O que podemos esperar e como nos preparar para o Brasil de 2019?

O que podemos esperar e como nos preparar para o Brasil de 2019?

Durante três dias, um grupo de 30 brasileiros discutiu neste final de semana, durante encontro de grupos de oração, os possíveis rumos do país no próximo ano e de que forma podemos nos preparar para o ano que virá.

Entre orações, meditações, silêncios e leituras de textos, repetimos o ritual de sempre nos retiros, como acontece faz 40 anos, a serem completados em 2019.

A partir da iniciativa pioneira de psicanalistas do Rio reunidos em torno de Hélio Pellegrino, em 1979, que queriam aprofundar sua espiritualidade, sob a orientação do dominicano Frei Betto, grupos de orantes foram surgindo também em São Paulo e Belo Horizonte, a partir dos anos 80.

Em São Paulo, participei da formação do primeiro grupo de oração, formado por jornalistas que fizemos uma entrevista com Frei Betto para o “Pasquim”, de saudosa memória.

Para celebrar o aniversário desta grande confraria espiritual, marcamos um retirão para junho, no feriadão de Corpus Christi, em São Lourenço(MG), e estamos agora convidando dezenas de companheiros que passaram pelos grupos durante este período.

O clima generalizado de insegurança, medo de um retrocesso institucional e de perseguições políticas, já anunciadas em diferentes manifestações da nova ordem, pode ser resumido na dúvida lançada por uma professora ligada a movimentos sociais de educação popular:

“Mas será que vai ser possível fazer o retirão no ano que vem?”

Alguns até acharam graça no temor da colega, mas havia boas razões ali para pensarmos juntos em caminhos possíveis para enfrentar os novos desafios que certamente virão.

Nós estávamos preocupados com o que poderia acontecer a Frei Betto, a alma e o coração desses grupos, que foi nominalmente citado como um dos “vermelhos” a ser abatido pelo ministro nomeado por Bolsonaro para a Educação, o colombiano Vélez Rodrigues, indicado por Olavo de Carvalho.

Betto tratou de tranquilizar todo mundo e deixar bem claro: “Aconteça o que acontecer, eu não vou sair do Brasil. Já passei quatro anos preso durante a ditadura, sei o que é isso, mas prefiro ficar preso aqui do que ir embora”.

Quer dizer, se depender dele, vai ter retirão o ano que vem, de qualquer jeito.

Como a maioria dos integrantes dos grupos é formada por profissionais liberais, genericamente classificados de esquerda, jornalistas, advogados e professores, ouviram-se vários testemunhos dando conta de que o cerco já começou, embora falte ainda um mês para a posse do novo governo.

Para se contrapor a essa ofensiva, cada um na sua área também relatou a formação de núcleos de defesa da liberdade de cátedra e de expressão, iniciativas que vão se multiplicando pelo país, sem que haja uma coordenação ou programa comum.

“É preciso fazer alguma coisa antes que seja tarde”, ouvi de vários companheiros nos intervalos de lazer e durante as refeições.

Fazer o quê exatamente, aonde, como, com quem?

Com o gradativo esvaziamento de tradicionais movimentos sociais ligados às igrejas, universidades e sindicatos, dos quais muitos de nós participamos, desde a redemocratização do país, pela qual todos lutamos, parece que os velhos militantes de outrora andam ainda meio perdidos, diante do cenário de ameaças às liberdades democráticas que se avizinha.

Na verdade, nenhum de nós poderia sequer imaginar a repetição de um drama que vivemos, especialmente nos anos 60 e 70 do século passado, no auge da ditadura militar, quando ainda não havia grupos de oração.

Até os grupos de jovens que se formaram nos anos seguintes já têm hoje orantes de cabelos brancos e, os mais veteranos, apenas esperavam viver em paz o tempo de vida que lhes resta.

Uns se preocupam com os filhos ainda pequenos; outros, com o futuro dos netos.

Agora, é preciso reunir forças para começar tudo de novo e não perder os nossos direitos de cidadania, tão duramente reconquistados, nem faz tanto tempo.

