Generais, DEM, bancadas BBB, filhos, Temer e guru aloprado: eis a cara do novo governo

Generais, DEM, bancadas BBB, filhos, Temer e guru aloprado: eis a cara do novo governo

“Voltamos a ser um país atrasado de um povo atrasado” (Janio de Freitas).

“Ministério MM: só tem milico e maluco. Ou é conservador ou é cristão século 11” (José Simão).

***

Só faltou um M, caro Macaco Simão: de malaco. Também tem vários no elenco.

Após um mês frenético de transição (ou será transação?), já dá para ver como será a cara do novo governo.

Fora os superministros Paulo Guedes e Sergio Moro, que correm em raia própria, sem dar bola para o capitão, o que resultou até agora foi um ministério que, com boa vontade, pode ser chamado de escalafobético.

Ali se misturam generais de pijama; parlamentares do velho DEM (ex-Arena); refugos do governo Temer; os pentecostais, pistoleiros e latifundiários das bancadas BBB (boi, bala e bíblia); ultra neoliberais do Posto Ipiranga, um ex-juiz no papel de xerife e os ministros indicados pelo guru aloprado Olavo de Carvalho, o “filósofo” caçador de ursos e grande mentor da nova ordem.

Com este zoológico ministerial, que remonta a tempos imemoriais, não deveria espantar ninguém que o capitão reformado aos 33 anos, agora eleito presidente da República, bata continência ao receber em sua casa, logo cedo, na manhã desta quinta-feira, no bunker da Barra da Tijuca, um assessor de Donald Trump, John Bolton, conhecido como “senhor da guerra”.

Esta semana, seu filho Eduardo, deputado e escrivão de polícia, autonomeado embaixador plenipotenciário do país nos Estados Unidos, já tinha posado fagueiro e feliz, em Washington, com um boné de Trump 2020. Qual é a surpresa?

Brasil acima de tudo e Deus acima de todos? Pois, sim…

Que Brasil é esse em que um governo se humilha desse jeito antes mesmo de tomar posse?

O deslumbramento do herdeiro deputado em seu périplo pela matriz é a síntese, o retrato acabado de um governo disposto a fazer do Brasil novamente simples colônia, um pária global.

Ao desistir de sediar a Conferência do Clima, marcada para o próximo ano no Brasil, e abrir baterias contra o Acordo de Paris, Bolsonaro já escancarou sua submissão ao império trumpiano.

Por falar em império, lembrei-me de um jantar, durante a campanha eleitoral de 2002, em que Lula e seu vice, o empresário José Alencar, foram a um jantar com Olavo Setúbal, o lendário patriarca do banco Itaú.

Toda vez que os dois candidatos falavam no que pretendiam fazer, caso fossem eleitos, Setúbal reagia com a mesma frase e sua voz de trovão, desdenhando deles:

“O império não vai deixar!”

Até que uma hora, Alencar, um grande empresário multinacional de Minas, perdeu a paciência, e retrucou:

“Que império é esse, doutor Olavo?”.

Diante da inocência do convidado, o banqueiro subiu nas tamancas:

“Ora essa, que império? O grande império americano, você não sabe?”.

José Alencar deixou de lado seu jeito maneiroso de mineiro do interior e também ergueu a voz:

“Pois fique sabendo, doutor Olavo, que se isso acontecer nós vamos pegar em armas e defender o Brasil”.

Até Lula tomou um susto.

Afinal, na parceria capital-trabalho formada pelos dois para a eleição que os levou à vitória em 2002, os papéis agora estavam invertidos.

Lula era, até então, o metalúrgico radical e, Alencar, o empresário moderado escalado para acalmar os mercados.

Governaram o país por oito anos e recolocaram o Brasil no papel de destaque que lhe cabia no mundo, respeitado até pelo império americano de Barack Obama, de quem Lula viraria amigo de infância. Eram outros tempos.

Assistimos agora a um filme de época, em branco e preto, rodando ao contrário, até aquele tempo do doutor Olavo, em que o Brasil beijava as mãos e se ajoelhava diante dos poderosos do mundo.

Se não fosse tudo real, diria que estamos vivendo um pesadelo coletivo sem dia nem hora para acabar.

E ainda faltam 33 dias para a posse.

Vida que segue.

Em tempo:  viajo amanhã para um retiro espiritual no interior de São Paulo, perto das montanhas da Serra da Mantiqueira, na esperança de me desligar um pouco deste trem fantasma que avança sobre nós. Segunda-feira, vai começar tudo de novo.

