Será que Bolsonaro poderá bater o recorde da renúncia de Jânio?

Será que Bolsonaro poderá bater o recorde da renúncia de Jânio?

“Vai quebrar o recorde do Jânio”, respondeu de bate-pronto o internauta Cecel Peixoto, no final da noite de domingo, assim que publiquei um post no Facebook com este título: “Em resumo: começou a contagem regressiva de um governo que está se auto-imolando”.

Tem cada vez mais gente nas redes sociais achando que Jair Bolsonaro está reprisando a passagem errática e fulminante do ex-presidente Jânio Quadros pelo Palácio do Planalto, que durou apenas 6 meses, em 1961, abrindo uma crise institucional que, três anos depois, desaguou no golpe militar.

Como brasileiro esquece tudo muito rápido, aqui as crises costumam se repetir, ao mesmo tempo, como farsa e tragédia.

Mas eu me lembro muito bem da primeira das muitas entrevistas do general Hamilton Mourão à Globo News, ainda como candidato a vice de Bolsonaro, no dia 7 de setembro do ano passado.

Ao responder a uma pergunta de Merval Pereira, Mourão admitiu que, “em situação hipotética de anarquia”, pode haver um “autogolpe do presidente com apoio das Forças Armadas”.

Naquela ocasião, o vice general acrescentou que não acreditava que isso pudesse ocorrer.

O que Mourão diria hoje, sete meses depois daquela entrevista, com a anarquia generalizada imperando no governo Bolsonaro, antes de completar 100 dias de mandato?

Pelo andar desembestado da carruagem bolsonarista, as previsões sobre o futuro do governo são cada vez mais sombrias, nesta semana em que os militares comemoram os 55 anos da “revolução democrática” de 1964, o novo nome que deram ao golpe militar.

Para quem gosta de comparações, há muitas semelhanças no modo de governar e também enormes diferenças nas biografias de Jânio e Bolsonaro.

Jânio gostava de governar pelos famosos “bilhetinhos” enviados a seus ministros.

Bolsonaro prefere o Twitter para se comunicar diretamente com seus seguidores.

Jânio causou escândalo ao condecorar Che Guevara e manter relações com a China.

Bolsonaro envergonhou o país ao prestar abjeta vassalagem a Donald Trump.

Para os dois, esse negócio de articulação política, base aliada e negociação com partidos é bobagem, o que os levou a entrar precocemente em confronto com o Congresso Nacional.

Jânio, antes de chegar ao Planalto, foi vereador, deputado, prefeito e governador de São Paulo, numa longa e vitoriosa trajetória polícia.

Bolsonaro passou 28 anos no baixo clero da Câmara como líder sindical dos militares, depois de ter sido reformado pelo Exército, aos 33 anos, por atos de indisciplina.

Era apenas uma figura folclórica, sem nunca ter exercido qualquer cargo executivo ou de liderança.

Antes de ser político, Jânio, que também era uma figura folclórica, foi professor de Português e tinha uma intensa vida intelectual, tendo publicado vários livros, inclusive dicionários, que tanta falta fazem aos atuais ocupantes do poder.

Por isso, e com razão, muita gente acha injusto fazer qualquer comparação entre os dois.

Só que a velocidade dos fatos burlescos e beligerantes, cometidos pela nova ordem bolsonariana em menos de três meses de poder, nos levam inevitavelmente a recordar a brevíssima passagem de Jânio Quadros por Brasília.

Até hoje há inúmeras versões e controvérsias sobre as razões da sua renúncia _ entre elas, a de que Jânio tentou dar um autogolpe para fechar o Congresso e o Supremo, e voltar nos braços do povo como imperador.

Nas hostes mais radicais do bolsonarismo, a começar pelos filhos do presidente, como sabemos, tem muitos namorando com esta ideia.

Há também quem atribua o ato de renúncia de Jânio apenas a um porre, já que Jânio tinha fama de bom copo.

A diferença aqui é que Jair Bolsonaro não bebe. É viciado apenas no uso do celular, um perigo.

Vida que segue.

 

24 thoughts on “Será que Bolsonaro poderá bater o recorde da renúncia de Jânio?

  1. Eduardo Bolsonaro: “Bastam um soldado e um cabo para fechar STF”. A ideia sempre foi golpe, só muito ingênuo pra não perceber. A resposta de Mourão ao Merval confirma, a fala do Bozo dizendo que as forças armadas garantem a democracia é mais um elemento. Importante considerar que na visão de democracia do Bozo, Stroessner e Pinochet eram democratas elogiáveis. Agora, alguém acha mesmo que Bozo abriria essa guerra com o Congresso e o STF sem apoio da caserna? Como em 64, “a sociedade”, incluindo ai os fanáticos bolsominions, descontente com a situação privilegiada dos aristocráticos juízes e políticos, e com a indiferença deles para com as agruras do povão, abraçaria um golpe sem pestanejar, é só conversar com um bolsominion pra constatar. Bozo não é do tipo do Jânio, não renuncia, vem golpe por ai. Todo esses militares nomeados por ele para cargos chaves da administração, já foi de caso pensado. Estão prontos para assumir.

  2. Igual ao ocorrido com o Jânio não será nunca. Eu duvido que Bolsonaro renuncie. Dar um alto-golpe, com todo o respeito, o QI do Jair não é suficiente para tanto, e além disto, golpe no Brasil não tem mais como acontecer, seja de direita, ou de esquerda à lá Chaves e Maduro. Hoje o povo brasileiro é muito mais educado e informado do que na nossa época, e está arraigadamente acostumado a viver com a liberdade política e social. Resta o impeachment de novo, o que por si só será ruim para a democracia (Seria o segundo na curta história da redemocratização). E se ele deixar de ser presidente, assume o Hamilton Mourão. Pergunto não seria pior ainda? E só para lembrar este termo ‘Revolução Democrática’ não foi dado agora pelos militares, não é um novo nome usado por eles. Na época do golpe, eles já começaram a usar o termo citado. O que é novo não é o nome, mas o fato de eles voltarem a usá-lo.

    1. Não acredito que hoje o brasileiro seja mais educado do que em 64, informado… se considerarmos conteúdo de rede social informação, sim. Se assim for, podemos considerar o bolsominion que acreditou no kit gay que recebeu no ZAP da tia bem informado. Quanto a golpe, precisamos depurar a definição, uma eleição manipulada com Fake News seria golpe? Poderia ser. Quanto ao Mourão, dado o contexto, é melhor que o Bozo, se for para uma transição, aliás qualquer opção é melhor que o Bozo. Importante ficar atento aos movimentos de Mourão, na viagem de Bozo sua reunião com o pragmático Dória, que já está com sua coligação montada para sua candidatura a presidente, agora sua reunião com os 500 donos do PIB. Teremos golpe, que pode ser de várias formas, Depois Dória presidente, ou os dois juntos.

  3. Ta explicado porque o inominável e seus sicarios estão pendurados no saco do Trump, e pra garantir asilo em breve. Quanto aos seus eleitores milicianos que não conseguirem em visto, esses vão voltar para o lugar que nunca deveriam ter saído, o esgoto.

  4. Uma entrevista marcante do Jânio com Mino Carta, ele se desdobrava a comentar sobre um literato socialista, não me recordo agora, e o MIno, tenta interromper o palavreado do Jânio mas é provocado por ele:
    “-O senhor sabe quem foi “fulano”?”
    Mino responde:
    “-Não, mas o senhor não pode avaliar o tamanho da minha ignorância…”
    Ao que JQ devolve:
    “-Posso sim, fui seu professor no Dante Alighieri!”
    Esse risco não corremos com o Bolso…

  5. Caro Kotscho, o folclórico Janio adorava valer-se de mesoclises em seus pronunciamentos e bilhetinhos.
    Se perguntado sobre o que é uma mesoclise, Bolsonaro dirá tratar – se de alguma doença marxista cultural “gayzista” , que ele nunca pegou e jamais pegar-la-á, para em seguida aqueles seus delirantes bolsominions (que sumiram daqui) correrem a replicar na Internet dizendo que a besta “lacrou”.

    1. Sumiram daqui porque já tiveram seus objetivos alcançados: cabelo, barba e bigode; justamento no momento que o país mais precisava. Mas daqui há quatro anos tem mais, vamos pedir a Deus que dê muita saúde, paciência, paz e sabedoria à todos, pois parece que os poucos que ficaram sentem n’alma a ausência dos comentários reluzentes, sempre argumentativos, sem levar em pretexto cor partidária. Qualquer hora que chamar, estamos de volta! Quem mira em alvos errados, nunca alcança uma vida feliz.

  6. Caro amigo Kotscho, o desgoverno do bozo acabou,e eu só vejo duas saidas possíveis no momento, e nenhuma delas é boa!
    Saida 1: Impeachment do bozo (ai assume o mourão)
    Saida 2: Golpe Militar,derruba o bozo(ai assume o mourão)
    O mourão está rindo a toa,vendo o circo pegar fogo e só esperando a hora de assumir a presidência!
    E eu ainda sonho com a saida 3: O povo ocupar as ruas e exigir novas eleições livres e sem fake news.
    Por hora é aguardar e rezar para dias melhores!!
    Força amigo! Estamos juntos na resistência!