Saber que não estamos sozinhos, cada um no seu quadrado, e que as seguidas demonstrações de intolerância ameaçam a todos igualmente, é o primeiro passo para sairmos do imobilismo e nos organizarmos em defesa dos mais vulneráveis.

Com a falência dos partidos e das lideranças da chamada sociedade civil, que entraram em prolongada hibernação faz tempo, o quadro que se desenha à nossa frente é ainda mais preocupante do que no tempo em que nos juntamos todos em defesa das eleições diretas para presidente da República, em 1984.

Quem sabe surjam agora os novos líderes para substituir a geração 68 surgida nas lutas pela redemocratização do país.

Vivemos um final de ciclo, em todas as áreas, e é nestes momentos que se revelam também novos caminhos e lideranças capazes de nos unir novamente em torno do bem comum.

As forças nem tão ocultas, daqui e de fora, que se opõem à democracia e defendem medidas de exceção, são as mesmas que se uniram e venceram em 1964, e nos afundaram na longa noite do arbítrio.

Para quem não quer ver esse filme de novo, só tem um jeito, além de rezar bastante: em primeiro lugar, vencer o medo e, aos poucos, ir criando novas formas de organização no mundo digital dos algoritmos, para podermos lutar com as mesmas armas que decidiram as eleições de outubro.

A dificuldade é maior para dinossauros analógicos como eu, mas, enquanto puder continuar escrevendo aqui, vou cumprindo meu papel de denunciar o que está acontecendo e alertar para o que ainda pode vir pela frente.

Faltam apenas quatro semanas para o dia 1º de janeiro de 2019.

Vida que segue.

 

29 comentários em “O que podemos esperar e como nos preparar para o Brasil de 2019?

  1. Caro amigo Kotscho, numa conversa com um amigo meu a mais de 20 anos ele me disse que estava preocupado com as mentiras que estava ouvindo, e eu disse que ele deveria se preocupar com a verdades que ele ouvia! E ele me perguntou por que?
    Eu disse a ele que se alguém nos contar uma mentira por mais absurda que seja,e nós acreditarmos passaremos a defende-la como verdade absoluta,defendendo e espalhando-as!
    Relembro esta estória para mostrar como essa nova ordem funciona, combatem todas a idéias que não lhes agrandam com mentiras espalhadas via redes sociais e muitas pessoas acreditam defendem e espalham estas mentiras!
    Estão construindo um castelo de areia,feito sobre um alicerce de mentiras! um dia tudo isso vai ruir!!
    Cabe a nós resistir, propagando a verdade e derrubando
    todas as mentiras por eles lançadas na rede!!
    É uma guerra de guerrilha que só será vencida se soubermos lutar com as mesmas armas deles!!
    Força amigo! Estamos juntos na resistência!!

  2. Estamos juntos. Só precisamos de uma coordenação pois, como você disse, estamos como baratas tontas. Quanto mais tempo passar para descobrirmos o caminho, mais difícil será vencer a batalha. Mesmo depois de 71 anos vividos, continuo me indignando e movido pelos mesmos ideais de combate a ditaduras, sejam explícitas ou simuladas.

  3. Neste momento, o único que vem apontando uma linha de ação concreta é o Rui Costa Pimenta, do PCO. Os partidos ditos de esquerda aparentemente ficarão na luta parlamentar, com discursos e entrevistas. O caminho é voltar para o povo, cada um deixando sua solidão e agregando no seu sindicato, em sua associação ou com amigos no bairro ou no trabalho. Só discurso de indignação não basta. Vamos lembrar que, na Itália fascista, onde o povo se organizou e lutou, o fascismo não avançou

  4. Millor Fernandes tinha uma frase que resume o artigo do Kotsho: “ Democracia é quando eu mando em você; ditadura é quando você manda em mim”. Em 1994 e 1998, alguns dias após perder as eleições o pt saiu pregando o “ fora FHC”. Agora vem com esta conversa de “ resistência “ e outras bobagens. Ou seja, para o pt e os seus, democracia só se os “ companheiros” ganharem as eleições. O fato, porém, é que vocês se tornaram irrelevantes, não representam ninguém a não ser pequenos grotões e bolhas de lunáticos raivosos. O que eu estou fazendo aqui? brigando com vocês, oras, tem coisa melhor do que brigar com petista?

