Alckmin é candidato à reeleição ou a presidente? Brasil não é São Paulo

Alckmin é candidato à reeleição ou a presidente? Brasil não é São Paulo

Algum marqueteiro ou assessor precisa urgentemente avisar o ex-governador Geraldo Alckmin que ele não é candidato a mais uma reeleição em São Paulo, mas a presidente da República.

Alckmin passou metade dos 27 minutos da entrevista no Jornal Nacional na defensiva, ao responder às perguntas sobre as denúncias de corrupção envolvendo o seu governo e o PSDB, e a outra metade fazendo uma prestação de contas da sua administração em São Paulo, para falar das maravilhas do estado, o melhor do país em tudo.

O problema é que o Brasil não é São Paulo, e Alckmin não conhece o Brasil. Só vai lá em época de eleição para tirar fotos com chapéu de vaqueiro numa criação de bodes.

O que interessam ao resto do país as obras feitas em São Paulo?  No final, ainda listou as estações de metrô que vai inaugurar esta semana, como se os eleitores de outros estados soubessem onde fica a Chácara Klabin e se perguntando o que eles têm a ver com isso.

No tom monocórdico de sempre, escandindo cada sílaba, o candidato tucano repetiu todos os números e jargões dos debates e não conseguiu apresentar uma única novidade no seu programa de governo para o Brasil, declamando apenas siglas e estatísticas que não chegam a emocionar ninguém.

Não adianta dizer que vai repetir no Brasil inteiro o que fez aqui porque o orçamento federal não permite e, além disso, boa parte do eleitorado só viu metrô na vida até hoje nas propagandas do governo de São Paulo ou em filmes.

Deve ter despencado a audiência da Globo na terceira entrevista da série dos presidenciáveis que termina nesta quinta-feira com Marina Silva.

Bem que William Bonner e Renata Vasconcelos, para mostrar imparcialidade, tentaram apertar Alckmin como fizeram com Ciro e Bolsonaro, mas ele se manteve impassível o tempo todo, não vendo a hora do programa acabar.

Sobre os casos de corrupção, pulou como gato andando sobre brasas e repetiu platitudes:

“Não passamos a mão na cabeça de ninguém. Quem pagou paga pelo erro, quem for absolvido será absolvido”.

Beleza. Com a Justiça partidária e seletiva que impera no país, não poderia mesmo dizer outra coisa.

Como já aconteceu em entrevistas anteriores, o tucano saiu em defesa  de Laurence Casagrande, ex-presidente da Dersa e secretário do seu governo, que está preso, enumerando várias vezes as qualidades do auxiliar.

“Espero que amanhã, quando ele for inocentado, tenha o mesmo espaço na mídia. É uma pessoa correta”.

Ao longo do programa, prometeu várias vezes “empregos na veia”, com a multiplicação de obras de infraestrutura por toda parte, sem dar uma pista de onde pretende tirar os recursos.

E perdeu uma boa oportunidade para tentar desempacar nas pesquisas.

“Peguei o governo com 60 estações de metrô. Vou entregar com 89, mesmo em momento de crise”, gabou-se, como se isso fosse mudar o voto dos eleitores de Cabrobó do Norte e Pirapora do Bom Jesus.

Mas nem em São Paulo isso representa muita coisa, já que depois de governar o estado várias vezes, nos 24 anos de administrações do PSDB, está em terceiro lugar nas pesquisas no estado, atrás de Lula e Bolsonaro.

Nesta sexta, começa o horário eleitoral gratuito na TV, a grande esperança de Alckmin parae finalmente decolar na campanha.

Pela amostra da entrevista no JN, vai ser difícil.

Vida que segue.

 

 

11 thoughts on “Alckmin é candidato à reeleição ou a presidente? Brasil não é São Paulo

  1. Os paulistas fazem, a meu ver, um erro ao analisar os governos do PSDB ao comparar SP com Alagoas ou outro estado nordestino.
    O Pe. Lebret, lápratasmente já dizia que S. Paulo não poderia ser considerado um estado subdesenvolvido. Creio que a comparação deveria ser feita com cidades do primeiro mundo, como Berlim ou Moscou. Aí poderia se ver com clareza o desastre que foram os governos do PSDB, sem considerar que 24 anos no poder aliado a uma mídia ignóbil conseguiu criar uma população que pode eleger Dória ou Skaf para governador, literalmente inimigos dos interesses do povo

  2. O PSDB corre para sua desintegração pós golpe em São Paulo.Ou será que alguém ainda acredita que Doria vencerá a poderosa FIESP/Skaf nas eleições estaduais. A sua única sobrevivência será o presidência do País, mas sem fôlego e preso ao maldito único dígito, Alckmin ver o sonho virar pesadelo.

