Capitão vai à guerra nas ruas, e perde de goleada: foi 7 a 1 para a democracia

Capitão vai à guerra nas ruas, e perde de goleada: foi 7 a 1 para a democracia

Bolsonaro resolveu medir forças com o Brasil civilizado, que defende a Educação e a democracia, e perdeu de goleada.

Por mais que as televisões quisessem ajudar, os “protestos a favor” do governo, do pacote de Sergio Moro e da reforma da Previdência, foram um fracasso de público e de crítica, uma repetição dos 7 a 1 do Mineirão de triste lembrança.

Na hora marcada para as manifestações, havia pouca gente nas ruas e, apesar do esforço de repórteres e cinegrafistas, o fracasso era evidente.

Em comparação com as grandes manifestações populares do dia 15 de maio, em que multidões foram às ruas contra o governo, viu-se neste domingo um desfile deprimente de camisas amarelas da CBF, paneleiras loiras e marombados de óculos escuros, com ataques às instituições e baixarias.

Ao longo do dia, com as engajadas transmissões ao vivo das televisões para chamar a população às ruas, como fizeram nas manifestações pró-impeachment de Dilma, as imagens começaram a mostrar mais gente caminhando atrás de carros de som, mas deixando um vazio entre eles, numa cacofonia de discursos gritados em que não se entendia nada.

Nos estúdios refrigerados da Globo News, pontificava o comentarista Valdo Cruz, que fazia sua campanha particular em defesa da reforma da Previdência e do pacote anti-crime de Sergio Moro, como se fosse porta-voz do governo e da emissora, quaisquer que fossem os sons e imagens das ruas.

Em diferentes pontos do país, repórteres declamavam o mesmo script em favor das reformas e do governo.

Longe dali, num culto evangélico em Jacarepaguá, Bolsonaro orava e não parava de postar vídeos nas redes sociais, mostrando as “manifestações espontâneas”, com mensagens patrióticas para mobilizar sua tropa.

Às cinco da tarde, a micareta fascista já estava no fim. Até os repórteres já desanimavam de narrar as manifestações, mas continuavam repetindo os mesmos bordões.

Quinta-feira, o povo volta às ruas. Contra o governo.

 

24 thoughts on “Capitão vai à guerra nas ruas, e perde de goleada: foi 7 a 1 para a democracia

  1. Falando em “reforma”, merece leitura a análise do artigo do doutor em economia Marcelo Lettieri, no Le Monde Diplomatique Brasil, desta semana. ” Por que nao se fala de benesses fiscais quando o assunto é ajuste economico?”. É o desmascaramento da real origem e natureza do terrorismo praticado pelo frentista do Posto Ipiranga.

  2. Bebeu, Kotscho? Placar de 7 X 1? E os três gols que o “juiz” anulou, além dos dois pênaltis que ele, vestindo verde vergonha e amarelo desbotado, não assinalou?
    Consultei o VAR – (vagido apagado das ruas) e o placar confirmado foi 10 X 1, assim mesmo, o gol único deles foi contra.

  3. Que domingo espetacular, Kotscho!
    Gente culta e alegre saiu às ruas para comemorar o pleno emprego e o generoso repasse de verbas para a Educação.
    Brincadeirinha, óbvio.
    De volta ao mundo real.
    Como tem trouxa no Brasil, sô!
    Repito o que já disse no Balaio: neste mundo tem bobo pra tudo, verso do compositor Miguel Gustavo, e alguém é sempre bobo de alguém, como cantava Wilson Miranda.
    Brasil, trágico e ridículo.
    Parece filme do Costa-Gavras.
    É de lascar.

  4. Admitindo ser todo político realmente um artista, então o principal desafio está entre a inspiração inicial, cantada nos palanques, ora que já se sublinha a história final, já pronta, que dará vida subsequente aos personagens deste grande teatro. Tá de brincadeira.

  5. Encontros entre barões e presidentes acabam sempre em prejuízo para a população. No caso da Globo com o Bozo pode render ao palhaço um pouco de oxigênio, desde que a Globo leve seu quinhão, como sempre levou. Barões, não só da mídia, entram nos palácios sem hora marcada, dia e noite, como Joesley e suas noitadas com Temer. No governo PT, na moita, Sílvio Santos entrara no palácio para um encontro com Lula, com o falso pretexto de receber uma doação ao Teleton, dissera ter saído com uma doação de Lula, deixou um banco falido comprado pela Caixa contra todas as recomendações sensatas, inclusive a reprovação da presidente da instituição à época. Lula ganhava tapete vermelho no horário nobre da emissora do então ex banqueiro falido e apresentador barão bem sucedido. Então, lá estava Ratinho, o mesmo que agora será garoto propaganda da tal nova previdência, bajulando Lula em falsas conversas de botequim. Bozo é a serpente do ovo chocado pelos velhos barões da política, juntos com os barões que orbitam o poder em busca de grana. Bozo não veio de Marte, é responsabilidade de nossos velhos e ordinários políticos.

  6. A frente oposicionista tem de se apresentar para confirmar o 7 a 1. A direita mostrou o seu tamanho na rua. Desprezá-la deu no que deu, porque há um extrato do fascismo mostrando sua materialidade resiliente, apesar das reiteradas atitudes demenciais do bloco no poder.

  7. Meu caro Ricardo Kotscho
    Concordo com você, como quase sempre, mas é preciso tomar cuidado com os termos. Paneleiras loiras é uma expressão preconceituosa, que reforçam um estereótipo do qual muitas amigas minhas se queixam com razão.

  8. Reforma previdenciária que não leva em conta, as despesas pagas pela previdência que não é de competência dos segurados, como a situação de Brumadinho e Mariana (pela mora da justiça em responsabilizar a Vale, fazendo com que pague de imediato as indenizações cabíveis às pessoas que perderam tudo, inclusive a vida, e ao desastre ecológico que causou), é um fato que se deve analisar nessa ”reforma”, bem como a averiguação de grandes empresas que foram anistiadas por inadimplência ao Instituto. No entanto, covardemente, trazem à baila apenas que o trabalhador está envelhecendo mais. Sequer, ventilam que 15 milhões de desempregados, é um fator preponderante na queda dos v alores de contribuição.

  9. Menos gente que o dia 15?! A outra vez que discuti isso aqui você disse que se baseava em números da PM. Pegue-os onde foram fornecidos, como Brasília: 6 mil lá, 20 mil hoje.

    Onde a PM nada disse, se você não gosta de calcular áreas ocupadas, pegue ao menos os casos em que as duas manifestações foram no mesmo lugar, como a Paulista. Mesmo com o velho truque de se misturar com quem sai do trabalho em dia útil, a do dia 15 ficou abaixo.

    E essa foi a norma. A de hoje foi, no total, bem maior. E foi a favor, o que é raríssimo que dê certo. Mas a imaginação aceita tudo. Quem sabe, dia 30, a CUT e os meninos que caíram na conversa do professor petista não derrubam o governo que a população escolheu?

    1. Ô ernesto, acorda. Foi um movimento fracassado, bastar ver as imagens. Por oportuno, todo governo, como você disse, é escolhido pela população, é evidente. Dilma também foi muito bem votada e os golpistas vergonhosamente conseguiram melar sua eleição. O fato agora é que o governo do bozo não está dando certo por total incompetência e despreparo e os ratos já estão todos abandonando o barco, percebe? Fica esperto, pois você está perdendo a hora de escorregar pelas últimas cordas que ainda restam amarradas em terra firme. O barco está adernando e a casa caiu. O que causa muito estranheza, aliás, é a tal de globo news querer bajular um desgoverno que a rejeita. Durma-se com um barulho desses.

  10. Bolsonaro foi útil para alçar o Poder. A caserna aquartelou-se e quer mais. Quanto pior, melhor! Dormindo com o inimigo. Perigo maior é leitura incorreta do contexto. No pós parto das urnas, todo tiririca é descartável. O que amedronta a caserna é a trincheira do povo. E este, revelou às ruas, que o super ministro é herói inflável e útil, por excelência.

