Capitão fora da lei perde todas e o Congresso assume o governo

Capitão fora da lei perde todas e o Congresso assume o governo

Enquanto Bolsonaro brinca de ser presidente e perde uma atrás da outra no Congresso e no STF, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, na vacância do cargo, resolveram assumir o governo.

Só agora o capitão aloprado descobriu que suas promessas de campanha, que ele está cumprindo, eram inconstitucionais.

Em guerra contra a tomada de três pinos e o “marxismo cultural” nas escolas, ele agora só pensa na reeleição em 2022, com apenas seis meses de mandato.

No seu mundinho particular, o capitão deve estar assustado com a desenvoltura de João Doria  e Sergio Moro, que também já estão em campanha.

Na dança das cadeiras dos generais de farda ou de pijama, o presidente encontra tempo para anunciar, com uma canetada, a mudança da Fórmula-1 de São Paulo para o Rio, só para mostrar ao país que quem manda é ele.

Bolsonaro finge que governa, o STF finge que respeita a Constituição e o Congresso finge que assumiu as rédeas do país para aprovar a reforma da Previdência e acalmar o mercado.

É um país de fingidores que se protegem uns aos outros para deixar tudo como está.

Os generais Heleno e Villas-Boas cuidam da retaguarda, para impedir que Lula seja libertado, o grande pavor da nova ordem bolsonarista e seus aliados no Judiciário e na mídia.

O presidente do STF, Dias Toffoli, e a procuradora geral, Raquel Dodge, sem ter mais o que fazer, agora comparecem a todos os eventos do Executivo ao lado de Bolsonaro, como se fossem ministros do governo. Nunca tinha visto nada parecido em meus mais de 50 anos de repórter.

Nestas horas cheias de assombração, volta-se em falar em parlamentarismo como salvação da lavoura.

“Nos últimos seis meses, o modelo criou coragem para sair do armário após as barbaridades baixadas via decreto, como o das armas, a balbúrdia dos olavistas e os reiterados sinais de que a cabeça de Bolsonaro está ocupada, mesmo, com a tomada de três pinos, a importação de bananas do Equador e a ida ou não da corrida de Fórmula-1 para o Rio _ o que tomou boa parte da sua agenda nesta segunda-feira”, escreve Ranier Bragon em sua coluna na Folha.

Lá pelas tantas, o capitão resolveu transferir a demarcação das terras indígenas ao Ministério da Agricultura para agradar a bancada do boi, mas foi barrado por uma liminar do STF.

Seria mais ou menos como colocar as milícias da Baixada Fluminense para tomar conta de uma creche.

Rodrigo Maia, cada vez mais emponderado, já anunciou que a Câmara deve derrubar o decreto da liberação da posse e do porte de armas, outra obsessão de Bolsonaro.

Restará ao presidente ficar fazendo arminha com as mãos para seu rebanho de evangélicos neo-pentecostais, policiais militares, militares, milicianos e agroboys, o núcleo duro da boçalidade em marcha.

É tudo tão surrealista e inverosímel que, no auge das denúncias sobre as suas maracutaias na Lava Jato, para condenar e prender Lula, Sergio Moro resolveu viajar novamente para os Estados Unidos, a verdadeira fonte do seu poder, sem dar satisfações a ninguém.

Com o país de pernas para o ar, dançando na beira do abismo, o inacreditável presidente Jair vai participar da reunião do G-20 no Japão, certamente para a gente passar mais vergonha.

O que ele teria a dizer ao mundo, se não consegue botar ordem nem no seu quintal?

Bolsonaro e seu chanceler olavista querem promover uma reunião paralela ao G-20 para discutir os problemas da Venezuela. Dá para acreditar?

Por que eles não começam a discutir um programa de governo para o Brasil?

Já repararam que, de uns tempos para cá, Bolsonaro aparece sempre rindo, talvez orientado por seu novo marqueteiro, para mostrar que está tudo bem. Ri de que, ri de quem?

As calçadas das nossas cidades já estão ficando pequenas para tanta gente que mora e dorme nas ruas, com as empresas demitindo cada vez mais trabalhadores e fechando as portas.

Por onde anda o Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, pau da barraca do governo, que sempre tinha respostas e soluções para tudo?

