Militares e evangélicos são a nova fonte de poder no Brasil dos Bolsonaro

Militares e evangélicos são a nova fonte de poder no Brasil dos Bolsonaro

Os generais estão voltando, sob o comando de um capitão reformado, mas não estão sozinhos para dar as ordens em Brasília.

Junto com eles, chegam ao poder os bispos da grana das igrejas evangélicas neo-pentecostais, que já nomeiam e vetam ministros.

Nada muito diferente de 1964.

Só mudaram as igrejas: naquela época, quem açulou os militares a tomar o poder foram bispos da igreja católica apostólica romana, que promoveram as Marchas da Família, com Deus pela Liberdade, e acenderam o pavio do golpe.

Igrejas e Forças Armadas sempre tiveram muito poder no Brasil. Juntas, podem eleger e derrubar presidentes.

Na semana em que os nostálgicos da ditadura militar comemoram os 50 anos do Ato Institucional Nº 5, o golpe dentro do golpe de 64, Jair Bolsonaro será diplomado pelo TSE ao final do processo eleitoral mais sujo e manipulado da nossa história.

Desta vez, não foi preciso colocar tanques nas ruas: o serviço foi feito nas redes sociais e nos tribunais, “tudo dentro da lei e da ordem, com as instituições em pleno funcionamento”.

Na manhã de sábado, reunido na Agência Pública, um grupo de jornalistas que já passaram pelas principais redações do país discutiu o papel da mídia que foi surpreendida pela onda conservadora bolsonariana nas eleições de outubro.

Nós, repórteres, não vimos germinar nos becos, nas quebradas, nos templos eletrônicos e nos quartéis, muito menos nos algoritmos das redes sociais, as novas fontes de poder.

Nas nossas agendas de fontes, já não havia militares nem religiosos como em outros tempos.

Sabíamos de cabeça os nomes dos generais do Alto Comando do Exército e dos principais líderes da CNBB, agora substituídos pelos cardeais do STF e cruzados da Lava Jato, que viraram astros da televisão ao vivo.

São difusos os interesses dos novos donos do poder, mas o objetivo é o mesmo de 50 anos atrás: tolher as liberdades públicas e rifar os direitos dos trabalhadores, para vender as nossas riquezas naturais na bacia das almas, e atender ao projeto dos grandes interesses multinacionais na Amazônia e no pré-sal.

Ao abdicar de uma política externa independente, para se oferecer como ponta de lança de Donald Trump na América Latina, os senhores proprietários de terras, gado e gente se uniram em torno do capitão para varrer do mapa os movimentos sociais e implantar seu projeto de concentração de renda e de poder.

Até o presidente do STF, Dias Toffoli, e o governador eleito de São Paulo, João Doria, fiéis aliados da nova ordem, já convocaram generais para suas equipes.

Nestes dias de reminiscências do AI-5, voltam as lembranças da época em que a segurança pública em São Paulo era comandada pelo famigerado coronel Erasmo Dias, que tinha tara para bater em estudantes, professores e operários.

Agora, em lugar do coronel, teremos um general e, em lugar dos generais-presidentes, assume um capitão reformado pelo Exército aos 33 anos, que virou deputado do baixo clero e em três décadas de atuação parlamentar nunca passou de uma figura folclórica, defensor da ditadura militar e seus torturadores.

Como a imprensa vai lidar com estas velhas novas fontes de poder, que já tratam repórteres como inimigos da pátria, a exemplo do que faz o presidente americano?

Repórteres, como sabemos, são esses tipos inconvenientes que querem saber: de onde veio e para onde foi o R$ 1,2 milhão do caixa eletrônico da família do PM motorista dos Bolsonaro?

Uma coisa é certa: não será fácil a lida dos jornalistas daqui para a frente para contar o que está acontecendo nos subterrâneos deste poder teocrático-militar.

E vida que segue.

 

12 thoughts on “Militares e evangélicos são a nova fonte de poder no Brasil dos Bolsonaro

  1. Eu imagino que realmente não vai ser fácil a vida dos jornalistas, a prepotência dos indicados é de arrepiar, não gostam de ser questionados, começou muito mas muito mal.

  2. Caro Kotscho, sob a inspiração de John Lennon, “imagine” um mundo sem líderes religiosos, sem militares e sem banqueiros. Seria o Paraíso assim como o Brasil já foi um dia antes de ser chamado “ilha” de Vera Cruz, quando de seu ACHAMENTO e invasão em 1500.
    Essa facilidade de dominação do nosso povo vem desde lá e está documentada na Carta de Caminha conforme trecho que segue para comprovação :
    “… Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem em nenhuma crença.
    E portanto, se os DEGREDADOS, que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer cristãos e crer em nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque, certo, esta gente é boa e de boa simplicidade. E imprimir-se-á ligeiramente neles qualquer cunho, que lhes quiserem dar. E pois Nosso Senhor, que lhes deu bons corpos e bons rostos, como a bons homens, por aqui nos trouxe, creio que não foi sem causa.
    Portanto Vossa Alteza, que tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da sua salvação. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim.”

