Em cenário congelado no Ibope, debates podem ser decisivos para Ciro

Em cenário congelado no Ibope, debates podem ser decisivos para Ciro

Com os números praticamente congelados no novo Ibope/CNI divulgado nesta quarta-feira, a segunda pesquisa da semana, ganham importância os três debates previstos ainda para o primeiro turno.

Bolsonaro (27%) e Haddad (21%) oscilaram um ponto para baixo e, Ciro, um para cima(12%), dentro da margem de erro.

Entre os três que ainda estão na disputa, nada mudou, assim como Alckmin (8%) e Marina (6%) ficaram na faixa de um dígito, agora apenas fazendo figuração.

No segundo turno, Bolsonaro perde para Haddad por 42 a 38 e, para Ciro, por 44 a 35.

Diante deste cenário, as atenções se voltam agora para o primeiro dos debates decisivos, o do SBT/Folha/UOL/, marcado para esta tarde, das 17h45 às 19h30.

É nisso que Ciro Gomes vai jogar agora todas as suas fichas, já que ele é bom de debate e tem propostas claras para recuperar a economia.

Com pouco tempo de TV e sem militância partidária nas ruas, Ciro leva desvantagem na disputa direta com Fernando Haddad, que tem bem mais tempo de TV e arrasta multidões nos seus eventos de campanha.

Haddad já incorporou o “Lulinha paz e amor” e evita atacar diretamente os adversários, ao contrário de Alckmin, que bate nos dois primeiros nas pesquisas, mas não consegue sair do lugar.

Para sorte dele, já que se tornou o principal alvo dos demais por ter assumido a liderança sem Lula na disputa, mais uma vez Jair Bolsonaro estará ausente de um debate, ainda se recuperando no hospital, de onde só deve sair na sexta-feira.

Mais do que a propaganda negativa na TV, é nos debates que Bolsonaro poderia ser desconstruído, já que não tem uma única proposta factível de governo e só repete bordões sobre segurança.

No conjunto, o elenco da eleição deste ano é de uma mediocridade de dar dó, se formos comparar com os participantes de debates de eleições anteriores, nos tempos de Lula, Brizola, Covas, Montoro, FHC e Ulysses. Já fomos melhores nisso.

No rescaldo do tsunami da Lava Jato, que varreu o sistema político-partidário brasileiro, os debates agora se dão no varejo da política e em ataques gratuitos ao oponente, sem que a maioria consiga elaborar uma pergunta inteligível e dar respostas objetivas.

Para distrair a platéia, devemos ter hoje a volta do inenarrável Cabo “Glória!” Daciolo, que estava exilado, meditando e jejuando nas montanhas.

Nas ruas, multiplicam-se os entreveros entre bolsonaristas e petistas, como acontece nas vésperas de clássicos do futebol.

É bom reforçar a segurança na frente dos estúdios do SBT na Anhanguera para evitar surpresas.

Ainda bem que o valente e finório ministro Luís Roberto Barroso, na mesma linha dos generais, garantiu que “quem ganhar leva”.

Só faltava ele dizer o contrário…

Vida que segue.

 

12 thoughts on “Em cenário congelado no Ibope, debates podem ser decisivos para Ciro

  1. Não há congelamento de Haddad, apenas o de Bolsonaro, desde sexta feira e o do Ciro, há duas semanas. As duas pesquisas do Ibope foram a campo nas mesmas datas, são simultâneas. A Globo malandramente comete um “erro” estatístico primário e trata uma como sequência da outra para sugerir que Haddad congelou ou até caiu.

  2. Eu confesso que achei esta “pesquisa” muito estranha. Até o famigerado Instituto Paraná de Pesquisas mostrou números bem próximos daqueles apresentados pelo Datafolha. Esta pesquisa Ibope está com um cheirinho de coisa requentada, de coisa armada que não sei não!!

  3. Como estratégia de campanha, “Lulinha Paz e Amor” é aceitável. Mas se vencer e ao entrar no gabinete presidencial, que o sr. Haddad deixe isso no lado de fora. Junto com o “republicanismo” tupiniquim adotado pelo Luiz Inácio, tal comportamento nos trouxe muito prejuízo. Já escrevi aqui, alhures e algures: sejamos republicanos mas com um porrete na mão.

  4. Sem rodeios: uma vitória de Bolsonaro contra o Brasil é o “8×1”: Senhoras passageiras, última chamada do vôo para Oslo, dirijam-se ao portão e digam não!”.
    Li a entrevista do Barroso. Ele constata positivamente, e não desprovido de razão, o fato ausente da ingerência indevida dos militares, cumpridores atuais da Constituição. Contorna, porém, o problema de que esta ingerência é tida como inadiável pela chapa que, abusivamente, se faz passar por militar: diante de um presumido risco de anomia, estaria autorizado, neste delírio, nesta alucinação, um atropelamento do Supremo por um conselho de notáveis ou mesmo sancionada uma autoincumbida missão militar patriótica e erradicadora do caos. Para Mourão, por exemplo, o tal fato ausente é um estágio anterior a deixar para trás ao menor sinal do fantasma deste caos. Autoexplicativo, não? A melhor campanha em favor de Bolsonaro são os editoriais recentes de grandes jornais, alertando para uma polarização nociva entre a esquerda e a extrema direita, pois esta equiparação inconsistente e obscena (os dois nesta ótica seriam extremos idênticos a evitar) legitima a candidatura do capitão da linha dura, sinalizando para os indecisos que a escolha no segundo turno será entre dois polos indesejados.

  5. Haddad cresceu 300% saindo dos 4 para 16 na penúltima pesquisa. Na última pesquisa a taxa decresceu 10 vezes saindo de 16 para 21, crescendo 30%. O DataFolha deve confirmar na sexta-feira próxima o teto e o fôlego dos líderes ou se algum deles desfalece e abre caminho a um “tertius”.

    1. Caro Victor Hugo, já tinha visto este depoimento hoje de manhã e respondi pra quem me enviou: aí está tudo o que eu penso sobre esta eleição e o Brasil.
      É brilhante, preciso e comovente. Foi preciso vir um americano para dizer quem nós somos. Este povo não merece Bolsonaro! Não tem nada a ver.

      1. Não, mesmo, Kotscho. // Em tempo: Stephen John Fry é ator, roteirista, apresentador de televisão, cineasta e comediante “britânico”. Abração e ótima noite a todos.

  6. Prezado Kotscho: Não sei exatamente se o “Haddad já incorporou o “Lulinha paz e amor” e evita atacar diretamente os adversários”, mas no debate de ontem, por exemplo, ele foi muito bem em ocupar seu tempo ao lembrar as conquistas dos 14 anos de governos petistas e apresentar as propostas da plataforma de um seu futuro governo. Como diz aquele provérbio popular “em rio de piranha jacaré nada de costas”. Deixa os outros que não tem muito a dizer se pegarem.

  7. Esta eleição nos permitirá ver o joio no meio do trigo e seu percentual. Pra mim, o joio não passa de 25% e não crescerá numa sociedade multicultural como a nossa.
    #Elenão

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