“Recordar é Viver”: anatomia de uma relação perigosa entre o clã e a milícia

“Recordar é Viver”: anatomia de uma relação perigosa entre o clã e a milícia

Vem de longe, como diria Leonel Brizola, a relação do clã Bolsonaro com as milicias cariocas, que está hoje novamente em todas as manchetes, como se pode ver no levantamento feito por Marcelo Reis de Melo, do Instituo Análise, que reproduzo abaixo na íntegra, sem comentários.

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“Recordar é viver”, por Marcelo Reis de Melo

 

1) 2003: Jair Bolsonaro, no Congresso, defende milícias e grupos de extermínio;

 

2) 2007: Flávio Bolsonaro defende legalização das milícias;

 

3) 2008: Flávio Bolsonaro na ALERJ durante a votação para instauração da CPI das milícias, após dois repórteres do jornal O DIA serem barbaramente torturados por milicianos na Favela do Batan: “Sempre que ouço relatos de pessoas que residem nessas comunidades, supostamente dominadas por milicianos, não raro é constatada a FELICIDADE dessas pessoas que antes tinham que se submeter à escravidão, a uma imposição hedionda por parte dos traficantes e que agora pelo menos dispõem dessa garantia, desse direito constitucional, que é a SEGURANÇA PÚBLICA. Façam consultas populares na Favela de Rio das Pedras, na própria Favela do Batan, para que haja esse contrapeso também”;

 

4) 2011: A juíza Patrícia Acioli é assassinada com 21 tiros no Rio por milicianos. Flávio Bolsonaro, após a morte, vai ao twitter e difama a magistrada;

 

5) 2015: A juíza Daniela Barbosa é agredida por milicianos durante uma inspeção no Batalhão Especial Prisional durante uma inspeção no Rio. Flávio Bolsonaro sai em defesa dos agressores;

 

6) 2015: Flávio Bolsonaro foi o único dos 70 deputados da ALERJ que votou contra a CPI dos Autos de Resistência, que visa apurar possíveis fraudes nas mortes perpetraras por policiais. A CPI surgiu após um vídeo mostrar PMs mexendo na cena do homicídio de um homem na favela da Providência, na Zona Norte do Rio. As imagens mostram os policiais colocando uma arma na mão de dele após ser assassinado;

 

7) 2015: José Padilha expõe que deixou o Brasil após ameaças de morte sofridas em razão do filme Tropa de Elite 2, que escancara o problema das milícias e sua relação com o poder público;

 

8) 2018: Jair Bolsonaro, em campanha à presidência, defende milícias que atuam no Rio e diz que “naquela região onde a milícia é paga, não tem violência”;

 

9) 2018: Flávio Bolsonaro faz campanha com família ligada ao jogo do bicho, organização que que se fortificou justamente durante a Ditadura (especula-se que bicheiros do segundo escalão se tornaram milicianos);

 

10) 2018: Marielle é assassinada. Forte suspeita de envolvimento de milicianos e políticos. Silêncio na família Bolsonaro;

 

11) 2018: Policiais que integram a campanha de Bolsonaro são presos na Operação Quarto Elemento, que investiga a atuação de milicianos que praticavam extorsões. Os dois PMs presos são irmãos de Valdenice de Oliveira, a Val do Açaí, assessora e tesoureira do PSL;

 

12) Dois candidatos do partido de Bolsonaro quebram uma placa de homenagem à Marielle e posam sorrindo, junto ao Witzel. No mesmo evento, os candidatos falam que vão “DECAPITAR AQUELES VAGABUNDOS DO PSOL”. Flavio Bolsonaro defende a atitude dizendo que a “placa era ilegal”.

 

13) Ministério Público do Rio de Janeiro afirma ter colhido provas de que uma milícia de São Gonçalo teria atuado em favor de um dos candidatos de Jair Bolsonaro à ALERJ, o coronel Fernando Salema (PSL);

 

14) Organizadora do “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” é agredida no Rio de Janeiro;

 

15) Clã Bolsonaro é eleito e jornalista diz que quem postou “Marielle presente” estará fora do governo;

 

16) COAF revela que Fabrício, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, fez movimentação atípica de R$ 1,233 milhão entre 2016 e janeiro de 2017. O ex PM já cometeu pelo menos 10 homicídios;

 

17) O COAF descobriu que, além do lote de 1,2 milhão de reais, passaram também pela conta corrente do assessor de Flávio Bolsonaro 5,8 milhões de reais nos dois exercícios imediatamente anteriores.

