Tem lógica por trás dessa loucura toda do bolsonarismo desvairado nas “lives”

Tem lógica por trás dessa loucura toda do bolsonarismo desvairado nas “lives”

Toda quinta-feira agora, o presidente Jair Bolsonaro junta alguns ministros à sua volta na mesa para fazer mais uma “live” sobre as grandes conquistas do governo.

O inacreditável programa humorístico gerado nas redes sociais é dirigido aos devotos do bolsonarismo, mas pode ser visto no mundo inteiro.

Na Califórnia, onde mora há vários anos, minha sobrinha Renata Kotscho Velloso, médica e mãe de três filhas, não perde um programa.

Em sua página no Facebook, ela relata:

“A dinâmica foi assim: os ministros falando de assuntos mais ou menos importantes (ninguém falou de desemprego, PIB ou previdência), e o tiozão do chinelão falando dos temas que interessam aos tiozões do chinelão (multas de trânsito e de pesca).

Pelo pouco que vi até agora, o nível é o mesmo dos programas dos seus ídolos Silvio Santos e Ratinho, e não tem nada a ver com os dramas da vida real dos brasileiros.

Ali o país funciona que é uma beleza, todos os objetivos estão sendo alcançados e, se não está melhor, é porque o Congresso e a imprensa não deixam.

Essa é a lógica por trás de toda a aparente loucura: Bolsonaro baixa decretos kamikase, como a liberação de armas e o afrouxamento das leis de transito, que são criticados na imprensa “comunista” e depois derrubados pelo Congresso.

Assim ele alimenta os cachorros loucos das redes sociais, cada vez mais raivosos, que convocam “protestos a favor”, em que são demonizados os parlamentares e os jornalistas.

O Judiciário agora saiu da lista negra dos inimigos do regime, depois do “pacto” dos três poderes, que levou o STF a aprovar leis de interesse do governo a toque de caixa.

No último programa, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, falou do reconhecimento oficial pelos argentinos da cachaça como produto de origem brasileira, “um gesto simbólico, mas importante”.

Com a deixa, o capitão aproveitou para falar mais uma vez que a questão da exportação das bananas do Vale do Ribeira está resolvida. Menos mal…

Outro assunto que não pode faltar é a liberação da pesca na baía de Angra dos Reis. Com isso, garante o presidente, “a região será o maior polo turístico do Brasil, quiçá do mundo”.

Para a próxima semana, Bolsonaro promete falar da legalização dos garimpos, certamente para proteger o meio ambiente, mas antes anunciou uma enquete sobre o radar móvel: “Então, se você gosta de pagar multa, vota lá a favor. Eu vou votar contra porque tem lugar que o limite de velocidade é 80, mas é um retão que dá pra bater 110, 120 sem problema nenhum”.

E por aí foi a conversa na “live” presidencial.

Neste mundo globalizado, fico sabendo destas boas notícias sobre o Brasil pela minha sobrinha que mora na Califórnia, vejam só…

Deve ser por isso que nossa imagem está cada vez melhor no exterior, como vimos na quinta-feira nos protestos dos argentinos contra a visita de Bolsonaro, que a TV não mostrou.

Bom final de semana.

Vida que segue.

 

6 thoughts on “Tem lógica por trás dessa loucura toda do bolsonarismo desvairado nas “lives”

  1. Prezado Kotscho: É verdade “Toda quinta-feira agora, o presidente Jair Bolsonaro junta alguns ministros à sua volta na mesa para fazer mais uma “live” sobre as grandes conquistas do governo.” Mas o que me deixou profundamente emocionado foi a foto do ex-capitão do exército ao lado do ex-capitão da seleção. Tudo a ver.

  2. Munhoz para ministro das Relações Interiores! Um van miliciana em alta velocidade ligando Rio das Pedras com o polo turístico de Angra!
    Estranho, então alguém diz que basta um jipe na frente do STF e concursados públicos não se mostram sequer indignados (“hum, pode ser o caso”); há uma suspeita de gravações ilegais (grampo técnico sofisticado, que não é para qualquer um, contra advogados de defesa!), feitas por um setor parajurídico da lava-jato (como diz o Rossi, com juiz acusador nem Deus acha um jeito de se defender, e tal absurdo não causa sequer comoção.
    Quer saber? Era jogo jogado, era um “eles” desproporcional contra nós. Era mesmo um “eles”, um estado completamente delirante dentro do estado e com todo poder e recurso técnico para si, contra todos nós da civilização. Eles se chamam “26/05”, nós somos o anti-26.
    Acham normal agora o procedimento de espionagem de guerra? Viajem então para um forum internacional no seu âmbito profissional e reivindique a legitimidade destes métodos. Caso contrário, investigue o que se passa na sua própria casa. Já passou da hora!

  3. “Como foi que isso* foi nos acontecer?” (Royalties para Reinaldo Azevedo).
    * O tenente desordeiro que virou capitão, claro.
    “Como foi que deixamos isso* acontecer?” (Royalties para mim mesmo).
    * É o mesmo…

  4. A menção à loucura e à sua lógica não poderia deixar de fazer lembrar o insuperável bardo inglês e seu personagem mais conhecido, o “Hamlet”.
    Hamlet adota comportamento somente
    esperado de um louco em todas suas ações e falas. Daí surge a frase clássica colocada na boca de Polônio no ato II, cena I, de Hamlet: “Apesar de ser loucura, revela método”.
    Sabemos que a loucura de Hamlet é fingida, pois logo no Ato I, cena V, ele antecipa a Horário sua intenção de se passar por louco. Neste momento, ele também o induz a prometer que manterá segredo. O problema é que a loucura simulada de Hamlet carrega uma realidade maior: uma outra loucura, mais deletéria. Ao se apoderar de sua personalidade e tomar conta do personagem o levará a realizar atos monstruosos. Esta outra loucura seria a “loucura da vingança”, a qual desvirtua o pensamento e impede que os fatos sejam vistos com clareza. Hamlet nem percebe que seu espírito tornou-se doentio e demencial pela vingança destilada do ódio.
    Assim, a primeira loucura, a “simulada” de Hamlet – que antes era a única forma de sua exposição pública -, acaba por conduzi-lo, depois, através de sua “verdadeira loucura”, ao assassinato do pai da mulher que ama, à loucura e morte de sua amada, à morte de sua mãe e, finalmente, à sua própria morte. Lamentavelmente, nesses tempos da “sociedade do espetáculo” – tão bem definida por Guy Débord nos anos 60 -, que tomou conta da comunicação social e pessoal, não há um Shakespeare da catástrofe brasileira: o poder de inspiração miliciana baseado no apoio total das FFAA que desde o processo eleitoral orientou o projeto de uma “candidatura militar” para competir com as “candidaturas políticas” desmoralizadas a reboque da Lava Jato.
    Dá-se de barato a benção do mercado dos capitais abastecido no Posto Ipiranga. Até porque todos os presidentes desde 1989, sistematicamente, beijaram a cruz do capital bancário e financeiro.

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