28 comentários em “Generais, DEM, bancadas BBB, filhos, Temer e guru aloprado: eis a cara do novo governo

  1. Caro amigo Kotscho,o esquadrão suicida esta formado, temos que nos preparar para sobreviver a 4 anos de insanidades, e acreditar que a democracia voltara ao trilhos no Brasil!!
    Neste novo velho governo(generais e capitao de pijamas) será bancado e apoiado por varias “bancadas” ( da bala,da bola, ruralistas, da biblia,banqueiros,etc) só não tem a bancada do povo!
    Não estão nem ai pro povão, que só serve para ser engando na hora da eleição, esquecido por 4 anos e depois ser enganado de novo!!!
    Acorda Brasil!!
    Força amigo! Estamos juntos na resistência!!!

  2. Mestre, resolvi dar um ‘bypass’ (só pra já ir acostumando) no post da Euforia ‘chuvas de verão’, atraído que fui por mais esse ‘arraso’ de post, a destrinchar o novo normal, injetar história aos fatos recentes, de forma a indicar no ‘amplo horizonte do patriotário’ ser bom já ir também se acostumando, ao menos com a ‘evolução’ do bordão:
    “Minha bandeira jamais será só vermelha”.

  3. Vejo acertada a decisão de não mais sediar a COP-25 no Brasil.

    Custo estimado em 400 milhões de reais, que poderia atingir MEIO BILHÃO de reais brincando.

    Temer celebrou a confirmação de sediar a COP-25 como prova da “liderança mundial”, todavia só colocou 15 milhões de reais no orçamento de 2019 para este evento.

    Melhor aplicar esse MEIO BILHÃO de reais nas necessidades que o País precisa.

  4. Pelo andar próprio da carruagem, não é difícil vislumbrar que faltará vaca para tanto brejo.
    O que facilitará o andar da carruagem miliciana, totalmente inspirada pelo palavrório de um filósofo astrólogo “crazy dog”, que saiu do seu estado de hibernação na Virgínia, é a fragmentação de uma oposição dividida durante e após a eleição. Vejamos parte da entrevista do candidato do PDT ao Conversa Afiada: “…Vou te contar uma que as pessoas não sabem. Nós, pelas tantas, na habilidade extraordinária do meu irmão Cid, resolvemos convidar a Dilma para ser senadora pelo Ceará. Fizemos pesquisa, tínhamos boa condição, ela é bem querida no Ceará. Nós sempre divulgamos o que ela nos ajudou a fazer e tal. O Cid com 80 e a Dilma com 60 [% das intenções de voto]. Ela topou, nós alugamos uma casa, para ela poder fisicamente transferir o domicilio e não ter contestação. O jato que o nosso partido pagou foi buscá-la e ela não apareceu. No dia seguinte, me liga o Fernando Pimentel [PT], governador de Minas. e pede para falar comigo urgente. Aí eu vou a Minas falar com Pimentel e ele me diz: “O Lula me ligou impondo a candidatura da Dilma a senadora, tá desfazendo a minha aliança inteira aqui. Desse jeito eu vou perder a eleição”. Ou seja, enterrou o Pimentel, tirou a Dilma de uma aliança feita onde estava eleita, para forçar a mão pelo Eunício. Aí quer o meu apoio?…”. A vida da situação fica fácil quando a oposição bate cabeças.

    1. Netho.. Você reproduziu o óbvio e “ululante”…
      Lula foi quem mais fez crescer a esquerda…Só que se personalizou como líder máximo e insubstituível.. Que decide como quer e ao seu próprio gosto. Assim, agiu errado quando escolheu a Dilma, dobrou o erro qdo apoiou a reeleição da mesma, e quando a vaca tinha ido para o brejo, invés de apoiar o Ciro Gomes, que teria vencido Bolsonaro, ainda tenta enfiar o Haddad de “goela abaixo”!
      Não deu certo! (ainda bem)

    2. Aqui no Ceará todo mundo sabe que o tal Cid é “pau-mandado” do irmão Ciro. Portanto, ao falar da “habilidade extraordinária do meu irmão Cid”, na verdade Ciro está se anto-elogiando. Até em brigas domésticas a última palavra é do coronel Ciro. O irmão não manda em nada, não tem posição pessoal a respeito de nada e, enfim, é só uma caixa de ressonância do irmão.

  5. “Ministério MM: só tem milico e maluco. Ou é conservador ou é cristão século 11” (José Simão).

    “Só faltou um M, caro Macaco Simão: de malaco. Também tem vários no elenco.”

    Faltou citar também os moleques. São os três filhos do ogro.