    1. Tadinho, que bobão!! Ninguém nem percebeu sua existência, nem mesmo eu, que aqui digito mais para cumprimentar o Kotscho. Salve, companheiro, obrigada pelo texto ótimo, vamos nos juntando, fazendo desenhos vermelhos e bordando encontros. Vamos sair desse pesadelo.

    2. Isso que você descreveu vale para todos, partidos, agremiações políticas etc. Quando o seu candidato vence, o eleitorado é inteligente, bem informado e coisa e tal. Quando não vence, esse mesmo eleitorado é idiota, mal informado, nordestino e coisa e tal.
      Você se lembra do “Fora, Dilma”?
      Quanto a brigar com petistas, continue. Você ficará cada vez mais inteligente.

  5. Os movimentos sociais e sindicatos minguaram pela falta de nossos impostos. Os cidadãos bancavam sem saber
    manifestações e farras travestidos de lutas sociais, mais que na verdade defendiam grupelhos que tinham aparelhado as instituições. Agora sofrendo da abstinência do dinheiro público tentam fazer vaquinhas para pagar até campanha política que outrora era regada a corrupção das estatais. Agora precisam se reinventar para saber viver sem o dinheiro suado do trabalhador. Esse é o novo desafio que a dita esquerda terá que enfrentar. O resto é só torcida para quanto pior melhor Vida que segue

  6. Caro Kotscho,
    Já vivi este filme que está para ser reprisado, dentro de uma cela do DOPS. Não imaginei que viveríamos novamente estes tenebrosos momentos. Não consigo imaginar outra forma de resistirmos, que não seja através da união dos partidos progressistas, usarmos as redes sociais como forma de divulgarmos e compartilharmos a verdade a todos os brasileiros, e voltarmos para as ruas, ou, alguém acredita que só os progressistas sofrerão com o regime de exceção que se instalará no país ?

  7. Mas será que o povo brasileiro temos todo esse apreço pela democracia?

    “Democracia não paga as contas, não protege do homicídio, não dá emprego nem prosperidade. É assim que os latino-americanos em geral e os brasileiros em particular entendem os regimes políticos. O que resolve os problemas dos cidadãos são governos eficazes. Se estes forem democráticos, gostamos da democracia. Por outro lado, se a economia está péssima, quem governa nos parece incapaz, os serviços públicos não funcionam, a nossa vida parece horrível e o governo for democrático, para que então, serve a democracia? Em suma, quem gosta de democracia é intelectual; o povo gosta mesmo é de um governo que resolva os seus problemas. Para o deprimido brasileiro de 2018, a democracia é um luxo que ele nem considerou se conceder”.

    https://revistacult.uol.com.br/home/quem-gosta-mesmo-da-democracia/

  8. O primeiro teste do grau de tolerância democrática diante das milícias ideológicas tem data marcada: o lançamento do filme “Marighella”.
    Por quê? Quem sobreviveu ao golpe e à ditadura militar de 64 sabe os porquês!
    A tensão política e cultural chegou ao auge quando o Comando de Caça aos Comunistas invadiu, em São Paulo, o teatro onde “Roda Viva”, de Chico Buarque, estava em cartaz. Os membros do elenco foram espancados e maltratados. O cenário teatral foi destruído junto com o equipamento técnico. Dois meses depois, no Rio Grande do Sul, a mesma peça reentrou em cartaz e os atores também foram agredidos. O espetáculo, a partir daí, foi proibido. Dois meses depois, os Teatros Gil Vicente (RS) e Opinião (RJ) sofreram atentados a bombas. Flavio Rangel foi parado na rua e sua cabeça foi raspada. A magistral atriz Cacilda Becker foi demitida da TV Bandeirantes.
    A conferir.
    A estréia de “Marighella”, com Seu Jorge no papel do guerrilheiro da ALN, será em 18 de abril de 2019.
    Direção e produção de Wagner Moura.

