assumir o ministério, Ricardo Salles nunca tinha ido à Amazônia. Em sua primeira visita, posou para fotos ao lado de colheitadeiras numa plantação ilegal de soja transgênica em terras indígenas.

Como o piloto de um trator desembestado, o ministro segue à risca as ordens do capitão que prometeu, no dia da sua eleição, em outubro, “tirar o Estado do cangote de quem produz”, para “botar um ponto final em todos os ativismos do Brasil”.

“No campo, o discurso foi recebido como um passe livre para desmatar. Em novembro, mês seguinte à vitória de Bolsonaro nas urnas, a derrubada na Amazônia aumentou 406% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo cálculos da ONG Imazon, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia”, relata o excelente repórter Bernardo Esteves, que eu não conhecia.

Dá para imaginar o tamanho do estrago ambiental, se o capitão Jair Messias Bolsonaro chegar ao final dos quatro anos de mandato.

Vida que segue.

 

13 thoughts on “Terra arrasada: revista Piauí denuncia o passo a passo da destruição do Meio Ambiente

  1. Violência: a destruição de si mesmo e no nosso nariz!
    Bolsonaro quer cassar o direito de indignação do ser humano. Boçal pauta de desmatamento. Há remédio para esse mal, calibre grosso, de empresários dominantes: o povo livre e consciente nas ruas. Lúcido e sem lavagem cerebral da grande mídia, parceira de escândalos. A omissão criminosa fez desaparecer florestas. São Paulo, terra da garoa? A área assassinada de verde no Centro-Norte faz falta. Há 500 anos, milhões de árvores tombadas. Menos evaporação e nuvens. Chuvas irregulares, garoa na saudade e mais poluição. Temperatura exorbitante. A Amazônia é o cofre que se estupra a céu aberto. As “ôtoridades” ignoram o amanhã. Ele nos condenará. O presente já exara essa sentença, mas inexiste “justiça”. Substanciosa denúncia. Um incompetente de farda no armário afronta o mundo com desmatamento. Aumento de 406%. Desecologia! Desamor, autoridades que se dizem seres humanos. Covardes e omissos de vistas grossas a poderosos que comprometem a qualidade de vida. Se Moro não fosse PARCIAL, reclamaria com o juizeco de merda. Candidato dos merdões a… mais canalhice com o meio ambiente. O caminho da vida é uma beleza, mas nós nos perdemos. Um capitão da caserna inconsequente, no timão do barco à jusante, se aproximando das Cataratas da Garganta do Diabo… nos subtrai a felicidade e o bem comum. Nota 10 (dez), Revista Piauí! O homem, o maior problema ecológico que existe. Ele está destruindo a si mesmo. Na mosca, Balaio! A Mãe natureza renasce com esse Jornalismo da Imprensa Nobre… a educar leitores com sabedoria e liderança.
    Extinção é pra sempre, e infelizmente, os maus políticos… ainda não estão nesta lista.

  2. Kotscho, uma aula de Ecologia do cacique Raoni:”Se corta árvore, Sol esquenta, vento aumenta e água some”.
    O cacique falou tudo – e um pouco mais – em uma simples e genial frase.

  3. Demitido por cumprir a Lei? Cumpriu e multou um deputado. Só por isso deveria ser eleito para o lugar do dito cujo de sete mandatos. Já pensou se todo fiscal comprimisse o dever e flagrasse quem não oferece nota fiscal. Com o dinheiro da sonegação, nem precisaria de reformar a Previdência como os ricos querem. Aqui na minha cidade, os funcionários efetivos do Sassom só se aposentam com a compulsória aos 70 anos. A mamata é grande, meu. Fiscal de renda, então, até fraudam a certidão de nascimento para mamar um pouco mais. Salários de 30 mil reais. Uma safadeza. Servidor com 49, vários com 45 e demais anos de casa. Alô autoridades, vocês existem? Fiscal de construção civil, garfam à vontade. Embargam a obra por qualquer motivo menor, o cara não cumpre e vem multa de 7 mil reais. O contribuinte paga a multa e comete outra infração. A multa é o dobro. Aí é hora do fiscal comer uma bola de 5 mil para não multar e fazer vistas grossas. Safadeza que na Lei ganha outro nome. É UMA TERRA ARRASADA! fiscalize a sua cidade. Deve ser a mesma coisa. Ou, só na minha cidade que tem bandidos camuflados de servidores públicos. E os prefeitos de 3 ou 4 mandatos que ficaram milionários?
    Licitação, compras etc. O povo está com o bolso arrasado.

  4. O Brasil é o único país do planeta que possui mata nativa. Utilizando-se de menos de 8% do seu território, ainda assim é o maior celeiro do Mundo.

  5. São muitos, o suficiente para encher as ruas, mas já com desfalques progressivos depois da repercussão ampliada dos vazamentos.
    E os destruidores do meio ambiente? Vestidos de amarelo-roubado, de mãos dadas ontem com neonazistas, homofóbicos, machistas de azul, princesinhas de rosa, racistas auto-vitimizados (“me chamavam de colona/o”), criacionistas, terraplanistas, , defensores antimodernistas de uma família do século XIX, apologistas da tortura, agressores dos Direitos Humanos, grileiros de terras indígenas, monarquistas, separatistas sulinos, milicianos, rock reaça, intolerantes religiosos, grupos abertamente antiFrancisco, tele-evangelismo bilionário, inimigos jurados da Constituição e da democracia que se tomam por gente-de-bem, ao reivindicar para si o monopólio sexualmente suspeito de uma moral sentida como superior.
    “Clamor popular” aqui é a trilha sonora da barbárie. A foto do Brasil profundo .

  6. Prezado Kotscho: Como você bem escreveu “Dá para imaginar o tamanho do estrago ambiental, se o capitão Jair Messias Bolsonaro chegar ao final dos quatro anos de mandato.” Dá mesmo para imaginar. E a água vai ser uma das vítimas desse governo predador. Lembremos aqui as palavras do poeta espanhol Joan Manuel Serrat: “Se o Homem é um povo, a água é o mundo. Se o Homem é lembrança, a água é memória. Se o Homem está vivo, a água é a vida. Cuide dela, como ela cuida de ti.”

  7. Realmente, é assustador o que assistimos no Brasil desses tempos. Um ministério formado por despreparados, arrogantes e ignorantes. Bem ao nível do Messias.
    Amigos do Balaio, fora do tópico abordado pelo RK mas dentro do contexto em que vivemos. Sugiro a leitura desse artigo do Luis Nassif comparando o Brasil de hoje com a Alemanha nazista na época do episódio que ficou conhecido como “A noite das longas facas”.
    https://jornalggn.com.br/justica/a-lava-jato-e-a-noite-das-facas-longas-por-luis-nassif/

  8. Para dar um basta nas ações contra o meio ambiente praticada por este insano ministro, com o aval de seu chefe, deveríamos denunciar, diariamente, por meio de mensagens escritas, relatórios, imagens, repasse de declarações fascistas, abaixo assinado, pedido de socorro e outros meios, aos dirigentes das nações civilizadas, aos organismos internacionais, às ONGs e aos povos que realmente se importam com o futuro do planeta. fica a sugestão

  9. Caro Kotscho,
    Como agrônomo formado na USP em 1974,nos tempos em que não existia a disciplina Ecologia , que o Cerrado era tratado como terra imprestável pude acompanhar o processo de ocupação da agricultura, com os fartos juros subsidiados dos governos militares , para os gauchos e sulistas se regalarem com o plantio de grãos . Descobriu-se que o cerrado tinha
    grande potencial agrícola com terras baratas.
    Mamão com açúcar ! A nossa grande savana
    foi ocupada e com as novas tecnologias a nossa
    produção agrícola quadriplicou , vendendo pro-
    teina para o mundo . O novo Código Florestal de 2012 substituiu o defasado de 1965 , instituindo
    areas de Reserva Legal e de Preservação Permanente que adequaram a legislação à nova realidade do campo. Agora estamos vendo um grande retrocesso com a flexibilização de algumas normas e o estímulo para uma ocupa-
    ção desenfreada da Amazônia . É preciso conciliar o agronegócio com a sustentabilidade ambiental , respeito as normas , ativismos sérios e conhecimento científico. O Brasil é único e não tem igual. Não devemos repetir os mesmos erros da maioria dos paises , onde não existe sequer uma mata ciliar , pois o processo civilizatório quase tudo destruiu .

  10. O momento não está para brincadeiras, udo acabando. E você ainda teve esperança, não lembro se janeiro ou fevereiro, mas foi um sonho. E pergunto sempre: o que devemos fazer?

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