E agora que a Copa acabou para nós? O que vamos fazer do Brasil?

E agora que a Copa acabou para nós? O que vamos fazer do Brasil?

Passado o luto do futebol, perdidas as ilusões do hexa, não tem outro jeito: vamos ter que voltar nossas preocupações pra nossa vidinha aqui dentro.

Saem Tite e Neymar, voltam Temer & Cia., a modorrenta campanha eleitoral e seus candidatos ignorados pelos eleitores, a Lava Jato de sempre, os ministros supremos.

Que mais? Nada muito animador.

Será que alguém tem a minima ideia de para onde vai o Brasil agora que a Copa acabou para nós?

Com um presidente isolado no fim de feira do Palácio do Planalto, acuado por novas denúncias diárias, e as instituições todas em férias escolares, que eles chamam de “recesso”, até onde a vista alcança é só escuridão.

Vamos ser francos, a campanha eleitoral não parou por causa da Copa. Ainda nem tinha começado e ninguém sabe quando isso vai acontecer.

Na verdade, o país inteiro está parado há muito tempo, sem dar sinais de vida.

Na melhor das hipóteses, teremos mais um ano perdido na economia e nada indica que este Congresso em fim de mandato vá votar qualquer coisa importante até as eleições.

Já estão todos em campanha para se reeleger e garantir o foro privilegiado, o país que espere, o eleitor que se dane. Eles só querem o teu voto.

Faltam menos de três meses para as eleições e os programas dos candidatos na TV só começam em setembro.

Até lá, vamos continuar assistindo mais do mesmo, as barganhas em torno de alianças para ver quem dá mais e o mercado nervoso porque está sem candidato.

Acabou a polarização entre PT e PSDB que dominou a cena nas últimas quatro eleições presidenciais com os dois partidos hegemônicos se revezando no poder.

Junto com os dois, esfarelou-se também o MDB, que continuava mandando no pedaço, qualquer que fosse o presidente de turno.

Os três grandes partidos foram detonados pela Lava Jato e agora quem dá as cartas é o Centrão, campeão de corruptos no ranking das delações, que neste momento está barganhando seu apoio entre Bolsonaro e Ciro, com Alckmin correndo por fora, devagar quase parando.

Resta o suspense do PT, que até o último momento continuará fechado com Lula, mas já está preparando Haddad para entrar em seu lugar na urna eletrônica.

Foi o que sobrou da política brasileira. Os demais são figurantes pouco mais do que folclóricos.

Só quero saber o que vai acontecer depois, se as pesquisas se confirmarem, e o candidato “Ninguém” chegar ao dia da eleição como favorito, com a maioria do eleitorado sem ter em quem votar.

Que forças terá o eleito para administrar a massa falida deixada por Temer?

Como os partidos viraram meras franquias para abrigar candidatos, teremos um Congresso ainda mais fragmentado em três dezenas de siglas para dividir o butim.

Nem se fala mais em programas de governo, um instrumento importante em outras campanhas, apenas em nomes, quem vai ter mais tempo de TV e palanques estaduais.

Disputa-se nesta eleição o varejão do voto sem identidade e sem compromisso.

Com a sociedade civil recolhida e adormecida, só há debates patrocinados por bancos e entidades empresariais, além de sabatinas promovidas pela mídia, em que um candidato fala mal do outro, e todos tem razão.

Se tudo der certo para eles, estamos todos ferrados e mal pagos. E quem vai pagar a conta somos nós.

Perder a Copa foi o de menos. O pior virá agora.

Até quando vamos adiar nosso encontro com o futuro do país, sem que ninguém tenha um projeto nacional para sairmos desse atoleiro?

Se alguém tiver respostas para as minhas dúvidas, agradeço.

E vida que segue.

 

2 comentários em “E agora que a Copa acabou para nós? O que vamos fazer do Brasil?

  1. Sugiro dar uma olhada e ouvir, sobre o Maracanasso. a resposta à pergunta a Flávio Costa, se ele fora o autor do livro Anatomia de uma tragédia, ele respondeu, admiravelmente, puxando a responsabilidade integralmente para si, diferentemente de Tite que saiu sempre pela tangente com a sua narrativa discursiva e totalmente política de “contextos”. A resposta de Flávio Costa: ” Não sou o autor do livro, mas responsável pela catástrofe”. Nilton Santos e Zizinho, além de Barbosa, também falam. Certamente, Tite nunca mostrou aos seus ‘parças’, um vídeo assim. Nem ele viu. Se viu, não aprendeu nada. Ouça e assista em: https://piaui.folha.uol.com.br/outro-1-2-em-copa-68-anos-atras/

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