Na Conversa com Bial, dois velhos repórteres contam histórias do Brasil real

Na Conversa com Bial, dois velhos repórteres contam histórias do Brasil real

Não estranhem o “dois velhos repórteres” do título, mas meu colega Marcelo Canelas, embora não pareça, já tem 30 anos de jornalismo, uma enormidade nesta profissão de alta rotatividade.

Sou um pouco mais antigo, pois já cheguei aos 54 anos de profissão no mês passado, mais do que ele tem de idade, mas continuo fazendo e pensando as mesmas coisas que este profissional exemplar que dignifica nosso ofício.

No fim de noite da quarta-feira, tivemos um papo muito agradável no programa “Conversa por Bial”, o Pedro, outro repórter de ofício que muda de função sem mudar a natureza do seu trabalho de contar histórias e informar.

É chato a gente falar de nós mesmos, mas depois de rever a gravação que fizemos muitas semanas atrás, queria registrar aqui a satisfação que me deu de poder relembrar as reportagens do Brasil real que nós contamos ao longo da carreira e revivemos no programa.

Pedro Bial tem essa vantagem: conhece e lança o assunto, e deixa o entrevistado falar, sem ficar interrompendo, como vemos tanto na nossa televisão.

O que fica do nosso trabalho, depois de tanto tempo, é isso: ter histórias para contar de personagens, fatos e situações que nós vivemos de perto e por dentro, ninguém nos contou.

Depois que o programa acabou, me lembrei de muitas outras que não deu tempo de contar.

Me deu saudade de outros tempos melhores e mais esperançosos, na nossa profissão e no nosso país, do que estes que estamos vivendo.

E me lembrei de uma frase, não sei de quem, que falou que o Brasil não conhece o Brasil.

É verdade: o Brasil é tão grande, tão rico de gente e de lugares, que precisaríamos de muito mais repórteres para mostrar nosso país aos brasileiros.

Como a idade não perdoa e cobra seu preço, escrevo com pressa porque daqui a pouco tenho que sair para fazer exames no hospital e não sei quanto tempo vou ficar por lá.

Por isso, quero agradecer a todos os leitores e telespectadores que enviaram mensagens para mim no Facebook da minha filha Mariana Kotscho, grande parceira, que também já é uma jornalista veterana, embora ela não goste que eu diga isso.

Ao Bial, ao Canelas e a todos os que nos assistiram e me escreveram agradeço por esta oportunidade de falar sobre o que mais gosto de fazer: reportagem.

Até quando, não sei, mas será sempre com a mesma paixão dos meus primeiros dias de trabalho na Gazeta de Santo Amaro, onde comecei.

Hoje, além deste blog, depois de passar por todas as maiores redações do nosso país, escrevo novamente na Folha em minha terceira temporada no jornal. Não posso me queixar da vida. Amo o que faço e sempre espero prestar um serviço útil a quem me lê, denunciando o que está errado e louvando o que bem merece, como na canção.

Vida que segue.

Em tempo: para quem não pode ver, segue o link do programa no Globo Play:

https://globoplay.globo.com/v/6837068

 

18 thoughts on “Na Conversa com Bial, dois velhos repórteres contam histórias do Brasil real

  1. Muito boa (ótima) entrevista… Admito que assisti por acaso… peguei no finalzinho..mas assistir depois… Parabéns pela serenidade…
    Uma dupla de entrevistados de primeira, vossa pessoa e o Canelas…

  2. Na Globo? Eu pago pra ver a matilha daqui admitindo que assistiu ao “Grande Satã” para ver entrevista do companheiro, dono do blog.

  3. Conheço todos os três jornalistas. A internet virou um canal de violência e divulgação. A gente só espera que os futuros jornalistas não ajam como os futuros presidentes, fazendo os outros terem medo do futuro, e de si mesmos.

  4. Não gosto daquele programa. Aliás, a Vênus Platinada é difícil de engolir. Gostava do Jô, mas o Gorducho se foi. Porém, quando zapeava pelos canais, atrás dos “melhores momentos” das seleções, deparei-me com o Kotscho de bengala adentrando o palco sob um som de primeira puxado por uma banda bem ajambrada. O entrevistador deixou o papo correr solto, o que garantiu a excelência do programa. Volta a insistir, Kotscho. Você escreveu “Do golpe ao Planalto”, que o apresentador aproveitou a deixa para mostrar. Mas, como contador de histórias que você diz ser, e o é, agora está faltando o que seria um “best seller”: “Do Planalto ao golpe”. Aproveite as férias forçadas pelo joelho, que o obriga à fisioterapia e exames, e bem utilize o tempo da espera no estaleiro para alinhavar o eixo narrativo que levou o lulo-petismo do êxtase à agonia. Você conhece as histórias e, com aquela revelação no programa de um presidente comovido ao se despedir do seu secretário de imprensa, vê-se que Você também seria o interlocutor mais privilegiado para ouvir-lhe as histórias essenciais e contá-las como ninguém. Essa história precisa ser contada do seu jeito. Boa jornada!

    1. Netho, esta história “Do Planalto ao Golpe” já está contada no Balaio, que vai completar 10 anos em setembro.
      É só pesquisar no arquivo do blog que está inteiro aqui. Dia a dia, eu contei tudo o que aconteceu neste período.

      1. Não é a mesma coisa e Você, como escritor, sabe muito bem disso. Um livro é uma coisa, o blog é outra. Completamente distintas. Muita gente está contando essa história, como por exemplo, André Singer. E há outros, pela direita, que não vale a mínima pena de serem lidos. A história desse período não pode prescindir de uma literatura à altura, ao seu estilo, desse período histórico, quando o lulo-petismo foi do céu para o inferno. Vai que é toda sua, Kotscho.

        1. “aquela revelação no programa de um presidente comovido ao se despedir do seu secretário de imprensa”… -Que isso Neththo? O Kotsho saiu, ou foi demitido?

          1. Você assistiu ao programa? Larga a mão de ser imbecil, José Anísio. Tudo tem limite.
            A partir de hoje, você está definitivamente fora deste Balaio. Nem perca mais seu tempo.

  5. Graças ao progresso permitindo-o disponibilizar o link, perdoado está por não anunciar que estaria ontem no programa.
    Quanto a frase, ouviu-a da incrível e imortal Elis, cantando Aldir e Maurício Tapajós, em “Querelas do Brasil”, gravada em 1978, em grafia com significado ainda mais profundo e ‘lamentavelmente’, atualíssima:
    O Brazil não conhece o Brasil
    O Brasil nunca foi ao Brazil…
    O Brazil não merece o Brasil
    O Brazil tá matando o Brasil…
    (Agora, ao link…)

    1. (De volta)
      Bela e comovente entrevista.
      “- Então Canellas, porque que é melhor ser repórter do que jornalista?
      – Porque a primeira vez que vejo a expressão “sujar o sapato”, foi lendo o Ricardo Kotscho, quando eu fazia jornalismo lá em Santa Maria, na Universidade Federal de Santa Maria, onde estudei. Todos nós queríamos ser Ricardo Kotscho, pra poder mergulhar nas grandes questões em respeito a matéria prima de nossa profissão que são as contradições da vida.”
      (E isso há mais de trinta anos.)
      Mestre!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *