65.602 assassinatos em 2017: matança atinge mais negros e jovens. Como será agora?

65.602 assassinatos em 2017: matança atinge mais negros e jovens. Como será agora?

Antes mesmo do governo da morte do capitão Jair Bolsonaro liberar armas e munições para toda a população, o Brasil bateu novo recorde de mortes violentas em 2017.

Os alvos preferenciais desta verdadeira guerra civil não declarada são negros, jovens e nordestinos, segundo dados do Atlas da Violência 2019 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgados nesta quarta-feira.

Entre 2007 e 2017, o assassinato de negros cresceu dez vezes mais do que o de não negros (brancos, amarelos e indígenas).

Das 65.602 vítimas desta matança, 75,5% são negras, a maior proporção da última década. A taxa de mortes entre os negros chega a 43,1 por 100 mil habitantes, enquanto a de não negros é de 16.

No mesmo período, a morte violenta de jovens de 15 a 29 anos aumentou 38%, atingindo 54% do total de homicídios, embora corresponda a apenas 25% da população brasileira.

Mata-se mais nas regiões norte e nordeste, onde a taxa de homicídios aumentou 68% nestes dez anos, saltando para 48,3 vítimas por 100 mil habitantes (a média nacional aumentou para 31,6).

Ao contrário do que se pode imaginar, não foi a crise econômica a principal causa do aumento do número das mortes violentas, como explica o economista Daniel Cerqueira, coordenador do estudo:

“Ele tem a ver com o crescimento da renda no país naquele período, porque circulação de dinheiro atrai mercados ilícitos, principalmente o de drogas, e tem também a ver com a guerra entre ações do crime organizado”.

Pode-se imaginar o que vai acontecer daqui para a frente, quando todo mundo poderá andar armado e as forças de segurança estarão livres para matar se estiverem sob forte emoção, como prevê o pacote anticrime de Sergio Moro.

O estudo do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que o crescimento nos registros de assassinatos no Brasil alcançou um patamar recorde em 2017: 179 casos a cada 24 horas.

Mas pode ficar pior: todas as medidas na área de segurança adotadas até aqui pelo governo Bolsonaro, como as anunciadas na terça-feira ao afrouxar as leis de trânsito, tendem a levar o pais a bater novo recorde este ano, como se o país estivesse em guerra permanente.

Entramos na fase do salve-se quem puder do faroeste bolsonariano em que só vale a lei do mais forte.

Vida que segue (por enquanto).

 

18 thoughts on “65.602 assassinatos em 2017: matança atinge mais negros e jovens. Como será agora?

  1. Este ano, nos cinco primeiros meses, ocorreu um números espantoso de assassinato de mulheres, atribuído, em geral, por seus maridos. Se a situação se encontra assim, imaginem esses assassinos com porte de arma autorizado por um governo misógino!!!

  2. Uma correlação mais direta e de fácil comprovação: o crime cresceu muito durante o governo daqueles que tratavam bandido como vítima das desigualdades capitalistas ou coisa que o valha; e cresceu mais nos estados mais atrasados, ainda dominados por gente desses partidos.

    Mas o que chama mais atenção é a tentativa de dar um cavalo-de-pau no discurso anterior. Então agora o crime não decorre mais da pobreza, mas do “crescimento de renda”!?

    Com um governo disposto a tratar bandido como bandido, a criminalidade baixou nesses primeiro meses. Pode ser temporário, claro. Porém, se ela continuar diminuindo, ainda ouviremos alguns dizerem que isso é ruim porque, se o crime cresce com o crescimento da renda, a sua diminuição indica que esta também está baixando?

    Veremos nos próximos tempos.

      1. O Brasil teve uma queda de 25% no número de assassinatos nos dois primeiros meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. É o que mostra o índice nacional de homicídios criado pelo G1, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal. Essa é a primeira parcial divulgada no ano. De acordo com a ferramenta, houve 6.856 mortes violentas no primeiro bimestre de 2019. O dado só não comporta o Paraná. O governo do estado informa que os números de janeiro e fevereiro ainda estão sendo tabulados para posterior divulgação. Tirando o Paraná, houve 9.094 assassinatos no mesmo período de 2018. Ou seja, uma queda de 25%.

