Brasil em ruínas: que tal erguer um hospício sobre os escombros do Museu Nacional?

Brasil em ruínas: que tal erguer um hospício sobre os escombros do Museu Nacional?

Tão grave e assustadora quanto a incineração da nossa História no Museu Nacional, é a guerra que se instalou nas redes sociais assim que a noticia correu na noite de domingo.

Um Fla-Flu político insano tomou conta da blogosfera, com ofensas e acusações de todos contra todos, cada facção responsabilizando a outra pela pela desgraça federal.

A tragédia do museu misturou-se ao tiroteio da campanha eleitoral, e o país, que já estava em ruínas, avançou mais um pouco em direção ao abismo da anomia social.

Foi como se as diferentes tribos tivessem recebido ordens para atacar ao mesmo tempo, não deixando pedra sobre pedra para contar no futuro a triste história destes tempos de degradação e barbárie.

Ao mesmo tempo, lá no Acre, o mais alucinado candidato a presidente da nossa história, encenando empunhar uma metralhadora, simplesmente ameaçava fuzilar adversários, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Nem deu manchete na imprensa.

As autoridades se limitaram a lamentar o acontecido e prometeram tomar providências para que a tragédia não se repita, e teve até quem prometeu reconstruir e restaurar o museu, como se isso fosse possível fazer com uma canetada.

Melhor fariam se utilizassem os recursos, que não existem, na construção de um gigantesco hospício na Quinta da Boa Vista sobre os escombros do museu, e colocassem lá dentro todos os que falaram barbaridades suprapartidárias nas últimas 24 horas, em todas as plataformas e latitudes, sem esquecer o bispo-prefeito do Rio, retrato acabado da insanidade em que vivemos.

Se queimaram o nosso passado, pelo menos poderíamos no futuro resgatar um pouco da civilização de cinco séculos que destruímos nos últimos quatro anos, desde a última eleição presidencial, a caminho de uma possível tragédia ainda maior na próxima.

Na entrada do hospício, poderiam colocar uma placa em homenagem póstuma ao finado:

“Aqui jaz a História de um país chamado Brasil que se autodestruiu e ainda está procurando os culpados. Estão todos lá dentro”.

E vida que segue.

 

26 comentários em “Brasil em ruínas: que tal erguer um hospício sobre os escombros do Museu Nacional?

  1. As palavras do prefeito Marcela Crivella,sobre este evento,com ‘ares” de desastre previamente determinado dar uma ideia da importância que as autoridades tem ela coisa pública;” …UMA FATALIDADE…”!.Pensando bem, a presença do Marcelo Crivella como prefeito do Rio de Janeiro é uma grande FATALIDADE!.

  2. Bom texto, mas tenho uma vaga impressão que você não colocaria o Lula lá nesse hospício né?

    Enfim, aposto que também é culpa do Temer, pois até dois anos atrás esse museu era um exemplo de segurança e administração estatal. Nunca antes na história desse país um embusteiro sem caráter enganou tanta gente.

    Triste país.

    1. De uns tempos pra cá passei a ter vergonha do meu sobrenome (Barroso). E tu ??? Pelo que escreve, justifica o teu, sem vergonha e sem remorso.

  3. Caro Kotscho, meus parabéns, eu também assino embaixo do seu texto. Pena que isso só aconteça num momento em que é dificil saber o que é maior: a tristeza ou a vergonha de ser brasileiro…

  4. Quem sao os culpados? todos sabemos quem sao, e aonde estao. A premonicao de que nao vai ficar pedra sobre pedra esta se concretizando, so falta fuzilar todos os petralhas.

  5. Um post incisivo e preciso como esse deveria envergonhá-los, mas não… no país em que aceita-se desigualdade ‘campeã mundial’, ao mesmo tempo que defende-se a meritocracia.
    Porém, em meras 6 horas, Mestre, fez-se com fogo, suor e água, o mais perfeito e significativo monumento retratando esse Brasil medíocre.
    As ruínas e as cinzas do bi-centenário Museu Nacional, monumentaliza e escancara a tragédia que é termos desenraizada e incapaz Classe Dominante, ao invés de elite capaz e com raízes que permitisse sermos nação soberana.
    Permita então sugerir, algo mais em conta e protegido de novos descasos que o Hospício, incapaz de alojar tamanha clientela merecedora.
    Um muro de vidro cercando as ruínas, sem acessos e uma placa resumo da tragédia, para que brasileiros no presente e no futuro, ao visita-lo, possam saber de onde origina-se o Brasil em que ‘vivem’ ou, se os ‘marinho’ (ou novos ‘marinho’) não mais existirem, seus antepassados ‘viveram’.

  6. Confesso que tb fui contaminado por esse “fla x flu” interminável e incansável. Porém apos acontecer uma tragédia na minha família e eu conviver alguns dias num corredor de hospital, vendo famílias e mais famílias (inclusive a minha) chorar amargamente a perda de um ente querido e amado, pude ver que brigamos por tão pouca coisa, e aqueles que defendemos, nem mesmo sabe que existimos.. vamos amar mais, se doar mais, abraçar, beijar, a vida passa e depois só lembranças.. brigamos por coisas fúteis..