  11. “Diga-me com Queiroz andas, que te direi quem és”.
    E depois ainda aparecem uns pobres coitados para brincar de equiparação obscena: “o populismo de direita a ser evitado tanto quanto o de esquerda”. Quer outra coisa, uma polaridade real, visível? A Venezuela ditatorial de Maduro vs a “Venezuela pela direita do vigente estado bolsonarista de exceção e seus entusiastas antidemocráticos. Nada de chamar de extremos o capitão e Haddad; somente se for para opor barbárie contra civilização.
    A narrativa brutal que criminalizou as esquerdas, com co-autoria do PSDB, tinha vetores convergentes. Haveria nesta ótica um populismo inconsistente de esquerda: nos seus melhores momentos, um assistencialismo de massa sem contrapartidas, bancado artificialmente pelo boom das commodities em conjuntura historicamente favorável; na sua pior hora, o assalto sistemático dos cofres de estado para fins de auto-sustentação político-eleitoral. Ainda nesta perspectiva, o líder carismático popular faria parte de um gigantesco esquema de corrupção da vida, um espelho perfeito de movimentos capazes de ameaçar até a intimidade costumeira das famílias. Ao julgar Lula, Moro fez entrar pelos fundos a tal pauta dos costumes. Corrupção passou a ser vista como degradação moral, a dimensão indesejada pela legião de hiper-religiosos de Domingo: a expansão moderna das liberdades individuais. E estes caras roubaram o nosso direito de vestir a camisa da seleção, usam o amarelo para exibir raivosos sua pretensão de superioridade moral!

  12. Prezado Kotscho: A sua descrição é perfeita para os atos pró-governo fascista, pois “viu-se neste domingo um desfile deprimente de camisas amarelas da CBF, paneleiras loiras e marombados de óculos escuros”, que depois de tomarem seu whisky tarja preta 12 anos, comerem uma lagosta duvidosa e um baby beef transgênico foram para as ruas para fazer a digestão dominical. Ficou mesmo difícil de engolir esse povo abastado defendendo a reforma da previdência que arrebenta com os mais pobres e um presidente que só fala em armas para matar os mais fracos. E sobre a cobertura da grande mídia familiar era de se esperar outra coisa a não ser que dourassem a pílula como lhe convém?

  13. Por curiosidade passei pela esplanada dos ministérios em Brasília no dia da manifestação. com todo otimismo eu calculei a presença de mil gatos pingados vestidos de amarelo e, sem que eu entendesse nada, com faixais em apoio à reforma previdência. Ao chegar em minha casa a globonews alardeava que, segundo a polícia militar (bolsonarista de carteirinha), calculou a presença de dez mil pessoas….que maravilha….

  14. A baixa presença do publico estaria atrelada a ausencia de partidos de esquerda e centrais sindicais distribuindo pão com mortadela?

  15. José Antonio,
    A baixa presença de manifestantes estava atrelada à alta do desemprego, baixo crescimento da economia, desprezo pela educação pública, falta de políticas públicas voltadas às questões sociais, falta de diálogo com o congresso, falta de compreensão da administração do presidente eleito e seus ministros, desrespeito à imprensa livre, relações internacionais e comerciais pífias (lembra do abacate?), desprezo pela democracia, etc, etc, etc….QUER QUE DESENHE?

  16. O pior da minifestação pró poder absoluto aos bolsonaros (para a Globo e seus ‘jogralistas’, o mantra pró reforma da previdência, do pacote do moro e contra a corrupção) não foi o ‘7 a 1’ em relação aos protestos de 15 de maio, Mestre, mas o ‘1 por 7’ escancarado nas redes sociais: para cada bolsofake nas redes, sete robôs correspondentes a pressionarem medrosos parlamentares do Centrão e adjacências, que certamente não mais se deixarão pressionar por medo do desconhecido, agora revelado diminuto, graças as minifestações fora de época nas ruas.
    Apesar do esforço global em esconder por quem os bolsominions ladram, na minicareta de ontem as imagens que ficam são as do vídeo onde minion anuncia a derrubada da faixa “Em Defesa da Educação”, colocada na fachada do prédio da UFPR, em Curitiba.
    Valem mais que mil vezes o mantra do ‘jogralismo’ da Globo.

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