Perigo à vista: general Mourão, vice do capitão, ameaça a democracia

Perigo à vista: general Mourão, vice do capitão, ameaça a democracia

Num país assolado pelo trauma dos vices, irrompe no cenário a maior ameaça à democracia desta campanha eleitoral, mas parece que a nação anestesiada ainda não se deu conta disso.

Vice do tosco capitão Jair Bolsonaro, esse fanfarrão de extrema-direita, fora de combate desde o atentado de Juiz de Fora, o general quatro estrelas Hamilton Mourão irrompeu na campanha presidencial em seu lugar, como um tanque de guerra desgovernado, modelo 1964.

Tratado com toda mesura, como se fosse um estadista, na entrevista à Globo News, Mourão desandou a falar as maiores barbaridades, e tem gente até achando graça das suas ameaças ao que restou de instituições democráticas no país, após o tsunami Michel Temer, outro vice.

Cuidado com o andor: Mourão pode parecer maluco, mas não está para brincadeiras.

Depois de defender abertamente a ditadura e os torturadores, acenar com intervenção militar e prever um possível “autogolpe” se Bolsonaro for eleito, vejam o que ele disse esta semana no Instituto de Engenharia do Paraná:

“Não precisa de Constituinte. Fazemos um conselho de notáveis e depois submetemos a plebiscito. Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo”.

Pode-se imaginar quem seriam esses notáveis, a julgar pelo herói declarado da dupla Bolsonaro & Mourão: o coronel Brilhante Ustra, símbolo mór dos torturadores.

E ele continua solto, fazendo campanha em lugar de Bolsonaro, enquanto Lula mofa na cadeia em Curitiba por conta de um triplex que não é dele.

Cadê a sociedade civil que se mobilizou em 1984 contra a ditadura e pela volta da democracia com eleições diretas para presidente da República?

Aonde se esconderam a OAB, a CNBB, a ABI e todas as outras entidades que arrostaram o regime do arbítrio já em seus estertores?

Por onde andam as universidades, os artistas, os sindicatos, os movimentos estudantis e sociais, as lideranças populares e dos partidos de oposição, que foram às ruas na luta pela democracia, quando os fardados ainda mandavam no país?

Agora que esta grande conquista da minha geração está novamente ameaçada, todo mundo vem mantendo um obsequioso silêncio diante do avanço escancarado do general Mourão contra o Estado de Direito.

Apenas 34 anos passados do último ditador militar no Palácio do Planalto, eles estão de volta, querendo agora ocupar o poder pelo voto.

Mais assustadora do que a figura destes dois militares da reserva remunerada, é a liderança que eles ocupam nas pesquisas, desde que foi retirado o nome de Lula, com o apoio de cerca de 20% do eleitorado.

Se ninguém fizer nada, Bolsonaro & Mourão marcharão triunfantes para o segundo turno, em que terão 10 minutos por dia, durante três semanas, em rede nacional de rádio televisão, para destilar o ódio e o medo que marcam esta campanha eleitoral.

Aí poderá ser tarde demais para evitar que esta grande nação promova o suicídio coletivo de um projeto de país democrático, solidário e justo para seus 208 milhões de habitantes.

Está passando da hora de reagirmos a essa insanidade que se desenha no horizonte nesta sexta-feira de nuvens negras nos céus do Brasil.

“Coragem!”, era o que sempre nos recomendava o bravo cardeal Paulo Evaristo Arns, à frente do “Projeto Brasil Nunca Mais”, o livro que denunciou as torturas e os assassinatos praticados pelos antecessores fardados de Bolsonaro & Mourão, lançado ainda durante o regime militar, quando participar deste trabalho representava risco de morte.

É o que está faltando agora, em pleno gozo de amplas liberdades públicas, por enquanto.

Por falar nisso, lembrou-me o bom amigo Antonio Carlos Fester, D. Paulo faria hoje 97 anos. E que falta ele nos faz!

Pra lembrar a data, o nosso eterno cardeal será homenageado à tarde na Ocupação Dom Paulo, no prédio antigo dos Correios, a partir das 15 horas.

Bom final de semana a todos, se possível.

Vida que segue.

