Bolsonaro ou Alckmin? Quem enfrentará o PT? Elite ainda está dividida

Bolsonaro ou Alckmin? Quem enfrentará o PT? Elite ainda está dividida

Está na sempre bem informada coluna da Mônica Bergamo, na Folha desta segunda-feira:

“Bancos de investimentos e grandes administradoras de fundos fizeram cruzamentos de dados, sondagens e análises e passaram a considerar, a sério, a hipótese de um segundo turno entre Jair Bolsonaro e o candidato do PT. A crença, acompanhada de certo temor, é a de que, mesmo com toda a provável sequência de ataques contra Bolsonaro, o eleitorado siga firme ao lado dele”.

Na reta final, a campanha presidencial caminha para um novo confronto PT X Fora PT, mesmo sem Lula como candidato.

É o que mostra pesquisa da XP, o banco de investimentos da moda que acaba de ser adquirido pelo Itaú. Nela Fernando Haddad já aparece em segundo lugar, atrás de Bolsonaro. Eles sabem das coisas.

Meses atrás, alertei aqui na coluna que parte da elite da grana dos rentistas, do agronegócio e da indústria estava começando a se encantar com Bolsonaro, como única alternativa para derrotar o PT, quando Lula ainda não estava preso.

É assim desde a primeira eleição direta para presidente depois da ditadura.

Em 1989, jogaram suas fichas e dólares na campanha do outsider Fernando Collor, para impedir a chegada de Lula ou Brizola ao poder.

Foi tanta grana nas mãos do lendário tesoureiro PC Farias que eles acabaram se lambuzando e deram motivo para o impeachment, em 1992.

Depois foi a vez de Fernando Henrique Cardoso exercer este papel anti-PT, em aliança com o então PFL (hoje DEM), selada sob as bençãos do doutor Roberto Marinho no final de 1993.

Após três derrotas seguidas, Lula conseguiu derrotar o herdeiro de FHC, José Serra, e de lá para cá o PT não perdeu mais nenhuma eleição presidencial.

A tal elite nunca se conformou com isso e, como não dava para derrotar Lula e o PT nas urnas, decidiram, após a derrota de Aécio em 2014, partir para o tudo ou nada que desaguou no golpe parlamentar dois anos depois, no embalo da Operação Lava Jato, criada exatamente para isso.

Agora, não havia um tucano confiável e competitivo para assumir esse papel do Fora PT, já que Geraldo Alckmin não conseguia passar de um dígito nas pesquisas e não animava nem seu próprio partido.

Foi neste vazio que Bolsonaro avançou, e se manteve em segundo lugar nas pesquisas, quando Lula ainda não tinha sido condenado e fazia suas caravanas pelo país.

Sem o ex-presidente na parada, o ex-capitão assumiu a liderança e de lá não saiu mais.

Após a aquisição do Centrão no leilão promovido pelo mercado de votos das alianças, parecia que Geraldo Alckmin ainda poderia reagir, mas até agora as pesquisas não mostraram isso.

Bolsonaro continua firme e forte, chegando à marca de 15% de votos espontâneos, marca que pode garantir sua ida ao segundo turno.

Por falta de outras opções, o candidato da extrema-direta começou a ser convidado para participar de reuniões, a principio secretas, com banqueiros e grandes empresários para “ouvir seus planos” para o país, como se ele tivesse algum.

Sempre levando a tiracolo o economista ultraliberal Paulo Guedes, por ele chamado de “meu Posto Ipiranga”, Bolsonaro arrancava risos e ganhava aplausos. .

O que parecia ser apenas uma excentricidade dos muito ricos para conhecer esta figura exótica saída das trevas da ditadura, agora se apresenta à luz do dia.

Na mesma edição da Folha, o repórter Igor Gielow conta como foi o encontro do candidato com parte do PIB brasileiro, nada menos que 62 representantes do alto empresariado paulista.

A reunião, “quase secreta”, aconteceu na sexta-feira, mas só foi divulgada hoje.

Um ano atrás seria inimaginável ouvir o que lá se falou.

“Eu estava em dúvida entre Álvaro Dias e o Bolsonaro. Agora tenho certeza que sou Bolsonaro. O empresariado tem que sair da moita” (Sebastião Bonfim, dono da rede Centauroi).

“É meu candidato. Em quase 40 anos em financeiro de empresas nunca vi candidato não pedir dinheiro” (Bráulio Bacchi, representante da móveis Artefacto).

