Dois meses para a posse: a eleição acabou, agora é hora de tocar a vida. De que jeito?

Dois meses para a posse: a eleição acabou, agora é hora de tocar a vida. De que jeito?

“Quando, no futuro, escreverem a história destes tempos estranhos, um capítulo inteiro _ ou, vá lá, uma nota de pé de página _ terá que ser sobre os omissos. (…) No fim, o ódio ao PT foi maior que o amor pela democracia” (Luiz Fernando Veríssimo, em O Globo, 1/11/2018).

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2018 acabou. Com um governo moribundo em Brasília, fingindo que governa, e outro sendo parido na Barra da Tijuca, e já governando de fato, vamos agora ter que encarar dois longos meses até a posse em 1º janeiro.

Até lá, vai ser difícil comprar ou vender qualquer coisa, arrumar um emprego e planejar o próximo ano.

Mal refeitos dos sustos e da ressaca da campanha mais esquizofrênica da história, agora é hora de tocar a vida como dá, e esperar para ver o que acontece.

A eleição acabou, os votos foram contabilizados, e não podemos continuar nesta guerra permanente entre vencedores e derrotados, mas está difícil.

Na seção de leitores nos jornais, no Facebook e nas áreas de comentários na internet, a eleição ainda não acabou.

Nos discursos e entrevistas do presidente eleito e do que sobrou da oposição, a eleição também não acabou ainda.

Estão todos disputando um terceiro turno virtual, enquanto o país afunda cada vez mais na crise econômica.

Em levantamento publicado pela Folha neste sábado, sobre os temas mais comentados por Jair Bolsonaro, 15% é de críticas ao PT e à esquerda, com ameaças variadas. Só 8% foram dedicados a reformas ministeriais e econômicas.

Com a esquerda mais dividida do que nunca, fala-se muito em “resistência democrática”, sem que ninguém consiga me explicar do que se trata, enquanto um fica xingando o outro e o culpando pela derrota.

O tema do desemprego de mais de 12,5 milhões de brasileiros, com quatro em cada dez trabalhadores na informalidade (sem registro, sem carteira e sem direitos), ainda não entrou na pauta de ninguém.

Estamos no breu, no mato sem cachorro, sem ter a quem recorrer para saber o que será feito das nossas vidas.

Depois de prestar relevantes serviços à campanha vitoriosa, o juiz Moro foi promovido a grande xerife para acabar com a corrupção e a violência.

É o que temos de mais importante até agora, enquanto fundem e desfundem ministérios, como se a administração pública fosse uma grande feira livre que a cada dia muda de lugar.

Outro juiz, o celerado Wilson Witzel, eleito Governador do Rio, já providenciou a abertura de cinco mil valas num cemitério para abrigar os traficantes que prometeu “abater” com a convocação de atiradores de elite..

Em São Paulo, João Doria deve ter gostado da ideia porque durante toda a campanha só falou segurança pública e combate à violência a qualquer preço, como se não tivéssemos nenhum outro problema.

Acabar com a bandidagem parece ser o único grande objetivo dos eleitos da nova ordem, que ainda continuam com seus discursos beligerantes da campanha eleitoral, e até agora não apresentaram um único programa concreto de combate ao desemprego.

Vá ver que para eles a matança generalizada pode diminuir o número de desempregados e aumentar a renda per capita, com menos gente para dividir o bolo.

A única voz lúcida e serena que encontrei no noticiário bélico de hoje foi a do teólogo, filósofo, escritor e meu amigo Leonardo Boff, na Folha:

“A situação é tão dramática que precisamos de uma Arca de Noé onde todos nós possamos nos abrigar (…) para não sermos tragados pelo dilúvio da irracionalidade”.

Resta saber quem se encarregará de montar esta Arca de Noé e como será feita a seleção de passageiros.

Veríssimo poderá embarcar os omissos já arrependidos que foram cuidar das suas hortas enquanto o país decidia seu destino.

Mas é bom ir logo ou essa arca correrá o risco de afundar devido à superlotação.

Vida que segue.

 

19 comentários em “Dois meses para a posse: a eleição acabou, agora é hora de tocar a vida. De que jeito?