 

 

 

40 comentários em “Perigo à vista: general Mourão, vice do capitão, ameaça a democracia

  1. Concordo plenamente. Esse tiranossauro deve ter suas idéias e propostas extintas. O nosso Pais não precisa de energúmenos como ele a destilar sandices, como se fossem axiomas.

  2. Só pode ser piada e de mal gosto. Um candidato é esfaqueado, por um cidadão de se declara seu opositor, em ato de campanha, fica impossibilitado de fazer campanha por semanas, talvez a eleição toda, e a ameaça à democracia é a livre liberdade de expressão de um candidato e seu vice. Precisamos reagir como? Terminando de matá-lo? Faça- me um favor!

      1. duvido que 1% dos que aqui criticam o Grande General, passariam na prova da AMAN (academia militar das agulhas negras) aguentariam os treinamentos, os cursos ao qual ele foi submetido.

        1. Depois desse comentario, e melhor tirar o “u” do sobrenome. Duvido que 0,01% dos que apoiam o grande general e seguem o mito, aguentariam morar 1 dia no quartel.

  3. Mourão, “jumento de carga bem arreado”, segundo Ciro Gomes à Globo News, não passa de um bobalhão cretino que aceitou ser vice de outro, de estupidez superior e patente inferior. Dois imprestaveis, não valem o que o gato enterra. Trocar os dois juntos por uma pitada de fumo é prejuizo na certa. Em tempo: o historiador Eduardo Bueno, a exemplo de Ciro Gomes, também não poupou elogios a “inteligencia” do general Mourão. Pra quem quiser conferir e dar boas risadas, vejam meu comentario em post anterior. Boa sexta, Balaieiros.

  4. Para se desenredarem do fox-berlusconismo tropical em que se meteram por muito tempo, jornalistas de grande competência (em cada Cristina bate secretamente uma Amanpour) da maior emissora da América Latina prepararam-se como nunca para a mais significativa entrevista das suas carreiras. Como uma vantagem comparativa inicial, a gravidade do inaceitável atentado contra um candidato escondia para quase todos a extrema relevância do que estava em jogo na entrevista com o seu vice: era o encontro crítico, suponho, de arrependidos co-aprendizes de feiticeiro do “golpeachment” com a sua própria e indesejada criatura, descida dos céus na forma de uma inversão especular perfeita. Uma recomposição provisória da hierarquia militar deste núcleo linha dura atuante na política, e sem consenso interno nas Forças Armadas, no âmbito da qual o general formula com todas as letras e muita naturalidade o discurso subjacente do deputado de patente inferior e infinitamente menos preparado para o embate anticonstitucional em curso: a auto-autorização para interpretar de forma (pseudo)castrense quando o risco de anomia suplantaria a supremacia, sem redundância aqui, do Supremo. Em outros países fora-da-lei, o vigente estado paralelo de exceção jurídico-policial entre nós encontrou o atributo que lhe faltava: militar. Faltou Mourão combinar com os russos, isto é, com os próprios militares; faltou Moro combinar com todo MP e toda PF. O conflito nunca foi conosco, arco de esquerda, e nunca se tratou de corrupção, é sim uma luta entre defensores da democracia e seus detratores. Esta divisão interna das instituições é o perigo e também a salvação.

  5. Parece que o “jumento de carga” (Royalties para Ciro Gomes) não sabe a diferença entre plebiscito e referendo.
    Imaginem um conselho de notáveis escolhido pela dupla capitão/general: Começa com Alexandre Frota (Bolsonaro já o convidou para o Min. da Educação), Kataguiri, Janaína Paschoal, Tiririca, pastor Everaldo, o general Mourão (esse não pode ficar de fora. Afinal a idéia foi dele)… que beleza!! O patrono da turma será o cel. Ustra.

    1. Em 1964, Darcy Ribeiro, um dos grandes que esse país produziu, rotulou o general Olímpio Mourão Filho, um dos “líderes da Redentora” de “vaca fardada”. Pois bem, mais de cinquenta anos depois, outro general Mourão recebe de Ciro Gomes o epíteto “jumento de carga”.
      E assim caminha a Humanidade.

  6. ja imagino esses dois politicos, um capitão e um general, ambos da reserva, subindo a rampa do palacio do planalto. Caro jornalista parcial, nao se esqueça que Temer era vice de Dilma (diga-me com quem tu andas, que te direi quem voce é). Se o Brasil aguentou Dilma e Temer, com certeza dia melhores virão com Bolsonaro e Mourão. Nao sinta medo meu nobre, se o povo assim decidir, nada mais democratico! FIco me indagando, por que os comunas sentem arrepio contra militar, contra a etica, contra o civismo, contra a moral, contra os bons costumes, contra a ordem, contra a lei, contra a disciplina. Ao contrario, prefere a turma dos escandalos (precisa enumerar?).

    1. Nogueira, pensei em explicar, mas melhor não, conforme ‘resposta do jornalista’.
      A geração de ‘Replicantes – versão Comunas’ é inexplicável no seculo XXI, verdadeira ‘dose pra mamute branco’.
      Mas se quiser mesmo entender, só, informe-se e pense.

    2. Esse Nogueirinha é do balacobaco. Parece que ele hibernou na década de 1950 do século passado e acordou agora.
      “Às vezes é melhor ficar calado deixando que os outros pensem que você é um idiota, do que abrir a boca e não deixar nenhuma dúvida” (Abraham Lincoln).
      Acorde, bobão. Já dormiu demais.

    3. Ai Nogueira, como você é nervoso! Revoltadinho, hein? Sorria, meu jovem, pois não podemos afirmar que o sorriso continuará livre com essa duplinha de fardas.

  7. Enquanto isso, num pequeno país vizinho, o Uruguay, um chefe do exército que se propôs a infringir a Lei, dando opiniões políticas em veículos de mídia, teve a prisão decretada por 30 dias. Tudo isso sem verborragia ou mensagens em redes sociais, fazendo o presidente daquela república apenas o que se espera do chefe de governo e de Estado: determinando que se aplique e se cumpra a Lei nacional.

    No Brasil generais da ativa e da reserva – como Villas Bôas, Etchegoyen, Mourão , Paulo Chagas e Augusto Heleno – não só fazem declarações políticas, mas intimidam outros poderes, como se viu no dia 5 de abril e na semana que passou, quando o comandante formal do exército, Eduardo Villas Bôas, estimulado pelas vivandeiras do PIG/PPV, se pôs a fazer declarações e ameças políticas, em entrevista a um jornal golpista.

    Hamilton Mourão não é um simples candidato, mas um general 4 estrelas recém-passado para a reserva. Mesmo que não fosse general, ele não poderia atentar contra o Estado de Direito. Sendo general do exército – não importa se na ativa ou na reserva – ele e outros colegas de caserna não podem dar esse tipo de declaração. Todos eles deveriam ser presos. Mas no Brasil pós-golpe são esses generais e outros do naipe os que estão no comando do governo e do Estado.

    Ao contrário do que escreveu o jornalista, a democracia não está ameaçada; ela está morta há 4 anos, pois em 2015 a Presidenta eleita foi impedida de governar e no ano seguinte deposta por esse golpe que, no início, era midiático-policial-judicial-parlamentar (com os militares dando apoio, na retaguarda). Agora a turma dos coturnos mostra os dentes e garras, tomando a frente. Mas o alto comando sempre foi e continua sendo do Deep State estadunidense e finança transnacional.

  8. Ricardo,
    Hoje Haddad estará no JN, o Bonner e a Renata, fazem a “entrevista”, na base da inquisição. O portal Uol, traz essa materia hoje: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/09/globo-se-negou-a-mostrar-campanha-da-vacinacao-com-xuxa-e-galinha-pintadinha.shtml

    O texto cita que a Globo rejeitou os VTs da campanha nacional de vacinação porque as peças era com a Xuxa e a Galinha Pintadinha. Segundo o diretor de negócios da emissora, os comerciais estavam fora das normas da empresa. Acredito que esse tema possa ajudar Haddad para citar a necessidade da regulação da mídia. Analisa e se for o caso leva ao conhecimento do pessoal do marketing da campanha.

  9. Caro Kotscho, a PAZ seria plena caso não existisse no mundo milicos, banqueiros e líderes religiosos (qualquer religião).
    Fique tranquilo, o povo brasileiro não é composto por maioria de imbecis como supõem alguns e esmagadoramente derrotaremos para sempre essa ameaça fascista do cão miúdo e o seu jumento de carga.

