“Mito” diplomado mostra que vai governar como fez campanha: por fake news

“Mito” diplomado mostra que vai governar como fez campanha: por fake news

Ao ser diplomado presidente da República no TSE, nesta segunda-feira, Jair Bolsonaro foi recebido aos gritos de “Mito” pela seleta platéia de seguidores.

De fato, a sua eleição está mais ligada à mitologia nativa que cria tipos como João de Deus do que à escolha racional de um país civilizado do século 21.

Num texto mais adequado ao Facebook do que à pomposa cerimonia da diplomação de um presidente, a única coisa útil do seu discurso mambembe, lido com dificuldade, foi revelar que pretende governar exatamente como fez campanha, quer dizer, sem intermediários, sem debates, sem dar muita satisfação aos insatisfeitos.

Disse o eleito: “O pode popular não precisa mais de intermediação. As novas tecnologias permitiram nova ligação direta entre o eleitor e seus representantes”.

Esta “ligação direta” é feita por meio de fake news fartamente disseminadas nas redes sociais, sem nenhum compromisso com a realidade, destinadas unicamente a fazer propaganda enganosa do eleito, não a informar a população.

Em democracias normais, a intermediação é feita pela imprensa e pelo Congresso, mas Bolsonaro nutre por essas duas instituições o mais absoluto desprezo, como já demonstrou fartamente na montagem do seu governo.

Na realidade virtual em que vive, o presidente eleito trata notícia como fake news, como as denúncias do Coaf sobre “movimentações financeiras atípicas” no gabinete do seu filho Eduardo.

Seus milicianos na internet fazem o mesmo. Só eles são os donos da verdade, da luz e da salvação, o resto é coisa de “vermelhos”.

No trecho mais reproduzido do seu breve discurso na imprensa, em que nada falou sobre criação de empregos e combate à pobreza cada vez mais alarmante, os grandes dramas da tragédia brasileira, Bolsonaro produziu mais uma grande fake news, ao dizer que pretende governar para todos.

“Serei presidente dos 210 milhões de brasileiros (na verdade, somos 208 milhões, segundo o último censo do IBGE), governarei em benefício de todos, sem distinção de origem social, raça, sexo, cor, idade ou religião”.

Pouco antes, em reunião reservada com ministros do TSE, fez todo mundo orar com o pastor evangélico de um templo frequentado por sua mulher, no Rio, para mostrar que seu governo poderá ser tudo, menos laico. Só faltou dizer: ajoelhou, tem que rezar.

Se cumprir mesmo o que prometeu no discurso, fará o exatamente o oposto do que pregou durante seus 27 anos de deputado, em que combateu com furor todas as minorias identitárias e tratou a defesa dos direitos humanos como coisa de viado, comunista ou petista.

Por ironia do destino, Bolsonaro foi diplomado no mesmo dia em que se celebravam no mundo todo os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, o guia das nações civilizadas.

A data foi lembrada pela presidente do TSE, Rosa Weber, que por isso foi criticada pela deputada eleita Joice Hasselmann (PSL-SP), expoente da direta radical festiva:

“Achei que ficou um pouco chato, e até deselegante, desnecessário”.

Hasselmann falar em elegância é como Bolsonaro tratar de energia nuclear de terceira geração, mas esse era o clima na cerimônia de entronização da nova ordem.

Palavras e conceitos perdem o sentido quando eles falam como enviados especiais de Deus, marchando feito um exército de ocupação.

É o que nos espera, a 18 dias da posse.

Vida que segue.

 

 

11 thoughts on ““Mito” diplomado mostra que vai governar como fez campanha: por fake news

  1. Caro amigo Kotscho,essa direita raivosa sem conteúdo,vazia de conceitos e ideais democraticos que nunca tiveram força,encontraram esta “força” nos militares recentidos e também raivosos desde a queda da DITADURA e loucos para voltar ao poder , se uniram a alguns neopentecostais que professam sua fé através da discriminação e segregação de todos que pensam diferente deles!
    E esta turma que prentende unir o BRASIL?
    Não acredito nem na boa vontade dessa turma que é tão egoista,ganânciosa e com sede de poder que já começaram a brigar antes mesmo de assumir!
    Pobre do meu Brasil,nunca esteve em mãos tão ruins desde a DITADURA!
    Temos que resistir e nunca desistir!!!
    Força amigo! Estamos juntos na resistência!

  2. Caro e prezado grande repórter RK, os mais de 57 milhões de brasileiros que elegeram o mito(?)pagaram o maior mico, com jeitão de King Kong.
    Bolsonaro não é um bicho de sete cabeças. É de oito.
    E esse João de Deus?
    Passou o rodo em mais de 200 mulheres, segundo as denúncias, e vai ficar impune?
    Se entendi direito, John of God fazia sacanagens que não se faziam nem na Casa da Eny, o famoso bordel de Bauru(bom lembrar: prostituta costuma ter regras no pega pra capar).
    Tem sujeito que vai em cana quando mostra, de longe, a genitália para crianças e adolescentes.
    De um modo geral, qualquer toque na vítima – ou passada de mão – caracteriza estupro e dá cadeia.
    Neste mundo tem bobo pra tudo e alguém é sempre bobo de alguém, já cantavam Alcides Gerardi e Wilson Miranda.