A maioria, porém, não permitiu, que seu nome fosse divulgado pelo jornal. “Há um temor de ser identificado com Bolsonaro, figura polêmica devido a seus arroubos retóricos”, constatou o repórter.

Uma coisa é certa: para derrotar Lula e o PT, serve qualquer um.

Sete eleições diretas depois, o país continua dividido entre o partido PT e os partidos da direita do Fora PT, balançando ainda entre Bolsonaro e Alckmin.

Apesar de termos 35 partidos registrados, continuamos desta forma num sistema bipartidário, protagonizado por PT e PSDB nos últimos 25 anos.

Jair Bolsonaro agora ameaça romper essa hegemonia.

Não por acaso, muitos desta elite que agora  apoia o candidato militar são herdeiros dos que, em 1964, colocaram a Fiesp, a poderosa federação paulista dos industriais daqueles patos amarelos de Paulo Skaf, a serviço do golpe militar.

Vida que segue. Para trás?

 

20 thoughts on “Bolsonaro ou Alckmin? Quem enfrentará o PT? Elite ainda está dividida

  1. Esse pessoal não ama o Brasil. Se a crise se agravar, se o pais ficar a beira de uma gerra civil, eles não se importam. O PT não foi tão ruim pra eles assim. Eles nunca são atingidos e quando são ou promovem golpes ou mudam de pais e controlam os negócios deles a distância. Para esses, um extraterrestre pode ser presidente do Brasil.

    1. Bem, você dizia isso do Haddad, quando ele tentou se reeleger como prefeito de São Paulo. Por ironia, sequer conseguiu ir para o segundo turno…
      Prova da incapacidade administrativa do mesmo!

      1. Ao analisar qualquer coisa, é fundamental ver o cenário. O Haddad foi derrotado pela mídia, que não passava uma semana sem criticá-lo e batia diariamente no PT, que vivia seu pior momento, e pela Panela de Curitiba, com a prisão do Palocci, anunciada por Moraes.
        O cenário mudou totalmente. Em abril, o PT desfrutava de 20% da preferência do eleitorado, número que deve ter aumentado bastante, o número de seus militantes crescia muito além do esperado e o Lula, segundo a Vox Populi, já tem 41% da preferência, percentual provavelmente maior hoje, o que talvez seja o motivo de não termos pesquisas Datafolha e Ibope já há algum tempo. Logo após a definição da chapa, Haddad já pulava para segundo lugar, sem qualquer trabalho ou propaganda específica

  2. “É meu candidato. Em quase 40 anos em financeiro de empresas nunca vi candidato pedir dinheiro” (Bráulio Bacchi, representante da móveis Artefacto).
    —————————————————–
    A frase correta é “… em 40 anos nunca vi candidato não pedir dinheiro.”
    Eu votei no lula em 2002, mas o mensalão mostrou q ele era mais do mesmo. Para ñ cair, se alia ao PP e PMDB, ai veio o petrolão.
    Bolsonaro é o voto de protesto, espero q não ganhe, mas não tenho receio do haddah ganhar, ele não chega no 2º turno.

    1. Paulo, errei ao reproduzir a frase do empresário, já vou corrigir. Te agradeço por me chamar a atenção.
      Na verdade, Bolsonaro nem precisa pedir. Estes empresários com certeza darão o que for necessário se ele for para o segundo turno contra o PT.

    1. Ricardo Batista, acho que você está com dificuldade de leitura.
      Leia de novo a abertura da matéria com as informações publicadas na coluna de Mônica Bergamo.
      Você pode até não concordar, mas ali está claro quem disse que o PT estará no segundo turno.
      Além disso, você está mal informado: Haddad ficou em segundo lugar na disputa da reeleição.
      Ler mais ajuda a não escrever bobagens.

  3. Muita Calma Nessa Hora!
    Ainda teremos muitas emoções!
    E por enquanto, o Geraldo Alkmin é o mais qualificado para a Presidência do País.. até 7 de outubro, ao menos uns 30% optará por ele. A segunda vaga é que será disputada pelo pelo PT e Bolsonaro!
    O Alkmin tem mais vantagem no segundo turno…
    Se contra Bolsonaro, terá grande parte dos votos dos que dizem “progressistas e/ou de esquerda”, e se for contra um nome do PT, terá o apoio de grande parte dos que se dizem “de direita”.
    Nessas horas de indefinição e turbulências é que caminhar pelo meio, entre os extremos é que será o caminho mais prudente e seguro.
    Em tempo, os que já definiram pela opção de Alkmin não devem muito se preocupar se ele aparecer com 7.. 8% nas próximas pesquisas…. Mais de 50% dos eleitores, só definirão a certeza do voto na última semana, aliás, no último debate da antes da eleição. Já foi assim em eleições recentes, e esta tende a ter ainda mais esta tendência.

