Agora sou Croácia do genial Modric, a grande surpresa da Copa

Agora sou Croácia do genial Modric, a grande surpresa da Copa

Ninguém falava nela quando a Copa começou.

Os grandes favoritos foram caindo um a um, e agora a Croácia do genial Modric já está nas semifinais.

Pela segunda vez seguida, este pequeno país da antiga Iugoslávia conquistou uma vitória heroica, nos pênaltis, depois de virar o jogo e empatar por 2 a 2 com a Rússia na prorrogação.

Agora sou Croácia desde criancinha pelos laços familiares que me ligam àquela região e também pelo seu belo futebol, que tanto lembra o brasileiro de antigamente.

Jogando com bola no chão, toques de primeira, dribles e trocas de posição, a seleção croata herdou o melhor da velha escola iugoslava que sempre foi admirada por seu futebol envolvente e veloz.

Zlatko Dalic, o jovem técnico da Croácia, montou uma equipe bem equilibrada nos diferentes setores, mas não teria chegado onde chegou se não fosse o capitão Modric, o meia baixinho, legítimo camisa 10 como já não se fazem mais,  que corre o campo todo o tempo inteiro e comanda seus companheiros em campo.

Cobra todas as faltas e escanteios e só falta correr na área para cabecear.

Dos grandes protagonistas no início da Copa, Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar, aqueles supercraques capazes de decidir o jogo sozinhos, Modric foi o único que restou agora na fase semifinal da Copa da Rússia.

O ídolo croata, que atua no Real Madri, joga em pé, raramente cai no chão, não reclama do juiz nem dos adversários, e faz de tudo discretamente, sem querer aparecer: defende, arma, dribla, lança em profundidade, chuta de qualquer distância, encara os zagueirões-armários.

Foi incansável durante todos os 120 minutos da partida e marcou um dos penâltis que classificaram a Croácia. É, literalmente, o “dono do time”, o jogador que desiquilibra, que Neymar e Messi não conseguiram ser.

País de apenas 4 milhões de habitantes (metade da cidade do Rio de Janeiro) e 56 mil quilômetros quadrados (metade da Islândia), a Croácia nunca chegou a uma final de Copa do Mundo e se tornou a grande surpresa na Rússia.

Faz fronteira ao sul com Montenegro, também ex-Iugoslávia, onde meu pai, Nikolaus Kotscho, viveu e trabalhou como engenheiro, e com a Itália, no golfo de Trieste, o mesmo nome da cidadezinha onde ele foi reencontrar a mãe num campo de refugiados, em 1955, dez anos após o final da Segunda Guerra.

Não conheço esta região, mas dizem que é muito bonita, com mais de mil ilhas num mar de águas claras.

Gosto de Copa do Mundo também por isso: a gente fica conhecendo um pouco de outros países que raramente aparecem no noticiário.

É sempre bom ter um time para torcer quando o nosso é eliminado.

Em todo lugar onde já morei, sempre dei um jeito de arrumar um time para poder zoar os adversários.

Triste pelo Brasil, feliz pela Croácia, e vida que segue.

 

11 comentários em “Agora sou Croácia do genial Modric, a grande surpresa da Copa

  1. A grande surpresa da Copa foram os camaradas russos, que demonstraram, por intermédio do seu treinador, que não é necessário tanto trololó retórico e estatísticas, para montar um time competitivo e lutador. Bem diferente do nosso treinador e jogadores cheios de narrativas rocambolescas. A Rússia somente não passou adiante para sagrar-se campeã, porque deu um azar tremendo nas penalidades e perdeu para a equipe que será, pela primeira vez, a campeã do mundo. O melhor jogador da Copa até aqui é o russo canhoto Cheryshev, que fez os mais belos gols da Copa até aqui. O melhor técnico também é o russo, sem muitas papas na língua, que levou a septuagésima segunda seleção no ranking da Fifa às semifinais.

  2. Caro Senhor Ricardo,
    Não vi a Croácia jogar nesta Copa, nem tão pouco a Rússia. Do outro lado da chave está Bélgica e França, as quais cheguei a ver jogar: a primeira porque jogou contra o Brasil e a segunda com o Uruguai. Não torço por nenhuma delas. Gostaria que tivesse uma seleção latino americana para torcer. Mas agora, Isso para mim é indiferente. No entanto, achei a seleção francesa muito habilidosa. Desde os zagueiros a atacantes. Claro que não são franceses “puros”, mas filhos de imigrantes africanos, como o senhor expôs na outra belíssima crônica. Por isso penso que ela é a favorita a ganhar o mundial. Se vai ser a vencedora, não sei. Mas que tem muito futebol e, mesmo é muito jovem, além de um experiente técnico para se sagrar campeã. Não torço. Mas é assim que vejo.

  3. Prezado Kotscho: Estou com você de que o time da Croácia é um time solidário, que pratica um futebol de equipe, que o Modric é um meio-campista que distribui muito bem o jogo, desde quando joga mais recuado, e lembando que os croatas foram os inventores da gravata.

          1. Prezado Kotscho: Pra mim também não faz falta nenhuma a gravata, que não uso no dia a dia. Prefiro, igualmente, a boa comida da região. Agora, que o segundo uniforme da seleção croata, aquele preto com quadrados azuis, é muito bonito, isso é.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *