Bebel feliz: São Paulo de Muricy está de volta, agora com Aguirre

Bebel feliz: São Paulo de Muricy está de volta, agora com Aguirre

Muricy não fica mais na área técnica, mas é ele quem está por trás da reviravolta no São Paulo, ameaçado de rebaixamento no ano passado, e agora liderando o Brasileirão.

Qual foi o milagre, se a diretoria é a mesma e o elenco teve poucas mudanças, depois da saída de Dorival Júnior, para a entrada do uruguaio Diego Aguirre?

Devemos a revelação do segredo ao repórter Bruno Grossi, do UOL, autor da matéria “São Paulo com pinta de vencedor à la Muricy? Com Aguirre, não é por acaso.”

Indicado por Lugano, antigo ídolo tricolor, que parou de jogar no ano passado, logo ao chegar a São Paulo Aguirre procurou o técnico que levou o clube ao pentacampeonato da Série A, depois de conquistar três títulos consecutivos.

E ninguém entende mais do tricolor do Morumbi, das suas manhas e mumunhas, do que este marrento e competente Muricy Ramalho, agora comentarista da Globo.

Como os dois técnicos têm personalidades e ideias sobre futebol muito semelhantes, durou horas o jantar que transformou o São Paulo de perdedor em vencedor.

Aguirre demonstrou humildade para procurar quem conhece, e parece ter incorporado o espírito guerreiro de Muricy, que é o mesmo de Telê Santana, os dois maiores técnicos da história do São Paulo.

Com eles não tem jogador chinelinho, ninguém tem lugar garantido no time, e quem não está satisfeito pode procurar clube. E cartola fica na diretoria.

Quando fui entrevistar Muricy após a conquista do penta, com a equipe da revista Brasileiros, ele mostrou a fita branca que mandou colocar em volta do campo de treinamento da Barra Funda.

Só podia passar dali quem iria treinar e a comissão técnica. Nada de cartolas, convidados da diretoria, cornetas e jornalistas, ninguém podia ficar por perto da área de trabalho.

Separar o futebol da política do clube foi a primeira providência de Aguirre/Muricy, além de mandar tirar o sofá da sala da comissão técnica porque ali não é lugar de descansar, mas de trabalho.

Também só poderia entrar na sala quem ele autorizasse, como era no tempo do seu conselheiro.

É verdade que Diego Aguirre já encontrou uma estrutura profissional bem montada, que os outros técnicos não tiveram, com o trio Raí, Ricardo Rocha e Lugano cuidando de tudo da porta do vestiário para dentro.

Deve-se também aos três responsáveis pelo departamento de futebol o acerto nas contratações, a começar pelo técnico, ao contrário do que acontecia nos anos anteriores, em que a diretoria montou um balcão de negócios e não conseguia montar um time que prestasse. Parecia o Centrão do futebol.

Como Muricy gostava de repetir sempre, em futebol não tem milagre, mistério, acaso. “Aqui é trabalho!”, proclamava o técnico, batendo no peito e mostrando o muque.

Nas mãos de Aguirre, Nenê e Diego Souza, que costumavam ficar reclamando no banco, viraram os grandes artilheiros do time, e até Reinaldo, antes vaiado pela torcida, virou craque, começou a marcar gols.

Em 12 dos 27 jogos sob o comando de Aguirre, o São Paulo não levou gol e foi o time que mais tempo permaneceu invicto no campeonato.

Perdeu até agora só dois jogos e começou a ganhar fora de casa, o que antes era uma raridade.

Mestre Tostão que me perdoe, mas ao contrário do que ele defende, técnicos como Muricy e Aguirre podem, sim, fazer a diferença em pouco tempo, quando conseguem impor seus métodos tanto à diretoria como aos jogadores.

Técnico sozinho não ganha nem perde jogo, mas o comportamento dos times depende muito de quem está no comando.

Dava raiva ver o São Paulo jogar no ano passado, trocando passes laterais na defesa, recuando inteiro depois de marcar um gol, rezando para o jogo acabar logo.

Agora, não: jogando bem ou mal, o time corre o tempo todo, entra firme nas divididas, impõe respeito aos adversários.

Se continuar desse jeito, corre o risco de voltar a ser campeão brasileiro pela primeira vez desde a demissão de Muricy, em 2008, lá já se vão exatos dez anos.

Vocês não podem imaginar como está feliz agora minha neta boa de bola, a Bebel, de 12 anos, são-paulina mais apaixonada da cidade, que só assiste aos jogos com o uniforme completo.

Vai, Bebel, agora vai!

E vida que segue.

 

11 comentários em “Bebel feliz: São Paulo de Muricy está de volta, agora com Aguirre

  1. Belo texto…espero q o empenho continue o msn até o final…ser campeão será consequência…para um time q nos últimos anos só beirava rebaixamento…ESSE ANO UMA GRATA SURPRESA…Abs e vamos q vamos tricolor!!!

  2. Parabéns aos Sãopaulinos por este momento de alegria e satisfação de ver um grupo de dirigentes focados no trabalho, com resultados bastante positivos. Futebol tem altos e baixos, momentos de muita alegria, alternados por outros de muita frustração. Aproveitem este momento mágico

  3. Disciplina e regras para todos ajudam em qq atividade. Depois de tristes anos, é bom ver meu SPFC competitivo. Concordo com a leitura de meu querido amigo Kotscho: sem disciplina, regras para todos e exemplo fica difícil ir em frente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *