A Avenida Paulista ficou muito longe pra mim, mas estou com vocês

A Avenida Paulista ficou muito longe pra mim, mas estou com vocês

Com o passar do tempo, as distâncias, embora sejam sempre as mesmas, acabam ficando mais longas para quem tem dificuldades de andar.

Algo tão simples, como colocar um pé na frente do outro, que a gente aprende desde pequeno, passa a ser um desafio intransponível.

É o meu caso. Trajetos que eu percorria assobiando, até pouco tempo atrás, como ir até a farmácia ou à padaria, de repente ficaram distantes demais, fora do meu alcance.

Mais distante ainda ficou a avenida Paulista, a umas cinco ou seis quadras de casa, no final de uma ladeira íngreme, com calçadas cheias de obstáculos.

Queria muito ir lá hoje me encontrar com parentes e amigos para participar da grande manifestação em defesa da Educação e contra os amalucados e perversos boçalnarianos no poder.

Mas acabei ficando em casa, lendo e escrevendo no computador, e só saí para almoçar com os amigos.

Na volta, encontrei no bar da esquina com meu amigo Paulinho Machline, o premiado cineasta que estava voltando da Paulista com a roupa encharcada pela chuva, mas feliz.

Com seu habitual entusiasmo, ele começou a me contar o que viu e então lhe pedi que me escrevesse um breve depoimento para publicar aqui, que segue abaixo:

***

Caro Ricardo,

Voltando da Paulista te encontrei tomando um café e resolvi escrever essa mensagem. Fui, indignado, até a manifestação e o que vi foram estudantes que, apesar de tão indignados quanto eu, estavam focados, fortes e brigando pelos seus direitos. Todo esse lamaçal provocado pelo desgoverno atual está criando uma geração de fortes. O que vi foi vontade genuína de mudança. Resistência pela cultura, educação e preservação do direito de ser cidadão. Até isso querem nos arrancar. O direito essencial de estudar. Fiquei emocionado com o que vi. Turmas de estudantes chegando organizadas e pacíficas lutando pela cidadania. Sei que a luta está no começo, mas hoje renovei as esperanças nos olhos da juventude que vi na Paulista. Viva os estudantes. Eles não são idiotas.

Um abraço, Paulo Machline

***

Já que não pude ir lá, ele escreveu por mim. Amigo é para essas coisas. Com isso, pelo menos, ainda não conseguiram acabar. O Brasil resiste ao tsunami dos boçais.

Vida que segue.

 

13 thoughts on “A Avenida Paulista ficou muito longe pra mim, mas estou com vocês

  1. Caro Kotscho,
    Lágrimas nos olhos e um fio de esperança no coração.. Espero que seja mesmo só o começo. Estaremos na luta. Seremos tuas pernas.
    Assim como seremos o coração a voz de Lula.
    Até a vitória!

  2. Eu tbm renovei minhas esperanças ao ver esse movimento, não é possível esse desgoverno continuar fazendo tanta besteira e ficarmos inertes.

  3. Andar, pelo menos nos 81 em que estou, é um esporte arriscado… Um tombo e…

    Por isso, para idas a pontos próximos de casa, comprei um andador. E lá vou eu cantarolando.

    Mas para uma passeata não dá, infelizmente. Fiquei em casa, com TV, rádio e PC ligados, para vibrar com a meninada.

    E agora ouvi as palavras do capitão em Dallas. O capitão se olhou no espelho e se descreveu… Foi de uma exatidão!

  4. Agora é só chamar os desempregados, que já desistiram de procurar empregos para, todos os dias, fecharem a paulista, e outras avenidas das nossas grandes cidades…e este governo não aguenta 15 dias…
    Vi há pouco tempo um comentário no face em que o cara dizia que este golpe vai acabar com um assassinato no palácio…parece que o cara estava biduzando legal…o Mourão que se proteja.

  5. Ainda consigo ir, quando as manifestações são aqui na Paulista, a uma quadra de casa. Estou acostumado com os eventos aqui no MASP, mas confesso que me surpreendi. Nem de longe imaginava encontrar tal multidão.

  6. Prezado Kotscho: Desejo muita força! E também acho que “O Brasil resiste ao tsunami dos boçais.”, porque a “A água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba.” (Guimarães Rosa).

  7. Bom, Kotscho, não gosto de complexificar o óbvio. Todo o mundo está sabendo.
    E já deu para notar.
    A saber : existe em Brasilia hoje uma extraordinária concentração de idiotas inúteis.

  8. O mito foi (fugiu ) para Dallas receber um prêmio,enquanto aqui seu ministro da economia dizia que estamos no fundo do poço .
    Se as coisas estão no pé que estão ,logo quem é o imbecil ,idiota e sem noção os caras de Dallas que o homenagearam .ou o esse pateta que foi lá receber um prêmio que não faz jus.

  9. Achamos o idiota
    Representante do World Affairs Council, de Dallas, nos Estados Unidos, Jorge Baldor negou ter convidado o presidente Jair Bolsonaro para ser homenageado na sede da entidade na próxima quinta (16).

    “Ele mesmo se convidou”, disse Baldor à imprensa local. “Bolsonaro não vai receber um prêmio”, afirmou, contrariando o que disse o Palácio do Planalto.

    Baldor disse ainda que a entidade mantém um contrato com a cidade de Dallas para receber autoridades estrangeiras.

    O representante afirmou que não há um fórum público programado, e que Bolsonaro terá apenas um almoço com empresários.

    Prefeito de Dallas, o democrata Mike Rawlings afirmou que não irá a qualquer evento envolvendo Bolsonaro

  10. você está sempre presente nos seus textos, quando nos conta suas experiências e dá força aos estudantes, trabalhadores, aposentados, vida que segue como você diz e muita resistência

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