Day after: acordei hoje no Brasil dos piores pesadelos, os passados e os futuros

Day after: acordei hoje no Brasil dos piores pesadelos, os passados e os futuros

“Nunca descemos tão baixo, nunca fomos tão repulsivos diante do mundo, que assistiu o desenrolar deste desastre com horror” (Celso Rocha de Barros, na Folha).

***

29 de outubro de 2018, primeiro dia da Era Bolsonaro.

Perdemos, mas continuo ao lado de quem perdeu, não mudo de camisa.

Depois de uma noite insone, acordei hoje com o corpo todo dolorido como se tivesse sido atropelado por um caminhão basculante durante a noite.

Tive pesadelos, tempos passados voltando a me assombrar, cenas da guerra na Europa dos meus pais, misturando-se aos horrores da ditadura brasileira.

A primeira coisa que fiz ao abrir o computador foi conferir a mega-sena. Não deu nada, e cá estou de volta ao batente, sem outras opções.

Como não sou político nem candidato a nada, não vou entrar nesta onda tão brasileira de confraternizar com os vencedores, dar um voto de confiança, desejar boa sorte e um bom governo, e aquelas bobagens todas do dia seguinte a uma eleição.

E não o faço por um motivo muito simples: eu não acredito em nada disso.

Depois de ouvir os dois discursos do presidente eleito e assistir à patética cena da reza comandada pelo repugnante pastor Magno Malta, cercado de áulicos embevecidos. não vejo nenhuma possibilidade deste governo do capitão dar certo.

Para começo de conversa, foram dois pronunciamentos bem diferentes e até agora não sei em qual deles devemos acreditar. Nem ele mesmo deve saber.

Só uma coisa é certa: olhando para quem estava ao lado do presidente eleito e ouvindo finalmente suas primeiras diretrizes para o novo governo, isso não tem a menor chance de dar certo.

No primeiro discurso, feito de improviso, naquele estilo mambembe de vídeo caseiro ao vivo, dirigido aos fiéis das redes sociais, Bolsonaro foi o Bolsonaro de sempre.

Com cara de enfezado, apesar da vitória, misturando religião com política, num estilo ao mesmo tempo infantilizado e ameaçador da campanha eleitoral, não conseguiu dizer coisa com coisa e não deu nenhuma pista de como pretende enfrentar no governo os graves problemas do país.

Depois da reza de Malta, o presidente eleito leu com ar de estadista um discurso, redigido por algum marqueteiro amador, em que prometeu respeitar a Constituição, a democracia e as liberdades, exatamente o oposto do que fez e falou em seus 27 anos de mandato de deputado, e nos quatro anos de campanha permanente nas redes sociais.

Só o segundo pronunciamento foi levado para as manchetes e, logo em seguida, aos comentários dos “especialistas”, para tranquilizar o país, depois da bela “festa democrática” enaltecida durante todo o domingo na TV, como se fosse apenas uma natural alternância no poder.

Não foi isso que aconteceu, nem vai acontecer.

Tivemos no domingo o prenúncio de uma mudança de regime, não só de governo, com a volta dos militares ao poder pelo voto, ao final de uma campanha suja, grotesca e manipulada, previamente decidida pelo Judiciário, que definiu os candidatos e tomou partido o tempo todo.

Quem melhor descreveu o que aconteceu na noite de domingo após o anúncio do resultado, que levou às ruas hordas de camisas amarelas enfurecidas, foi o escritor Milton Hatoum em seu Facebook:

“Foi um vexame o primeiro discurso do presidente. Antes da fala, o eleito e seus assessores, orando de mãos dadas e olhos fechados, pareciam membros de uma seita religiosa fundamentalista, e não dirigentes políticos de um Estado laico. O discurso, de uma vulgaridade gritante, na forma e no conteúdo, antecipa um estilo de governar. Não menos vulgares são os assessores e bajuladores que cercam o capitão”.

Sem mais palavras para contar o que viu, Hatoum foi buscar ajuda em Tchecov:

“Estou cercado de vulgaridades por todos os lados (…) Gente enfadonha, vazia… Não há nada mais medonho, mais ultrajante, mais deprimente do que a vulgaridade. Fugir daqui, fugir hoje mesmo, senão ou vou ficar louco!”