  7. Caro e prezado grande repórter RK, por anos a fio – décadas seguidas – os filmes americanos, depois da última cena, exibiam a famosa legenda THE END.
    Expressão consagrada este THE END.
    É nome de uma bela canção do Earl Grant, que, dizem, imitava Nat King Cole.
    Pois o Brasil chegou ao fim(da picada?)e, com licença dos cineastas de Hollywood, THE END para o Brasil.
    Inácio de Loyolla Brandão já tinha avisado: “Não verás País algum”.
    Depois dos últimos acntecimentos, é por aí mesmo.

  8. Caro Kotscho, nem que chore toda a nação de uma vez, todas as lágrimas não serão suficientes para apagar o fogo dessa tragédia. Muitas espécies de aves foram incineradas, menos tucanos (ainda). Muitas múmias queimaram , menos os três irmãos Marinho (ainda). Ainda bem que memória não se queima e ela estará bem viva daqui a um mês no voto de cada brasileiro indignado, de cada cidadão inconformado e de cada coração partido.

  9. …ficaria muito caro mante, 24 horas por dia , uma pequena brigada de incêndio???
    Nã havia uma empresa que assumisse os custos ínfimos com esta brigada ??? Pedem tanto o estado minimo.

  10. Temos um defeito estrutural difícil de corrigir, que é o de transferir responsabilidades.
    No caso do museu os responsáveis são aqueles que fazem parte da sua direção, pois estavam perto dos riscos, e, se achavam que precisava de reformas deveriam o ter fechado, desligado a eletricidade, atéque fosse reformado.
    É como no caso da corrupção, o país paga caro para manter órgãos de controle, que só descobrem que ela está ocorrendo quando já aconteceu.
    Quem devia estar preso, não eram os políticos, mas sim os membros destes órgãos…né não???

  11. Favor de incluir o Sr. nessa insânia que nos levou a isto. Quem não lembra de seus comentários no programa do Heródoto quando defendia as manifestações de 2013 e teimava em não ver o golpe que já se antecipava, divergindo com seus seguidores inclusive, neste espaço. É, Kotscho… transformamos o Brasil num hospício, NÓS TODOS, não queira manter distancia das responsabilidades que a todos nos cabe. Não pretenda ser o Cristovam do jornalismo, os “isentões” não escapam ao crivo de um olhar critico. O hospício somos nós, cada qual com a sua mochila.

  12. Não seria difícil, nem complicado, examinar as responsabilidades por ação e omissão. Primeiro, o laudo técnico-pericial para identificar se houve ou não participação direta, quanto à natureza dolosa ou culposa. Em seguida, comparar a execução orçamentária vis-à-vis à previsão orçamentária, que consta da rubrica própria à Cultura. O Ministério do Planejamento dispõe de todos esses dados, ano a ano, mês a mês, relativamente a todos os governos, após 1989, uma vez que o museu está no âmbito de uma universidade federal subordinada ao Ministério da Educação.
    Agora que os navios queimaram, até pode parecer inútil e ociosa tal verificação comparativa. Todavia, não será inútil nem ocioso aferir, muito pelo contrário, a dimensão da irresponsabilidade das autoridades incumbidas da administração do patrimônio cultural. Uma pergunta se impõe pela obviedade ululante: havia pelo menos algum seguro elementar do patrimônio cultural, a exemplo do que ocorre em todos os países do mundo e mesmo em outros museus localizados no próprio território nacional? Basta esta resposta para identificar o responsável funcional direto, a despeito dos responsáveis superiores que decidem sobre as diretrizes políticas e econômicas.

  13. Prezado Kotscho: O fogo que destruiu o Museu Nacional é uma amostra do pode vir pela frente se o governo continuar promovendo o desmonte do Estado brasileiro que, diga-se de passagem, aparece até como meta na plataforma de alguns candidatos à presidência da república.

  14. O museu. Não! É uma experiência de guerra. Bombardeio, pilhagem, destruição. Do essencial! Parem com isso: o Brasil ainda navegava com Dilma, mesmo com sua grande inabilidade para fazer política diante das chantagens do centrão, da feroz crise internacional, de uma mídia sem pluralidade (na veia) e do autoboicote interesseiro de “certos” setores do mercado. Esta narrativa falsa de um PT degradado moralmente no centro da nação se revelou um pacto mefistofélico e se tornou no fim das contas uma mentira mil vezes contada para si mesma por gente de má fé em tribunais e tribunas. Com Temer, o Brasil descarrilou descrente de si mesmo. Tudo está por um fio, tudo pode desandar. Parem de mentir, já fizeram a sua cena, já lhes deram atenção! Deu ruim: Bolsonaro arrisca ganhar e o museu queima.

  15. Texto correto, não pode tentar achar um único culpado ou lado errado. A omissão foi de todos, verbas aprovadas e não liberadas em 2014, será q com FHC era tudo perfeito ou tbm se tinha dificuldades de conseguir administrar, com lula foram atendidos todos os pedidos?! Tentar culpar dilma ou temer é um grande perda de tempo, erraram todos.

    1. Jose Antonio, o problema é o conteúdo.
      Aqui é um espaço para debates, com comentários que tenham um mínimo de argumentos e baseado em fatos reais, e não para fazer propaganda eleitoral a favor nem contra ninguém.

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