No governo da vingança, Bolsonaro parte para cima de generais e universidades

No governo da vingança, Bolsonaro parte para cima de generais e universidades

Ao tomar posse, Bolsonaro não tinha um programa de governo, mas uma lista de vinganças, como escrevi aqui dias atrás.

Em sua ofensiva mais ousada e temerária até agora, na terça-feira o capitão reformado partiu para cima dos generais que o expulsaram do Exército, por atos de indisciplina, quando era um desconhecido tenente de 33 anos.

Numa só tacada, logo cedo o presidente se colocou claramente ao lado de Olavo de Carvalho, o autoproclamado “ideólogo” da família Bolsonaro e, na hora do almoço, no QG do Exército, comunicou aos generais que vai cortar 44% do orçamento das Forças Armadas.

Para combater o “marxismo cultural”, outro alvo do seu programa de vingança, cortou 30% das verbas das universidades e institutos federais.

Pelo seu temido Twitter e com a Bic presidencial na mão, orientado pelos seus filhos tuiteiros e o escatológico guru, Bolsonaro mira nas instituições nacionais, uma a uma, para criar o caos.

Depois de asfixiar o IBGE e detonar o censo de 2020, o capitão reformado resolveu no mesmo dia decretar o fim do Estatuto do Desarmamento, que tinha sido aprovado por plebiscito.

Agora até jornalistas, advogados e caminhoneiros poderão andar armados pelas ruas neste faroeste de terra sem lei agora legalizado.

Cercado de sorridentes cupinchas, fazendo arminha com os dedos no Palácio do Planalto, Bolsonaro reviveu os dias de glória da campanha eleitoral em que ameaçou “metralhar a petralhada” em comício no Acre.

Calou os generais, que agora respeitam obsequioso silencio, mas liberou o caçador de ursos da Virgínia para continuar ofendendo os militares em nome da “liberdade de expressão”.

Se alguém ainda tinha dúvidas, Bolsonaro já deixou bem claro de que lado está, governando unicamente para os milicianos da internet.

Esta tropa de choque de seguidores fanáticos garantia-lhe 20% dos votos nas pesquisas presidenciais, antes da facada de Juiz de Fora e da cassação da candidatura de Lula pela “justiça da Lava Jato”, com o apoio do STF, do TSE e da mídia grande.

Se nada disso tivesse acontecido, Lula, que naquela altura tinha 40% nas pesquisas, poderia ter vencido no primeiro turno, e o país não passaria por tantos vexames e desatinos.

Nas próximas pesquisas de avaliação do governo, a seguir nesta marcha, Bolsonaro poderá voltar a ficar apenas com os mesmos 20% que o apoiavam antes da facada.

A aliança de ocasião com os mercadistas liberais de Paulo Guedes, que ajudou na eleição com recursos a granel, tem prazo de validade: a aprovação da reforma da Previdência.

A partir daí, sem a tutela dos generais e os compromissos com a turma de Guedes, o Brasil vai conhecer de fato o que é um governo alucinado de extrema direita, comandado por um ex-militar despreparado e tosco, que só quer se vingar de todo mundo, como aquele alemão enlouquecido de triste lembrança que botou fogo na civilizada Europa.

Da até pena de ver o jogral ensaiado pelos comentaristas globais e outros “especialistas” nos canais concorrentes da rede bolsonariana, tentando justificar os desvarios do capitão porque ele está apenas “cumprindo promessas de campanha”.

Esse é o problema: se ele cumprir todas as suas promessas, sem ninguém para impedi-lo, acaba o Brasil.

Qual será o próximo alvo da vingança? Depois de implodir a Educação e a Cultura, a Saúde e o Meio Ambiente, o emprego e a renda dos trabalhadores, o que falta ainda?

Se em pouco mais de quatro meses de governo, Bolsonaro já conseguiu esta proeza de autodestruição de um país, a Constituição que se cuide. Pode ser a próxima vítima.

Sem freios, nada impedirá o piloto do trem-fantasma de mandar Sergio Moro e outros notáveis juristas prepararem um novo texto constitucional para se adaptar aos seus desígnios.

Vida que segue.

 

19 thoughts on “No governo da vingança, Bolsonaro parte para cima de generais e universidades

  1. Um insano com certeza, em que mãos são essas que o Brasil foi colocado,a cena das arminhas é de chorar, as explicações então de lastimar. É um pesadelo do qual infelizmente não é só acordar e pronto acabou, ele está implantando e não sei o que mais nos espera.