Hatoum garante que não vai fugir, mas continuar na luta por aqui mesmo. Eu também, até porque não tenho para onde ir a esta altura da vida. Se pudesse, mudaria para o Nordeste, o grande bastião da resistência democrática.

Outro que me inspirou a escrever este texto foi Jose Mujica, lá do seu pequeno Uruguai, democrático e livre, com este sábio recado que nos mandou:

“Os únicos derrotados são os que baixam a cabeça, que se resignam com a derrota. A vida é uma luta permanente, com avanços e retrocessos. O mundo não acabou”.

Afinal, dos 140 milhões de eleitores brasileiros, 89,4 milhões não votaram em Bolsonaro: os 47 milhões que escolheram Haddad, os 9,6 milhões que anularam o voto, os 2,4 milhões que digitaram branco, mais os 31,3 milhões que se abstiveram. Um terço dos eleitores não votou em ninguém.

Ainda somos maioria, apesar de tudo. Quem mais perdeu foram os que se omitiram ou ficaram em cima do muro, como Ciro Gomes, a caminho de se tornar uma nova Marina Silva, e que agora não poderão reclamar de ninguém.

Assim como também não poderão reclamar os dirigentes petistas, que demoraram demais para deflagrar a campanha de Fernando Haddad, tanto no primeiro como no segundo turno, e não conseguiram formar uma frente democrática contra o perigo bolsonarista que se avizinhava. Quando acordaram, já era tarde demais.

É bom lembrar que Haddad só teve 47 dias de campanha, ou seja, conquistou 1 milhão de votos por dia.

Como é perda de tempo culpar os adversários pela derrota, melhor agora é botar fé nos três novos líderes nacionais que saíram destas eleições: Fernando Haddad e a brava vice Manuela D´Ávila, jovem de grande valor e muito futuro, assim como Guilherme Boulos, um parceiro bom de briga e leal.

Se o calendário eleitoral for cumprido, daqui a quatro anos, com dois dos meus netos já votando, poderemos mudar o curso desta história, como nos ensinou Mujica.

Ainda haveremos de transformar estes pesadelos do presente em novos e bons sonhos no futuro.

Espero estar vivo até lá.

E vida que segue.

 

39 thoughts on “Day after: acordei hoje no Brasil dos piores pesadelos, os passados e os futuros

  1. Prezado Kotscho: Estou de pleno acordo com você e também “não vou entrar nesta onda tão brasileira de confraternizar com os vencedores”. Depois do Bolsonaro, Dória, agora só tá faltando o Felipão ser campeão. Que tristeza. Acho que vale a pena ler essa entrevista de Adriano Diogo, ex-presidente da Comissão da Verdade, no Pagina 12, falando do fascista recém eleito presidente: https://www.pagina12.com.ar/151537-es-el-fin-de-la-democracia

  2. A democracia ainda está valendo.A maioria dos brasileiros e brasileiras,eleitores,decidiram optar pelo candidato Jair M.Bolsonaro.VIVA O BRASIL! VIVA A DEMOCRACIA!.

  3. Prezado Kotscho. Eu nunca comento nada, em página nenhuma. Resolvi deixar uma mensagem aqui pois acompanho seu blog e tenho muita admiração por pessoas como você, que parecem ser sempre maiores que a realidade. É só para deixar um alô mesmo, um alento, sei lá, de que você não está sozinho. Acho que estamos vendo o nascimento da Evangélia, a nova extensão territorial norte-americana. Sorte aos sobreviventes. Grande abraço.

  4. Caro Kotscho,Depois da pior noite de sono da minha vida só consigui lembrar do saudoso Renato Russo”Antes eu sonhava,agora ja nem durmo”.
    Encontro no seu blog e nas suas palavras conforto e força para me manter na resistência,perdemos a eleição mas sempre estivemos do lado do bem,e isto nos engrandece!
    Desta eleição ficou pra mim uma grande lição :nunca esperar de politicos “profissionais ” atitude de estadista ,pois,no momento em que o país mais precisou da união de todas as forças democraticas, todos (com a unica exeção do Boulos) se refugiaram na omissão e covardia,pensando na próxima eleição e dando uma banana para o Brasil e os brasileiros e neste quesito “medalha de ouro ” para o CÍNICO GOMES,que politicamente está acabado,fora do Ceará não se elege nem para síndico de prédio mais !

    Força Amigo,estamos juntos na resistência

  5. Kotscho, concordo com você a respeito da demora dos dirigentes petistas em deflagrar a campanha de Haddad. Coincidência ou não, a partir de um determinado momento do segundo turno, ele se mostrou mais Haddad, se soltou, a campanha ganhou as ruas de forma alegre e ele cresceu nas pesquisas de intenção de votos a ponto de despertar a esperança da virada.
    Quanto aos dias 28 e 29 deste mês de outubro de 2018, três cenas são bastante simbólicas.
    1. os dizeres impressos na bandeira de um dos bolsonaristas que foram comemorar na porta do capitão: “Ustra vive”.
    2. o desfile de carros militares em um bairro de Niterói.
    3. a deputada federal eleita por SC, Ana Caroline Campagnolo, incentiva estudantes ao dedurismo. Diz ela: “Filme ou grave todas as manifestações político-partidárias ou ideológica (sic). Denuncie! Envie o vídeo e as informações para (49) 98853.3588, descreva o nome do professor, o nome da escola e a cidade. Garantimos o anonimato dos denunciantes.”

  6. Caro Kotscho,

    Que admiração por você! Não esmoreça. Tenhamos serenidade e paciência para lidar com essa derrota. Entre trancos e barrancos, erros e acertos, não tenho dúvidas de que estivemos, estamos e estaremos do lado certo da História: o lado das minorias; dos oprimidos; dos desvalidos; dos povos originários. Por isso, tenha a consciência tranquila e não perca suas noites de sono por causa de mais uma vitória de quem sem quis nos deixar na lona, onde estivemos por 500 anos.

    Mas o mundo mundo mudou, algumas consciências começaram a despertar, há alguns caminhos no horizonte a serem seguidos e algumas luzes que ainda podem nos guiar: Haddad, Freixo, Manu, Sônia Guajajara, Mônica Francisco, Boulos e toda uma juventude que, por exemplo, há alguns poucos anos ocuparam as escolas públicas de todo o País com reivindicações justas. Apostemos nessa juventude!

    Também estou frustrado, obviamente, mas estou me esforçando para a peteca não cair e a tristeza não me abalar.

    A propósito, agradeço imensamente por existir pessoas como você, que com competência, elegância (que textos!), lucidez e sobretudo dignidade, durante todo esse processo (que ainda não terminou), nos ajudam a compreender a complexidade deste momento.

    Gil já nos disse: “Hoje eu me sinto/ Como se ter ido fosse necessário para voltar/ Tanto mais vivo
    De vida mais vivida, dividida pra lá e pra cá”.

    Um enorme abraço para você e me desculpe pela longa mensagem.

    Vida que que segue. EM FRENTE!

  7. As lutas,as competições,os embates -Com derrotas ou vitórias nos apresentam lições por mais experientes e experimentados que sejamos.A campanha do PT,tentando claramente fazer o Fernando Haddad dar a impressão do retorno da primeira gestão do Lula .Na minha modesta opinião; foi um grande equivoco!.Caso o Fernando Haddad assuma a liderança oposicionista ao presidente Bolsonaro.TERÁ QUE SER ELE MESMO!.A ideia do Lula ser o Haddad não cabe nem mesmo numa sessão espiríta.

  8. Que é isso? Quando o PSDB adotou, em 2014, essa postural chorosa de contestar e apontar picuinhas como se fossem algo decisivo foi vergonhoso e duramente criticado pelo PT.
    Bolsonaro fez um discurso de presidente eleito e coerente como seu jeito de ser. Haddad hoje o felicitou, acertadíssimo.
    Estamos todos no mesmo barco e ninguém quer que ele afunde. Quando Dilma fazia suas cagadas não torci para ela errar mais, afinal, meus boletos sou eu que pago não o/a presidente.
    Se o PT mantiver esse discurso terá o fim do PSDB.
    Torço para seja uma oposição racional e propositiva com vista a um brasil melhor e construir um candidato forte para 2022.
    Ciro já entendeu o andar da carruagem e já colocou sua banda na rua.