        https://g1.globo.com/monitor-da-violencia/noticia/2019/04/18/brasil-registra-queda-de-25percent-nos-assassinatos-nos-dois-primeiros-meses-do-ano.ghtml

          1. Ressalte-se ainda que:
            1. O Monitor da Violência, ferramenta criada pelo G1, FBSP e NEV/USP, a partir de setembro de 2017, passa a utilizar informações coletadas pelo G1, em substituição a utilização de dados dos anuários do FBSP, ou seja, a partir de 2018 as informações utilizadas foram coletadas apenas pelo G1.
            2. Em 2018, o índice de mortes violentas por 100 mil habitantes, com informações da nova coleta, registrou índice de 24,74, com queda expressiva em relação ao do ano anterior, 28,5, com coleta distinta e só comparável, nos últimos 40 anos, a subida de 1989 (20,3) em relação ao de 1988 (16,8).
            3. Esse índice não contempla mortes em decorrência de intervenção policial, que em 2018, na contramão, cresceram 18%, sabe-se lá por que, né?

        1. “Uma correlação mais direta e de fácil comprovação: o crime cresceu muito durante o governo daqueles que tratavam bandido como vítima das desigualdades capitalistas ou coisa que o valha…”.

          Exatamente, de fácil comprovação não a correlação, mas o ‘fake news’ acima enunciado, através da análise dos índices anuais registrados no período 1980/2018, conforme Mapa da Violência e Monitor da Violência/FBSP:
          De 1980 até 2003 o índice anual de mortes violentas veio em crescendo, passando de 11,7 em 1980, para 28,5 mortes por 100 mil habitantes, em 2002 (último ano FHC) e 28,9 em 2003 (primeiro ano Lula).
          De 2004 a 2013 diminuiu um pouco, mantendo-se estável em torno de 26,0.
          A partir de 2014 volta a crescer até atingir o índice de 28,5 em 2017, período em que ocorre de forma mais intensa a chamada guerra de facções em presídios.

  3. Um governo totalmente na contramão, um absurdo, um retrocesso, uma desconstrução, cada dia consegue se superar, umas ideias que só Jesus na causa

  4. Então Ricardo. Quando eu morei em São Paulo, lá em 1985, o cenário violento era quase igual ao de hoje. A diferença era que nos estertores da ditadura o asfalto ainda era privilegiado. A periferia ardia em sangue. Lembro de uma capa de um jornal sensacionalista onde se via uma cabeça cortada em cima de uma mesa de sinuca de um bar. E todo dia eram exaltadas as ações policiais da famosa Rota perseguindo os de sempre. O que me chama a atenção são as histórias que vez por outra vemos nos noticiários, como aquela do casal de mulheres que mataram um menino , esquartejaram seu corpo, queimaram a carne e jogaram pedaços dele em bueiros, com os relatos da perícia piorando a cada dia. Acredito que o desespero geral bateu num instante em que pra mudar a situação de miséria a solução foi a de matar uma criança. Pelo menos é isso o que as acusadas alegam. Aí você pode citar as más escolhas da vida, a baixa educação, o infortúnio profissional, qualquer coisa fora daquilo que precisava ser o básico. Sem ele sobra a violência. E são apenas alguns casos que a mídia escolhe para contar. O grosso do que acontece não temos nem a noção do que é.
    O pior de tudo é ver um trabalhador se conformar com o salário baixo e o emprego intermitente. Quem não se tornaria violento sem as bases materiais necessárias para sobreviver?
    E a dívida social para com os negros que este país tem?
    E como um funcionário de grande empresa pode ganhar mais de 40 milhões de reais por ano?
    A violência está para a falta de comida como a corrupção está para quem mata em nome da grana.

  5. Caro RK, O mais interessante nesta pesquisa é que são contabilizados os números absolutos ou seja, aquelas mortes ocorridas no ato. As mortes ocorridas após o resgate, já dentro dos hospitais não estão dentro desta contagem. Assim também estão contabilizadas as mortes ocorridas no transito. Então, lamento informar que os números reais são muito maiores!!

