Centrão de Temer e Cunha, agora com Alckmin, continua o dono da bola

Centrão de Temer e Cunha, agora com Alckmin, continua o dono da bola

O correntista suíço Eduardo Cunha, criador do consórcio do Centrão, está preso em Curitiba.

Michel Temer, o beneficiário, continua confinado no Palácio do Planalto, só esperando o fim do mandato, cercado por denúncias de corrupção contra ele e seus ministros.

Os dois se juntaram ao PSDB em 2016 para derrubar o governo do PT e implantar o projeto dos tucanos derrotados em 2014.

E agora estão novamente unidos com o Centrão, o dono da bola, o melhor retrato do Brasil de 2018, sob o comando de Valdemar da Costa Neto, do PR, aquele mesmo, o Golbery dos novos tempos.

Dono das bancadas BBB (do boi, da bíblia e da bola), o Centrão já mamava nos governos do PSDB e do PT, e se aboletou no de Temer, como quem faz baldeação no terminal de ônibus.

Para eles, tanto faz programa de governo ou de partido, ideologia, projeto para o país.

Pouco importa quem seja o presidente, desde que eles possam dividir o butim e faturar sempre mais. Nem fazem questão de lançar candidato.

O que eles querem é apenas o poder para barganhar cargos e verbas, manter seus feudos nos ministérios e cevar os currais eleitorais nos fundões do Brasil.

Pensando bem, esta gente está no poder desde sempre, nunca largou o osso, nem mesmo no breve interregno dos governos petistas e na longa noite da ditadura militar.

Nasceram e vivem do poder, quer dizer, da chave do cofre do Tesouro Nacional, que é o que lhes interessa.

Há séculos a mais poderosa bancada no Congresso Nacional é a dos ruralistas, latifundiários, fazendeiros, seja lá o nome que preferem.

São os donos de terra e de gente, que dividem o mundo entre quem manda e quem obedece, mesmo os líderes metropolitanos e acadêmicos, que sempre procuram manter um pé na roça para não perder o costume.

Temer, Cunha, Aécio, Alckmin, FHC, Collor, Sarney, Maluf e os demais caciques nativos têm todos a mesma origem e os mesmos interesses.

Nas contas deles, o chamado povo é apenas um detalhe, um acidente de percurso, de quem só lembram na época de eleições.

Juntaram-se todos outra vez, e o MDB logo entrará também neste consórcio do poder, assim que conseguir se livrar do Henrique Meirelles, um estranho no ninho.

O Centrão que, por duas vezes, garantiu a permanência de Michel Temer no governo, após as denúncias da PGR, agora se prepara para continuar lá, de onde nunca saiu.

É a melhor expressão do sistema político brasileiro, com mais de 30 partidos, que em sua maioria se tornaram franquias para chegar ou se manter perto do Tesouro.

De um dia para outro, depois de garantir um latifúndio de tempo na TV, Geraldo Alckmin tornou-se outra vez competitivo.

Resta saber o que pensa de tudo isso aquele pequeno detalhe, quer dizer, sua excelência, o eleitor.

Com Lula preso, eles se sentem mais à vontade para costurar suas alianças com os mesmos de sempre para que nada mude.

Se tudo der certo, na melhor das hipóteses, teremos apenas uma continuação do governo Temer, o mais rejeitado presidente da história republicana.

Bom final de semana.

Vida que segue.

 

13 thoughts on “Centrão de Temer e Cunha, agora com Alckmin, continua o dono da bola

  1. O Centrão é a central sindical dos partidos politicos. Ao contrario das outras que vivem (ate agora) da exploração dos seus representados através das contribuições compulsórias, como a Sindical, este sobrevive da traficância de influencia, achaques e desvio de dinheiro publico. Até mesmo o PT, que tinha aquele velho discurso da moralidade e que tem (ou tinha) nos seus estatutos algo como expulsar membros que se metessem com desvio de dinheiro publico (até hoje so foram expulsos aqueles que contrariam a direção) caiu na tentação do mel das falcatruas, abraçou os corruptos e protagonizou o maior desvio de dinheiro publico a que se tem noticia. Hoje, carta fora do baralho politico, vive de denunciar que foi vitima de golpe de seus proprios comparsas.. É a velha historia do roto apontando o dedo sujo para o rasgado. Todosx se merecem, sem excessão

  2. Caro RK.
    Essa foi a minha grande decepção com o PT. Se em 3 mandatos e meio o tal centrão continuou comandando parte importante dos destinos do Brasil, Lula e PT agora faria mum governo sem essa gente?

  3. A revelação dos detalhes da negociação entre o P T e o P L para acertar a chapa Lula/José Alencar que disputariam a presidência em 2002 constituiu um dos episódios mais graves da política e da era Lula. E a imprensa, covardemente, não repercutiu . Não houve entendimento político em torno de propostas para o País, nem tampouco o debate sobre um programa de governo. Tratou-se de dinheiro, apenas, de quanto o PT repassaria para o PL, a fim de obter apoio do partido ao qual era filiado o homem que Lula desejava como seu vice-presidente.
    Fonte. Ivo Patarra.
    O Chefe.
    Então, o homem que Lula queria custou 20 milhões no ato. E o que impressiona, e os petistas esquecem tudo, é que, a rigor, era uma aliança espúria, uma vez que não havia nenhuma afinidade ideológica entre os negociantes, fato que, a bem da verdade, agora há, o que torna as negociatas atuais legítimas dentro dos padrões da política do Brasil.
    E o homem de ouro Valdemar da Costa Neto, está aí novamente. Apena o PL mudou de nome para PR. E os personagens são, exceto o PT, por enquanto, os mesmos.
    Ninguém está debatendo os problemas do país, mas apenas operando o mais descarado toma lá dá cá e ao quanto será a participação no butim.