Agora ficou mais humilde, anda pelos cantos, com cara de quem comeu e não gostou.

Que me perdoem os amigos otimistas, mas esse conjunto da obra não tem como dar certo, nem com reza brava.

Vida que segue.

 

18 thoughts on “Capitão fora da lei perde todas e o Congresso assume o governo

  1. Caro Kotscho,
    O problema é que o falso sorriso estampado na cara do pseudopresidente, ao querer transparecer que está tudo maravilhoso, está aos poucos deixando o povo inconscientemente convencido, ou talvez cansado de tanta avacalhação. É um povo triste, desanimado, desempregado, envergonhado, arrependido, achincalhado e silencioso.

  2. Preocupação com cadeirinhas de bebês nos carros, pontos na CNH, importação de bananas do Equador, armas pra todo mundo, tomada de três pinos, limite de velocidade nas estradas e os radares… a imbecilidade vai longe. E não tem hora para acabar, pelo jeito.

  3. Atitude muito grave desde Congresso contaminado!.Neste Congresso rara são as exceções não envolvidas na Corrupção Vigente!.

  4. Um bando de fingidos, esse é o termo exato desses seres que se dizem governantes, alienados com a vida real de milhões de desempregados, esse riso pra mim é surreal, já dizia Frejat: rir é bom mas demais é desespero.

  5. A fórmula é simples, passam a maldita reforma e buscam mais empréstimos para gastar a rodo; assim como fizerem no golpe militar . Depois tentam a reeleição. A conta? Ficará com os eleitores. E depois teremos mais reformas, reformas, reformas, reforma e kabum!
    Todo economista, seja de esquerda ou de direita , sabe que a crise cíclica do capital é como uma serpente que começa a devorar o próprio rabo!

  6. eh, ”o STF finge que cumpre a constituiçao”.
    Nao sei ainda o resultado da votaçao do HC do chato novededo de curitiba.
    Era para eles terem adiado, como se ensaiou.
    Se nao o fizeram – a especulaçao é livre.Alguem decidiu – junto com seus pares… –
    Se como suspeitam os pessimistas e os bolsonaristas ficar tudo como está, a culpa terá sido indiretamente de Glenn greenwald. Que não fez jogar uma luz potente, e ofuscante o suficiente, não quis tirar do seu baú uma canalhice obvia o bastante para mandar á lona o marreco e seu processo fraudulento.Foi uma opçao dele e ja até deu suas razoes.
    Mas sob todos os angulos pertinentes, o que o ex juiz fez ali na 13ª pertence sem discussão ao reino do que o povo chama de sacanagem. Fria , coordenada, planejada e… quiçá financiada.
    é isso.

  7. Kotscho, mais um absurdo.
    Vacina preventiva da gripe H1N1, está custando até 150 reais nas clínicas privadas.
    A campanha de vacinaçao já encerrou e faltou muita vacina nos postos de saúde públicos. Acabou, fui tres vezes aos postos e nao consegui. Muitos idosos nao foram vacinados. E claro, muito mais para os pobres.
    É, realmente nao se sabe do que e para quem o ex deputado sempre ocioso está rindo.

  8. FHC foi o mentor, tanto do golpe parlamentar que levou Dilma ao nocaute, quanto da escalada que culminou no encarceramento ao ex-presidente por intermédio dos seus alongados artigos publicados em todos os jornais do país.
    FHC está de volta – de onde nunca saiu -, agora com suas melífluas declarações a respeito do conteúdo do The Intercept Brasil: “é tempestade em copo d’água” e “o pecado é venial, não é mortal”.
    O padrão FHC dá asco e nojo.
    Não explicou até agora a mesada de R$ 75.000,00 mensais que o conteúdo do The Intercept Brasil desvelou serem enviados religiosamente para o Instituto FHC (“o de sempre”) .
    A joia de FHC: “não tem nada contra mim”.
    (Nem poderia ter, não é; afinal, ninguém ousaria melindrar o ex-sociólogo que virou presidente de um Instituto fundado com doações de empreiteiras e empresas estatais privatizadas durante sua octaéride).

  9. Prezado Kotscho: “Ri de que, ri de quem?” Da gente, com “suas promessas de campanha” para comprovar que parece que a “boçalidade em marcha” vai durar mais um tempo. Até quando? O que está faltando descobrir? A conta no exterior dessa gente?

