Reforma trabalhista: 37,3 milhões sem carteira assinada ganham metade do salário

Reforma trabalhista: 37,3 milhões sem carteira assinada ganham metade do salário

“É horrível ser patrão nesse país” (Jair Bolsonaro)

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Bom mesmo, para o presidente eleito, é ser trabalhador sem carteira assinada, sem direitos, ganhando a metade dos empregados formais.

Para ele, que votou a favor da “reforma trabalhista” de Michel Temer, ainda foi pouco o que fizeram. Tem que arrochar mais os trabalhadores para deixar os patrões mais satisfeitos.

Temer prometeu que a sua reforma iria gerar novos empregos, mas aconteceu exatamente o contrário.

O que cresceu foi a informalidade, não o emprego, como mostram os novos dados do IBGE divulgados nesta quarta-feira.

Em 2017, já eram 37,3 milhões os brasileiros trabalhando sem carteira assinada, 1,7 milhões a mais do que em 2016, o ano do golpe.

É a multidão que se vê vendendo churrasquinho e cachorro quente nas esquinas, os peões de obra sem direitos trabalhistas, os camelôs tomando conta das calçadas, as empregadas domésticas que viraram diaristas, os bóias-frias na agricultura.

O total de trabalhadores informais no ano passado já atingia 40,8% de toda a população ocupada que exerce algum tipo de atividade remunerada.

Entre a população de negros e pardos, o índice dos “sem-carteira” é ainda maior, chega a quase metade (46,9%).

Na agropecuária, o carro-chefe da economia nacional, a informalidade chega a 66,8% entre os homens e 75,5% das mulheres.

Carteira de trabalho, que agora querem pintar de verde-amarelo, virou coisa do passado.

Para os patrões, não tem coisa melhor: os “sem-carteira” recebem, em média, 48,5% do que é pago aos com carteira assinada.

Se estão achando que ainda é pouco para arrochar o salário dos trabalhadores, fica só faltando revogar a Lei Áurea.

Não falta muito.

Com a extinção do Ministério do Trabalho, fatiado em secretarias sob o comando de Sergio Moro e do Posto Ipiranga, e da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), se depender da poderosa bancada do agronegócio, onde a informalidade é maior, vai acabar a fiscalização do trabalho escravo.

Quem achar ruim vai ser chamado de “vermelho”, inimigo da pátria, pessimista que torce contra.

Para quem sempre viveu no bem-bom do serviço público, como militar ou deputado, sem precisar bater ponto, o importante é melhorar a vida dos patrões que apoiaram e bancaram suas campanhas.

A nova ordem não está para brincadeiras.

E agora não tem mais essa história de pedir impeachment, batendo panelas e cercando patos amarelos.

Derrubar Dilma foi brinquedo de criança, com um simples peteleco.

Quero ver agora derrubar os generais perfilados em torno do capitão presidente no Palácio do Planalto.

Vida que segue.

 

31 comentários em “Reforma trabalhista: 37,3 milhões sem carteira assinada ganham metade do salário

  1. “Derrubar Dilma foi brinquedo de criança, com um simples peteleco.
    Quero ver agora derrubar os generais perfilados em torno do capitão presidente no Palácio do Planalto.”
    ——————————————————————–
    Visão perfeita dos fatos, Dilma não tinha base, apoio popular e faltou inteligência para enxergar q em 2014 deveria ter cedido o bastão ao Lula.
    Em caso do governo Bolsonaro naufragar, realmente tirar de lá será tarefa árdua.

  2. Caro amigo kotscho, o Brasil sempre foi campeão mundial de desigualdade social e quem tentar combater isto , é transformado em inimigo de toda essa elite que domina o país desde sempre!
    Nas crises essa elite é a primeira a exigir renegociação de dívidas,subsidios para seus setores e flexibilização da leis trabalhitas para no final a elite se salvar ilesa e o trabalhador pagar com sangue e suor o preço de todas as crises!!!
    Não tenho dúvida que este macabro governo que se anuncia irá arrochar ainda mais os trabalhadores e aposentados para no final dar boa vida a elite civil e militar deste país!!
    O que podemos fazer?
    Preparar para luta e resistir !!!
    Força Amigo !Estamos juntos na resistência!!!

  3. Não há nada além do crescimento econômico que possa gerar empregos. Tudo que for fora disto só servirá para concentrar renda e gerar pobreza.
    Só lembrando que isto, de uma certa forma, só acelerar um processo já dito e explicado cientificamente por um barbudo alemão.

