Doria mentiu 43 vezes que seria prefeito até o fim: quem ainda acredita nele?

Doria mentiu 43 vezes que seria prefeito até o fim: quem ainda acredita nele?

É preciso ser muito crente ou desinformado para acreditar num candidato a governador, que prometeu por 43 vezes ficar os quatro anos no cargo de prefeito para o qual foi eleito em 2016 e acabou saindo 33 meses antes do final do mandato.

Segundo levantamento feito pela Folha, esse foi o número de mentiras que João Doria contou na campanha para prefeito.

“Vou prefeitar até o último dia do meu mandato”, prometia ele quando lhe perguntavam sobre seus planos políticos.

Só eu ouvi esta mentira três vezes nas entrevistas que fiz com ele quando trabalhava no Jornal da Record News, ao lado de Heródoto Barbeiro e Nirlando Beirão.

Mal tinha tomado posse na prefeitura, o empresário de eventos e apresentador de TV já estava atropelando o padrinho Geraldo Alckmin para se lançar candidato a candidato, não a governador, mas a presidente da República.

Em vez de prefeitar, como reiteradamente prometeu, começou a rodar sem parar pelo Brasil e pelo mundo para se viabilizar como candidato do PSDB à sucessão de Michel Temer, mas continuava mentindo sobre sua permanência na prefeitura.

“Faremos quatro anos vibrantes, que valerão por oito”, declarou ao jornal espanhol El País”. Nem quatro, nem oito: na época, ele já planejava voos mais altos.

Na última entrevista ao JRN, ao completar 100 dias de governo, perguntei-lhe qual seria seu plano econômico para o país caso fosse eleito presidente.

Primeiro, negou essa possibilidade, é claro, garantindo que só pensava em ser um bom gestor da cidade, mas, quando insisti, acabou admitindo que, nesse caso, manteria a política econômica de Michel Temer, com reformas, privatizações, corte de gastos, e tudo mais.

Ao despencar nas pesquisas de popularidade, de tanto se ausentar da cidade, antes de completar um ano de gestão, Doria baixou a bola e começou a preparar sua campanha para governador.

Em março, exatos 15 meses após a posse, largou a prefeitura nas mãos do jovem vice Bruno Covas, neto do ex-governador Mario Covas, também do PSDB.

E de um dia para outro sumiu da cidade, onde sua rejeição (33%) era maior do que a intenção de voto (29%), e foi fazer campanha no interior de São Paulo, que conta com dois terços do eleitorado.

Só neste sábado, Doria está voltando a dar as caras por aqui para ser lançado oficialmente como candidato do PSDB, ao lado de Geraldo Alckmin, com quem só se encontrou uma vez desde que deixou a prefeitura.

Pode até ser que Doria se eleja, contando com a fraca memória do eleitor, e também porque não poderia escolher concorrentes mais fracos _ o também empresário Paulo Skaf, dos patos da Fiesp e do MDB, o inexpressivo governador em exercício Márcio França, do PSB,  e o petista Luiiz Marinho, todos com pouco tempo de TV.

Nas últimas pesquisas, no entanto, Doria aparece tecnicamente empatado com Skaf, sem aquela empáfia do “já ganhou” do início da campanha.

Como aconteceu na campanha para prefeito, Doria logo juntou em torno dele a turma barra pesada do Centrão, algo que Alckmin só conseguiu na última semana, e vai deitar e rolar na TV, fazendo novos juramentos e promessas, já que é seu próprio marqueteiro.

Se vencer, o PSDB completará um quarto de século no comando de São Paulo, também conhecido como o grande Tucanistão, onde o partido controla os três poderes.

Para quem gosta, é um prato cheio. Bom domingo.

Vida que segue.

 

14 thoughts on “Doria mentiu 43 vezes que seria prefeito até o fim: quem ainda acredita nele?

  1. O mauricinho não será governador, nem presidente. Será um nada, nadando na praia. Até o pato da paulista tem mais chance do que o youppie dos jardins.

  2. João Agripino Dória fez sua vida e sua fortuna em cima de mentiras. Muitos paulistas e paulistanos – e alguns sãopaulinos – sabem disso. Mas, mesmo assim, formam a manada doriana. Fazer o quê, não é?

  3. O erro do Dória, e considero grave, é a ganância por poder em tão pouco tempo na política. Faz 2 anos que a vitória dele foi considerada por todos um grande feito do Governador Geraldo Alckmin. Fato que o mínimo que se esperava era a gratidão dele, e que trabalhasse para ajudá-lo no objetivo maior que era Presidência. Ao contrário, não somente não ajudou, como muito atrapalhou o tucano que lhes ajudou a vencer como Prefeito. Numa análise mesmo que simplista, se o Dória tivesse gratidão ao Geraldo Alckmin teria trabalhado para o PSB do vice governador, o França, viesse para o grupo de Geraldo, com todo seu PSB e todos ganhariam…
    Ganharia o Geraldo por não ser atrapalhado pela criatura, ganharia o PSB, porque venceria em São Paulo, que é uma espécie de um terço do País, e o próprio Dória se fortaleceria para suceder o França ou até o próprio Geraldo daqui a 4 anos. Invés disso tornou o caminho dos três mais complicado.
    Faltou-lhes gratidão, que é uma virtude cada vez mais rara.
    Contudo, até pelas péssimas opções, deverá ser eleito. Mas poderia ter ajudado o Geraldo Alckmin, principalmente não atrapalhando !

  4. Ricardo eu diria que foi uma mentira sem prejuízos, afinal seu vice é excelente. Diferentemente da Dilma que mentiu durante toda sua campanha e acabou provocando milhões de desempregos e milhares de empresas que quebraram, ou fecharam suas portas. Por sorte, depois desse golpe petista para se reeleger, fizemos o impeachment, se não isso aqui hoje estaria uma Venezuela….Doria governador!!!

    1. Mas voces não se envergonham de continuar com essa conversinha depois de toda a m**** que fizeram? E a conversa da Venezuela. Não passa de procedimento igual a de seus idolos que é desviar a atenção.
      Maduro, queira ou não foi eleito, teve maioria. Quanto a Temer é resultado do golpe. Querem a derrubada de um governo eleito e defendem um corrupto maior, acobertado pelo PSDB desde o fim da ditadura.

      1. Ana Carolina, leia, estuda, aprenda e deixe de ser ridícula. Eu jamais perderia meu precioso tempo respondendo algo a imbecis como você. Amanhã é domingo, pegue sua bike e vá passear na avenida Paulista, leve seu patinho amarelo da Fiesp, vista a camiseta vergonhosa da seleção brasileira, cuspa em quem for negro, pobre, diferente e volte para casa de alma lavada. Vocês nasceram assim…

  5. Prezado Kotscho: Mas o ex-prefeito, com aquele sorriso que não fecha, disse sempre que “não é político”, não é mesmo? Poderia se esperar alguma atitude diferente desse trampolineiro?

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