A era da mediocridade: um país que estrebucha entre o apocalipse e a melancolia

A era da mediocridade: um país que estrebucha entre o apocalipse e a melancolia

Sei que este título não é nada agradável para se ler num domingo de sol, mas é o que temos.

Basta correr os olhos pelo noticiário para constatar que o país está estrebuchando, já no prenúncio do apocalipse, mergulhado na mais profunda melancolia.

Se tem um ponto em comum entre os arautos da nova ordem unida é a abissal mediocridade.

De repente, o país se deu conta de que elegeu um bando de loucos, ao completar hoje 83 dias, sem governo e sem nenhuma esperança de que algo possa melhorar tão cedo.

Até os eleitores do “Mito” estão caindo na real e descobrindo que são governados por uma usina de fake news, a colossal mentira que se vendeu a peso de ouro de tolo na campanha eleitoral.

“Nós vamos não só apoiar como vamos bancar a campanha dele. Dinheiro não vai faltar”, disse-me com todas as letras um ás do mercado financeiro, em meio à campanha eleitoral.

Será que eles sabem quem é Bolsonaro?, eu me peguntava, quando o capitão começou a subir nas pesquisas, depois da facada e da prisão de Lula.

“Mas nós precisamos de um louco mesmo pra colocar ordem nessa bagunça”, respondeu-me um motorista de táxi, quando tentei lhe explicar quem era Bolsonaro e por que foi saído do Exército com 33 anos.

Com argumentos assim, era melhor não discutir, não adiantava nada.

Embalado como candidato liberal por Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, o capitão logo conquistou o mercado e o alto empresariado.

Não faltou mesmo dinheiro para ativar o terror nas redes sociais e alargar seu eleitorado em todas as latitudes, com o apoio de amplos setores das igrejas evangélicas neopentecostais.

Os generais só pegaram carona na campanha dele quando a vitória já parecia certa, sem querer saber do seu prontuário quando era um colega de armas.

Com medo do kit gay e da mamadeira de piroca, 57 milhões de brasileiros caminharam alegremente para as urnas, e o “Mito” foi eleito.

Pouco importava que ele tivesse sido, ao longo de 30 anos, apenas o “chefe do sindicato dos militares” na Câmara, segundo a perfeita definição do Bernardo Mello Franco, no Globo de hoje.

Fiel à sua natureza, apresentou uma reforma generosa para os militares, que revoltou os civis até no seu próprio partido.

Em nenhum momento da campanha, a bem da verdade, o candidato militar defendeu a reforma da Previdência, que se tornaria o pau da barraca do seu governo, e esta semana começou a desabar com a ajuda dele.

A equipe de Paulo Guedes já fala em “apocalipse” se a reforma não for aprovada, o que a cada dia parece mais provável de acontecer.

Confrontado pelo capitão e seus filhos, Rodrigo Maia já jogou a toalha e devolveu a bola para o governo, que a chutou para o alto.

Os superministros Guedes e Sergio Moro terminam a semana detonados como reles “funcionários do Bolsonaro”, cada vez mais enfraquecidos.

A Bolsa caiu, o dólar subiu, e Paulo Skaf, o esperto presidente dos patos amarelos da Fiesp, já tratou de cuidar do pós-Bolsonaro: convocou 500 empresários para ouvir o vice, general Mourão, nesta terça-feira.

Desde 1964, golpe é com eles, como sabemos.

Na patética “live” de 30 minutos, que Bolsonaro comandou esta semana, diretamente de Santiago, a cara do general Heleno, o guardião do Planalto, já não era das mais amigáveis.

Cada vez mais afundado na cadeira, Heleno só abriu a boca uma vez para corrigir Bolsonaro, que continuou falando de importação de bananas do Equador e outras abobrinhas.

O cabaré cívico-militar está pegando fogo por toda parte e, com o barco naufragando, o piromaníaco Olavo de Carvalho troca ofensas com o picareta Silas Malafaia, dois baluartes do governo em frangalhos.

Sem saber se ri ou se chora, a distinta plateia afunda em melancolia ao se deparar com a realidade do desastre anunciado.

Ninguém pode dizer que foi enganado.

