Se até mestre Clóvis Rossi desistiu, só me resta ir para o retiro e rezar

Se até mestre Clóvis Rossi desistiu, só me resta ir para o retiro e rezar

“Desisto, a civilização não é para o Brasil _ O governo fracassou, mas houve falência múltipla de órgãos”.

Esta é a melhor síntese que li sobre o momento dramático que vivemos, sem governo e sem nada para colocar no lugar.

O autor só poderia ser Clóvis Rossi, o mais completo, preparado e respeitado jornalista brasileiro da minha geração.

Foi meu primeiro chefe e editor no Estadão, o cara que me ensinou não só os caminhos da reportagem, mas os compromissos éticos deste ofício.

Com ele aprendi a pensar apenas nos leitores na hora de escrever. É a eles que devemos nosso ganha pão.

Se até o Clóvis Rossi de tantas glórias desistiu do Brasil, depois de rodar o mundo a trabalho, é porque, como ele escreveu no final do seu artigo no portal da Folha nesta terça-feira, “o fracasso é de um coletivo chamado Brasil”.

Até outro dia, a nossa foi uma geração vitoriosa, que sobreviveu à ditadura, lutou contra ela e voltou a viver numa democracia, agora ameaçada outra vez.

Comecei a trabalhar no jornalismo no ano da desgraça de 1964 e não posso acreditar que tanta gente hoje no Brasil queira voltar aos tempos da ditadura militar.

Ao falar dela em seu desabafo, Rossi lembrou que este “fracasso tão formidável (…) não resolveu nenhuma das falências do país, além de ter cometido crimes em série”.

Rossi foi meu padrinho de casamento, em 1972, e depois do Estadão trabalhamos juntos em várias outras redações. Hoje somos colegas outra vez na Folha.

Divergimos muitas vezes sobre os rumos tomados pelo país após a redemocratização, mas concordo totalmente com a última frase do seu artigo:

“Jamais chegaremos à civilização, pelo menos no que me resta de vida”.

Basta ver as sandices fluviais publicadas nas redes sociais nestes dias conflagrados, em que a greve dos caminhoneiros parou de vez o país, para perder qualquer esperança de que algo possa mudar a curto prazo.

A internet democratizou e tirou do anonimato a estupidez humana.

Como temos mais ou menos o mesmo tempo de vida passada, perdi como o Rossi todas as ilusões de ver a civilização se instalar por aqui tão cedo.

Assim como as pessoas, há países que, simplesmente não dão certo, mesmo quando teriam todas as condições de vencer na vida.

Nós perdemos todas as oportunidades generosamente oferecidas ao longo de muitas gerações, e não aprendemos nada.

Da mais alta elite à raia miúda da pirâmide social, a maioria pensa apenas nos seus próprios interesses imediatos, guardadas as devidas proporções, sem se preocupar com o destino comum.

Todo mundo quer levar vantagem em tudo e não temos até hoje uma identidade nacional, um projeto sequer de país, lamento admitir.

Muitas vezes achei o Rossi amargo e pessimista demais, mas hoje reconheço que ele tinha razão no seu ceticismo sobre o nosso futuro.

“Desisto”, escreveu meu mestre e amigo, e eu vou mais uma vez segui-lo.

Já que não tenho mais nada a dizer sobre o que está acontecendo, só me resta ir para o retiro anual dos Grupos de Oração do meu amigo Frei Betto, dos quais fui um dos fundadores, faz mais de 40 anos.

Este é sempre um momento muito aguardado para renovar o espírito e partilhar experiências de vida, o que nunca senti tão necessário como agora. Estamos todos, afinal, no mesmo barco furado.

Vou pedir licença a vocês para sair por alguns dias, pois só me resta rezar, já que acho inútil continuar batendo ponto aqui todo santo dia sem ter nenhuma boa novidade para contar.

Viajo na quinta e volto no domingo. Quem sabe descubra alguma luz para iluminar meus próximos passos. Se isso acontecer, prometo contar a vocês.

Bom feriadão pra todos.

Vida que segue.

 

54 thoughts on “Se até mestre Clóvis Rossi desistiu, só me resta ir para o retiro e rezar

  1. Ah!Para com isso Kotscho,a vida certamente ensina mais que qualquer amigo,toma esse prá você:

    Vox populis vox Dei!

