A que se deve tanta euforia do mercado? O que podemos esperar de bom desse governo?

A que se deve tanta euforia do mercado? O que podemos esperar de bom desse governo?

Capas de revista, manchetes de jornais e pesquisas do mercado financeiro anunciam uma grande euforia nos últimos dias.

A que se se deve isso?

Está na manchete desta quarta-feira do site Infomoney: “Exclusivo: 63% aprovam escolhas de Bolsonaro para ministérios e decisões anunciadas, mostra XP/Ipespe”.

Segundo a pesquisa do banco de investimentos XP, um braço do Itaú, 57% dizem esperar que Bolsonaro faça um governo ótimo ou bom, enquanto 18% projetam uma gestão regular, e 20%, uma administração ruim ou péssima”.

São mais ou menos os mesmos índices que apurei na minha pesquisa pessoal do DataBalaio, no bar da esquina, frequentado por investidores, operadores do mercado financeiro, profissionais liberais e empresários do agronegócio e da indústria.

Como de costume, fiquei com a minoria dos que não acreditam que esse governo possa dar certo.

Os donos do dinheiro estão otimistas, mas o mesmo não sinto dos que ainda vivem de salários ou estão desempregados.

O XP/Ipespe informa que ouviu 1 mil eleitores de todas as regiões do país, com idade a partir de 16 anos, em entrevistas telefônicas conduzidas por operadores. A margem máxima de erro é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos.

É a primeira pesquisa do gênero feita após a vitória de Bolsonaro e do início da transição de governo, há um mês.

Não costumo brigar com pesquisas nem com números, mas não é isso que sinto nas redes sociais e nas minhas andanças pela cidade.

Nesta terça-feira, passei o dia fazendo uma reportagem no largo São Bento, por onde circulam personagens da vida real, e ali não senti euforia nenhuma.

Ao contrário, notei um clima de muita insegurança, desinformação e receio do que pode acontecer daqui para a frente.

Para falar bem a verdade, senti que ninguém sabe direito o que está acontecendo e para onde vamos.

Entre as pessoas mais bem informadas, há muito otimismo com a equipe econômica montada por Paulo Guedes, o superministro do Posto Ipiranga.

Também parece haver um grande apoio ao superministro Sergio Moro, da Justiça e Segurança, encarregado de acabar com a corrupção e a violência do crime organizado.

Fora isso, ninguém sabe quem são os outros ministros indicados, em grande parte militares, que vão cuidar das outras áreas, muito menos quais são os planos do novo governo.

No mundo da euforia, ninguém quer saber dos inacreditáveis ministros das Relações Exteriores e da Educação, nomeados pelo guru Olavo de Carvalho, que prometem combater o “marxismo cultural”, três décadas após a queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria.

Também não espanta que o presidente eleito queira indicar um general para cuidar da Comunicação e um pastor pentecostal para defender os direitos humanos e as mulheres no Ministério da Cidadania.

Generais, togados, evangélicos e economistas ultra liberais são, afinal, a grande base de sustentação do novo governo.

Eles venceram as eleições e vão mandar no país pelos próximos quatro anos, se tudo lhes der certo.

Aos que perderam, resta juntar os cacos e descobrir onde erraram, sabendo que não vão voltar ao poder tão cedo.

Em lugar de Dilma Rousseff, que foi derrubada num sopro, por um golpe parlamentar tabajara, agora são os militares que mandam no Palácio do Planalto.

Não tivemos apenas uma alternância no poder, mas de regime.

Voltamos, pelo voto, ao período pré e pós-64, com os militares dando as cartas, em parceria com o establishment civil, protagonizado pelo mercado daqui e de fora, novamente unidos em torno de seus interesses econômicos e geopolíticos.

É algo muito mais complexo do que a gente pode imaginar, nas idas e vindas da montagem do escalafobético ministério montado pelo capitão reformado, afastado do Exército aos 33 anos, até aqui um obscuro deputado do baixo clero.

Vai levar algum tempo ainda para a gente entender o que aconteceu no Brasil.

Como vivemos num país que transita sem escalas entre a euforia e a depressão, é bom esperar para ver o que irá acontecer após a posse da nova ordem em janeiro.

É bom ir com calma e ficar atento à mudança dos ventos.

Vida que segue.

 

27 comentários em “A que se deve tanta euforia do mercado? O que podemos esperar de bom desse governo?