  4. A operação lava a jato tem que ser permanente. Se tivesse investigação serrada e punição dos corruptos nos governos anteriores como é agora o país não estaria enfrentando esta crise que assola o povo trabalhador.

  5. A questão é saber até quando Lula vai empurrar com a barriga no grade, a definição do candidato supostamente popular e minimamente progressista. Até agora, a tática liderada por Lula, de acreditar que vai estar na urna eleitoral, só tem levado água ao moinho da direita. O ex-presidente pode passar à história – com a sua tática aparentemente suicida – como um cabo eleitoral das direitas, tanto facilitando a armação ilimitada do baronato financeiro tucano com a escória do centrão, quanto sendo útil à direita militar paraquedista.

  6. Prezado Kotscho: Como você escreveu com muita propriedade “Temer, Cunha, Aécio, Alckmin, FHC, Collor, Sarney, Maluf e os demais caciques nativos têm todos a mesma origem e os mesmos interesses.” e lembrando que a “obra de deus” tucana vai muito além do Rodoanel. Agora ela é materializada pela figura do ex-governador de São Paulo nesta eleição presidencial e o seu ninho começou a ser construído lá nos anos 80 no governo Montoro.

  7. Faz-se imperativo insistir que ainda há tempo, porém cada vez mais escasso e diminuído, de demarcar uma ampla linha de defesa do campo popular, progressista e democrático. E que tal linha de defesa passa, necessariamente, por uma visão do próprio Lula que enxergue além do próprio PT. O lulo-petismo já teve suas oportunidades, que foram amplas, mas não foram aproveitadas quando todas as variáveis-chave estavam em suas mãos. Vale dizer, nas mãos de Lula. Lula e o PT vêm manejando muito mal a conjuntura adversa, embora a situação do PT já tenha sido muito pior (a queda de Dilma, paradoxalmente, salvou o PT da destruição completa e absoluta, porque deixou no colo do “MT” o espólio do desastre econômico inaugurado por Joaquim Levy). O PT não se aproveitou do próprio vazio deixado pelo candidato enjaulado (ainda que seus indicadores de popularidade tenham se recuperado e retornado aos níveis de 1989, em torno de 30% do eleitorado) para mobilizar todas as forças que gravitam fora da direita bruta e da escória política. Mobilizar em torno de quê? Em torno de um programa único, com base no problema central: o número catastrófico de desempregados que tende a aumentar. Enquanto isso as convenções partidárias discutem o rumo da viagem quando o iceberg já risca o casco das embarcações.

    1. Acabo de ler o comentário de Tereza Cruvinel, que não pode ser acusada de anti-PT e muito menos de anti-Lula. Um comentário que corrobora a leitura que temos feito aqui – e mais a leitura de toda a torcida do Flamengo -, de que a tática lulo-petista de forçar a sua candidatura até o sol fazer bico é a tática da qual a direita mais gosta e com a qual mais se favorece. Reproduzo o comentário, entre aspas: “A bola agora rola no campo da esquerda, em resposta à jogada do adversário da centro-direita. E a resposta, por ora, não foi a busca da unidade, como fez a direita, mas o acirramento da disputa entre PT e PDT pelo apoio do PSB e do PC do B”. Alguém já disse que a “simplicidade é a derradeira etapa do gênio”. Óbvio e ululante que Lula vai errar outra vez. A primeira como tragédia, ao escolher Dilma. A segunda como farsa, ao escolher dentro do PT (a escolha que a direita gosta e quer que ele faça). Lula e o PT ainda dispõem da chave para garantir que o segundo turno não seja travado exclusivamente dentro do campo delimitado pela escória da direita aglutinada em torno do tucanato e pela direita militar condensada dentro da brigada de paraquedistas verde-oliva.

  8. Quaisquer postes seriam eleitos em 2010. Com a popularidade de Lula passando dos 80%, até o Tiririca passaria por média.
    esmo assim, a disputa foi ao segundo turno, em face das evidentes limitações da escolhida por Lula; uma neófita no serpentário brasiliense.
    A reeleição bateu na trave e teria sido frustrada caso Lula não entrasse de sola. na reta final da campanha.
    A inépcia de Dilma já era flagrante, ao ponto dos petistas mais esclarecidos e experimentados advogarem o “Volta Lula” para impedir a vaca de ir ao brejo.
    Abobrinhas mesmo são as diferentes lorotas de quem preferiu a continuidade de Dilma, cuja política levyana, mais uma ululante inépcia política, levaram o lulo-petismo à lona.
    Menos mal que as abobrinhas não vingaram, de modo que o bando do “MT” ficou sem mato nem cachorro, e tendo pela frente uma ponte que já começara a cair. E que ruiu de vez, com a pinguela para o futuro. De tal forma que permitiu ao lulo-petismo fazer de conta que não existiu a política econômica levyana e se reapresentar com a bandeira dos anos dourados de Lula.
    Lula prefere errar outra vez, com um outro poste, e pior, derrotado pelas abobrinhas de um mauricinho dos jardins paulistanos.

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