O “Mito” está cumprindo o que prometeu: destruindo o país para construir sobre os escombros seu paraíso particular, fazendo arminha com os dedos.

Bom domingo.

E vida que segue.

 

11 thoughts on “A era da mediocridade: um país que estrebucha entre o apocalipse e a melancolia

  1. Votei no Haddad, tentei como muitos tentar conversar sobre o que poderia acontecer com o país caso o mito ganhasse, em vão. Deu no que deu mas não imaginava que fosse em tão pouco tempo, breve, num sopro. Só Deus na causa.

  2. Kotscho, antes esses golpistas medíocres devem se reconciliar com a sociedade, soltem Lula e façam eleições livres. Temer ficou 2 anos saiu com aprovação 2%, Bolsonaro deve durar 6 não leva 6 me se ate chegar a esse indice, Mourao 1 mês. e outros virão, e a cada ano um golpe dentro do golpe. O Brasil vai exiplodir.

  3. República da Espada, República Oligárquica, Era Vargas, República Liberal Populista, Regime Militar, Nova República, e….REPÚBLICA DAS MILÍCIAS?

  4. Caro, na minha modesta opinião, os militares aderiram ao capitão por puro interesse econômico. Sabiam que tentariam reformar a previdência. Dentro do governo, conseguiriam impedir uma mudança no seu modelo, já que, proporcionalmente, eles geram os maiores déficit.

  5. Prezado Kotscho: Tenho dúvidas. Será mesmo que “De repente, o país se deu conta de que elegeu um bando de loucos”? Ou os 57 milhões de seguidores do capitão queriam isso mesmo, ou seja, um governo que atue nesse campo ideológico da direita para descer o sarrafo na maior parte da população? Olha, o que tenho visto de reacionário andando por aí e defendendo esse bando de pistoleiros não está no gibi.

  6. Caro amigo Kotscho, nada é tão ruim que não possa piorar!!! Saiu no blog do esmael, o jornalista Ricardo Capelli alertando para os indícios de um golpe de estado que esta em curso, em que o bozo com o apoio dos militares fecharia o congresso e supremo!
    Acredito que é hora de todas as forças democraticas se unirem, independente de partidos ou ideologias em defesa do estado democrático que também acredito estar corredo sério risco !
    As brigas e eminente rompimento do bozo com atual presidente da camara Rodrigo maia ,é sinal de que a governabilidade está indo pro saco e que o bozo não parece nem um pouco preocupado, provavelmente já planejando o golpe!!!
    Força amigo!! Estamos juntos na resitência!!

  7. É impressionante a semelhança entre o comportamento do Bozo e o do falecido Idi Amin Dada. Acho que a única diferença é que Idi Amin usava Kilt, e o Bozo usa Rider.

  8. A joia da coroa e o filhote de Eduardo Cunha!
    Dou-lhe uma, quem dá mais?
    Que meleca política estrebuchou este pais?
    Até o “vagabundo” mor do FHC, negociador da reeleição, disse que um Executivo esnobante do Legislativo, pode cair.
    Bolsonaro, usado por todos que chegaram ao Poder, elite dominante com e sem farda, no meio.
    Maia, filhote de Eduardo Cunha, cacoete físico irritante, tem tudo para cacoetar o pijama de Mourão.
    Ate o vice, catapulteado pela eterna e estrebuchante caserna, pode ser o próximo alvo.
    O Brasil está no CIO e se ofereceu todo regateiro à CIA…
    Ritual público de corpo presente e rebolante.
    Um cheirou o outro, amor à vista antiga.
    Quem dá mais?
    Em leilão, a cadeira presidencial, joia da coroa.
    Na cacunda de Maia, estrebucha o bafo mafioso e ofegante de gente criminosa.
    Ele gosta do modus operandi e se insinua ao pau da barraca.
    O filhote de Eduardo Cunha sabe que o odioso sopro da morte está a ponto de erupção.
    Falta combinar o preço, pois pepita de ouro de tolo ele não aceita.
    Dou-lhe uma… Quem dá mais?
    O povo sabe que o presidente da Câmara, raposa velha de nossa República tem o seu preço.
    Dou-lhe uma, quem dá mais… pela cadeira presidencial?
    Dou-lhe duas…

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