  9. Prezado R. K.
    Como você bem diz: A vida continua…Hoje 29/10/2018, mas que nunca, me pergunto: para onde? Momento de reflexão, misturado com tristeza e preocupação. Não podemos desanimar! Kotscho, não desanime, continue compartilhando conosco seus pensamentos, seus sonhos, seus medos,… Abraços para todos os que acompanham o Balaio!

  10. O DIA SEGUITE…
    Gladstone Portugal

    Hoje acordei com o pé esquerdo, meio torto, meio tonto, meio manco. Acordei sem o pé direito, sem ouvir nada; meio zonzo meio mouco e meio louco. Hoje é segunda, ontem foi domingo, mas, ainda to dormindo, anestesiado pelo o ópio das utopias, que atrofiou meus sonhos, minha fala, minha caminhada e minhas disfunções motoras.
    “Hoje é a segunda feira póstuma, dia de ficar á Sós, eu e meu fadado sentimento de desejo; sozinhos, largados á beira do caminho, numa estrada infinita e estranha, ‘sem lenço nem documentos”, sem calça de veludo nem bunda de fora, sem anéis, nem dedos, hoje é um pseudo dia qualquer, nem menciono que seja dia, digo apenas que são horas abarrotadas de vertigens do dia seguinte.
    Por ora, hora de dizer adeus; adeus minha gente bonita, cantante e feliz, sorridente, sonhadora, que enchia de pegadas a areia do mar, que observava estrelas sob a fogueirinha de papel, que dizia “vem vamos embora, que esperar não é saber…” quem sabe um dia eu a ouço novamente por entre os becos noturnos da luz.
    Adeus, por ora; minhas rimas, meus Poemas, meus versos controversos, adeus meus dias líricos, adeus minhas manhãs de domingo, saudadas na segunda. Amanhã é terça, o dia seguinte do dia seguinte. Vou tratar de sabotar meu sonho antes que, ele me ignore na quarta ou em um dia seguinte qualquer.
    Hoje é segunda e, segundo meus princípios é melhor eu não falar de coisa alguma que retrate o ontem, pois, a melhor coisa a fazer, é vigiar o amanhã, e abraçar as pessoas que amam as pessoas,
    Hoje é segunda feira, menciono sim, não há o que temer hoje se, dentro de nós vive o amanhã, vive a certeza de que estaremos juntos, sentinelas da luz, soldados da paz e mensageiros dos sonhos.
    Hoje, acordei, levantei com o pé esquerdo perfilado ao direito em posição de sentido, juntos para uma nova caminhada, sem vacilar das minhas obrigações como um bom Brasileiro, sem olhar para trás. Vem, vamos todos! “caminhando e cantando e seguindo a canção somos todos amados, armados ou não…”

  11. Pra mim, é essencial saber que estou do lado contrário de gente como bolsonaro, magno malta, edir macedo, silas malafaia, alexandre frota, do dono da havan. Não é uma questão política, não. É existencial mesmo, questão de higiene.Minha luta continua. Ler seus artigos é um lenitivo para a alma.
    ( a letra minúscula no nome próprio é proposital )

  12. Carissimo Kotscho:
    Leio sempre seu blog, mas comento muito raramente. Agora vou apenas lembra-lo das palavras do poeta “a vida vem em ondas, como o mar”. Ou, segundo os espanhóis “nada está tão ruim que não possa ficar pior”. Tinha 20 anos em 64, já passei por décadas de ditadura, Sarney, FHC, Collor, Temer, e não vai ser esse Bostonauro que vai me desanimar. Como diz outro grande sábio “vida que segue”
    Grande abraço.
    Adalton

  13. Caro Kotscho!
    A vida do brasileiro está virando um jogo. Fomos como apostadores de roleta, apostamos no vermelho 13 e deu amarelo 17; a banca ganhou. Ainda nos restam algumas fichas para que, já daqui a dois anos, retornemos às roletas para tentar recuperar o que perdemos hoje. Quem sabe um dia não precisemos mais apostar.