    A esquerda ignorando as massas.Quem diria!

    1. O Sr. Clóvis Rossi alimentou essa situação nos últimos dez anos na Folha, fechando os olhos para a tentativa de se criar um Brasil mais fraterno e civilizado. Não é um inocente decepcionado. É alguém que, tendo oportunidade, cruzou “elitisticamente” os braços. E o Sr. também, depois de deixar o governo, portou -se “olimpicamente”. Não apenas reze, faça também um exame de consciência. Aroldo Braga

      1. Não se preocupe, caro Aroldo Braga, minha consciência está muito tranquila.
        Por falta de condições físicas, nem tenho condições de me comportar “olimpicamente”. Sou apenas um jornalista, o Lula é um dos meus maiores amigos até hoje, mas meu compromisso é unicamente com os leitores, que a vida toda garantiram meu sustento.

        1. Que triste Brasil, nos EUA quando alguém participa de um governo , ele sempre o defende, aqui todo mundo que bancar o Isentão, ninguém é responsável por nada. Somos Isentos, temos compromisso com a verdade, é pra rir ou pra chorar?

      2. Concordo no que diz respeito a Clóvis Rossi, mas nunca a Ricardo Kotscho. Assim que saiu do governo deu a volta por cima e sempre reconheceu os avanços sociais e econômicos dos anos de PT. Diferente de Marina Silva e Christovão Buarque. Muito diferente!

  2. Estimado Ricardo Kotscho, primeiramente gostaria de sugerir que medite sobre o salmo 106. Acredito que dele tirará inspiração para sacudir a poeira. Segundamente, você é um mestre pra muitos de nós. Suas palavras, mesmo desiludidas, fazem refletir, pensar. E, com esta estupidez democratizada e imodesta, maior obrigação recai sobre homens como você, que precisam continuar a ser chama de sabedoria, experiência e lucidez. Esta é a hora dos homens bons erguerem sua voz (teclas). “Mais temível que o grito dos maus é o silêncio dos bons”. Força querido.

  3. O dia em que Rossi desistiu coincide com o dia em que o general declarou que “o século XXI é divertidíssimo”. Existiria coincidência mais emblemática?!

    1. Não foi um general qualquer de fardão nem da reserva, que filosofou do alto da sua percuciente capacidade analítica, que o século XXI “é divertidíssimo”. Foi um general 4 estrela da ativa, na ativa, na condição de Ministro Chefe do Gabinete Institucional da Presidência da República chamado Sérgio Etchegoyen. A dobradinha Parente/Etechgoyen faz mesmo até mais os empedernidos desistirem.

      1. São 71 candidatos oriundos das Forças Armadas,de General a Sargento,de Presidente a Deputado Estadual.
        Só não vale fazer beicinho quando começarem a espocar as continências nas solenidades de diplomação … já se acostumaram ,o espanto ficou lá atrás nas olimpíadas que para cada medalha houve uma continência.
        Desculpa aí pela competência.

  4. Caro Kotscho!
    Seu preclaro amigo Clóvis Rossi sintetizou o sentimento de debilidade de uma pequena parcela de politicamente esclarecida da sociedade. A outra parcela, majoritária, já está contaminada pela doutrina neoliberal tupiniquim consagrada pela oligarquia.
    Nada mais há de se fazer. Na condição de minoria acuada pelo sistema só nos resta a rendição e torcer para que as próximas gerações resolvam, talvez no séc. XXII.
    Bom feriado e boas orações!

    1. Isso não é verdade, pois, Clóvis tinha feito um comentário na Folha, final do ano passado, dizendo que bom seria se o Brasil, pudesse fazer o que o Macri na Argentina estava fazendo, que eram todas as reformas pré-estabelecidas do mágico neoliberalismo estadunidense que eram as reformas trabalhistas e previdenciárias (a mais importantes), que levou o país Argentina, a quase debacle total, isto porque também, não tinha reservas para fazer nem reforma na Casa Rosada que já está até mesmo debotada a tinta, quando mais atender aos interesses do sistema financeiro Americano. E escreveu como se fosse um patriota Brasileiro, ou, seria Argentino?