    1. Aguardando ansiosamente, estarei no cinema no primeiro dia. Sou da geração do Rei da Vela, cheguei a ver a encenação no teatro João Caetano, se não me falha a memória, em 1968, bem jovem e antenada com a cultura infratora que transgredia as imposições da ditadura. Agora será a mesma postura – vamos viver tudo que tem de ser vivido, encontraremos uma forma de enfrentar esse obscurantista governo de vendilhões da pátria e larápios montados em fake news. Abraço, Vera

    2. Houve aquele caso no Rio em que os trogloditas do DOPS – hoje seriam os seguidores do Boçalnaro – invadiram um teatro onde estava sendo encenada uma peça e eles queriam prender o autor. Disseram a eles:”Bem, o autor – um grego – morreu há uns dois mil anos”. Esse era o nível dos bolsominions da época. Quá-quá-quá…

  9. Prezado Kotscho: Estou de pleno acordo com você que “Agora, é preciso reunir forças para começar tudo de novo e não perder os nossos direitos de cidadania, tão duramente reconquistados, nem faz tanto tempo.” Mas, por exemplo, a indicação do ministro da Educação nos dá uma pista que futuras ações nessa área vital apontam para a direção da ultra-direita. Ao contrário desse cenário, outro dia assisti ao emocionante filme “Uma lição de vida” (The First Grader) que é baseado em fatos reais e conta a história de Kimani Maruge, um queniano analfabeto de 84 anos que procura uma escola de crianças para se alfabetizar. Num determinado momento o velho senhor diz: “a aprendizagem não termina até você ter terra nas orelhas.” Uma frase que demonstra uma lição de vida, de persistência e de resistência. A “Escola sem Partido” que o governo fascista quer enfiar goela abaixo da nossa sofrida gente vai na contramão da história mais recente dos povos que brigam pela liberdade. Nesse sentido vale lembrar que “a tendência democrática de escola não pode consistir apenas em que um operário manual se torne qualificado, mas em que cada cidadão possa se tornar governante”, como um dia escreveu Antonio Gramsci. Aliás, esse sempre foi o medo da classe dominante, e que agora volta ao poder, para aniquilar de vez com essas conquistas.

  10. Aluízio Ferreira – o principal líder sindical bancário da Era Goulart – foi sequestrado por agentes da repressão no dia 9 de maio de 1971, após ser alcaguetado pelo “cabo Anselmo”.
    Sua prisão e morte foram denunciadas pelo preso político Altino Dantas, em carta enviada do Presídio Romão Gomes, de São Paulo, em agosto de 1978, ao general Rodrigo Octávio Jordão Ramos, ministro do STM que se posicionava contra às violações de Direitos Humanos. O sindicalista foi levado ao Doi-Codi comandado pelo major Brilhante Ustra, onde foi supliciado. A prisão de Palhano foi testemunhada pelo militante do MR-8 Nelson Rodrigues, filho do dramaturgo, que esteve com ele no Doi-Codi-RJ. O sindicalista foi enviado à “Casa da Morte de Petrópolis” antes de ser despachado à capital paulista, onde foi, finalmente, assassinado.( da Agência Brasil- Poder360).
    Não haverá apoio institucional e suporte material aos movimentos de reparação e identificação associados à Comissão da Verdade para localização dos desaparecidos por parte do “novo” governo, especialmente àqueles que disserem respeito aos vitimados sob a responsabilidade de Brilhante Ustra, inspirador do “novo” presidente.

  11. Oração, seja qual for ela, sempre é bom e faz bem para alma.
    Agora sofrer por antecipação dos fatos, em nada ajuda a resolver uma situação, principalmente quando o ambiente ainda não é conhecido. Julgar pelas palavras de aqui e acolá, tentando fazer disso uma perspectiva do que pode acontecer, realmente não faz bem para a alma.
    A julgar pelo curriculum dos indicados para cargos de comando no proximo governo, posso dizer que está muito longe deste panorama demonstrado neste post.
    É claro e evidente que a formação deste novo governo tende à direita e também mais conservador nos usos e costumes.
    Com isso, aqueles ditos “movimentos sociais’ acostumados a mamar nas tetas gordas de governos populistas, estes certamente sofrerão com o desmame.
    Já do ponto de vista politico e ideológico, arrisco-me a dizer que este governo oferece bem menos riscos do que aqueles ligados , por exemplo, a ideologia aplicada pelos integrantes do Foro São Paulo, que ambicionavam tornar o cone sul como área de dominio de politicas nada democráticas.
    É esperar para ver. A assombração é bem menor do que o temor dela.]
    Nada que com um pouco de oração e bom senso possamos nos reencontrar.

    1. Jose Antonio, em primeiro lugar, seja mais respeitoso com os movimentos sociais, sem aspas.
      Ademais, só você, o Olavo de Carvalho e o novo chanceler ainda têm medo do Foro de São Paulo e dos “vermelhos”, com aspas.
      Quem vê fantasmas são vocês. Por aqui, as ameaças são bem reais e se multiplicam a cada dia.

  12. Considero o texto do amigo Kotscho sempre realista e os pés fincados no chão, geralmente duro de se pisar. É bom que haja espiritualidade pois é uma fonte secreta de energia e de resiliência e por fim também de coragem.
    Eu espero dias sombrios para muitos de nós.Precisamos salvar nossos pescoços porque a cabeça sozinha não se sustenta.E ele querem o nosso pescoço no estilo do Estado Islâmico (se tomarmos a sério as bravatas dos filhos do JB)
    Repito o que dizia o Quixote: no hay que aceptar las derrotas sin antes dar todas las batallas. E nisso estamos com coragem.

    1. Por falar em “pescoço”, a leitura da entrevista de Mark Lilla à Época há dois dias informa, exatamente, aonde foi parar o pescoço da esquerda brasileira e o porquê: “Imagine que a esquerda brasileira está numa luta contra Bolsonaro. Agora, Bolsonaro está com as mãos no pescoço da esquerda. Ela precisa resistir, mas também precisa nocautear Bolsonaro. Só falar de resistência não é suficiente”.
      Trata-se de uma análise verossímil e razoável sobre o nocaute sofrido pelo PT, seus líderes e, de cambulhada, a esquerda como um todo.

  13. Caro Kotscho, com todo respeito aos religiosos e às religiões, acreditando que até somar pessoas que não são tão religiosas assim, pode contribuir de alguma forma. Pois como dizia meu avô, que nem cheguei a conhecer, quem em Deus não acredita, sabe que Deus reconhece que ele não acredita não é porque não quer, é porque não pode. E seguindo ainda com todo respeito, em política temos muito mais a fazer e exílio não é pior que morrer. Mas sou daquelas que acredita que o barulho dos trovões é maior que a tempestade que cairá sobre nós. Por isso mesmo acredito que muito se poderá fazer em termos de organização, a começar por se independer de apenas um partido como tem acontecido em relação ao PT. Se o PT erra, erram todos. Se o PT acerta, rezamos todos o mesmo terço. Algo precisa se democratizar, até mesmo na esquerda. E estamos jovens nos nossos 65, 70 anos. Veja o caso de nossa amiga Margarida Genevois, lutadora e de prontidão sempre. Um exemplo. Temos muitos anos para lutar e encontrar junto com os jovens um bom caminho. Nós também tivemos alguns guias um pouco mais velhos e foram muito úteis, companheiros, práticos ou teóricos, todos muito batalhadores. As chuteiras não devem ser penduradas ainda. Vamos nos organizar com sensibilidade e disposição. Um abraço, anaclara

  14. Quando a classe media se sentir atingida e começar a pagar a conta, será que vai bater panela? E a grande mídia segundo se fala vão ser cortadas verbas de publicidade, acho que a violência será instalada.