  14. Kotscho, acompanho-o desde algum tempo… E só tenho a agradecer pela lucidez e por textos tão instigantes… Me sinto extremamente sorumbático e desesperançoso, mas é preciso caminhar porque o caminho se faz ao caminhar… E o que mais me incomoda mesmo são as hienas! As hienas me deixam incomodado… E nesse momento eu não gostaria de estar do lado delas!

  15. Vida que segue, tem que seguir. Também não vou mudar de lado,meu sentimento é de tristeza, gosto de cabo de guarda chuva na boca. Parabéns mais uma vez pelo belo texto e obrigada sempre. Abraço.

  16. A revista Kuanto É bota em sua capa um raciocínio tortuoso como uma cobra concêntrica e concentrada na presa.
    Provando que a culpa é toda do PT que por sua ação e seus pecados criou o seu próprio grande antagonista.
    Quando alguem culpar o PT por isso ou aquilo, sugere-se retrucar: ‘ É verdade. Alias
    Adão só comeu a maçã porque a Eva tinha sido registrada no PT, igual que a cobra.”

  17. Bem, se até o Haddad, cumprimentou o vencedor, e desejou sorte, pois o Brasil merece o melhor, quem sou eu (que não votei em nenhum dos dois), que também quero o melhor para o meu País, para desejar o contrário?

  18. Mestre, o texto é a mais bem acabada síntese escrita do Brasil desse tempo. Obrigado!
    Porém, como Guernica, pede registro de um ‘Picasso’ a imortalizar em quadro, às gerações futuras, o significado profundo da escuridão iluminada do tempo que vivemos e viveremos.
    Falamos da patética cena da reza comandada por Magno Malta, ‘descrita por Milton Hatoum no Facebook’: “O eleito e assessores, orando de mãos dadas e olhos fechados, pareciam membros de seita religiosa fundamentalista, e não dirigentes políticos de um Estado laico.
    “(…) Sem mais palavras para contar o que viu, Hatoum foi buscar ajuda em Tchecov: “Estou cercado de vulgaridades por todos os lados (…) Gente enfadonha, vazia… Não há nada mais medonho, mais ultrajante, mais deprimente do que a vulgaridade. Fugir daqui, fugir hoje mesmo, senão ou vou ficar louco!””
    A cena expressa em quadro é mais que precisa, é exigência da expressão da arte a transmitir história com realismo e sentimento, à posterioridade, para que não se repita.
    Quem se habilita?

  19. Por favor, leia com atenção: Afinal, dos 140 milhões de eleitores brasileiros, 99 milhões não votaram em Haddad: os 57 milhões que escolheram Bolsonaro, os 9,6 milhões que anularam o voto, os 2,4 milhões que digitaram branco, mais os 31,3 milhões que se abstiveram. Um terço dos eleitores não votou em ninguém.

      1. E daí Kostcho, que essa conversinha de “frente democrática” encabeçada pelo PT, aquele mesmo partido que apoia ditaduras como a da Venezuela e Cuba, não convenceu a 99 milhões de brasileiros.
        Quanto aos”dirigentes petistas” que você criticou, leia-se Lula, o seu “Mito”, pois foi dele a estratégia de segurar sua candidatura até o último momento, em vez de apoiar o Ciro Gomes.
        Sem mencionar o fato de que achavam que iam ganhar fácil do Bolsonaro no segundo turno.
        Portanto, aceite o conselho do Mano Brown, larga de chororô, desçam do pedestal, calcem as sandálias da humildade e vão ver o que o povão realmente quer e precisa.
        Deixe-me humildemente te dar uma dica: segurança e emprego.
        Entendeu agora?

      2. O nome é verdadeiro.
        Quanto ao que escrevi, apenas usei e ironizei o seu próprio texto para dizer que, assim como a maioria não votou em Bolsonaro, uma maioria até maior tampouco votou em Haddad. Esse seu raciocínio aritmético, na verdade, serve para mostrar o quanto nosso país está enrolado.
        Falando em Brasil, é necessário (e triste) admitir que a maioria que votou em Bolsonaro, o fez basicamente para se ver livre do PT.
        Quanto a virar ministro, acho que foi apenas uma frase infeliz e desnecessária de sua parte.