  5. Kotscho, bem vindo a realidade. Seu post anterior, otimista com o discurso vazio de Ciro Gomes preocupou-nos. Não haverá saída sem Lula, que nada poderá contra o esquema de Romero Juca com congresso, STF, forças armadas, com tudo. Não haverá solução sem os trabalhadores, de punho erguido e mangas arregaçadas, saindo as ruas, tomando o que lhes pertence por direito. Passou o tempo, perdemos a oportunidade de resolver nossas desigualdades de forma pacifica. Se tivessemos um pingo de juizo, libertariamos Lula e colocaríamos na cadeia a quadrilha de golpistas. Onde estão os generais honestos de nosso exercito ? Só vejo borra botas boquirrotos que nao respeitam nossa constituição e não cumprem o dever. Mas não faltam imbecis chamando Michel Temer e Raquel Scherazade de comunistas, pedindo intervenção militar. Estamos fud…. e mal pagos, que os deuses tenham misericórdia do povo brasileiro. Bom dia a todos.

      1. Condenado por quê, discípulo de Oromar ? Pela reforma milionária que nunca aconteceu no triplex que foi a leilão pra pagar dívidas da OAS ? Mas o triplex não era do Lula ? (não bastavam as “oromarices”, vamos ter que tolerar “paulices” ?)

  6. O obscurantismo não pode vencer o iluminismo, cabe a homens igual a vc mostrar a diferenca, (as escolhas somos nós que fazemos) não desista, contamos com vc sempre.

  7. Sei que o momento é triste e delicado, sei 2ue está difícil manter o otimismo, mas não podemos desistir! Há que resistir pelo sorriso, pelo afeto, pela gentileza, pela arte e pelos encontros. E, sim, pelas tantas histórias que ainda precisam ser contadas por nós, jornalistas! 🙂 Bom retiro, Kotscho! Reze por nós!

  8. Rossi é um mestre, você é outro, com linguagem e perspectiva distintas. Ainda assim, no sentido único que damos à palavra no português do Brasil, um mestre, um ponto de inflexão inescapável no quadro de desorientação generalizada.
    Sinto muito, a parte civilizada do país não pode ficar sem vocês. Já era hora do Frias, e para uma estranha ao meio me parece que só ele pode fazê-lo, criar um (Die) Zeit semanal. Que tenha, na pluralidade dos melhores momentos da história da empresa jornalística, a cara e a mão de vocês dois, e de alguns outros que remam também à contracorrente.

  9. Leio sempre a coluna do Clóvis Rossi, realmente ele tem uma visão muito humana e universal. As gerações do presente parece não estar dispostas a colaborar nestes trabalhos de reafirmação dos valores humanos. Fico satisfeito que ainda tem gente disposta a fazer um retiro com o propósito de renovar suas energias espirituais.Quando Cristo andava pelo mundo dizem que a luz que emanava de seu espírito era tão grande que cegava aos olhos dos mais incrédulos. Se algum dia alguém tiver a oportunidade e o preparo suficiente para defrontar com um espírito do além como eu tive-, verá que ele estará carregado de grande energia capaz de te derrubar e de te desmaiar. Por que será eles têm tanta energia? A resposta é simples: eles são espíritos e, como espírito, portanto, estão mais próximos do espírito divino que é só energia. Energia positiva é claro. Vamos sempre o usar o verbo ir no presente, nunca no passado, porque as pessoas que vão até Deus fazem parte da nossa vida e estão sempre juntas de nós, sempre nos esperando, para receber-nos, juntos, num grande banquete celestial! É só esperar pra ver! Não brinque nunca com as coisas de Deus – principalmente esses mistérios que você desconhece. O Kotscho vai chegar carregado de energia positiva! A oração ainda é a maneira mais prática e mais eficiente de nos encontrarmos com Deus. Até.

  10. Prezado Kotscho: Estou de acordo de que a coisa tá indo pro beleléu mesmo. O que tenho visto de gente em beira de estrada e nas esquinas da vida pedindo intervenção militar só pode ser de uma geração, ou quase duas gerações pra trás, que não viveram no período da ditadura. Se é falta de educação política ou convicção mesmo que é esse o caminho fica difícil de dizer. Mas que é assustador não resta dúvida. “A escuridão não pode expulsar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio, só o amor pode fazer isso…” – Martin Luther King Jr..

  11. A situação está feia, mas em contínua mudança. Todos estão mostrando a cara, inclusive os bandidos que administram a propalada e programada derrocada do Brasil.
    Mas continuo otimista, mesmo porque ainda não estamos sob o coturno militar e nos manifestamos livremente (bom, desde que não usemos camisas vermelhas).
    Acho que não há motivos para alarmismos exagerados. Um país é feito pelo conjunto de sua população, e há por aqui 200 milhões de pessoas. Claro que só uma minoria (10%?) merece o cognome de “ser humano pleno”, mas essa minoria pode fazer a diferença. Não pelo autoritarismo ou dando ordens, mas pelo exemplo e pelo respeito por aqueles “outros” que merecem respeito (fora, portanto, a maioria dos ministros do stf e do poder judiciário).
    Hora em que começarmos a falar menos de deus e moral, e mais dos problemas concretos, as coisas vão certamente melhorar, porque vamos abrir os olhos sobre a realidade e sobre nós mesmos.
    Vamos melhorar o Brasil (que não está tão ruim assim), gente? Comecemos por agradecer o que temos, e que não é pouco. E comecemos por não segurar tudo conosco, vamos dividir um pouquinho. Não, não sou cristão (Odin me livre!), mesmo porque de cristão (“ensinamentos” de Jesus) os pretensos cristãos têm muito pouco, ou coisa nenhuma (deveriam se chamar paulinos).

  12. Prezado Jornalista ,
    Desistir do Brasil, nunca ! Você já viajou por outras terras
    e sabe, confesse, apesar de nossas deficiências não existe país melhor . Menos pessimismo e mais fé. Tenha bons momentos de reflexão. Boas reflexões. Volte renovado !

  13. Rossi foi aquele que depois de esculachar o Lula foi salvo por ele um dia no exterior quando caiu numa coletiva de imprensa, e depois ainda confirmou o que sempre disse contra o Lula. Ele trabalha numa empresa que ajudou a derrubar a Dilma e a colocar a pústula do Temer e do Parente decidindo acabar com o Brasil. Agora está arrependido? Muito tarde! Da próxima vez que tiver que esculachar alguém que esculache o patrão dele e ele mesmo!

  14. “Televisão é máquina de fazer doido”, dizia a frase atribuída ao célebre Sérgio Porto (o Stnalislaw Ponte Preta). Nos dias de hoje, ele talvez diria “E a internet é a indústria da ignorância”. Ilustro aqui com episódio ocorrido na livraria onde trabalhei. Começou a rolar um papo sobre o torturador da ex-presidente Dilma (capitão Albernaz) e de curiosidade, acessamos a matéria do site do Globo que trazia a foto do indivíduo. Uma colega, de vinte e poucos anos, ouviu, e se meteu na conversa da seguinte forma: “O torturador da Dilma?! Porque ele não o serviço completo?! Cadê ele?!”. E ficou fazendo reverências na tela do computador. Alertada de que estava fazendo um absurdo e alvo da indignação geral, a mocinha veio com uma emenda pior do que o soneto: “Não me levem a mal, gente. Eu não sou a favor da tortura. É que eu não gosto da Dilma”. Um colega meu saiu do caixa com um aparente “não ouvi isso”. Repito: uma mocinha de vinte e poucos anos, talvez menos. Abraços, Kotscho.

    1. Bem provável, caro Leonardo, que esta mocinha não saiba explicar porque não gosta da Dilma, nem sabe o que é tortura nem ditadura.
      É apenas mais uma vítima da falta de informação ou da desinformação que recebe. Viramos um país de papagaios sem causa e ignorantes sem vergonha mesmo.

      1. Lembra o caso da menina que numa passeata anti-Dilma foi perguntada pelo entrevistador se ela era da direita, e então indagou à mãe, para saber o que as duas eram…

  15. Kotscho: compartilho com você essa desesperança em relação a este país e seu povo. Estamos vivendo uma regressão monstruosa e corremos o risco da direita ser legitimada nas urnas de outubro, porque simplesmente a soberba impede um plano estratégico para tirar a canalha golpista do poder. Não imagino o grau de degradação social, estupidez humana e cobiça que poderemos vivenciar, porque no Brasil, pior do que está pode ficar. Boas meditações!