  2. E essa foto de hoje em todos os Jornais, ele posando na mira dos defensores das armas engatilhadas e apontadas para ele, estamos na mão de uma corja de dedos duros! Ruy Castro na Folha de hoje mete a mão na massa desta Época de Merda, Temos o Que Temer: Bolsolavo no Poder!!!

  3. A voces todos que, como eu, tanto sonharam um Brasil forte, mais justo e diferente e estao tendo que minimizar, liliputizar todos esses sonhos.
    Pois é.
    Sonhamos agora ter o direito de não passar vergonha. É mais simples, convenhamos.
    Com Bolsonaurio, com neymar…
    Porque esta longe de ser vergonha alheia, de forma real ou projetivo mediatica elegemos os dois. Muitos ja disseram que o mimadinho do PSG devia praticar um esporte individual. Vamos mais longe. devia mesmo ser um maratonista. Sao 42 quilometros, tem espaço de sobra para seu ego.
    E o que devia fazer a esta altura o miliciano Bozzo? Gostaria de saber mas nao sei.

  4. Que caos, meu Deus. Nenhuma chance de emprego para 14 milhões de famintos. Nenhumazinha. O Balaio agora pode entregar o jornal, armadinho da silva. Peso pro burrico do Paulo Caruso. Pode, eu não disse vai. Logo, pra vender mais gatilhos, o “bolsa chama morte” estenderá o risco aos leitores e comentaristas de Blogs.
    Eu não preciso de mais arma, tenho uma que espirra água a 3 metros de distância. Qualquer hora, eu quero “atirar” na cara de um general, ou político. Vou de carona com a polícia até à mesa da autoridade plantonista. Quando me questionar se não tenho juízo, responderei ao ouvido do delegado: __ Doutor, fiz isso pelo senhor, vai me dizer que nunca teve vontade de fazer o mesmo? Depois, mais baixinho, confesso: __ Doutor, a água na cara do general, tinha mijo no meio.

  5. No Aloprado Reino Bolsonariano, a próxima vítima está no alvo: a torcida do Corinthians. Vai todo mundo fazer o curso de Jornalismo.

  6. O destaque que se impõe é quanto às forças com que conta Bolsonaro para continuar sua “obra”. Está claro que estas forças prescindem de apoio militar; não fora assim teria ele agido energicamente contra os insultos vindos de território estrangeiro. Os militares, até por formação, são nacionalistas e por isto mesmo podem representasr um entrave. As forças em questão querem um País prisioneiro da usura e limitado à condição de exportador de “commodities”. Não é preciso muita perspicácia para identificar quem são e onde estão.

  7. Enquanto se tergiversa sobre a “deforma” Previdência-cura de todos os males-o desemprego explode,a economia para,armas e munições a mancheias,escolas ameaçadas,executivo no tiro ao alvo de helicóptero,carros metralhados.Nau na tempestade,piloto maluco.Sobreviveremos à marcha da insensatez?

  8. “Ideólogo” ? do que se trata ? onde se estuda e se forma? Na Vírginia caçando ursos , soltanto palavrões , impropérios e ditanto regras para um pais distante? astrólogo,escritor, filósofo, guru ; eclético na sua prepotência que afronta e ofende generais com a aval do pr e seus falantes filhotes e da midia massiva muito bem paga.
    Não me recordo de nada parecido na nossa história recente e nada tão indecente .

  9. Com a desmoralização do alto comando das forças armadas, o seu baixa clero se organizar e constituir uma hierarquia paralela, unida à milicia armada civil…puta que pariu…bye bye Brasil.

  10. Eu quero minha MÃE.
    .
    Minha mãe, minha mãezinha,
    minha doce alegria.
    Se eu não tivesse mãezinha,
    quão infeliz eu seria.
    .
    (Mamãe… )

  11. Prezado Kotscho: O presidente aparece agora “com a Bic presidencial na mão” para aparecer na mídia. Vamos ver se daqui algum tempo não vai aparecer uma caneta coberta de ouro, depois do desmonte em marcha do estado brasileiro.

  12. Os generais não defenderam a Constituição em 1954, cruzaram os braços diante do que acontecia com o Pres. Vargas, golpearam o país em 1964, cassaram, exilaram, humilharam e MATARAM JK e consideram que o “inimigo” é o Luiz Inácio. Um bando de parvos. Por isso, tapo o nariz com um prendedor de roupa e aplaudo cada palavrão ou chulice que esse tal de Olavo desfere contra eles.

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