Investigado pela Receita, Gilmar corre para pedir impunidade a Toffoli

Investigado pela Receita, Gilmar corre para pedir impunidade a Toffoli

“A Receita não pode ser convertida numa Gestapo” (Gilmar Mendes, ministro do STF, investigado pela Receita Federal).

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“Vocês sabem com quem estão falando?”

A velha máxima da prepotência nacional pode resumir a reação de Gilmar Mendes diante do vazamento publicado pela Veja desta semana sobre uma investigação para identificar supostos “focos de corrupção, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio ou tráfico de influência”.

Inconformado com o que chama de “estratégia deliberada de ataque reputacional”, Gilmar correu ao seu colega Dias Toffoli, presidente do STF, pedindo “providências urgentes” contra esse abuso.

As instituições não estão em pleno funcionamento, como não se cansam de repetir?

Toffoli acionou imediatamente o Ministro da Economia, Paulo Guedes, responsável pela Receita Federal, e Raquel Dodge, procuradora-geral da República, para que adotem “todas as providências cabíveis quanto aos fatos narrados pelo ministro Gilmar Mendes”.

Logo os demais membros da corporação manifestaram sua indignação e solidariedade ao colega, como soe acontecer nestes momentos graves.

É assim que as coisas funcionam em Brasília nas cortes e guildas dos três poderes, para quem a lei nem sempre é igual para todos.

Onde já se viu investigar um ministro do Supremo sem autorização dos ministros do Supremo?

Seria mais ou menos como qualquer juiz condenar um político sem pedir autorização aos dirigentes do partido dele, não é mesmo? Pode isso, Gilmar?

Se está tudo em ordem com o imposto de renda do ministro e de sua mulher Guiomar, qual é o problema?

Qualquer um de nós simples mortais não pode cair na malha fina da Receita? E vamos reclamar para quem? Para o bispo?

Assim se constrói a cultura da impunidade em seu mais alto grau, justamente lá onde deveria ser combatida.

Apesar de todas as tragédias e tantas impunidades, bom final de semana a todos, se possível.

Vida que segue.

 

11 thoughts on “Investigado pela Receita, Gilmar corre para pedir impunidade a Toffoli

  1. Gilmar é o recordista de pedidos acumulados no Senado para impeachment na história republicana. Um feito notável, em matéria “reputacional”, sem sombra de dúvida. Gilmar pode ficar tranquilo com o bafo do fisco no seu cangote. Os seus pares do STJ já lhe garantiram uma vacina tributária preventiva. O pagamento a qualquer tempo do tributo subtraido ou ocultado extingue a punibilidade do crime fiscal. No Brasil os donos das grandes fortunas conseguiram esse pé de jabuticaba. Al Capone desconheceria as grades caso vivesse no Brasil. Bastaria pagar o imposto para se ver livre do cárcere. Já o furto de um litro de leite implica o aprisionamento, mesmo que o delinquente devolva o produto. Isso é conhecido como a Justiça da Casa Grande e a Justiça da Senzala. As catástrofes criminosas praticadas pela Vale privatizada e a pira de corpos adolescentes carbonizados apresentam a verdadeira face da elite dominante e sua classe dirigente.

  2. Kotscho, diz a velha máxima nacional. ” Vazamento nos olhos dos outros é refresco . Quem vazou a informação ?
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK. Viva o Paraná!
    “Uso do cachimbo, entorta a boca ” KKKKKKKKKKKKK.

  3. No alvo, Mestre, faltou apenas lacrar o círculo da exótica condicionante do ‘vir e não vir ao caso’, utilizada pelas instituições republicanas e da sociedade civil, com apoio da mídia.
    Pois essa condicionante dá plena razão constitucional ao cidadão ‘Gilmar Mendes’ e não ao supremo toga falante Gilmar Mendes, em apontar a Receita criminosamente convertendo-se em Gestapo, ao selecionar cidadãos a serem investigados por critério político sob encomenda, inclusive, como no caso, o que antes não interessava vir ao caso, passar a ser interessante vir ao caso, como ocorrido com Eduardo Cunha, entre outros, e tendo-se o ex-presidente Lula como vítima maior da seletiva, e em seu caso, anunciada, ‘justiça’ de vir ao caso sempre, em explícito ‘lawfare’.
    Aproveito e chamo a atenção sobre passar praticamente desapercebidos o fato e o significado complementar da outra parte da tragédia, ontem, no Rio de Janeiro, relativa a morte dos treze jovens que, na desigual encruzilhada da peneira de suas vidas, entraram pelo caminho ‘em busca da bala’ ao invés do ‘em busca da bola’, no caso, ambos trágicos.
    Muito triste e estreito tudo isso e o Brasil inerme e prostrado.

  4. Reza a Constituição:” Todos são iguais perante a lei…”!.Na prática está comprovado essa lei lei não tem qualquer valor.Para que haja justiça – É obrigatório a todos a submissão as leis.Há um bom tempo eu questionei o tal:FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO.Eu questionei em site do youtube em 1990!.Temos visto diversos paradoxos dentro da própria Constituição “cidadã”.Nunca critiquei o juiz Sérgio Moro e seus colegas do MP.Pois,diante de leis tão burocráticas e as vezes paradoxais -Não é fácil aplicá-las.Bom final de semana a todos.

  5. Cá entre nós, a pergunta é outra. O fisco deveria fiscalizar além do Gilmar, o IDT “com o STF, com tudo”. A última que tentou fiscalizar a Petrobras, os bancos, as montadoras e as empreiteiras, mais a família Sarney, foi arrancada do cargo: a leoa Lina Vieira, em 2009, uma década atrás.

  6. Prezado Kotscho: “As instituições não estão em pleno funcionamento, como não se cansam de repetir?” Parece que não. Para essa elite dos togados as “instituições” são outras. E deve ter mais gente nessa elite com problema junto a Receita Federal. “Ei! Al Capone / Vê se te emenda / Já sabem do teu furo, nego / No imposto de renda.” (Raul Seixas).

  7. Kotscho, eu diria para o Ministro ir com calma, pensar com serenidade, ver de perto o que esta acontecendo. Talvez o leão não esteja tão furioso.
    O caso, por certo, tem semelhança com o “jus esperneandi”. Típico quando a decisão judicial incomoda ao cidadão.
    Seria assim, “leo pede metus” (espernear com medo do leão), ou “timorem leonis esperneandi”.

  8. Tenho pra mim que todos os balaieiros estarão de acordo:
    Se como dizem, Ciro Gomes der sinal verde de sua parte para Benevides e o PDT votar a previdencia bolsonariana com casca e tudo ou mesmo uma parte digamos, substantiva dela, então é o fim.
    Da linha. Dele e de seus planos.
    Nem acreditamos la muito nisso ainda. Deve ser intriga dos seus opositores.

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