  6. Sobre a violência, entre outras coisas, fruto da desigualdade social, que leva a desculpar os criminosos por considerar o tipo de investimento que o Estado focará: ou incrementar violência por meio da repressão, ou tomar medidas p/ sanar alguns. Como mudar as regras desse jogo? À medida que um país fica mais rico, os seus habitantes exigem que bens e serviços mais caros façam parte da vida normal. Antes de mais nada, é bom relembrar que o papel supra fundamental do poder público está na estruturação de transformações socioeconômicas que promovem a melhoria das condições de vida da população mais pobre. A lei 8.429/92 – controle do patrimônio público, ajudou um pouco, mas ainda tem um longo caminho a seguir. Existe um saída que depois gostaria de aprofunda a fórmula, aqui, neste espaço limitado. 1 – Que a democracia seja participativa e não representativa. 2 -Numa sociedade democrática, os tomadores de decisão são influenciados pela opinião pública. 3 – O melhor método para o Ensino e para a cura de doenças é dar espaço para muitas críticas. Até mais.

  7. O mal não existe, o mal é filho da escassez. Um capeta amigo meu, certa vez me falou, que, se não houvesse escasses, ele já teria morrido de tédio, Num ambiente com abundância de pão, ninguém mata por um pão, com abundância de pão e manteiga, ninguém rouba uma padaria. O problema, é que vivemos em um sistema especialista em criar a excassez, o maldito sistema indivdualista-consumista. O medo é a principal doença psicológica dos miseráveis que vivem neste sistema, quero dizer…nós.Por não vivermos em uma sociedade cooperativista, não tem nada a ver com socialista, garantimos que aquele capeta, meu amigo, nunca tenha depressão, e viva em permanente alegria. Um amigo dele, que antes de ser capeta era coveiro, se incorporou num cavalo, melhor dizendo burro, que foi eleito presidente de um país da América do Sul.

  8. Liberar as armas para a autodefesa do indivíduo preparado tecnicamente para usá-las e psiquicamente equilibrado para empregá-las somente em caso extremo? Em casos de forte comoção, a utilização equivocada da violência letal em ações de enfrentamento da criminalidade contaria com um drástico atenuante por antecipação?
    Há aqui neste verniz presunçoso de linguagem especializada um sintoma nítido da multiplicação assustadora de delírios de violência e isso entre aqueles que, pela sua posição privilegiada, deveriam desestimulá-la . A mais grave das enfermidades atuais é quando alguém se vale da instrumentalização da linguagem do direito, já no interior do discurso público, para dar livre curso às suas próprias fantasias destrutivas. Esta aparência suspeita de seriedade profissional, em realidade, de costas para os estudos mais consistentes sobre a violência, tem hoje infelizmente alto poder de convencimento. Verniz autorizador de barbaridades.
    Fulana quer mesmo (é) matar com a boca cheia de platitudes técnicas.

  9. Prezado Kotscho: Para sua colocação de que “Antes mesmo do governo da morte do capitão Jair Bolsonaro liberar armas e munições para toda a população”, acrescentaria o aumento do número de pontos na CNH para quem comete infração no trânsito, favorecendo os aloprados do volante deste país, porque se “o Brasil bateu novo recorde de mortes violentas em 2017” vai ficar pior com mais essa atitude demagógica e populista do capitão. Alguma dúvida nisso?

  10. Sabemos que boa parte da explosão da criminalidade está vinculado ao trafico de drogas e ao surgimento (e crescimento vertiginoso) das facções criminosas. Somente para exemplificar, analisemos os numeros das matanças em séries havidas nos presidios do norte e nordeste em 2018 e 2019.
    Mas tanto quanto ao crime por arma, o transito é também o que mais mata e neste quesito, é preocupante o aumento considerável do uso de drogas por motoristas de caminhão, que provocam muitos acidentes fatais. É lamentavel o decreto do presidente que afrouxa o controle toxicologico dos motoristas, além de proporcionar-lhes o porte de arma. Sem duvida, dois elementos incendiários nas estatisticas das mortes violentas.

  11. Ninguém disse:O PROBLEMA é a arma nas mãos dos bandidos!.E o número de assassinatos(sua grande MAIORIA) é por conta dessas armas nas mãos desses BANDIDOS!.Este sim é o maior problema em tratando-se de criminalidade no Brasil.Na minha modesta opinião.

    1. o grande problema é que conseguiram tirar as armas das mãos dos cidadãos (ate certo ponto acertadamente) mas não conseguiram desarmar a bandidagem, que ficaram muito a vontade para puxar o gatilho por qualquer coisa. A policia matou? sim, mas não o suficiente…..

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