  15. Antes de se preocuparem com Bolsonaro, sugiro cuidarem dos seus. Mandem uma cartinha pro Lewandowski pra ele lembrar o que é liberdade do povo. Não só a liberdade dos amigos.

    1. Brilhante, Edson.
      Em apenas três linhas arrasou com “o que é liberdade do povo” e certamente será reconhecido com méritos por, Aécio, Serra, Moro, Onyx, Geraldo, Temer, etc., quanto a “liberdade dos amigos”.
      Será que Lewandowski finalmente perceberá a profundidade libertária do brasileiro, como regra, nascer desigual e liberto ‘insistir em’ morrer desigual, ressalvadas as exceções que confirmam-na, observados os últimos cinco seculos e a recente reconfirmação como nono país mais desigual, sendo uma das dez maiores economias mundiais?

  16. Estou achando um baita de um exagero essa paranóia contra o novo governo. Há que se dar tempo ao tempo e criticar as ações e não as intenções.
    Quando Lula venceu sua primeira eleição, houve um momento de pânico entre os não eleitores de sua chapa, que se apaziguou com o tempo e atitudes democráticas iniciais. Respeitem o voto da maioria dos que foram às urnas. E não me venham com a conta que a maioria não votou no presidente eleito. Apliquem o mesmo cáculo e o percentual que não votou em Haddad é maior. O resto são churumelas de quem não sabe perder…

  17. Aos poucos consegui superar a raiva e o desalento em relação à eleição presidencial, obtida através de de crime comprovado pelo uso de caixa 2 que favoreceram o candidato das trevas. O que se apresenta pela frente é a desumanização de um país que sofre até hoje as sequelas dos 21 anos de ditadura militar. Agora, a pseudo religiosidade das empresas pentecostais e o cerco midiático que impôs o pensamento único, causaram um estrago que não se pode calcular no momento. De tudo isso devemos reconhecer o baixo apreço do povo brasileiro em relação à democracia, iludido com um discurso autoritário imposto pela elite da desgraça. Desejo muita coragem para todos que se opõe à barbárie representada pelos infames personagens deste governo de ocupação. Vamos em frente e vamos à luta.

  18. Desta fez eles resolveram nao deixar nada de pé.
    A agua, setor elétrico, Min do Trabalho, o fim do FGTS e Fat tal como existiram ate hoje, o petroleo, Previdencia.
    Na economia o saque de ponta a ponta.
    No capitulo liberdades (expressão, associação, pensamento…) tentam fazer esquecer o que ocorreu em 1789/92.
    Alias, desafio voces a achar uma diferença essencial entre o populacho que uivava de prazer em Paris ao redor da guilhotina… e os zilhoes brasileiros hoje que uivam ao ver/ouvir os press releases cuidadosamente orquestrados quase todas as manhas dando conta das prisões com acusações e linchamentos de politicos e mais a, b, c.
    Demorei mas notei isso, nao é coincidencia nem por acaso.

  19. Kotscho: talvez meu comentário se afaste um pouco da linha que muitos dos leitores seguiram, mas como no início do texto vc menciona grupos de oração, me lembrei de um comentário que fiz (e que ando repetindo): muitos dos problemas que enfrentamos atualmente no Brasil tem a ver com as Igrejas (com I maiúsculo, ou minúsculo, em alguns casos). Alguns dessas “igrejas” ditas evangélicas, estão levando o Brasil ao caos, elegendo os piores picaretas para cargos políticos. A Igreja Católica por sua vez, parece calada ante os absurdos cometidos contra o povo pobre. Acho muito estranho que uma força como a Igreja Católica se cale ou se omita contra tantas formas de discriminação e ódio que vem sendo pregados por alguns grupos. Essas outras “Igrejas”, nem um pouco sérias já mostraram o que querem e elas não tem pudores. O silêncio dos bons, neste momento, me parece pior do que o barulho da turba estúpida e sem honra.

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