  1. Kotscho, não sei mais o que dizer, a não ser lembrar que há uma nova dupla caipira na praça: Moro e Mourão.
    Sou mais Tonico e Tinoco cantando “lá no mourão esquerdo da porteira”.

  2. Tocar a vida caro Kotscho ??? Eu queria saber é por que essa desgraça colocou o Brasil assim do nada, na alça de mira do Hamas e do Fatah ao mesmo tempo ???
    O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, veio a público pedir que o capitão reformado não leve adiante esse projeto. “Rejeitamos a decisão do presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, de mover a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém e pedimos que ele abandone sua decisão”, disse a nota publicada em rede social.
    Vai ver que é para que depois do primeiro ataque terrorista contra nós, a família Bolsonaro solte suas “fake news” botando toda a culpa no PT.
    A loucura tem limites mas a estupidez não.

  3. KOTSCHO: duas observações:
    (1) parece que Boff realmente recuperou sua serenidade e lucidez. Mas logo após o resultado da eleição, numa única mensagem ele chamou Ciro de “Covarde” e reduziu Marina a nada. Como se eles tivessem sido responsáveis pela estratégia errada de Lula. Recebeu de volta um “Você é um bosta!”, devidamente amplificado pela imprensa petista. Ciro está errado ? Sim, porque Boff não é um “bosta”. Mas quem agrediu primeiro ? A “verdade factual”(diria Mino) foi amplificada somente a partir de um certo ponto. Ou eu estou chapado ?
    (2) quanto ao fato da esquerda “um ficar xingando o outro”. Tente fazer uma crítica à estratégia de Lula que levou à legitimação do ignorante fascista. Você será agredido de variadas formas. Afinal, seu amigo Lula, é mais do que um ser humano – nunca erra em política. A PF de Curitiba parece o Templo de Delfos e a Gleisi é uma sibila…

    1. Concordo com você, Marcos. Há uma devoção ao Lula. Fé cega faca amolada. A cegueira da devoção ao Lula cortou mais fundo que a facada que o mito levou. Por que depois da tratorada que Lula, da cadeia, promoveu sobre Ciro sob a coordenação de Gleisi, Ciro teria de por a cara a tapa pra encarar a missão impossível de virar o jogo no segundo turno? Os petistas deviam ouvir mais a sensatez do Mano Brown e os destemperos do Ciro, e parar de mimimi, como se diz atualmente.

  4. Não sei qual valeu mais: se foram os 518 anos da ocupação europeia na América, ou se foram os 13 anos da cadeira de presidência de forma precária. Mas, quando o dinheiro é colocado acima da vida, temos mais é que denunciar. O regime socialista ou comunistas que esses esquerdistas pregam é tão bom, pois não sei porquê eles ainda não foram morar em Cuba ou na Venezuela. Eles querem é que todas as riquezas passem dos cidadãos ao Estado; mas, somente eles podem desfrutar de todas as benesses do poder. Lembrei-me do Maduro comendo num restaurante chique da Turquia, enquanto o seu povo está morrendo de fome! Que justiça social é essa?

    1. A historia registra que um fascista foi enforcado pelo Povo e pendurado num poste de cabeça pra baixo, o outro, cometeu suicídio e teve o corpo incinerado pra não deixar vestígios de sua existência. Hoje temos Duarte nas Filipinas, e Bolsonazi no Brasil. Qualquer semelhança é mera coincidência.

      1. Tem que aprender agir com razão e não emoção. O que mais preocupa são as propostas a serem votadas e aprovadas na Câmara federal que hão de definir o êxito do futuro presidente. Dentre elas, o Debate sobre maioridade penal: crimes hediondos feitos por jovens que já atingem 2% do total; deixar de lado as paixões políticas e torcer para que o mandatário, eleito democraticamente, faça uma boa administração. Qualquer análise prematura é prejulgamento de pessoas ditas pobres de espírito, que só enxergam o próprio umbigo, pois só sabem torcer pro ‘quanto pior melhor’.

