Pobre de quem for eleito, pobres de nós: ganhe quem ganhar, como vai governar?

Pobre de quem for eleito, pobres de nós: ganhe quem ganhar, como vai governar?

Passadas as fortes emoções dos últimos dias, com a definição do cenário eleitoral, está na hora de começar a pensar no que virá depois.

Se hoje o país está quebrado e paralisado à espera da eleição, que Brasil o vencedor encontrará no dia 1º de janeiro?

E como e com quem o novo presidente pretende governar esta massa falida, com o sistema político-partidário destruído e os três poderes desmoralizados?

Os presidentes do PSDB e do PT, que se revezaram no poder nos últimos 25 anos, contavam com forte estrutura partidária, bons quadros técnicos, criaram um clima de esperança durante as campanhas e tinham amplo apoio popular no início dos seus mandatos.

Desta vez, não temos nada disso. Não se discutem a sério projetos para o país. Virou uma disputa entre diferentes personalidades que se atacam mutuamente no varejo.

Ganhe quem ganhar, caminhamos no escuro para saber o que virá depois, pois os próprios candidatos não têm ideia do que os espera e muito menos do que pretendem fazer na prática.

Lula e Bolsonaro, os dois extremos que vinham liderando as pesquisas desde o ano passado, estão fora de combate _ um se recuperando no hospital e o outro preso em Curitiba.

As pesquisas divulgadas esta semana mostram um quadro embolado na disputa por uma vaga no segundo turno, sem que nenhum candidato consiga empolgar os eleitores _ desinteressados, perplexos e desesperançados, a menos de quatro semanas da abertura das urnas.

A maioria sabe o que não quer, mas não tem a menor ideia do que será melhor para o país, e está em busca do chamado mal menor, que pelo menos não piore ainda mais as coisas.

Nem dá para imaginar como seria o ministério de Bolsonaro, de Ciro ou de Haddad, os três candidatos mais competitivos no momento.

É só olhar para quem os cerca que dá até medo, com a bela exceção de Manuela D´Ávila…

Quando FHC e Lula foram eleitos pela primeira vez, a gente sabia com que equipes eles poderiam contar para levar adiante seus projetos de país _ os dois pelo menos tinham um projeto.

Em linhas gerais, o sociólogo FHC, eleito no embalo do Plano Real, jogava tudo na estabilização da economia e recrutou seus principais quadros nos meios acadêmicos.

Lula, por sua vez, líder de um movimento popular de massas, construído de baixo para cima, entrou no Planalto disposto a combater as desigualdades sociais e incorporar ao mercado as legiões de excluídos.

Ambos alcançaram seus principais objetivos e vivemos 16 anos de relativa calmaria, com a inflação sob controle e crescimento econômico, com baixos índices médios de desemprego.

Parecia que o país tinha acertado um rumo, mas foi apenas um ponto virtuoso fora da curva, em meio à sucessão de tragédias que marcaram nossa história recente desde a redemocratização.

Tanto FHC como Lula esgotaram-se em si mesmos, não abriram espaço para o surgimento de novas lideranças nacionais, e seus partidos se desfiguraram no presidencialismo de coalizão, dominado pelo MDB e pelo Centrão, afinal tragados todos nas águas da Lava Jato.

Foi isso que permitiu a ascensão de uma excrecência como Jair Bolsonaro, assim como a Itália caiu nas garras de um desqualificado Silvio Belusconi após a Operação Mãos Limpas.

O sonhado Brasil do futuro, mais justo e contemporâneo do mundo, terminou nas mãos da quadrilha de um Michel Temer qualquer, o presidente fantasma de um passado sombrio que vaga pelo Planalto.

O grande desafio dos candidatos que ainda estão na disputa nem é ganhar a eleição, mas conseguir governar depois, com um Congresso que deve vir ainda pior do quer o atual, a julgar pelas figuras grotescas que vemos desfilar no horário político da televisão, com raríssimas exceções.

Quanto mais propagandas, debates e sabatinas a gente vê, mais aumenta o desânimo sobre o nosso futuro.

O que era para ser a grande festa da democracia, a eleição direta para presidente da República, pela qual tanto lutamos, vai se transformando num velório de defunto vivo a caminho do brejo.

Se hoje está difícil a sobrevida da maioria dos brasileiros, fico pensando no que poderá vir depois da posse do novo presidente.

Eleição sempre é, acima de tudo, uma renovação de esperanças, mas onde encontrá-las neste deserto de mediocridades tonitruantes que prometem o paraíso para daqui a pouco, num passe de mágica manjada que já não engana ninguém?

Pobre de quem for eleito, pobres de nós.

 

Em tempo: não deu para ganhar desta vez, mas fiquei feliz por ter participado da bela festa da entrega do Prêmio Comunique-se 2018, no Tom Brasil, nesta noite de terça-feira.