  4. Caro Kotscho, saio pouco de casa desde que traumatizado por duas quedas seguidas, uma no metrô e outra causada por um buraco na calçada, que me abriram os dois supercilios, um de cada vez. Mas ontem não pude perder a confraternização dos meus amigos do Centro de Estudos de Mídia Alternativa “Barão de Itararé” no Bar dos Bancários do prédio Martinelli.
    Me assustei com a quantidade multiplicada de moradores de rua no centro de São Paulo, é muita gente, famílias inteiras até. Para muitos eles são invisíveis, são “nojentos” (reforço nas aspas) e alvos de tudo que é tipo de preconceito e que provocam nos “cidadãos de bem” (aspas no “úrtimo”) seus instintos mais selvagens e primitivos (li agora que nessa noite em Curitiba jogaram gasolina e atearam fogo mais uma vez em mais um morador de rua).
    Eu duvido que nesses tempos de celebração da sacrossanta burrice nacional, algum dos coxinhas que aqui escrevem já pararam alguma vez para conversar com pessoas nesta situação, pois eu fui lá falar com uma dessas famílias (um casal e dois filhos pequenos) que me deixaram profundamente comovido. Me contaram que estão na rua há dois meses por não poderem mais pagar aluguel, que vendem bugigangas de dia pra comprarem comida, que os parentes estão em situação igual ou pior e que trabalho não há.
    Chegando no bar contei dessa conversa para os amigos e um deles, que esteve recentemente em Buenos Aires, disse que por lá está pior. Já outro contou de Paris.
    CONCLUSÃO: Por onde passa o neoliberalismo dos “Chicago Boys” (essa denominação é do Noam Chomsky) a terra é arrasada!!! Na França de Macron, na Argentina do “Marinho” ou no Brasil de Temer e do Bozo é tudo igual. Deve ser mesmo muito horrível ser patrão nesses países, que o digam Francisco e Aparecida, casal com quem conversei ontem a noite e de quem a minha mulher comprou um lindo jogo de toalhinhas bordados pela própria Cidinha (ela disse que podíamos chamá-la assim)
    A VIDA não está seguindo muito bem

  5. Prezado Kotscho

    Isso que você escreveu me parece plágio de Germinal, escrito por Émile Zola, descrevendo a situação dos mineiros franceses há cerca de dois séculos. O que está descrito em seu texto é praticamente o mesmo que o francês descreveu.
    Pode ser que eu esteja errado em atribuir a você o plágio. Mais adequado seria atribuí-lo às turmas do dandi “francês” Temer e do Bozo, aperfeiçoador de sua obra.
    Se começaram a ler o livro não chegaram ao final. Seria bom que o fizessem.

  6. Mestre, para quem está estupefato com, “É horrível ser patrão nesse país”, é bom já ir se preparando para logo mais ouvir: “O trabalhador deveria dar graças ao Patrão que possibilita-lhe emprego”.
    E assim, de boemia em boemia, aqui teremos de regresso o suplicante te peço, “um emprego pelo amor de Deus, Patrão/Patroa!”
    Ele voltou! O Brasil colônia voltou novamente.
    Resta ao povo descobrir que custa-lhe até a alma o regressar, para remar tudo de novo e chegar até onde ‘não quis’ avançar.
    Coisas do Brasil, como ‘ato de ofício INDETERMINADO’, ‘ATRIBUIÇÃO DE BEM por terceiro’ e BENEFÍCIO MORADIA a juízes que tem moradia(s).

  7. Em termos de matéria trabalhista, estamos todos dentro daquele maxima: “Em casa que falta pão, todos gritam e ninguem tem razão”.
    Com reforma ou sem reforma, o Brasil é o único pais do mundo, que o empregado com carteira assinada, trabalha 11 (onze) meses no ano e recebe 14,3 salários. Isso sem contar os inumeros feriados e pontes durante o ano. Só no mes de novembro, tivemos 3 feriados e uma ponte em que grande parte – funcionários publicos todos – emendaram uma semana.
    Remunerar condignamente quem trabalha é uma questão até humanitária, mas para isso precisa produzir… e aqui definitivamente “produzir” nunca foi a primeira necessidade

    1. Jose Antonio, com esses trabalhadores vagabundos patrão sofre…
      Bolsonaro tem razão. Ganham fortunas e deixam todo o serviço para o patrão.
      Tem mesmo que acabar mesmo com esta de tal de Lei Áurea e botar todos no tronco. .