  16. Caro Kotscho:
    Seu comentário “a internet democratizou e tirou do anonimato a estupidez humana” é verdadeiro, mas o que está acontecendo no Brasil não é culpa dela. Na verdade o Brasil sempre viveu sob alguma forma de ditadura, desde sua descoberta, com os detentores do dinheiro explorando o resto dos brasileiros.
    Tenha um bom fim de semana e a esperança recuperada, além de continuar com sua coragem de denunciar os malfeitores que nos assolam.
    Abraços,
    josé maria

  17. Com todo respeito aos ilustres jornalistas, não posso concordar. Este caos é do interesse de pouquissimos, a maioria dos quais sequer mora no Brasil.
    Como seres humanos temos direito aos bens da civilização, o que nos é negado por forças que nem ocultas são.
    O que há é incapacidade de articular uma reação a estas forças. E não é apenas no Brasil. Em todo o globo terrestre – seja o país desenvolvido ou não – há uma crescente massa de excluídos que se sentem impotentes ou não sabem como reagir.
    Não somos piores nem melhores do que ninguem. A humanidade está sendo devastada por interesses espúrios e egoistas. A primeira grande contribuição que pode ser dada num momento de perplexidade geral é identificar e denunciar como agem estes núcleos.

    1. Caro Alexandre Martins, te agradeço muito pelo comentário porque me ajuda neste Balaio a voltar a debates de melhor nível,com pensamentos e argumentos lúcios, em vez das ofensas do arranca rabo estéril que infesta nossas redes sociais. Apareça sempre. Abraços, Ricardo Kotscho

  18. Bom retiro Kotscho!
    Aos poucos o Brasil começa a ser libertado…(apesar do pagamento integral do resgate, integrantes do quanto pior melhor, insistem em manter o País no cativeiro).

  19. Talvez ainda tenhamos alguma chance. Hoje os militares ocuparam os jornais para rechaçar qualquer possibilidade de intervenção militar. Só sobraram os idiotas de sempre pedindo intervenção ao vento.

  20. Mestre, Clóvis Rossi fora, de precisão matemática e valor inestimável, o trecho do post que escancara aos sem, olhos de ver e cabeça de só, pensar, a possibilidade de compreenderem o que sós, não vêem:
    “Nós perdemos todas as oportunidades generosamente oferecidas ao longo de muitas gerações, e não aprendemos nada.
    Da mais alta elite à raia miúda da pirâmide social, a maioria pensa apenas nos seus próprios interesses imediatos, guardadas as devidas proporções, sem se preocupar com o destino comum.
    Todo mundo quer levar vantagem em tudo e não temos até hoje uma identidade nacional, um projeto sequer de país, lamento admitir.”
    Clóvis Rossi dentro, deselegante contraditar em ‘versão’ que compreendo e admiro, mas não mais existe há pelo menos 15 anos. Necessário então ressaltar quanto a desistência, que “a civilização não é para o Brasil”, pois o “governo [de Rossi) fracassou” e não por “falência múltipla de órgãos”, mas por incompetência, mesquinhez e anacronismo, e que “o fracasso [NÃO] é de um coletivo chamado Brasil”, mas de um seletivo chamado Classe Dominante, que comunga há anos, alimentando ‘as sandices fluviais publicadas nas redes sociais…’
    Ótimo retiro e orai pelo Brasil que precisamos.

  21. Kotscho, bom descanso. Ficaremos tristes sem o seus brilhantes textos por alguns dias, mas com as baterias recarregadas certamente seremos logo agraciados com mais e mais sabedoria e verdades. Você é nosso guru moderno.
    Abraços.

  22. Considero Clóvis Rossi, um notório jornalista tucano, e um dos expoentes da Folha (eita jornaleco ruim) um dos responsáveis pela situação horrorosa que vivemos. Tiraram um governo mais ou menos e colocaram no lugar uma quadrilha horrorosa, o pior bando de larápios que já governou este país infeliz…..

  23. Meditar é sempre bom para recarregar as energias. E para tomar um distanciamento saudavel. De minha parte nao compartilho da desilusão com o povo brasileiro, somente com a tristeza de ver que seguimos sendo colonizados eternamente sem solução aparente. Mas vejo, por outro lado, movimentos de mulheres, de negros, de indigenas, de homo-trans-assexuais+ e outras comunidades encarando desafios e vencendo algumas batalhas. A revolução das ideias pode vir por estes segmentos, justamente porque quase ninguem presta atenção neles! Talvez seja hora de uma mudança mais profunda… para o bem do planeta! Bom feriado!
    Abraços

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