  1. Porque a surpresa? Vamos elencar:
    1) Direitos e conquistas trabalhistas literalmente jogados na lata do lixo, inclusive a justiça do trabalho;
    2) Esmagamento da entidades representativas como sindicados, centrais, etc
    3) Congresso controlado com as tais “frentes democráticas” para fazer discursos, dar entrevistas e compor um cenário
    4) PT eventualmente vivendo seus últimos momentos, não se iluda
    5) Judiciário mais do que nunca a serviço do governo e/ou classes dominantes
    Resultado: aumento dos lucros e ricos cada vez mais ricos. Este sempre foi o sonho de nossa burguesia. Não é um governo dos sonhos?
    E, um problema tão grava quanto: a mídia progressista, o que inclui você, vendo Bolsonaro apenas como mais um governo da direita.
    Meu amigo, se não nos voltarmos para o povo e partir para a organização e para a luta, não se iluda, viveremos um longo período de trevas. Eu e você talvez não voltemos a ver um caminhando de encontro com seu futuro

    1. Não, caro Ari, não vejo o Bolsonaro apenas como mais um governo de direita. Trata-se de um governo da extrema-direita mais radical, com traços explícitos de fascismo.
      Só não estou vendo nenhuma organização dos que se opõem a ele. Este é o nosso grande drama.

      1. Kotscho, estamos diante do “drama” do biscoito Tostines, lembra? Se por desorganização, entre outros motivos e interesses, as tais organizações permitiram que o bozo chegasse ao poder, como podem se organizar para se opor a ele? Os interesses individuais pelo poder ditam o comportamento dos “organizados”, vide Lula e Ciro.

  2. Caro amigo Kotscho, sempre fui otimista por natureza e por necessidade,nasci na periferia e senti na pele o chicote e o açoite,e a necessidade de lutar e ser otimista,acreditar sempre que dias melhores virão!
    Conheci e convivi com a extrema pobreza,e vi a minha vida e o Brasil melhor muito com o fim da Ditadura!!!
    Agora fica difícil ser otimista com o poder nas mãos de um bando de militares rancorosos ao lado de um monte de profetas do apocalipse!!
    O grande projeto de governo destes tresloucados e a vingança contra todos que lutaram pela redemocratização do Brasil!!!
    Se depender dos militares todos seremos enquadrados como terroristas por ter lutado contra a DITADURA ( Movimento,segundo dias toffoli)
    Tá ruim,mas vai piorar! e não é premunição!É promessa do bozo e seus asseclas!!!
    Foça amigo! Estamos juntos na resistência!

  3. Não é preciso ir muito longe para saber o que será o “day after” da “candidatura militar”.
    Basta olhar os lírios do campo argentino semeados pelo governo Macri.
    No máximo, um mano a mano com o hermano de Trump no cone sul.
    O Brasil do ex-capitão amanhã será a Argentina do ex-presidente do Boca Juniors hoje.

    1. E como estará a Argentina em 2019?
      Segundo os periódicos argentinos “o o cenário para 2019 não é animador, pois a Argentina terá baixo crescimento econômico e/ou recessão, elevada desvalorização cambial, déficit comercial e desemprego, (…) afetando diretamente as exportações brasileiras de manufaturados”. O maior exemplo vem do setor calçadista: ” a forte desvalorização do peso argentino acaba encarecendo o calçado brasileiro vendido em dólar, anulando qualquer efeito positivo que a desvalorização do real teria para deixar os produtos mais competitivos no país vizinho”.
      Outro exemplo muito mais grave diz respeito à cadeia automotiva: “A cadeia automotiva, por exemplo, tem parques fabris compartilhados entre os dois países. É um setor com muito encadeamento, então, isso pode afetar setores como o químico, o de borracha, entre outros.”.
      O frentista do Posto Ipiranga terá de explicar às filas de desempregados e de empresas falidas a sua fórmula mágica retirada das prateleiras da sua pátria amada: a Escola de Chicago.

  4. pode ter certeza vai ser o pior governo da historia do Brasil e ainda vao arrumar um culpado ,o pt , ontem em um bar um amigo de cachaca me pediu para eu torcer para dar serto ,lhe falei q a minha torcida nao vai ajudar pq se ajuda-se o presidente era outro,nao vai dar serto quando a elite a globoe a midia de sempre apoia e pq a xibata vai arder no lombo do pobre trabalhador

  5. Caro Kotscho, toda vez que o mercado fica eufórico o povão entra em depressão. Esse é o Brasil que restou, onde segundo o mundo inteiro a inteligência está em baixa e a burrice é a salvação. Quem não for burro neste país corre o risco de ser perseguido , preso, torturado e até eliminado pela “nova” ordem . Espero não ser preso pois a minha cadeira motorizada não é permitida na cadeia e eu dependo dela até pra cagar. Ah, que se dane, o Brasil já está cagado mesmo.