    2. A solução é simples e basta copiar dos países de 1º mundo, contrato por hora trabalhada e tempo determinado. 160h/mensal, trabalhou mais, a hora extra é acrescentada, o bom funcionário é chamado, o ruim fica em casa e faz as suas 160h por mês. Contrato de 6 meses, renova por 1 ano…. foi bem, ganha o indeterminado, não é bom, fique em casa repousando.

  8. Veja voce que em nenhum momento me referi ao trabalhador como “vagabundo” . A minha mensagem é que na forma que a lei trabalhista está posta é que possibilita esta deformação na produção coletival. Como é que se consegue remunerar bem, algo que consegue fazer uma ponte de feriado por uma semana. Um processo na justiça leva anos e anos para concluir, juizes todos clamam por excesso de serviços, mas todo o funcionalismo publico fizeram uma bela ponte entre os dias 15/11 e 20/11. Salário digno é obrigação moral, contrapartida com o serviço se faz necessário.

    1. Caro jose antonio,direitos trabalhistas existem no mundo inteiro e não é jabuticaba como pensa voçê e o mourão!!!
      Direitos trabalhistas nunca quebram nenhuma economia do mundo pois são direitos de quem produz!
      O que quebra a economia brasileira é principalmente as grandes empresas e grandes clubes de futebol que recolhem o inss ( e outros impostos)dos trabalhadores e não repassam para o governo(só para terem a oportunidade de aderir ao refins e continuar sem pagar e usar esse dinheiro que não é deles para fazer caixa e investir no mercado financeiro) causando um rombo cada ano maior no governo!!!
      Esses grandes clubes e grandes empresas devem bilhões ao governo e não pagam!!!
      Acorda jose antonio, não é trabalhador e muito menos funcionalismo público que quebra a economia!!!
      Antes de emitir suas opiniões, leia sobre o assunto que vá opinar,para evitar de fazer comentários baseados em achismo ou fake news do zap e depois passar vergonha!!!!

      1. jOSE CARLOS, Voce demonstra pouco conhecer a legislação e fala besteira ao emitir opinião. Empresa que desconta INSS do empregado e não repassa ao governo, é tratado na lei como apropriação indébita e é passivel de prisão. Nenhum refis ou parcelamento contempla impostos descontados e não recolhidos, mas sim a parte devida pela empresa.
        Agora aplicar as sanções que a lei permite para estes fraudadores e uma questão de governo.
        Se isso vem ocorrendo e o governo não aplica a lei, vem exatamente ao encontro dos gatunos que surrupiam dinheiro publico, com aval de governantes, talves até mesmo levando alguma propina. O remédio para isto chama-se CADEIA

  9. Kotscho, esse comentário tem a ver com o POST anterior. Os blogs, sítios, grupos de whatts “esquerdistas” não deveriam mais aceitar comentários de pessoas que divergem dos seus princípios, formar um núcleo duro de leitores e comentário afinados, e aos poucos ir agregando os descontentes com esse governo do Bozo, que em breve serão milhões. Ser democrático agora e fazer a alegria dos bolsonazi.

    1. Basta observar a qualidade dos comentários de bolsominions para saber que eles não são publicáveis na área de comentários de quaisquer sites .

      é por isso que a gangue se reproduz com tanta facilidade em vídeos do youtube e grupos zap de baixo nível moral.

  10. ja falei esse minto vai afundar o q restou do viagrento temer,e o collor de melo 2 em verssao piorada so seis meses e a coisa vai comesar a feder.

  11. Prezado Kotscho: Também “Quero ver agora derrubar os generais perfilados em torno do capitão presidente no Palácio do Planalto.” E um dos caminhos que vejo é para daqui a menos de dois anos, elegermos bons vereadores e prefeitos, progressistas, comprometidos com os movimentos e as organizações sociais, para começarmos a corroer a base da pirâmide fascista do governo federal. Será que existem outros caminhos?

  12. Eh, Moises, eu tento vislumbrar todo o dia onde e como eles vao(começar a) se perder. Mas nao consigo ver onde nem quando nos, o povão, vai começar protestar de forma eficaz, a coloca-los contra a parede.
    As zelites aderiram apos um pequeno vacilo em outubro: agora esperam “retorno” total e rapido.
    Se não vier, das duas uma – ou o Capitao Deixa.que.eu.chuto se submete a eles ou eles vao tentar liderar a nós… contra o
    novo fascismo. vamos aceitar essa fucinheira?