    Aqui não tem terremoto, aqui não tem revolução, é um país” abençoado “, onde todo mundo mete a mão !!!

  3. Nada de novo, estamos nos desdobramento do golpe e 2016, que afastou Dilma e o PT do poder, continua perseguindo petistas e prendeu Lula e o mantém encarcerado em Curitiba. Nesses mais de dois anos no poder, após reintroduzir diretrizes neoliberais na economia, mantém mais de 12 milhões de desempregados, com mais de 25 milhões no desvio do bico, do desemprego, na precaríssima condição de empreendedor (?) individual, nas ruas e calçadas da cidade. Enquanto isso, os bancos e as grandes empresas monopolistas e oligopolistas, todos com lucros nas alturas, e os rentistas auferindo juros reais dos mais elevados no mundo. Além do desemprego, aumento da miséria e da fome entre os mais pobres. Desde de 2016 o país passou a adotar um política genocida contra o trabalhador e os mais pobres. Agora, o segundo ditador do golpe de 2016, trasvestido de presidente eleito, mostra que continuará nesse caminho, se puder aprofundando-o.

  4. ”Deus não quer que abras teu coração, mas que abras teu bolso”. by Maiscedo.
    A Secom vai abrir.
    Os olavos, os milicos e os neo-evangelicos terão outra imagem publica apos um ano de reinado do capitão Deixa.que.eu.chuto.

  5. Prezado Kotscho: Está mais do que na cara que um dos objetivos do governo de ultra-direita que vem pela frente será “vender as nossas riquezas naturais na bacia das almas” como você bem escreveu, ainda mais com o sinal dado pela nomeação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, um dos fundadores e presidente do movimento Endireita Brasil e que segundo o UOL de 09/12/2018 “é réu de ação civil pública ambiental e de improbidade administrativa, movida pelo Ministério Público de São Paulo em maio do ano passado.”

  6. Kotscho, coloca essa mistura de poder num liquidificador, no final joga um pedacinho de abacate, o resultado é que tudo fica verde e com gosto de abacate, onde tem milico, sempre sera assim.

  7. Nova fonte, Mestre?
    Está mais pra fossa, ao invés de água pura, só…
    Como entender possível matar-se seis reféns, cinco de mesma família, em inacreditáveis quatorze mortes, em assalto a bancos na cidade de Milagres (sic), no estado do Ceará, como se fosse a coisa mais novo normal do mundo?
    Como entender possível incendiar-se Vila Cordélia, em Curitiba, capital do Paraná, por suspeita de abrigar assassino de policial morto dias antes nas cercanias, como se admissível e novo normal fosse a consequência?
    Como entender possível executar-se dois integrantes do MST, enquanto jantavam no acampamento, na cidade de Alhambra, na Paraíba, como parte da rotina do novo normal?
    Como entender possível o motorista parça de pescaria e ‘caixa’ de família de bem, Queiroz, permanecer acima de tudo desaparecido e acima de todos não incomodado, pelas expeditas e diligentes, procuradoria, mídia e intocáveis antes falantes, lavajateiros?
    Como lembra Fernando Brito, a frase, “a morte de Jair Bolsonaro não interessa somente aos inimigos declarados, mas também aos que estão muito perto.” “– vai ganhando ares de profecia”, pois cá morre-se também em vida.
    Coisas do Brasil, como ‘Ato de ofício Indeterminado’, ‘Atribuição de bem’, ‘Sentença jogral no TRF-4’ e ‘Auxílio residência para juiz’.

  8. A ‘direita festiva’ está representada pela ofensiva reacionária dos costumes liderada pelo pastoreio evangélico endinheirado, fora do núcleo duro e dos centros de decisão.
    A ‘direita conservadora’ está refletida no estamento militar dominante do centro nevrálgico da decisão estatal.
    A ‘direita neoliberal’ está configurada na área econômica, que reafirma o predomínio da plutocracia e da alta finança.
    O bloco de poder e o grupo no poder consubstanciam as pautas econômica, social e política do espectro ideológico da direita, que não é, necessariamente, harmônico entre si. Até o momento, os problemas do “novo governo” brotam no seu próprio quintal, sem precisar sequer das oposições, por ora silentes e ainda fragmentadas.

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