  6. A mídia sempre teve ao lado de quem é governo de plantão, ainda mais quando se tem verbas publicitárias em jogo.Quanto aos pobres,desempregados de vez em quando vemos glamourização nas novelas, ou num telejornal nada que possa afetar o mercado ou os anunciantes.

  7. Boa noite a todos, tenho acompanhado as notícias e mais uma vez concordo com vc, não acredito nesse novo governo, vejo arrogância e despreparo,um exemplo foi com os médicos cubanos. Infelizmente quem vai sentir na pele é a classe mais pobre, podem ter certeza.

  8. “A que se deve tanta euforia do mercado”? Respondo meu caro Kotsho: deve-se à derrota da maior quadrilha de criminosos que já surgiu na terra (o pt); da derrota de uma quadrilha que além de tudo, é incompetente e causou a maior recessão do país em 150 anos; o maior número de desempregados desde sempre; à maior onda de falências e recuperações que já existiu; ao maior número de homicídios da história (65.000 ao ano). O Bolsonaro é antidemocrático? sim, possivelmente sim, mas ninguém liga pra isso porque a outra opção era o PT . E neste quesito o PT é imbatível, não há um petista na face da terra que tenha convicções democráticas. Quando petistas falam em “risco à democracia”, ou é piada, ou deboche.

    1. Paulo, na boa, não exponha sua ignorância – não gosto de chamar ninguém de burro, em respeito ao equino – assim, de forma tão descarada. Pega mal. Vou citar só um dado: quando tiraram a sra. Dilma, a taxa de desemprego do Brasil era de 7%. Em dois anos, foi a 14%. Maior quadrilha – você já ouviu falar na privataria tucana? -, maior recessão em 150 anos, democracia ou falta dela, 65.000 homicídios por ano? Veja quem são as principais vítimas. E com o Messias liberando mais armas, vai piorar. Estude um pouco mais a História de seu país. Não vai doer nada. E para terminar:
      “Às vezes é melhor ficar calado deixando que os outros pensem que você é um idiota, do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida”.
      Abraham Lincoln.
      Paulo, fique calado. Para o seu próprio bem.
      É melhor JÁ IR se arrependendo.

      1. “Vou citar só um dado: quando tiraram a sra. Dilma, a taxa de desemprego do Brasil era de 7%. Em dois anos, foi a 14%.”
        —————————————————-
        Isto não é verdade.

          1. Dilma deixou o governo em Agosto/2016 com 11,6% de desemprego.
            —————————————————–
            No trimestre de agosto a outubro de 2016, a taxa de desemprego foi de 11,8%: no trimestre de maio a julho, havia sido de 11,6% no terceiro trimestre (julho a setembro), havia sido de 11,8% um ano antes (agosto a outubro de 2015),… – Veja mais em https://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2016/11/29/desemprego-e-de-118-e-atinge-12-milhoes-de-trabalhadores-diz-ibge.htm?cmpid=copiaecola

  9. RK, se eu fosse um dos donos do dinheiro também estaria eufórico, pois estaria sabendo a rapinagem que o Brasil vai sofrer nos próximos anos.
    E a reportagem no largo de São Bento confirmou aquele outro post que mostra que sete em cada dez brasileiros acham que o país entrou em declínio e a situação vai piorar. Nada de novo no front.
    E assim caminha a Humanidade.

  10. Prezado Kotscho: Você tem razão. “Os donos do dinheiro estão otimistas” porque depois de bancarem o golpe contra a presidente Dilma, já tiveram um governo Temer que facilitou para que ganhassem mais ainda e agora, com o governo de extrema direita que se avizinha, vão se empanturrar com a especulação. A história mostra que é assim que a banda toca, enquanto que os “que ainda vivem de salários ou estão desempregados” vão sendo cada vez mais sacrificados e colocados à margem da sociedade. Acho que cada vez mais estamos nos afastando disso: “Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais”, que é objetivo fundamental da República Federativa do Brasil, conforme consta no artigo 3º da Constituição.

  11. O mercado financeiro ( uma das fases do sistema)) faz previsões animadoras para si mesmo. Neste cenário não há gerações de emprego, mas exploração do trabalhador e de fim direitos trabalhistas.
    mas essa bolha de criação de um “valor virtual” e da extorsão do setor produtivo incorrerá numa nova crise cíclica onde nem keynesianos ou liberais saberão como sair dela.

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