Minha neta Bebel, 12, pergunta: “Somos humanos ou desumanos?”

Minha neta Bebel, 12, pergunta: “Somos humanos ou desumanos?”

Nada do que li nos últimos tempos me fez tão feliz e realizado como o texto escrito pela minha neta Bebel, de 12 anos, que reproduzo abaixo.

Como eu, quando tinha a idade dela, Bebel adora jogar futebol, é são-paulina, brinca como todas as crianças, mas também gosta de ler e escrever.

Ao ler seu texto na noite de domingo, me lembrei daquele bordão do Ronald Golias no programa “Família Trapo”, da TV Record:

“A humanidade não está se comportando bem”.

E isso foi nos anos 60 do século passado… De lá para cá…

Naquela época eu não tinha nem o conhecimento nem as preocupações que a Bebel descreve ao separar os dois lados da humanidade de hoje.

Antes de escrever, ela conversou sobre este tema com a mãe, a também jornalista Mariana Kotscho, que lhe recomendou a leitura de dois livros infantis: “Imagine”, baseado na música de John Lennon, com tradução de Marina Colassanti, e “Eu me pergunto…”, de Jostein Gaarder.

Achei curioso que ela escreveu este libelo não para a sua escola, mas para o curso de dança, outra das suas paixões.

Transcrevo abaixo o e-mail que ela me mandou, sem alterações, sob o título “Somos humanos ou desumanos?”:

“Você já parou para pensar que a humanidade pode ser dividida em dois grupos? Os humanos e os desumanos.

Os humanos seriam aqueles que ajudam o outro, respeitam, preservam a natureza, procuram a paz e a harmonia de todos, buscam experiências novas e positivas, querem sempre o melhor do país, usam sua criatividade para fazer o bem, têm fé na humanidade, compartilham suas ideias e não desejam o mal para ninguém.

Já os desumanos não gostam de ajudar o outro, não respeitam, fazem mal para a natureza, procuram o mal para a humanidade, provocam injustiças, se acham “espertos”, irritam o outro, fazem bullyng e só querem saber de si.

Sobre as atitudes desses dois grupos que comandam o planeta, podemos perceber que:

Em relação à natureza: os humanos se preocupam com as florestas e a preservação da água. Eles não poluem o ambiente, pois se preocupam com a falta d´água para a população e com os animais que moram nos rios, mares e oceanos. Também preservam os animais da floresta para que não sejam extintos. Sabem que preservar a natureza é se preocupar também com as próximas gerações.

Já os desumanos desmatam as florestas, não estão nem aí para os animais e jogam lixos poluindo a água. Os desumanos estão mais preocupados com a individualidade do que com a sociedade. Só pensam em si e no presente. São capazes de poluir e matar animais só por causa de dinheiro.

Em relação à paz mundial: os humanos se preocupam com o outro, lutando contra a fome, contra os conflitos, contra o terrorismo. Combatem injustiças, preconceitos, machismo, homofobia e racismo.

Já os desumanos promovem guerras, são preconceituosos, cometem atos ilegais, matam as pessoas porque são contra suas opiniões, são corruptos e roubam dinheiro.

Em relação ao futuro: os humanos são preocupados com todos, a sociedade e o coletivo. Se preocupam com a vida hoje e com o futuro mundial. Já os desumanos só pensam em si próprios, não pensam no futuro, só no agora. no poder e no dinheiro.

Errar é humano. Mas fazer o mal, é uma opção.

E afinal de que lado você está? A qual destes grupos pertence?”

Ler estas palavras e pensamentos da Bebel me dá uma renovada esperança de que podemos sonhar com um futuro melhor para nossos filhos e netos _ graças a eles, não a nós.

Vida que segue.

 

13 comentários em “Minha neta Bebel, 12, pergunta: “Somos humanos ou desumanos?”

  1. Caro Ricardo, é uma felicidade que tens em casa, e para nós outros, uma esperança, diante de uma tão grande parcela alienada da juventude de hoje!

  2. – O mal é sempre o mal e não pode ser medido em tamanho, mas pode ser visto e comprovado pela fome e pela miséria da maioria ou pela hipocrisia dos minoritários donos do mundo! – Os mais fracos se submetem ao jugo dos mais fortes, porque no fundo ambicionam se tornar os opressores do futuro. Quando, numa sociedade de consumo, apenas o superficial é prestigiado, apenas a aparência é endeusada: Ser bom exige muita abnegação, despojamento e valentia, para não deixar sucumbir ao comodismo de tantos instalados no poder que vêem a miséria, a dor e as injustiças e continuam impassivelmente alheios. Daí pensar que a vida eterna é herança dos fortes, dos que lutam sem derrotismo. Dos que agem sem medir esforços// Quisera Deus eu ser eterno e compreensivo suficiente para que a minha bondade levasse somente a Paz ao encontro do meu semelhante.

  3. Raça, corre caça, Bebel não me engana, é mais que humana, brasileira genuína, longe de ser lusitana, Parabéns, menina linda!

  4. Ricardo é muita satisfação em tempos de intolerância aguda um texto tão lindo, tão leve sobre a sociedade em que vivemos.
    “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”
    Parabéns a você e sua filha Mariana que incutiram na Bebel essa leveza e lindeza de SER HUMANO.
    Abraços

  5. Vai Bebel! Vai que é sua! Prossiga nas leituras, tão bem quanto tem se mostrado até agora. Candidate-se no grêmio escolar e transmita o seu ideário humanista e iluminista.

  6. Falou e disse, Ricardo: Graças a eles e não a nós. Serão os construtores de um mundo novo, que certamente nos escapa. Sempre achei esta menina uma beleza. Parabéns à família toda.

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