  3. Há um jogo pesado dentro dos campo dos nossos adversários eleitorais diretos mais encorpados: acusando o golpe das fases sucessivas destas tentativas de desidratação da candidatura Bolsonaro e se sentindo traídas pela mídia, as antigas cabeças de ponte aecistas do estado paralelo jurídico-militar, hoje cabos eleitorais dentro-da-coisa que prende o que estiver na frente, prova o que quiser e pune o que precisar, tentaram em lance ousado virar o vento da seletividade agora para Alckmin. O pique do ex-governador nas escadas policiais, para fugir da mídia depois do depoimento prestado, é um efeito cinematográfico até tímido, mas de caso pensado para atingí-lo desde um front hiperconservador de antigos aliados; claro que não se compara à humilhação nua e crua a que foi submetido o reitor de Florianópolis e à encenação aparatosa da condução sob vara de um ex-presidente.
    A golden age moralista se esgarça como um pano puído, amarelado com o tempo, que nunca foi reivindicação legítima nem bandeira de coisa alguma: o confisco ilícito da digna bandeira, esta sim, e da camisa honrada da seleção para fins de uma mal disfarçada cruzada religiosa começa a cobrar seu preço. Aprendizes de feiticeiro, incapazes de reverter a magia ruim que se volta de súbito contra eles, apostam todas as fichas no horário desigual da TV. Já os bolsonaristas-de-dentro criaram a armadilha perfeita contra o seu maior obstáculo real: ruim de gogó fora de São Paulo e encurralado simbolicamente por acusações de corrupção que só chegam agora, mas chegam. Sem ironia aqui, e pensar que aquela Avenida Paulista de amarelo, bela por outros motivos e planos, está rachada internamente!

  4. Enfrentemos a realidade. Alkmim é o candidato de interesses financeiros e negociais que se apoderaram da maquina pública há muito tempo. Eles estão apreensivos. Talvez não dê para empurra-lo até segundo turno. Para este segmento, microscópico em votos mas avassalador em termos de poder, as alternativas são escassas e pouco confiaveis.
    Neste cenário cabe aos analistas especular sobre o futuro agir das forças que comandam e continuarão mandando, sem voto.

  5. O tucanato não tem mais perspectivas de subsistência, exceto no território paulista. Trata-se de um partido com sinais claros de exaustão e, mesmo, de extinção. O “Santo” vai acender a última vela no velório na seara que só foi honrada por Montoro e Covas. Um tempo passado que não voltará jamais. As eleições de 2018 serão o dobre de finados da mal ajambrada social-democracia à brasileira. É o fim do caminho dos tucanos e do tucanato que sonhava com um “reich de 20 anos”.

  6. Prezado Kotscho: “O que interessam ao resto do país as obras feitas em São Paulo? “. Nada, mas o ex-governador paulista tem que dizer que ele “faz, faz, faz” como um outro ex-governador paulista que acabou de ser cassado pelo congresso.

  7. Sei não, mas Marina ontem no JN estava como jogadora de poker. Acho que até um pouco prepotente para seu antigo perfil de “evangélica”!
    Tem caroço nesse angu!

  8. Os comentaristas aqui estão meio fora da realidade. O PSDB caminha para sair da eleição com o maior número de governadores eleitos (SP, MG, RS, RO, RR e MS). Três dos cinco maiores colégios eleitorais. Caminha para extinção?

  9. Há uma análise – a mais exaustiva e de grande amplitude – com base em todas as pesquisas, que o Data Poder 360 realizou com vistas a aferir as perspectivas do ex-governador paulista. Ela poder ser conferida na página do Poder 360, estado por estado. Não vai ficar ninguém para segurar o ‘Santo’ no andor. O processo de cristianização começou antes do horário eleitoral. A conferir.

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