  20. Depois de Getúlio Vargas veio um militar, Dutra, eleito, mas era um Marechal. Eleger um militar no Brasil, portanto, nunca foi novidade.
    Depois de um patético Jânio, a tal UDN de porre, também veio outro Marechal, mas desta vez a golpe de Estado “manu militari”. Agora, a novidade é que chega de cambulhada, no encerramento do “ciclo lulista”, uma tríade militar de pijamas. Dois deles eleitos, porém estrategicamente orientados pelo verdadeiro comandante militar que balança o berço, o futuro ministro da Defesa. O que nos espera na esquina? “Cuidado, meu bem”, diria a saudosa Elis. O país deu um salto no escuro. Porém, a maioria delirante celebra como se fosse uma marcha rancho carnavalesca com máscaras negras.
    A direita festiva-armada chegou ao poder.
    Há um potencial tremendamente desestruturante no ar. Com raízes imersas no pior dos mundos, porque estamos todos tão divididos e conflagrados como nunca na história deste país em tempos democráticos. E rancorosamente mais divididos do que anteontem. Nenhuma declaração protocolar foi capaz de demonstrar o contrário. Verdade que jamais estivemos unidos no país da Casa Grande, exceto superficialmente, e em torno de amenidades.
    Não é dos filhotes da ditadura e seus esbirros que deveríamos esperar algo melhor. Aproxima-se uma nova tempestade… que fará junho de 2013 parecer aquela inofensiva garoa paulistana que até inspirou o melhor conjunto de música paulista de todos os tempos: “Demônios da Garoa”.

  21. Tem gente ainda falando no Ciro, um cafajeste político que espera renascer.
    Sei não. Em um país capaz de eleger um cara que sequer debateu, ou seja, não disse ao que veio, tudo é possível.
    Vida que segue, aqui de Portugal desejo toda sorte a todo mundo. Mas ver o Haddad parabenizar o tal depois de todos os insultos e fakes com que foi brindado, é dose pra leão.

  22. E o Brasil se colocará fora dos Brics, é óbvio
    E alias mesmo ao ainda pretender seus beneficios , será escanteado pelos outros quatro porque cavalo de Troia nem no Jockey mais. Estamos começando a entender que o grupo, eles foram um empuxe inicial necessário mas o mundo gira. Agora o mecanismo Brics está sendo rapidamente superado e tornado supérfluo pelo turbilhão dos fatos inexoráveis da geopolitica.
    Quanto mais arrogante fica um império, menos previdente e mais incapaz de se antecipar fatos ele se torna.

  23. Talvez seja interessante deixar correr normalmente o novo governo, como reza a cartilha democrática. Que se espere pela aplicação do “programa de governo “, que se resume ao uso da violência e retrocesso, para solucionar os problemas nacionais. As principais vítimas desse “programa ” são a maioria de seus próprios eleitores. Em pouco tempo teremos uma imensa maioria de brasileiros na oposição a esse governo.

    1. Será mesmo ?! Tem realmente tanta certeza assim ou vc é um vidente, tem bola de cristal ou é um enviado do futuro ?
      Larga mão de ser do contra, da resistência rapaz !
      Seja oposição sim, mas seja oposição consciente, que aponta os erros e colabora na solução e não no problema.
      Oposição consciente se vc não sabe (e acho que não deve saber), é aquela que fiscaliza a conduta do adversário e mostra, se o objetivo final (o crescimento do país, o crescimento da nação em todas as áreas), está ocorrendo da forma como foi desenhada para ocorrer, ou se está havendo falhas.
      E conhecendo as falhas, solicita que elas sejam corrigidas imediatamente.
      E agindo assim, aí sim, obterá respeito da sociedade para voltar a ser POSIÇÃO e mostrar que também deseja o mesmo para o país e para a nação, o seu crescimento, pois isto é que permitirá que todos cresçam juntos e façam juntos do Brasil, o que ele sempre mereceu ser, uma potência mundial e não somente um país de 3. mundo.
      Capitche bambino ?!

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