  10. Prezado Kotscho: mais uma vez venho parabenizar teu posicionamento claro contra a onda neo-fascista que assola este combalido país. É realmente um escárnio total à democracia o que essa dupla de viúvas da ditadura militar vem fazendo na campanha presidencial, com o beneplácito cínico da pior mídia deste globo terrestre. Enquanto Lula permanece encarcerado na PF de Curitiba, devido às manobras de um judiciário manipulado e partidarizado, que não tem vergonha alguma de utilizar provas fraudadas para conseguir seus objetivos canhestros, o circo de horrores fascista brinca com os valores de uma nação que deveria bani-lo para sempre de seu convívio em nome da civilização. O pior de tudo, é que esse tipo de pensamento e atitudes tendem a se fixar num país cuja ignorância maior tem em suas elites da desgraça, o seu maior símbolo. O povo? Coitado do povo, não consegue perceber o quanto isso está contribuindo para o seu esmagamento.

  11. puta merda…se todos que saem ou estão nas nossas forças armadas são como estas duas criaturas que agora se apresentam à apreciação do nosso povo, podemos perceber a inutilidade do dinheiro público em mantê-las.
    Krai…fico tremendo de medo do paraguai nos declarar guerra.

  12. Eu já contei aqui que o meu primo mais novo, filho da irmã de minha mãe, José Ricardo Cunha tem doutorado em Direito e é professor titular da cadeira de ÉTICA na UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e durante muitos anos concomitantemente lecionou também na UFRJ.
    Hoje ele publicou nas suas redes sociais o seguinte comentário:
    “O princípio fundante de um poder constituinte é o povo. Há anos eu digo aos meus alunos que constituição outorgada não é constituição, é coisa. Ensinar que uma coisa é constituição é fazer a legitimação acadêmica de uma impostura política. Agora tem candidato à vice-presidência querendo uma coisa no lugar da constituição. É a farsa que se funde com a tragédia…!”

  13. Ésta é a eleição dos extremos, onde cada qual faz seu arroubo passando por cima de tudo o que é legal e também moral.
    La vem generais e capitães falando alem do que deve, em um ambiente ja extremamente conturbado, desde que inventaram o “nós contra eles”
    A direita rosna, o centro não cheira e não fede e não mostra suas qualidades para tirar o Brasil do atoleiro em que se encontra.
    A esquerda por sua vez tripudia o tempo todo em cima da justiça, vindo agora com a proposta de, se chegar ao poder, indultar Lula, um reu (para não usar aqui outro adjetivo mais agressivo) processado e condenado pela justiça, em todas as instancias. E de quebra responde ainda por mais um punhado de processos. E pasmem… quer ser presidente…….
    Nesta zona toda, quem é que mais está atentando contra a democracia? Cada qual de sua forma, todos conspiram contra a legalidade e contra os poderes constituidos.
    É uma vergonha geral – rotos acusando o outro de rasgado

  14. Kotscho e amigos, há uma entrevista do general Villas Boas que choca quem a assiste, pois o militar parece estar com os dias contados: cabelo ralo, respira com dificuldade, auxiliado por dois grossos tubos de oxigênio nas narinas. Se algum Balaieiro tem outras informações, peço que compartilhe. Bom fim de semana a todos.

  15. Prezado Kotscho: Você está coberto de razão com seu alerta: “Cuidado com o andor: Mourão pode parecer maluco, mas não está para brincadeiras.” E ele não está só, como dizia o outro. O “boçalnarismo” avança a passos largos e de coturno nos pés de civis. Se em briga de marido e mulher não se mete a colher, está passando da hora de a OAB, a CNBB, a ABI e outras entidades, junto com os movimentos sociais, se manifestarem e meterem a colher nessa briga porque o que o capitão reformado e o general vêm pregando são claros sinais de que vão rasgar a Constituição se forem eleitos ou não.

  16. Só Ciro enquadrou os generais. Os demais candidatos oposicionistas silenciaram até agora. O presidente Tabare Vasques do Uruguai fez no dia seguinte o que Ciro disse um dia antes. Prendeu um general que palpitou sobre política e governo.

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