  13. O que causou o desemprego foi a terrível recessão causada pelo PT e não a reforma trabalhista. Ao contrário, no último ano a taxa de desemprego caiu. O país saiu de uma catástrofe ( recessão de -7% em dois anos, algo nunca visto na história do Brasil), para um crescimento em torno de 1%. Mais de 1 milhão de pessoas – que estavam desempregadas – conseguiram emprego formal. É pouco, óbvio, mas atenua um pouco a destruição causada por vocês (pt e assemelhados) . Seria mais honesto e produtivo fazer uma mea culpa e assumir os erros ao invés de apontar dedos acusatórios contra os que estão tentando ajudar o povo. De novo: estou aqui para mostrar que o que vocês dizem, defendem ou acham só faz sentido entre vocês , que vivem numa bolha, alienados da realidade. O mundo real – do povo de verdade – acha este papo de vocês ridículo. Saiam da bolha e falem com o povo – eu faço isso todos os dias – e verão a realidade.
    Adaptando Chacrinha: em vim para contestar e não para bajular. Abçs.

    1. Paulo, quando tiraram a sra. Dilma a taxa de desemprego no Brasil era de 7%. Agora está em 13-14%. Depois da redemocratização, o período de maior crescimento no país foi nos anos do governo Luiz Inácio. O IBGE diz. Não force a barra, rapaz… você é capaz de fazer melhor. Lembre-se do A.Lincoln:”É melhor ficar calado e deixar que as pessoas…etc, etc, etc…”. Você conhece, não?

    2. Você veio para ser idiota, porque só um idiota pode pensar que o povo é idiota!
      Coaduna-se com a velha máxima: “quem é ruim não quer ser só!”

  14. Está bem caro Kotscho…
    Difícil mesmo é acreditar, que um dono de farmácia, padaria, mercearia, ou supermercado, até uma um industrial de grande produção, decida por prazer, “que assim não vou empregar mais ninguém… só vou dá emprego se aumentarem os direitos dos trabalhadores, e custar mais caro para mim, pois só assim não terei mais tanto trabalho de ficar contando tanta sobra no caixa da farmácia, padaria, mercearia, tampouco, o grande empresário não terá o doloroso desprazer de contratar um carro forte para levar tanto dinheiro que sobra, por não pagar mais direitos aos trabalhadores….”SQN.
    Faz me rir!!!

      1. Pois é Kotscho, quando parares de rir, tente explicar a equação, de quanto maior o custo de um empregado para o empregador, maior
        também será a disposição dos empregadores para aumentar o número de empregados!!

        1. Seguindo esse ‘magistral’ raciocínio pascaciano (mistura das escolas de Pascácio e Acácio), se conseguirem fazer o custo do ‘empregado’ tender a zero, logo não teremos mais desempregados no Brasil.
          Voltaremos não apenas os 50 anos prometidos, mas 500 anos.
          Que maravilha!
          Pleno emprego com todos ‘contratados’.
          Que coisa mais linda a lógica pascaciana…
          “E a gente no meio da rua no mundo, no meio da chuva, a se danar, que maravilha, a se danar, que maravilha…”

  15. A direita sempre foi isso mesmo. A diferença hoje é que perdeu de vez a cerimônia. Como já disse o Netho: a direita bruta juntou-se à direita festiva.

    1. Karla, é vero que a direita sempre foi isso aí, mas realmente decidiram jogar ao mar todos os escrúpulos, sobretudo quanto ao pacto entre capital e trabalho. O resultado está expresso nos resultados relacionados à concentração social da renda. A ONG internacional Oxfam aponta que exatamente meia dúzia das pessoas mais ricas do Brasil têm o mesmo patrimônio que a soma da metade mais pobre do país. A WID (World Wealthand Income Database) identifica o Brasil hoje como sendo o líder mundial em desigualdade, atrás até mesmo dos sofríveis países da África e do Oriente Médio.

  16. “Realmente, como diz o presidente eleito Jair Bolsonaro, é um inferno ser patrão no Brasil, coisa que ninguém mais quer.
    Estão todos indo para o Bolsa Família, receber R$ 200 por mês” (Royalties para Fernando Brito – O Tijolaço).
    Escrevo eu: então digam aos Setúbal que deixem de ser patrões e sejam bancários.
    “É curioso que tirar 40 milhões da linha de pobreza em dez anos é fruto de um descalabro de política econômica, mas aumentar em 2 milhões o número de pobres em apenas UM ANO ano é visto como uma “recuperação econômica”.
    Ah, sim, a propósito: em dois sites, apenas, o aumento e o agravamento da pobreza no Brasil são manchete: A BBC, inglesa, e a Deutsche Welle, alemã.
    Só mesmo lá para a dor da gente sair no jornal” (Royalties para Fernando Brito – O Tijolaço).

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