Bolsonaro vira pó e, no desespero, parte para o confronto. O que virá depois dele?

Bolsonaro vira pó e, no desespero, parte para o confronto. O que virá depois dele?

A leitura dos jornais e portais desta segunda-feira, além de uma rápida olhada nas redes sociais, deixa claro que o governo Jair Bolsonaro é finito. Virou pó.

Com a base parlamentar esfacelada, depois de perder o apoio no mercado e na mídia, o capitão reformado resolveu partir para o confronto com as instituições e o povo que saiu às ruas na semana passada.

No desespero, publica seguidas mensagens para insuflar seus seguidores contra o Congresso e o Supremo no ato marcado para o próximo domingo pelas milícias do zap-zap.

Me lembra muito o que Fernando Collor fez em 1992, pouco antes de ser impichado, ao convocar a população para ir às ruas de verde amarelo em defesa do seu governo.

O povo saiu às ruas, mas vestido de preto, contra o seu governo.

É imprevisível o que poderá acontecer domingo, mas uma coisa é certa: Bolsonaro já perdeu as condições mínimas para continuar à frente do governo.

O que Bolsonaro está buscando é a anarquia de que falava o general Mourão na campanha, ao justificar a possibilidade de um autogolpe.

Se os “protestos a favor”, algo como um carnaval fora de época, forem um fracasso, será a pá de cal no governo.

Afinal, quem costuma protestar é a oposição. Governo serve para governar.

Se as manifestações pró-Bolsonaro e contra o Judiciário e o Legislativo forem um grande sucesso, mobilizarão ainda mais os que são contra o governo, com novos protestos já marcados e uma greve geral anunciada para 14 de junho.

O cenário ficará ainda mais radicalizado nas ruas e no parlamento, com o país dividido ao meio e a economia afundando cada vez mais.

Bolsonaro não deve se esquecer que seus seguidores mais fieis nunca passaram de 20% nas pesquisas quando Lula ainda era candidato e tinha o dobro de intenções de votos, antes da facada de Juiz de Fora.

Num eleitorado total de 140 milhões aptos a votar, ele teve pouco mais de um terço dos votos (57 milhões).

Nem todos os que votaram nele, no entanto, concordam com suas políticas para liberar as armas, destruir o meio ambiente e os direitos sociais, rifar a soberania nacional e fazer do Brasil uma servil colonia americana.

Ao criminalizar toda a classe política e os partidos, ficou isolado no Palácio do Planalto com seus três filhos, porque até a tropa de generais de pijama à sua volta está agora observando um obsequioso silêncio.

Sem ter até agora apresentado um programa de governo ou qualquer política pública para pelo menos minorar o drama do desemprego, que não para de crescer, o que ainda se pode esperar de Bolsonaro?

O que se discute agora é como se dará o desenlace, preservando as instituições e a democracia.

Perto dele, o vice general Mourão já é apresentado como uma opção mais razoável.

E tem gente achando que seria melhor os dois pedirem logo o boné ou serem convidados a sair para Rodrigo Maia assumir e convocar novas eleições.

Sonhar, não custa nada, mas seria a melhor forma de unir novamente o país. Só não dá para continuar tudo como está. O Brasil não aguenta mais.

Se um novo impeachment seria traumático, muito pior é corrermos o risco de um novo golpe militar.

Convocar a população para sair às ruas em apoio ao governo Bolsonaro, a essa altura, é mais do que um tiro no pé. Pode ser um tiro na testa.

Vida que segue.

 

11 thoughts on “Bolsonaro vira pó e, no desespero, parte para o confronto. O que virá depois dele?

  1. Um verdadeiro kamikaze, desde o dia da sua vitória, qdo se deu aquela cena com Magno Malta e Cia fazendo um mini culto na frente das câmeras, vi que não ia presta, não tem como dar certo. Falar tanto no nome de Deus e não dar a mínima atenção para tantos problemas sociais, mostra o quanto é dissimulado e incapacitado. Essa semana promete.