  3. O exemplo de Macron e May são emblemáticos de que tudo supostamente novo e aparentemente bom, dura pouquíssimo e termina sempre mal.
    Quando não é realmente ‘novo’ e muito menos efetivamente ‘bom’, então as coisas logo desandam na própria lua de mel, como já se vê.
    Com uma filharada aloprada, um Rasputin astrológico, uma base parlamentar fanática, um assessor milionário pra Heriberto nenhum botar defeito e uma turma da bufunfa fechando a porteira da área econômica, a dúvida que ficar no ar é em que lugar, na escala de ruim a pior, o governo da direita militar, evangélica e neoliberal vai terminar em 2019. Pergunta que cala e consente: o que aconteceria se o assessor do filho do Lula pagasse um cheque da Marisa e se Lula explicasse que se tratava de um empréstimo do seu próprio bolso, não declarado, nem contabilizado, por um lapso de memória?
    Quem foi ao ponto nevrálgico do miliciano assessor atende pelo nome de Luis Nassif: o MP e a PF tem de investigar se os recursos do assessor não seriam originários das milícias cariocas, que idolatram o “seu” presidente.
    A retórica do eleito, quando traduz sua “ligação direta” com as massas, tem a ver, menos com as redes sociais mistificadas, e mais com a forma de lidar com a democracia direta adotada por Hugo Chávez Frias. Já há quem identifique no ‘messias’ um “Maduro da direita” sustentado a ferro e f ogo nas casernas e nas milícias bolivarianas.

  4. Todas as grandes ditaduras de caráter fascista, o que inclui Hitler e Mussolini, governaram sem intermediação. Creio que a grande maioria dos brasileiros ainda não se deram conta da imensidão da tragédia que se abateu sobre nós. Por sinal, é sintomática a pouquíssima atenção dada pelos blogs progressistas ao fim do Min. do Trabalho, que será sem dúvidas o mais duro golpe no trabalhador pela virtual destruição dos sindicatos.

  5. Esses ministros…………..num sei não!Gente esquisita!Deustrump,Cristo em pé de goiaba,cheques e dinheiros de origens e destinos desconhecidos,empresários pastores(sic)ricos,titular da economia Ch.boy(lembra o Al,ou o açougueiro chileno?Fundos de pensão no encalço!)Indiarada(nós)sifu com o M.do Meio Ambiente………Inda bem qui temos um astrólogo pra nus salvá.

  6. Prezado Kotscho: Se as “palavras e conceitos perdem o sentido quando eles falam como enviados especiais de Deus, marchando feito um exército de ocupação” como você diz o tal do “Escola sem Partido” que querem implementar lembra uma típica ideia nazifascista que já conhecemos da história. Outro dia assisti na TV ao belíssimo filme “Escritores da Liberdade” (Freedom Writers) e que pode servir de reflexão para esses tempos sombrios que se aproximam. Segundo a sinopse da Wikipédia ele “é um filme de drama norte-americano lançado em 2007. Dirigido por Richard LaGravenese e produzido por Danny DeVito, Michael Shamberg e Stacey Sher, o filme é estrelado por Hilary Swank, Scott Glenn, Imelda Staunton e Patrick Dempsey e é inspirados nos eventos reais relatados pelo livro The Freedom Writers Diaries, baseado nos relatos da professora Erin Gruwell e seus diversos alunos. Baseado numa história real, o filme aborda os desafios da educação, em especial num contexto socioeconômico problemático.” De fato, esse filme trata de um drama não somente norte-americano, mas também o drama sul-americano e, especialmente, o drama brasileiro.

  7. n
    Na Argentina nos anos 90 o entao presidente Carlos Menem tinha um mote, e com ele descrevia as ‘excelentes’ relaçoes de B Aires com Washington.
    Perguntado se eram boas, respondia com o sorriso “Si, si muy buenas y carnales”
    Pouco tempo depois o pais perdia tudo, ate a moeda nacional!!!!
    Agora o capitao bozo vai gozar no meio de relaçoes igualmente carnales que esta idealizando com o império.

  8. Malta tem o que? nada. Por isso tem q ser globalista. Singapura tem o que? idem, ´por isso.
    O panama tem o que? As maldivas tem o que?
    As riquezas de um pais são aquilo com que ele tem que jogar para ser bom e feliz.
    O brasil tem um povo grande e bom, materias primas infindas, sol, agua, tecnologias ja desenvolvidas e outras faceis de obter, petroleo a dar com pau, 8.000 km de costa e metade da infra estrutura por fazer.Por isso diferente de Malta e outros tem que mandar o globalismo a p*&#-+**iu e usar forte o que tem para ser alguem no mundo. -Em vez disso entregam o oleo, a industria pesada, a industria aeronautica, implodem a naval, e… pasmem – tem imbecil renunciando ao mercado arabe de carnes e ao mercado sul americano do Mercosul. A que ponto chegaram.
    Para conseguir isso, prenderam e calaram Lula e entronaram o ladrão libanes e seu sucessor fakenaro.
    Quando daque a 20 anos o Imperio de uoxinton estiver na poeira suja e esquecida, a China de partido unico e planos quinquenais estatais brilhar como o sol a todos as naçoes do mundo,
    os burrinhos mais da nossa zelite formados na Ivyleague e na europa vao perguntar: onde foi que erramos?
    Pois é.

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