A vencedora na categoria Blogs, com toda justiça, foi a minha colega Andréia Sadi, do G1, que me premiou com belas palavras sobre meu trabalho em seu agradecimento, o que para mim valeu mais do que um troféu.

Aproveito para agradecer também aos amigos Heródoto Barbeiro e Xico Sá, que falaram bem de mim de graça lá no palco, me emocionaram…

Foram tantos elogios e fotos que pediram pra tirar comigo que fiquei desconfiado. Será que estão achando que não vou durar muito?

Mais uma vez, quero agradecer a quem votou em mim. Ano que vem tem mais. Vida que segue.

 

30 comentários em “Pobre de quem for eleito, pobres de nós: ganhe quem ganhar, como vai governar?

  1. Querido Kotscho,

    entendo sua desesperança. Não esperava que descêssemos tanto. Bozonazi é um pesadelo grotesco. Ver tantos bispos das trevas fazendo campanha e se elegendo é desesperador. Recursos e mais recursos – tão necessários para levantar o país- sendo jogado no lixo: no bolso desses patetas hipócritas e demagogos. Vou votar no Haddad mas ando meio de luto pelo Brasil. Vivo em Londres e desde 2013 vejo o Brasil morrendo um pouco a cada dia…

  2. Mestre, se fosse tu, voltava pra cama e acordava de novo, afinal ontem foi noite de festa, de rever a ‘tchurma’, de umas e outras e sabe ‘cumuéquié’, ‘os pecados do domingo quem paga é a segunda-feira’.
    Desperto e refeito, vida que segue, se eleito com legitimidade com o povo governará, caso contrário, o Brasil permanecerá no golpe, atolado, à espera do caos anunciado.
    À escolha golpistas, o povo de voto à legitima solução.

  3. Kotscho, ver o horário eleitoral na TV é uma forma eficaz de saber o futuro, fora os grotescos, que são o mal menor, há os filhotes de corruptos que eternizam suas oligarquias nada bem intencionadas. Na minha cidade, o pai, prefeito inelegível condenado por corrupção elegerá folgado seu filho deputado, um garotão que nunca fez nada da vida a não ser desfrutar o produto do roubo do pai. Veja o caso emblemático do Aécio, provavelmente será eleito deputado como um dos mais votados em Minas. Não existe chance para o nosso pobre país.

  4. Caro Kotscho, no programa de governo oferecido pelo PT consta uma proposta em que a votação para o legislativo se dê no segundo turno e não no primeiro como é hoje em dia. Assim ficaria na mão do povo a constituição da maioria necessária para o executivo governar evitando portanto a feira pré eleitoral. Não é uma ideia perfeita já que o ideal seria uma eleição separada e depois de o Presidente, o governador ou o prefeito já eleito e definido como ocorre em vários países de democracia consolidada, mas já é um começo, um ponto de partida para um bom debate.
    O adiantado da idade já me ensinou definitivamente que a esperança NÃO É a última que morre (é a sogra !!!) mas eu ainda a tenho e cultivo. Do jeito que está, ajudaria muito se o eleitor inteligentemente praticasse o voto vinculado (nada de sopa de partidos na urna !!!) e seja o que Deus quiser.

    1. Caro Enio, é assim que funciona na França, há muito tempo, e foi por isso que o Macron conseguiu montar maioria no parlamento.
      O problema aqui é que qualquer reforma político-eleitoral depende dos políticos que nós temos e eles não querem mudar nada, só manter seus privilégios para barganhar apoio depois da eleição presidencial.

  5. Acredito que não se pode comparar FHC com Lula em termos estatura política. É ser muito generoso com FHC. Inclusive o surgimento da excrescência Bolsonaro pode ser colocado na conta de FHC com seu partido e seus apoiadores da grande imprensa.

  6. Compartilho seu pessimismo, Kotscho. Haddad herdará uma economia colapsada e desacreditada, num país minado e contaminado pelo banditismo que tomou o país a partir do golpe. Sair desse atoleiro será tarefa Hérculea, mas não impossivel, desde que façamos nossa parte, matando a Hidra de Sete Cabeças, votando PT (esquerda) de cabo a rabo. Qualquer desvio nesse script, “hermanamente” mergulharemos (de ponta-cabeça) no caos. Deus tenha misericordia do povo brasileiro.

  7. Parabéns, parabéns, parabéns…. belo texto, livre de paixões partidárias e pensando no nosso bem maior… o BRASIL..
    Parabéns pelo reconhecimento na premiação….
    Apenas para descontrair: Chame o Meireles…..

  8. Kotscho, maior prêmio são os leitores conquistados qualitativos ñ importando o viés político (aquele tenta convencer c argumentos fidedignos e depois convida p chopinho p cair na gargalhada). Posso dizer q vc é um vencedor dando a nós “labirintos” p cada um encontrar a sua saída ou uníssono.

    Agora sobre esse texto q colo uns parágrafos (E como e com quem o novo presidente pretende governar esta massa falida, com o sistema político-partidário destruído e os três poderes desmoralizados?)…Acredito no déficit dessa tríplice, mas ñ comentar sobre o Césio-137 q é a nossa imprensa dominante. Que todo mundo sabe q é 4 poder.

  9. A cada dia sua agonia. Haverá problemas, sem dúvidas, mas, além dos previsíveis, haverá os gerados pela própria esquerda. Explico-me: os puristas na verdade vão espernear, mas fatalmente teremos que perder alguns anéis quer na escolha dos ministros quer nas alianças no congresso. Talvez algumas medidas impopulares tenham que ser tomadas (Lula fez isso, lembra-se?). Além do que, muitos iniciativas podem ser tomadas sem que isto dependa do legislativo. Mas eu deixaria isto momentaneamente de lado.
    Não conheço o Kotscho mas parece-me que de vez em quando ele tem uma crise existencial e passa a vender pessimismo, o que menos necessitamos no momento. Acho que a palavra de ordem atual é miotivar a militância para o trabalho de formiguinha, especialmente o Lula é Haddad. Um abraço

    1. Ari, não é crise existencial, mas intoxicação pelos comentários que não chegam ao nosso conhecimento. Se os que são enviados pelo José Eduardo, josé antonio, J Leite, Netho, pelo tal de Paulo (vide post anterior) dão azia em Sonrisal, imagine os que são barrados pela moderação. Não fossem pelos belíssimos e impagáveis textos do Dias, Enio, Everaldo, CesarT etc…, pra compensar, Kotscho precisaria de um transplante de fígado a cada seis meses.

      1. Realmente, é dificil conviver com o contraditório. Todos são democratas, desde que não sejam contrariados. Está no DNa dos petistas, que tem mesmo azia quando são contrariados em suas posições

  10. De qualquer sorte -O Brasil tem que ter um presidente.Afinal o Brasil é conhecido como uma República,de cuja forma de governo é o presidencialismo de “coalizão” ou mais recentemente;presidencialismo de Corrupção.Fosse uma República parlamentarista.Menos burocracia e mais objetividade na correção dos rumos políticos administrativos.Na minha sempre modesta opinião.

  11. Grande Kotscho, parabéns por ser finalista de tão importante escolha.
    Quanto ao futuro sombrio acho forças na bela canção de Gilberto Gil que diz: – “quem espera sempre alcança, três vez salve a esperança”.

  12. Prezado Kotscho: “Eu já entendi para que serve minha utopia. A minha utopia não serve para que eu chegue até ela, mas para me impedir de parar de caminhar.” (Eduardo Galeano).

  13. Estou pessimista, mas quem passou pela ditadura, Sarney, Collor, FhhhhC, e agora essa quadrilha de trastes golpistas que enfiaram goela abaixo, nao pode ser pessimista. Basta Haddad governar para o POVO, (como fez Lula) que o otimismo volta ao natural.

  14. Quem for governar, diferente de seus antecessores, não poderá governar para o mercado e para o povo. Não haverá espaço para altas taxas de juro e commodities super valorizados. Se tiver apoio popular, deverá logo cobrar a fatura dos segmentos que canibalizam nossa economia.

  15. Só faltou ser mais didático e falar….”Depois da desastrosa dupla Dilma Temer (ambos escolhidos a dedo por Lula…a Dilma pq era seu braço direito, e a que ele achava mais fácil de manipulá-la, e o Temer para poder vencer as eleições e manter os esquemas firmados desde que o PMDB de Renan Calheiros e Cia o salvou do Mensalão).
    Restou a Lula indicar outra Dilma, com duas singelas diferenças: uma porque veste calças e a outra porque invés de possuir dois “FF” de Rousseff no nome, possui dois “DD” de Haddad!
    Ademais, teremos um tresloucado com a promessa de violência para vencer os problemas do Brasil na bala…
    Por isso que prefiro o horizonte que transitam o Geraldo, o Álvaro Dias, Amoedo, Meirelles e até a Marina!!
    Vamos que vamos!!

  16. Como vai governar?

    Essa é simples, já está em andamento uma “aliança” entre PT e MDB para o segundo turno da eleição presidencial. Encabeçada por ninguém menos que José Dirceu…

    O “golpe” foi tão forte, mas tão forte que vejam vocês: se aliando com MDB?!

    E não me surpreende se entrar essa “aliança” o PSDB também, o medo do capitão ganhar é grande.

    Isso que é “golpe”!!!

      1. No quesito fonte, farei uso do artigo oitavo do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros 🙂

        O que posso dizer é que tenho acesso à informação.

        Melhor não colocar o carro na frente dos bois, deixa a junta de bois levar o “cantador” adiante; para vermos se esta informação será confirmada ou confrontada.

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