  2. Perdoe-me, jornalista, mas estamos afastados, e muito do regime democrático. Uma presidente foi deposta, o Presidente Lula, e continua preso entre outros próceres da oposição, os partidos a maioria esfacelada. Estamos vivendo a falência do segundo títere do golpe-impeachment que afastou Dilma Rousseff, em 2016, prendeu em 2018 e mantém preso o Presidente Lula. A vitória das ações golpistas se desdobravam desde 2013. Tudo para beneficiar o grande capital e retornar à condução de nossa economia dentro dos pressupostos do neoliberalismo, que imperou na década de 1990 com Collor, seguido de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso em dois mandatos, resultando no maior desastre econômico. Tudo com apoio do Judiciário na maioria de suas instâncias, Parlamentos e parlamentares, Forças Armadas e a mídia. De novo, a completa sujeição aos EUA e o abandono de nossa soberania, num verdadeiro paroxismo de entreguismo. Pela linha sucessória de Bolsonaro (General Mourão, Rodrigo Maia os mais prováveis), não há mínima chance de voltarmos à vigência da Democracia, atender os ditames de nossa Constituição. A única esperança é que afastem ou não Bolsonaro, os golpistas diante das pressões populares iniciem ações para amenizar os problemas de nossa economia, que acordem e percebam que um país nas condições em que se encontra o Brasil não se recupera com esta loucura de estado mínimo com já uma década de baixo crescimento, e não o estado no nível necessário para atendimento da nossa população, especialmente os mais pobres e miseráveis, levando as políticas conduzidas pelo Governo para exatamente emular nosso crescimento para atender essas necessidades.

  3. O “obsequioso silêncio dos generais”, assim como a estranhíssima manifestação a favor quando ainda não houve uma manifestação contra, podem ser o último prego no caixão.
    Sugiro que os manifestantes cantem ‘Apesar de você, amanhã há de ser outro dia’… Quem sabe ajuda?

  4. “… Esse silêncio todo me atordoa
    Atordoado eu permaneço atento
    Na arquibancada pra a qualquer momento
    Ver emergir o monstro da lagoa…” (Cálice – Chico Buarque)

  5. Ele vai para rua:
    Rasgou bandeiras de movimentos sociais em 2013, hostilizou nos bares e restaurantes as camisas estampadas com Direitos Humanos, participou do buzinaço sinistro por ocasião da morte de Marisa, atirou na caravana e no acampamento de um partido de esquerda, propôs que jogassem Lula pelos ares na aeronave, destruiu a placa de rua com o nome da Marielle, impediu que o ex-presidente fosse ao enterro do irmão.
    Sonhou com uma escola intolerante, somente com o seu partido e a sua religião. Colonizou e hegemonizou para o cultivo dos seus ressentimentos uma das Polícias Federais mais competentes do planeta. “Apostilou” e desfigurou, em jogo combinado e delações com timing seletivo, um MP sério, rigoroso, para forjar processo político com provas inconsistentes. Quer agora fechar o Congresso, o STF, sufocar universidades e cercear a liberdade de imprensa. Coerente: que vá encontrar com seu pares dia 26.

  6. Prezado Kotscho: Você tem razão que “Convocar a população para sair às ruas em apoio ao governo Bolsonaro, a essa altura, é mais do que um tiro no pé. Pode ser um tiro na testa.” Mas se não for essa a solução, pelo menos vai servir de termômetro para vermos o que anda tramando parte dos 57 milhões de eleitores que elegeram o capitão aloprado. Não é mesmo?

  7. Quem é o centrão? Quem eles realmente representa?

    Talvez respondendo essas perguntas vamos entender a subida e a provável derrocada desse senhor ao Governo. Era somente uma demonstração de força dos grandes grupos econômicos. Subliminarmente estão dizendo quem realmente manda no País. Ou seja os donos do dinheiro. Ahhh e o povo? O povo está onde sempre esteve, sendo massa de manobra.

  8. Que decepçao. que incrivel congresso que hoje temos.
    Nao se consegue acreditar em nossos olhos, ao ler a noticia de que a Camara, comandada por Maia,
    votou e tirou o COAF das mãos do pilantra politiqueiro sergio Moro. Como deveria!
    Mas 228 votos pro e 221 contra é um numero inacreditavel.
    Como esse sabujo de washington consegue 221 votos entre 449 do quorum do dia? C.o.m.o???
    A troco de que duzentos e tantos entregariam uma ameaça como o COAF nas mãos da estrela cadente, marreco de Maringa e ex torquemada cuja bastilha ja esta ruindo sob nossos olhos?
    O sorteador da megasena de 2.5 BI de R$ que caiu no colo do Dallagnol, por especial benevolencia do Depto de Justiça dos Estados Unidos?
    Esse congresso que nem noçao de auto defesa tem, merece a pá de cal e que seja nas proximas eleições.

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