  7. Adoro o balaio.
    Eu não esqueci, o dia da renuncia do Jânio, eu já tinha o meus 14 anos, e me lembro do meu professor de história Dr. Rubens Ribeiro entrar na loja do meu pai e gritando Angelin(apelido de meu pai Angelo)liga na radio Nacional o doido renunciou.
    Morei 54 anos e Belo Horizonte, aposentei e hoje moro aqui na minha cidade natal, Nepomuceno Sul de Minas cidade produtora de café, a população votou em peso no Bozo, esta um silencio total na cidade.
    Chego achar engraçado, este silencio, alguns mentem que mudaram o voto na ultima hora, mas isso é um jeito de ficarem de fora da besteira que cometeram, não fui votar, fiquei com raiva do que fizeram com o Lula, e ainda estou.
    Ando preocupado com o que pode vir acontecer, um abraço de quem te admira muito.

  8. Acredito piamente que o Bozo “estará em maus lençóis” ao não conseguir a SONHADA REFORMA DA PREVIDÊNCIA. Tal como Jânio e Collor eles se acham o NOVO na Política e não querem negociar com o Congresso, que na opinião deles seria a “VELHA POLÍTICA”. Para ludibriar o povo, mais uma vez, ele poderá ser “suicidado” ou mesmo uma “providencial” licença para tratamento de saúde. O Gen. Mourão talvez pense nisso diariamente!

  9. Acho que ele dificilmente chegará ao fim do Mandato, mas temo que com o Mourão saltemos da frigideira para pular no fogo porque ele me parece inteligente e sabe o que quer (que aparentemente não coincide com os interesses da nossa gente)

  10. Kotscho, você não acha que Bolsonaro se manter no poder é a única forma de garantir que a população no geral aprenda a conviver com as consequências de suas escolhas eleitorais?

      1. É uma discussão que sempre tenho com meus colegas e amigos. Uma parte da população privilegiada e esclarecida, na qual eu tristemente me incluo, fez, durante o processo eleitoral, uma tentativa de explicar para as pessoas que seriam afetadas pelo governo Bolsonaro as consequências nefastas da vitória dele. É uma luta inglória. Não sei como resolver isso.

  11. Bolsonaro, pouco a pouco, vai sendo engolido pela realpolitik que ele mesmo alimentou com vitaminas de insânia pelo poder. E nada mais. Abraços, Kotscho.

  12. Prezado Kotscho: Se “Jair Bolsonaro está reprisando a passagem errática e fulminante do ex-presidente Jânio Quadros pelo Palácio do Planalto” acho que de reacionarismo ele já ultrapassou o ex-presidente. “A cadela do fascismo está sempre no cio.” (Bertolt Brecht).

  13. No Brasil, as coisas não andam na velocidade que muitos aqui gostariam. Apenas para confirmar, Dilma que era uma governante mediocre e incopetente levou muito mais tempo para cair do que muitos achavam .

  14. Nada a ver, Mestre, são doidos distintos, um culto e cosmopolita, pensando ser Churchill, o outro, xucro e provinciano, aspirante a Saddam. Sem esquecermos as forças das armas, com um apartado e o outro sentado em cima: “Mourão admitiu que, “em situação hipotética de anarquia”, pode haver um “autogolpe do presidente com apoio das Forças Armadas”.”
    Mas a questão de fundo encontra-se no artigo, ‘Acabou o Brasil?’, onde ressalta que, “fora das redes sociais, a vida segue como se nada estivesse acontecendo”, ou seja, há dois planos de pressão política, informação e manipulação: O virtual ativo e o real anômico.
    Mas de fato, conforme ‘Farda & Toga no Poder…’, “qualquer desatenção pode ser a gota d’água”, em função da “única estratégia do capitão aloprado”: “Botar fogo no circo para escapar no meio da confusão.”
    Na verdade, não ‘escapar’ e sim totalitariamente ‘mandar’ no que restar do Circo Brasil, ao fim da confusão.
    ““Um general faz o quê”, perguntou [-lhe] a internauta… Segundo a Constituição, generais devem zelar pela soberania nacional e defender o país contra inimigos externos, mas há controvérsias. Quem é o inimigo, afinal?”
    Após seis meses da admissão de Mourão, temos duas partes, do mesmo lado, armadas, dissimuladamente juntas, rumando separadas para o ‘Beco Sem Saída’, que não armada, caso o Brasil que resta lúcido não evitar, anulando-os, na defesa firme do Estado de Direito contra o de Exceção.

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