 

18) Novo relatório do COAF aponta Flávio Bolsonaro recebeu R$ 96 mil em 50 depósitos fracionados. Ele alega que o dinheiro vivo é fruto da venda de um imóvel;

 

19) É revelado que Queiroz, antes de ir para o Albert Einstein, se escondeu na favela de Rio das Pedras, dominada pela milícia;

 

20) Flávio Bolsonaro empregou mãe e mulher de chefe do Escritório do Crime em seu gabinete, suspeitos de assassinarem Marielle.

 

21) Flávio Bolsonaro foi o único parlamentar que votou contra a concessão da medalha Tiradentes à Marielle.

 

Instituto Analise

 

 

20 thoughts on ““Recordar é Viver”: anatomia de uma relação perigosa entre o clã e a milícia

  1. Kotscho, quando do assassinato, o INOMINAVEL, da uma declaração típica de miliciano que sabe que vai ficar impune e diz; esse crime só será desvendado se alguém abrir o bico. O cerco da se fechando.

  2. Bolsonaro é igual massa de bolo. Quanto mais a mídia e os órfãos de nossos impostos batem mais ele cresce no conceito da população honesta desse nosso Brasil: verde, amarelo, azul e branco. Longe das caras vermelhas de raiva. Vida que segue

    1. Massa de bolo podre e vencida a muito tempo,que só serve para alimentar o ódio dos bolsonetes cegos ,surdos e loucos !!!!
      Acorda mauricinho!!

  3. Caro amigo Kotscho, agora os bolsonetes e olavetes abandonarão o bozo e sus filhotes e exigirão a posse do general golpista mourão, que a esta hora esta rindo a toa só esperando para assumir a presidência!
    E para nós amigo nada muda,com o bozo ou com o general banana de pijama verde oliva na presidência só nos resta resistir até que os militares voltem para os quarteis para cumprir seu dever constitucional de proteger a DEMOCRACIA, e esqueçam essa aventura de poder,pois esses milicos de pijama nunca foram democratas de verdade, todos os defenderam e defendem a DITADURA e não suportam a DEMOCRACIA!!
    Força Amigo! Estamos juntos na resistência!!

  4. Os cariocas ficam entre OS MILICIANOS E OS TRAFICANTES!.E muitos políticos,bicheiros,jornalistas e profissionais diversos são obrigados a “escolher” entre uma e outra facção.SÃO FACES DE UMA MESMA MOEDA!.

    1. Mais um Queiroz na cena do crime… coincidência? Um é motorista dos Bolsonaros, office-boy, secretário, administrador de propinas, puxa-saco, segurança, “parça”, funcionário lotado no gabinete do pai e do filho, a filha também, e ambos repassando todo o salário que recebiam da Câmara para o Messias e depois para o filhote Flávio. E esse agora? A “famiglia” Bolsonaro é cheia de coincidências, não?
      Falando nisso, onde estão os funcionários lotados no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro e que simplesmente sumiram? Há alguma notícia deles?

  5. Retorno apenas para um registro em face à menção de Brizola, esse extraordinário e fidedigno representante do trabalhismo brasileiro.
    A frase somente complementa o conhecido “vem de longe” do líder trabalhista e costuma ser atribuída a Nelson Mandela que, por sua conta e vez, a diz ser originária do bairro de Soweto, em Johanesburgo: “Se não sabeis aonde as coisas vão, olhai donde vêm”.
    Mandela pronunciara a frase, após o massacre no bairro de Soweto, que repercutiu mundialmente.
    Era o início do fim do regime do “apartheid” sul-africano.
    Cá entre nós: Só mesmo o governo do “MT” e do “Bruto” para, mesmo com uma intervenção no Narco-Estado do Rio de Janeiro, não apresentar um resultado sequer, exceto pronunciamentos que não passavam de platitudes e obviedades.
    Um ano para tão-somente confirmar que se tratou de uma operação concatenada por milicianos?!?!
    Quem mais poderia ter executado a vereadora do PSOL?!
    A cada dia que passa, a vereadora do PSOL é assassinada mais uma vez.

  6. Gostei destes fatos cronológicos. Kotscho, sei que é pedir muito, mas lembro que na época eu pensava .. Este Lula tem a bun.. virada prá lua. Como tem tantas coisas positivas acontecendo com este cara! (Descoberta do Pré-sal, Obama dizendo: este é o caro, mundo se inclinando ao Brasil, superavit atrás de superavit, médicos cubanos, educação sem fronteiras, etc. etc. etc.. vou encher de etcs. Então, lembrando, poderia fazer uma cronologia comparativa dos dias do governo de Lula com o Bolsonaro. Temos uma memória curta, é pra refrescar a memória dos leitores, Lulistas ou Bolsonaristas, não importa. Forte abraço e grande estima.

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