  4. No segmento dos “fardados”, deve-se conservar dogmas e manter a ordem unida e a hierarquia estabelecida que na política, General é vice de Capitão e assim segue-se, sobretudo após o ‘debacle’ da Band mostrar ser mais positiva e operante, além de superior hierarquicamente, a candidatura do Cabo Daciolo, com seu bestial futuro bordão: “Au, Au, Au, abaixo a Lulo-Ursal!”
    Portanto, pura perda de tempo essa gente de bem, pais de família e fervorosos pagadores de impostos, emprenharem ouvidos com Capitão, se o melhor a fazer é pegar logo Cabo à unha.
    Coisas do Brasil! Como permanecer a ‘Farra do Povo’, proibida a do Boi, né Mestre?

  5. A elite quer e deseja piamente que seja Alckmin, mas criaram um grande problema chamado Bolsonaro. Que balancem o berço da discórdia e da traição, pois nós vamos para disputa com B ou com A.
    Não esquecendo que sem representatividade no Congresso, Bolsonaro seria presa fácil, e aí mora o perigo!

      1. Mas ao contrario de ser uma presa fácil, ele pode querer dar um golpe, basta ele levar o exército para o lado dele, e o que não deve ser tão difícil assim. Um golpe tipo Erdogan da Turquia, ou algo mais latino. Tipo, um Chaves/Maduro de extrema direita. Ele já disse outrora que iria fechar o congresso.

  6. Estimado Kotscho.
    Há um senão no texto, que muda o sentido da frase, do dono da Artefacto, da água ao vinho. Bonfim disse: “É meu candidato. Em quase 40 anos em financeiro de empresas, nunca vi um candidato não pedir dinheiro”. A ausência do “não”, no seu texto, faz toda a diferença.
    A “candidatura militar” sabe que não precisa nem pedir, porque o dinheiro correria naturalmente à candidaturas pintada de segundo turno.
    Não há mais réstia de dúvida de que a “candidatura militar” é uma candidatura fincada no segundo turno e o ex-capitão o candidato a ser batido.
    Se o PT vai ou não vai ao segundo turno, com o “Cover” do Lula, isso são outros quinhentos. Até o mundo mineral sabe, para ficar em uma clássica expressão de Mino Carta, que a Globo estimulou a candidatura de Lula (contra a candidatura de Brizola) em 1989, porque o ex-metalúrgico seria a candidatura mais fácil de ser batida pelo “caçador de marajás” (a “candidatura do establishment” encarnada em Collor de Mello). E assim foi.
    A candidatura do PT, com o “Cover” de Lula, é a candidatura – igualmente a 1989 -, mais fácil de ser batida, sobretudo em tempo de acelerada escalada de reacionarismo e conservadorismo. Da mesma forma que na Colômbia, Peru, Argentina e Chile, a direita jogou e venceu com as brancas. No Brasil, desgraçadamente, não foi possível reproduzir a “Frente Ampla”, que permitiu ao centro-esquerda suceder ao presidente Mujica.
    O fato eleitoral é que o lulo-petismo pode tornar-se o maior cabo eleitoral da direita, quando setembro vier.
    A conferir.

  7. Kotscho, é preciso observar melhor a savana. Veja um dos lideres do centrão, o Valdemorte Costa Neto, de que lado está? Estava com Lula mediante negociata em um apartamento em Brasília onde o PT “obteve” seu apoio, está agora com o Picolé de Chuchu, que para agradar os radicais do Sul temperou sua candidatura insossa com a senadora Ana Amélia, a mulher do relho. Valdemorte é o tipo de abutre que não erra o lado onde está a carniça. O mercado teme o que não conhece, e não conhece o capitão Recruta Zero, apoiou Lula porque o conhecia, e se deu muito bem, melhor que os miseráveis do Bolsa Família, apoiará o Picolé de Chuchu porque o conhece. Infelizmente o próximo presidente será o Alckmin. Com certeza o centrão já sabe até de quais ministérios terá posse, e já deve estar selecionados os indicados da mais ilibada reputação.

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