  6. “Ali se misturam generais de pijama; parlamentares do velho DEM (ex-Arena); refugos do governo Temer; os pentecostais, pistoleiros e latifundiários das bancadas BBB (boi, bala e bíblia); ultra neoliberais do Posto Ipiranga, um ex-juiz no papel de xerife e os ministros indicados pelo guru aloprado Olavo de Carvalho, o “filósofo” caçador de ursos e grande mentor da nova ordem.”

    E nós dizíamo que o atual Congresso era o pior de toda a história do Brasil, incluindo os do tempo do Império…

    Como semepre, o velho Murphy tem razão…

  7. Queria tbm poder me desligar, que Deus nos acudam e não nos desamparem. Não sei o que vai acontecer com esse balaio de gato, bom retiro e que vc volte fortalecido. Abraço.

  8. Prezado Kotscho: Para fazer parte desse “zoológico ministerial” está faltando, entre outros “notáveis”, a nomeação do ministro do Meio Ambiente. Quem será a “fera” a ser nomeada?

  9. Tivemos em outros tempos, pessoas que se curvavam diante dos usamericanos mas eram figuras isoladas dentro do governo. Um deles foi Roberto Campos – Bob Fields, cujo neto assumirá a presidência do Banco Central. Foi embaixador do Brasil nos EEUU durante o governo Goulart. O Pres. Kennedy dizia não entender como o Brasil mandava para lá um embaixador que gostava mais dos EEUU do que do seu. Campos se curvava abjetamente aos americanos e ainda pedia desculpas por ficar de costas.
    Tivemos o chanceler Lafer, no governo FHC, que se sujeitava a tirar os sapatos em alfândega para ser revistado por um guardinha de aeroporto. FHC também abanava o rabinho para o Pres. Clinton.
    Agora é o governo todo. Do goleiro ao ponta esquerda.

  10. Caro Ricardo Kotscho, bom dia!

    O gesto do presidente eleito ao bater continência para o representante do tal império estaria, de fato, sendo subserviente, ou estaria marcando posição ao mostrar para o Brasil e o mundo que seu governo será uma ditadura militar “conquistada” com o voto dos incautos? ou seria as duas coisas?

  11. Vou continuar fazendo o contraponto enquanto o dono do blog permitir, apesar dos xingamentos das falanges de fanáticos enlouquecidos (parecem loucos raivosos). Se você achar que é impertinente, caro Kotsho, pode falar que eu me retiro tranquilamente. Vai perder o crítico e ficar com os aduladores, mas ok, é uma escolha. Sobre o Ministério: de fato, tem alguns esquisitos, mas na média a equipe é boa. Só na equipe econômica tem 05 doutores pela Universidade de Chicago, a melhor escola de Economia do mundo, 02 por Harvard e 1 pela UCLA. É óbvio que não se consegue doutorado nestas escolas sem mérito (convido os leitores daqui a tentar). Dentre os Ministros do Lula e Dilma, o melhor “intelectual” era o Haddad, que tirou um título de Mestrado escrevendo sobre “a viabilidade do sistema econômico soviético” um ano antes do sistema ruir. Tinha alguns bons também, mas a maioria era de néscios ( e muitos se revelaram corruptos). Então, a crítica é prematura e injusta, vamos aguardar.

  12. Caro Kotscho, se me permite, volto, depois das continências do mito(?), a parafrasear o mestre Otto Lara Resende.
    Chega de intermediários. John Bolton para presidente do Brasil e chega de especulações.

  13. Parece que só Haddad está otimista com o trem fantasma.
    A entrevista do ‘andrade’ na terra do Tio Sam dá a impressão de que o herdeiro do lulopetismo – mais uma escolha errada de Lula, tanto quanto a de Dilma -, de que o governo miliciano não precisa de oposição.
    A realidade é que não existe vida no PT sem Lula. Com Lula preso, o PT tornou-se uma nau desgovernada à deriva.

  14. O Bolton é um abutre antigo, e da pá virada. Um dos lideres do partido da guerra.
    Da diplomacia do choque ‘blunt’ e sem cerimonia.
    Todo o mundo que se informe fora da Midia MSM americana e da sabuja de outros lugares, sabe que a diplomacia do imperio consiste apenas nisto: compra, ameça, cooptaçao e chantagem. O que varia são os destinatários e o cálculo de momento do que seja melhor pra eles.
    É so verificar numa pesquisa o que Susan Lindauer – da missão ‘diplomatica’ dos Eua na ONU dizia para os diplomatas iraquianos na mesma Onu. Ela mesma conta: o feijao com arroz era exigir confissoes e planos deles, caso contrario Bagdah seria bombardeada ate a Idade da Pedra. Eles nao entendiam e tentavam mas nao adiantou. Em 2003 outras razoes de Estado fizeram o serviço

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *