Para esconder trombadas na economia, Bolsonaro vai ao Twitter chutar Haddad

Para esconder trombadas na economia, Bolsonaro vai ao Twitter chutar Haddad

A tática é manjada, mas assim é a “nova política” do bolsonarismo para engabelar sua galera de fanáticos

No dia seguinte à monumental confusão que provocou no meio político, ao trombar com sua equipe econômica, em vez de se explicar e pedir desculpas, capitão Bolsonaro voltou ao ataque.

Acompanhado dos filhos, foi ao Twitter e disparou uma mensagem atrás da outra sobre assuntos os mais diversos, sem tocar no principal: as mudanças nos impostos que anunciou, ao assinar  decretos sem ler direito.

O principal alvo foi Fernando Haddad, o candidato do PT derrotado nas urnas, que estava quieto no seu cantinho só vendo a banda da insanidade passar.

Na véspera, Haddad havia publicado em seu perfil o artigo de um jornalista alemão da “Deutsche Welle” sobre o anti-intelectualismo da nova ordem.

Bolsonaro veio com os dois pés para cima do petista, como se esse fosse o grande assunto do dia, e não a primeira crise em seu gabinete.

Reparem na finesse do estilo presidencial:

“Haddad, o fantoche do presidiário corrupto, escreve que está na moda um anti-intelectualismo no Brasil. A verdade é que o marmita, como todo petista, fica inventando motivos para a derrota vergonhosa que sofreram nas eleições, mesmo com campanha mais de 30 milhões mais cara”.

À parte o fato de que o capitão nem deve saber o que é anti-intelectualismo (deve achar que é um palavrão do “lixo cultural marxista”), Haddad destacou a “educação do moço, coisa de estadista”, e perguntou se ele já se sente seguro para um debate frente a frente, algo que evitou na campanha presidencial.

Bolsonaro não respondeu e mudou de novo de assunto para atacar o PT:

“Eles procuram e criam todos os motivos possíveis para estarem sendo rejeitados pela maioria da população, só não citam o verdadeiro: o PT quebrou o Brasil de tanto roubar; deixou a violência tomar proporções de guerra”.

Como se vê, o capitão reformado ainda não desceu do palanque e continua em campanha, em vez de cuidar dos seus afazeres presidenciais e evitar a bateção de cabeças dos primeiros dias.

Se assim foi na primeira semana, podemos imaginar o que ainda vem pela frente. Pela amostra, não corremos o menor risco disso dar certo.

E não me venham pedir otimismo: esta é a realidade em que vivemos.

Bem que eu gostaria de mudar de assunto, mas é impossível. Este governo esquizofrênico não deixa.

Bom domingo.

Vida que segue.

 

 

 

 

 

9 comentários em “Para esconder trombadas na economia, Bolsonaro vai ao Twitter chutar Haddad

  1. É só o começo, além do despreparo que é evidente, a arrogância dele, da equipe e dos pimpolhos, as cabeçadas que vão refletir diretamente na vida da população principalmente nos mais pobres, vai nos envergonhar perante o mundo pois qdo abre a boca é de chorar, escancara o grau intelectual. Esqueci a culpa é da petezada.

  2. Nem desceu do palanque, nem descerá.
    É ingenuidade acreditar que a direita deixará de espetar no lombo do dilmismo-petista todas as contas e faturas.
    Se a realidade e o “nonsense” dessa tática nada tem a ver com os fatos, “pior para os fatos” como diria Nelson Rodrigues. Se o genial cronista da vida como ela é fosse vivo, emendaria: “…e para os patos”.

  3. É evidente, para quem conhece política, que quem ganha governa ignorando a oposição, se não consegue governar e continua a atacar o opositor derrotado, ainda mais logo no inicio de seu mandato, apenas demostra um grande desespero, um despreparo e um grande medo do fracasso eminente de sua gestão. Receio que logo Bolsonaro procure um bode expiatório para conseguir continuar governando, coisa que, aliás, o fascismo e o nazismo fizeram no passado de forma contumaz…

  4. Prezado Kotscho: Conheci gente que fazia macrobiótica, mas, escondida dos outros, enchia o bucho de torresmo de porco na primeira oportunidade. Conheci gente que enfiava a rapadura debaixo do braço para ir ao culto e, depois, escondida dos outros, enchia a cara de cerveja no primeiro boteco da esquina. “A “nova política” do bolsonarismo para engabelar sua galera de fanáticos”, como você escreveu, trilha por esse caminho da mentira. É o estilo do fala, prega, enche bem o saco dos outros e faz uma coisa completamente diferente do que falou. Se colar, colou. Se não colar, tenta-se outra engabelação. Logo, de cara, a melhor saída é tomar distância disso tudo. Passar bem. E de preferência, passar bem longe.

  5. A tática de atacar o adversário e governo anterior, não foi criada pelo Bolsonaro.
    Haddad sabia q teria uma resposta e não vai parar tão cedo essas trocas de “gentilezas”.
    Bolsonaro criou uma grande confusão e caso continue com falas em desacordo com sua equipe, iremos ver reflexos no mercado financeiro. Espero q coloque logo um porta-voz e fique longe dos microfones, tem muito a fazer.

  6. Marize, alem do despreparo e arrogância dele e dos pimpolhos – e chegados & nomeados – a que voce alude, a gente nota que:
    — os sub e sub do sub todos mostram que não tem receio ALGUM de punição por quaisquer ilegalidades e atos ignominiosos que cometem ou queiram fazer. E ja fizeram vários -Não estão nem ai pra coisas de democracia, mesmo a formal.
    –Confiantes que nada lhes advirá nem pelo lado a) jurídico (stf,stj) b) midiático c) politico…
    Mas a rebordosa econômica sempre vem com um dia depois do outro.
    O mais inquestionavel e maior recorde da Historia do Brasil – o de maior numero de macrobesteiras no menor tempo possivel – ja é deles.

  7. Bolsonaro bateu cabeça nesta primeira semana, fruto de seu desconhecimento total dos assuntos que permeiam a administração federal. Como disse Ricardo Noblat: “porque não te calas?”
    É o que melhor ele tem a fazer, deixar que sua equipe tecnica cuida do varejo, enquanto ele deva ficar mais no “atacado” (e não atacando)
    Aliás, algum assessor deve lembrar Bolsonaro que nunca se deve chutar cachorro morto.

  8. Foi apenas um pequeno equívoco ; perguntaram para o Posto Texsaco , um engano .
    Quem será o porta-voz do Mito messiânico ? o
    twiter ? Suponho , pela amostra inicial, que êle
    terá muito trabalho pela frente e com certeza precisará de um assessor-tradutor das toscas
    palavras e pensamentos do chefe .

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