    2. Tião Ariranha, considerando a nova temporada do ‘FEBEABA’, tu faz por merecer o ‘Medonho Dourado’, pelos ‘518 anos da ocupação europeia na América’ e ’13 anos de “precários” governos do PT’.
      Quanto a, ‘Regime socialista ou comunistas’, ‘Morar em Cuba ou na Venezuela’, ‘Querem que todas as riquezas passem dos cidadãos ao Estado’, ‘Maduro come em restaurante chique da Turquia’ e ‘Que justiça social é essa?’, pediu-se vistas, pois há dúvidas em considerar o conjunto da obra merecedor do ‘Medonho’, prateado ou bronzeado.
      Quanto ao fato de Cristóvão Colombo chegar a América em 1492, ou seja há 526 anos, ou os governos do PT no período 2003/2014 ter por ‘comparativo’ apenas os de Getúlio, são meros detalhes, não vem ao caso, né?
      Afinal, o que são oito anos, a mais ou a menos, na história, ou ainda, ‘condenar-se’ com provas ou sem provas com delação premiada e com ministério, premiado?

    3. Tipica argumentação dos sem-noção medíocres que infestam esse país de idiotas.
      Não sabe nem o que é comunismo, nem o que é socialismo e muito menos o que é capitalismo. Mas saber repetir as frases feitas do MBL e do Alexandre Frota.
      Sem falar que desconhece completamente a história de Cuba, da Venezuela…
      Mas deixa assim. Já demonstrou o quanto é “inteligente”.

  5. Prezado Kotscho: Se “resta saber quem se encarregará de montar esta Arca de Noé e como será feita a seleção de passageiros”, não saberia dizer quem se encarregará, mas que tem um astronauta brasileiro que não para de sorrir, isso tem. Até agora não sei porque ele sorri tanto. Será que ao invés da Arca de Noé ele está com a chave da Enterprise e não avisou ninguém?

  6. Caro Kotscho,
    O “seu balaio”, onde so entra a realidade nacional, boa ou ruim, e o Blog GGN do corajoso Luis Nassif continam a nos informar corretamente, sem as tendencias de outros orgaos da imprensa.
    O autoritarismo instalado em Brasilia e o reflexo desta sociedade autoritaria, em especial, aos mais jovens: eles nao respeitam “nossas cabeças brancas” mais!
    Continuem a escrever sobre os horrores da ditadura para que estes jovens acordem e ajudem a defender a Democracia, ja que sao mais conectados na WEB do que a velha guarda, ja que , atualmente, tudo se resolve virtualmente………ate uma eleiçao!
    Enviado por:
    Um triste brasileiro que, ainda gosta e defende nosso país!

  7. Jânio de Freitas, um dos colunistas decanos da Folha SP, sintetizou a nomeação do juiz de Curitiba: “Moro dizia que um cargo político lançaria dúvida sobre “a integridade do trabalho” que fez até então. Integridade que tem o sentido de totalidade como o de retidão.
    É o próprio Moro, portanto, na condição de maior autorizado a falar do seu trabalho, quem o põe em dúvida no todo e na retidão. Nesse ponto, não custa concordar com Moro”. Já comentei aqui, que a saída de Moro da Curitiba foi uma operação de xeque-mate no TRF e no STF. Nenhum desses tribunais atrever-se-á a soltar Lula tão cedo. O juiz de Curitiba agora é um Super-Ministro da Justiça, com mais e maiores poderes discricionários de que jamais dispôs para mover paus e pedras em favor da afirmação e reafirmação da Lava Jato, sobretudo no que diz respeito à manutenção irretocável de suas decisões passadas. A situação do ex-presidente piorou como jamais ele poderia ter imaginado. No popular, além da queda, o coice. A oposição já ensaia sua movimentação e até o momento não foi dada uma palavra sobre a situação do ex-presidente. Até agora a mídia não noticiou visita alguma ao ex-presidente da parte do ex-prefeito paulistano, mas informou que o ex-candidato foi à sessão de cinema do Itaú Cultural para ver o documentário sobre Mujica. Do lado do governo, seja o moribundo seja o natimorto, não haverá notícia boa. Da oposição, pelo jeito e pelos berros, também não.
    Os tempos são tristes para não fazer ninguém dormir bem e em paz.

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