  10. Prezado Kotscho: Se “volta-se em falar em parlamentarismo como salvação da lavoura”, não cairia bem uma monarquia parlamentarista, porque parece que já temos uma rainha e suas três princesas candidatas ao trono para um governo jabuticaba e monárquico?

  11. O riso pode ser de um sábio, ou de um idiota.
    Ontem, visitei minha avozinha de 96 anos.
    Estranhei muito, ela sorria o tempo todo. Meus pais de 81 e 79 anos, ambos com saúde de ferro, acusaram preocupação, trocaram olhares curiosos e em silêncio ficaram.
    A um sinal de mamãe, fiz o mesmo.
    Minha avozinha, que não é boba nem nada, a custo engoliu o sorriso.
    Segundos em silêncio. Não resistiu, depois de soluços inquietantes voltou a gargalhar.
    Papai criou coragem e perguntou: “Mãezinha, qual a razão dessa alegria”?
    Vovó apontou para a casa da vizinha e continuou a sorrir, fazendo-o com ar nobre e de lúcido deboche ao mesmo tempo.
    Dominou o soluço, bebeu chá de guaco e quase perdendo as forças, não se conteve e riu. Riso fraco, consciente e dominante… gostoso de se ouvir, diria sonoro e afinado. Contagiante!
    Sala cheia de netos e bisnetos.
    A curiosidade tomou conta de todos.
    Nisso chega Cacilda, há 50 anos, vizinha e melhor amiga de vovó. A bondosa e velha dona Cacilda, 90 anos, boa saúde, foi dizendo: “Pare de rir, Filó, nessa idade! Pare com isso”.
    Papai, não se conteve e mais preocupado, perguntou à vizinha se ela sabia de alguma coisa.
    Minha avó parou de rir, ajeitou-se melhor na poltrona e inebriada de alegria, encarou a amiga Cacilda.
    Todos fizeram o mesmo.
    A vizinha, meio contrariada, falou a verdade. ” Essa queridinha de todos, é bem abusada. Filó tá rindo é de mim… só porque votei… no Bolsonaro”.

  12. História fora da Lei.
    História do vice e versa.
    Pela primeira vez o Congresso Nacional tem o “presidente que pediu a deus”.
    Ditadura Parlamentar e, incrivelmente, Constitucional. Do jeito que o Diabo gosta.
    E vice e versa.
    As ruas, sempre incultas e caladas, só dão samba.
    Que pena, o povo “sambou” e não sabe de nada.
    Pior, tem cerveja, futebol e viadagem pra todo lado, inclusive das “otoridades cunstituidas”.
    E vice e versa.
    O “deus” de todos os dominantes e escravocratas está
    está abaixo dos miseráveis e acima do lago de enxofre do inferno.
    E vice e versa.
    Só o verdadeiro Deus e Ele justiçará a todos.
    Sem vice e versa.
    Deitado eternamente em berço, antes esplêndido, o Brasil se erguerá fiel à Democracia, diz a fé dos que só sabem rezar e não dão um passo de esperança rumo à liberdade.
    A Pátria não tem povo e o povinho que tem, dorme e marcha ao som dos sonegadores de plantão, dominado pela direita à serviço da caserna, ou vice e versa.

  13. “O presidente do STF, Dias Toffoli, e a procuradora geral, Raquel Dodge, sem ter mais o que fazer, agora comparecem a todos os eventos do Executivo ao lado de Bolsonaro, como se fossem ministros do governo. Nunca tinha visto nada parecido em meus mais de 50 anos de repórter.”
    O seu texto é a concretização da frase daquele rato (Romero Jucá), que se mostrou profético: “com o Supremo, com tudo…”
    E o resultado disso é que o Brasil está se tornando uma Babel, com loucos e psicopatas no (des)governo e se tornando uma vergonha mundial. As consequências, infelizmente, serão duras para todos, tenham ou não tenham participado dessas fraudes (Farsa a Jato + eleição do Bozó).

  14. O risinho fechado do capitão é tão artificial que faz até mal olhar suas fotos.
    Será que ele nunca ouviu falar que quem ri por ultimo, ri melhor?

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